PASSADO E MEMÓRIA NAS LAVOURAS DE RADUAN NASSAR E LUIZ FERNANDO CARVALHO

Ana Karla Costa de Albuquerque

Resumo


André, o narrador de Lavoura Arcaica (1975), de Raduan Nassar, faz de suas buscas ao seu fundo memorial o principal suporte para a história que conta. Ora cauteloso, ora verborrágico e incontrolável, o seu discurso é uma mistura de fluxo com ardil, uma sobreposição de temporalidades distintas, oriundas também de lugares diferentes do seu apreço ou de sua rejeição. Aparentemente distante do tempo a que se reporta, ele rememora, revive e em certos momentos se esforça para trazer lembranças da infância e adolescência para a sua escrita. Sem nenhuma intenção de mimetizar a ação passada, André, ao contrário, faz da tentativa de imitar verbalmente a torrente imagética dos pensamentos uma estratégia para esconder num labirinto a sua capacidade de seleção do que publica, seus julgamentos cuidadosamente trabalhados a lucidez implícita do presente a partir de onde fala. A comunicação oral a qual este resumo se reporta, é parte da dissertação de mestrado apresentada em Abril de 2013 e pretende apresentar como está configurada a representação da memória em Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, e a relação que esta estabelece com a invocação do passado do André de LavourArcaica (2001) dirigido por Luiz Fernando Carvalho.

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