Feitiçaria e resistência: representações pagãs no maravilhoso e no fantástico

Andréa Caselli

Resumo


Este artigo visa analisar a estreita relação entre o simbolismo sagrado pertencente às crenças e tradições do paganismo ocidental e os aspectos imaginativos contidos na literatura maravilhosa e fantástica, dando ênfase aos contos de fadas. É discutida a forma como as reminiscências de tradições pagãs permaneceram em tais textos como fonte histórica de práticas pré-cristãs. Dentre as várias vertentes culturais que contribuíram para a formação das estruturas dos contos de fantasia, os resquícios das antigas tradições religiosas pagãs são de grande relevância para o estudo sobre a finalidade e o conceito destes contos. Pois, a herança histórica dos contos de fadas sobreviveu aos processos de globalização em todas as partes do mundo, atingindo e influenciando culturas diversas. A metodologia utilizada na pesquisa se concentra na análise das publicações de estudos literários, da literatura de contos populares diversos e, sobretudo, das pesquisas históricas, antropológicas e psicológicas sobre o tema. Foram consultados autores de áreas diversas, a garantir que a pesquisa tenha caráter transdisciplinar e que favoreça o diálogo entre ciências da religião, literatura e imaginário. O material foi sistematizado em um referencial teórico fundamentado em contos coletados por pesquisadores oitocentistas como Franz Xaver von Schönwerth. Também foram usadas concepções como as do folclorista Etunimetön Frog sobre resgate tradicional, do historiador Jaques Le Goff sobre mito e rito, da psicóloga Marie Louise Von Franz sobre contos populares e do filósofo Tzvetan Todorov sobre o fantástico.

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DOI: https://doi.org/10.22478/ufpb.1982-6605.2017v14n2.36465