IMAGENS DE “MÁ” VIZINHANÇA: It’s all true, de Orson Welles, e a desconstrução racial na forma cinematográfica

Luis Felipe Kojima Hirano

Resumo


Pretende-se, neste artigo, analisar, a partir de fontes históricas, as diversas razões que explicam a não concretização de It’s all true, projeto de documentário de Orson Welles a pedido das autoridades da Política de Boa Vizinhança entre Brasil e Estados Unidos. Na mesma linha das pesquisas realizadas até o momento, sustento a hipótese de que a não realização do filme teve argumentos de cunho racial, como notícias de jornais e memorandos trocados pelas instituições estadunidenses e brasileiras, que patrocinavam o projeto, permitem revelar. Corroborando essa hipótese, busco demonstrar que o projeto de It’s all true desconstruía aquilo que chamo de segregação na forma cinematográfica, que seria a cristalização de relações raciais segregadas como um princípio estruturante da narrativa fílmica, que pautou os filmes hollywoodianos durante o Código Hays. Vale lembrar que tal forma foi ressignificada nos filmes da Cinédia e Sono filmes no Brasil, o que também explica a novidade do projeto de Welles em ambos os países.
Palavras-chave: Política de boa vizinhança. Cinema. Orson Welles. Relações raciais.

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ISSN: 1517-5901