REVIGORAMENTO, REJUVENESCIMENTO E APERFEIÇOAMENTO DO CORPO: culturas somáticas na sociedade portuguesa contemporânea

Vítor Sérgio Ferreira

Resumo


O objetivo deste artigo é analisar as condições sociais que proporcionaram o processo de desnaturalização do corpo na história recente da sociedade portuguesa, desde o Estado Novo – regime sob o qual Portugal foi governado entre 1933 e 1974 – até a atualidade. Para tal, proceder-se-á à identificação, descrição e compreensão sociológica das diferentes culturas somáticas que informam distintas formas geracionais de usar, pensar e viver o corpo, presentes na sociedade portuguesa contemporânea. Nesta narrativa, serão tomadas como dimensões de análise as instituições mais relevantes na socialização corporal, bem como as estratégias de incorporação e os modelos de corporeidade que lhes estão subjacentes. Considerando essas dimensões analíticas, apresenta-se uma tipologia que identifica três culturas somáticas na história recente da sociedade portuguesa,as quais informam diferentes condições geracionais de usar, pensar e viver o corpo: 1) uma cultura de revigoramento físico, herdeira do Estado Novo; 2) uma cultura de rejuvenescimento físico, herdeira das culturas juvenis dos anos 1960-70 e da expansão das indústrias de design corporal nos anos 1980; 3) uma cultura de aperfeiçoamento físico,herdeira da cultura biotecnológica dos anos 1990 e da radicalização da indústria de design corporal. Para além de fazer um estado da arte sociologicamente interpretado da pesquisa histórica sobre corpo feita em Portugal, o artigo sistematiza achados no âmbito de diversos projetos de pesquisa desenvolvidas desde 2002, de onde provêm as fontes históricas e entrevistas individuais que ilustram a narrativa.

Palavras-chave: História social. Cultura somática. Indústrias de design corporal. Privatização do corpo.

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DOI: https://doi.org/10.22478/ufpb.1517-5901.2017v1n47.36720

ISSN: 1517-5901