No centro da periferia: o Brasil e a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Juliana Pinto Lemos da Silva

Resumo


Resumo: A nova arquitetura da ordem internacional mostra que o sistema mundo atual vem ganhando contornos multipolares. Diante da aspiração por maior inserção na governança global por parte dos países da semiperiferia, incluindo o Brasil, um antigo desejo do país ganha destaque como estratégia de inserção internacional: a campanha por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Este artigo busca analisar a posição semiperiférica do Brasil no sistema mundo atual, e como esta condição intermediária afeta as diretrizes da campanha brasileira por uma vaga no Conselho. Será feita uma revisão das credenciais do país, assim como dos obstáculos externos e internos que se encontram no Brasil rumo ao centro. Os resultados mostram que o Brasil ocupa um importante papel no sistema internacional, mas que os problemas típicos da semiperiferia atrapalham sua candidatura por um assento permanente no Conselho de Segurança, e consequentemente, levanta questionamentos acerca das chances de uma semiperiferia plenamente ocupar espaços centrais no sistema internacional.

Palavras-chave: Sistema mundo. Conselho de Segurança das Nações Unidas. Brasil Semiperiferia.


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