PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES TEÓRICAS DO ATOR-REDE NA ARQUIVOLOGIA

Patrícia Silva

Resumo


No espaço arquivístico estamos envoltos de não humanos em um ambiente híbrido de objetos/coisas, sendo assim, uma questão cada vez mais importante é a de como entendemos e trabalhamos com os objetos/coisas cotidianos à nossa volta, pois reconhecemos que esses ocupam fisicamente e compartilham socialmente nossas vidas. O propósito do presente artigo é delinear uma perspectiva sobre a ontologia dos objetos a partir da Teoria Ator-Rede (ANT) inserida na área da Arquivologia. Trata-se, portanto, de um ensaio teórico que faz parte de uma pesquisa maior que representa uma crítica à visão antropocêntrica de mundo e dialoga com a ANT, principalmente quando o novo pensamento pós-humanista passa a incorporar atores não humanos como elementos essenciais para a compreensão do social. Pensar uma teoria que observa a ação do ser humano no objeto/coisa, e que, esse objeto/coisa também age no humano, imprimindo a mesma função, o mesmo encargo no momento da ação, parece bastante oportuno nos estudos atuais em Arquivologia. A ANT contribuiu de forma atraente no mapeamento das redes que articulam humanos e não humanos nos arquivos, oxigenando de forma bastante audaciosa as pesquisas arquivísticas, ocasionando insights interessantes para os estudos dessa área. Nessa perpectiva as ideias da ANT na arquivologia podem ajudar a abrir novas oncepções, pelas quais o fazer arquivístico é realizado, pois esse abrange formas diferente, em diferentes redes, e com efeitos diferentes. Ademais, é mais uma possibilidade, de como construir uma metodologia que permita apreender e a observar a participação de humanos e não humanos em seus contextos de atuação.


Palavras-chave


Teoria Ator-Rede. Arquivologia. Arquivos

Texto completo:

PDF

Referências


BENNERTZ, R. Constituindo coletivos de humanos e não humanos: a ordenação do mundo. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.18, n.3, p.949-954, 2011.

BOURDIEU, P. Homo Academicvs. Stanford, CA: Polity Press, 1988.

CALLON, M. Dos estudos de laboratório aos estudos de coletivos heterogêneos passando pelos gerenciamentos econômicos. Sociologias, Porto Alegre, v. 10, n. 19, p. 302-321, jan./jun. 2008.

CHRIST, O. Martin Heidegger‘s Notions of World and Technology in the Internet of Things age. Asian Journal of Computer and Information Systems, v. 3, n. 2, April, p. 58-64, 2015.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: 34, 1996. V. 3.

DOURISH, P. et al. An Internet of Social Things. 2014. Disponível em: . Acesso em: 21 fev. 2017.

FENWICK, T. Knowledge circulations in inter-para/professional practice: a sociomaterial enquiry. Journal of Vocational Education & Training, v. 66, n. 3, p. 264-280, 2014.

FENWICK, T.; EDWARDS, R. Actor-Network Theory in Education. London, New York: Routledge, 2010.

JAPIASSÚ, H.; MARCONDES, D. Dicionário básico de filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.

JARDIM, J. M. A Pesquisa em Arquivologia: um Cenário em Construção. In: VALENTIM, M. L. P (Org.). Estudos avançados em Arquivologia. Marília, São.Paulo: Cultura Acadêmica, 2012. p. 135-154.

KNORR-CETINA, K. Objectual practice. In: SCHATZKI, T. R.; KNORR-CETINA, K.; VON SAVIGNY, E. (Ed.). The practice turn in contemporary. London: Routledge, 2001. p. 184197.

LATOUR, B. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos escudos científicos. Bauru, SP : EDUSC, 2001.

______. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Rio de Janeiro: 34, 1994.

______. Por uma antropologia do centro. Revista Mana, Rio de Janeiro, v. 10, n.2, p.397-414, out. 2004.

______. Reagregando o Social: uma introdução à teoria do Ator-rede. Salvador: Edufba, 2012.

______. Reassembling the social: an introduction to actor-network theory. New York: Oxford University Press, 2005.

______. Changer de societé, refaire de la sociologie. 2006. Disponível em: . Acesso em: 10 jun. 2017.

LEMOS, A. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013.

______. A comunicação das Coisas. Internet das Coisas e Teoria Ator-Rede. Etiquetas de Radiofrequência em Uniformes Escolares na Bahia. 2012. Disponível em: . Acesso em: 15 fev. 2017.

MERLEAU-PONTY, M. Conversas. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

MITEW, T. Do objects dream of an internet of things? Fibreculture Journal, n. 23, p. 1-25, 2014.

NIETZSCHE, F. Assim falava Zaratustra. 2002. Disponível em: < http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/zara.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2016

PICKERING, A. Practice and post-humanism: social theory and a history of agency. In: CHATZKI, T. R.; KNORR-CETINA, K.; VON SAVIGNY, E. (Ed.). The practice turn in contemporary. London: Routledge, 2001. p. 172-183.

QUEIROZ E MELO, M. F. A. Mas de onde vem o Latour? Pesquisas e Práticas Psicossociais, São João del-Rei, v. 2, n. 2, fev. 2008.

SCHATZKI, T. R. A new societist social ontology. Philosophy of the Social Sciences, v. 33, n. 2, p. 174-202, 2003.

SCHATZKI, T. R.; CETINA, K. K.; SAVIGNY, E. The Practice Turn in Contemporary Theory. London, New York: Routledge, 2001.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 20. ed. São Paulo: Cortez, 1996.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Licença Creative Commons
Todos os originais publicados no Periódico Archeion Onlline estão disponibilizados de acordo com a Licença Creative Commons 3.0 Brasil (obrigatoriedade de atribuição de créditos/vedado uso comercial/vedada criação de obras derivadas/permitida citação referenciada).