A MORTE NO ESPIRITISMO: uma análise simbólica da transformação e continuidade da existência

 

DEATH IN SPIRITISM: a symbolic analysis of the transformation and continuity of existence

 

Juliana Maria Teixeira da Conceição *

Valentina da Silva Dias Pereira **

 

DOI: https://doi.org/10.46906/caos.n34.72583.p153-171

 

Resumo

O presente artigo propõe-se a discutir como a morte no espiritismo pode ser analisada a partir da teoria da antropologia simbólica. Dessa forma, tem por objeto as noções apresentadas na codificação kardecista, referindo-se, nesse caso, ao espiritismo francês, substanciais no entendimento do ser, da vida e da morte. A metodologia escolhida foi uma análise bibliográfica e crítica de caráter qualitativo dos conceitos de espírito, matéria, perispírito, encarnação e desencarnação, principalmente. A pesquisa identificou que o espiritismo ressignifica os conceitos de morte não como um fim último do ser, mas como passagem cíclica e parte da vida humana. Assim, morte e vida tornam-se processos significativos inerentes, cujos símbolos espíritas podem ser construídos a partir, principalmente, dessa ótica.

Palavras-chave: espiritismo; morte simbólica; antropologia simbólica; codificação kardecista.

 

Abstract

This article aims to discuss how death in Spiritism can be analyzed through the lens of Symbolic Anthropology. It focuses on the fundamental notions presented in Kardecist Codification, referring to French Spiritism, which are essential for understanding of being, life, and death. The chosen methodology was a qualitative bibliographical and critical analysis of the concepts of spirit, matter, perispirit, incarnation and disincarnation. The research identified that Spiritism redefines the concept of death not as the ultimate end of being, but as a cyclical transition and an inherent part of human life. Thus, life and death become interconnected, meaningful processes, whose Spiritist symbols are primarily constructed from this perspective.

Keywords: spiritism; symbolic death; symbolic anthropology; kardecist codification.

 

 

Introdução

 

Este artigo propõe investigar como o espiritismo reconstrói simbolicamente a ideia de morte, interpretando-a não como um fim, mas como um processo de transição e continuidade da existência. Assim, questionamos: como a visão espírita da morte como transição pode ser interpretada à luz da antropologia simbólica?

O trabalho explora como os símbolos espíritas — espírito, perispírito, reencarnação e comunicação com os desencarnados — organizam o entendimento da morte, atribuindo-lhe significado em um sistema espiritual e moral. A análise busca compreender como esses símbolos criam uma nova perspectiva acerca da morte e do morrer, contrastando-a com outras visões culturais e religiosas.

Este estudo se torna relevante diante da lacuna nas pesquisas sobre o espiritismo nas ciências sociais nas últimas décadas. Como apontam Stoll (2002) e Giumbelli (1997), entre as religiões brasileiras, o espiritismo é significativamente menos estudado, havendo uma sub-representação tanto no campo religioso quanto nas ciências sociais brasileiras, cenário que persiste até os dias atuais.

Ao interpretar os dogmas espíritas à luz da antropologia, este estudo contribui para as reflexões sobre o papel do pensamento simbólico na construção dos significados humanos. Para tanto, utilizamos como base teórica textos sobre o espiritismo, analisando-os à luz dos conceitos propostos por antropólogos como Clifford Geertz, Mary Douglas e Victor Turner. Além disso, discutimos a morte sob a perspectiva de diferentes religiões e culturas, como as religiões védicas e o catolicismo, para, finalmente, destacar a singularidade da visão espírita sobre o fenômeno.

Conforme Geertz (2008), a religião pode ser entendida como um sistema de símbolos que organiza e dá significado à experiência humana, especialmente diante das incertezas da vida. De maneira análoga, o espiritismo, ao introduzir conceitos centrais como reencarnação, perispírito e desencarnação, cria uma estrutura simbólica que oferece uma interpretação positiva da existência. Nessa perspectiva, a morte não é vista como um fim, mas como uma transição para um novo estágio espiritual, ressignificando a experiência humana.

Similarmente, para Douglas (1991), toda sociedade se organiza de modo a manter a ordem diante do caos. Assim, ao apresentar esses conceitos, o espiritismo estabelece uma estrutura classificatória que reorganiza a relação entre o material e o imaterial. Esse sistema simbólico integra as dimensões física e espiritual, oferecendo aos adeptos a compreensão de que a morte não é o fim definitivo, mas parte de um processo contínuo de aprendizado e evolução.

Como também se pode debater a compreensão da morte a partir das contribuições de Victor Turner, antropólogo que, influenciado por Arnold Van Gennep, descreve os ritos de passagem como processos que envolvem três fases: separação, liminaridade e agregação (Turner, 2005, p. 138). Desse modo, a morte no espiritismo se apresenta como um momento liminar, um estado transitório entre o mundo dos vivos e dos mortos, onde o espírito se desloca entre planos sem pertencer inteiramente a nenhum deles.

Este trabalho está estruturado em quatro seções principais. Na primeira, abordamos as diversas concepções sobre a morte ao longo da história e em diferentes culturas, com destaque para as tradições védicas, egípcias e cristãs. Em seguida, exploramos o espiritismo no Brasil e no mundo, analisando seu surgimento histórico e seus fundamentos filosóficos e doutrinários. Na terceira seção, discutimos a ressignificação da morte no espiritismo, enfocando conceitos centrais como desencarnação, perispírito e evolução espiritual. Por fim, apresentamos uma síntese das reflexões desenvolvidas ao longo do estudo, ressaltando o papel do espiritismo na reinterpretação simbólica da morte e na compreensão da continuidade da existência.

Buscamos, portanto, compreender as concepções presentes nas máximas espíritas a partir de sua relação com a estrutura total em que estão inseridas, conforme sua própria classificação, uma vez que, como aponta Douglas (1991), nenhum conjunto de símbolos pode ser entendido isoladamente.

 

A morte no tempo e no espaço: uma revisão do espiritismo no Brasil e no mundo

 

A finitude humana é uma constante na história das civilizações, sendo compreendida e ressignificada de diferentes formas ao longo do tempo. Como observa Costa (2008), há uma necessidade intrínseca de buscar explicações para o inexplicável, criando narrativas que confortem e deem sentido à inexorabilidade da morte. Diversas culturas, por meio de crenças e rituais, moldaram suas percepções sobre esse fenômeno, influenciadas por suas cosmovisões e tradições religiosas (Pereira; Pereira, 2023).

Na antiguidade, os mortos, frequentemente, ocupavam um lugar de honra, sendo cultuados e respeitados. Entre os gregos, por exemplo, acreditava-se que os falecidos continuavam a necessitar de bens materiais. Por essa razão, os rituais funerários incluíam a deposição de objetos pessoais nos túmulos, assegurando uma suposta continuidade no além (Costa, 2011). No Brasil colonial, influenciados pelos costumes europeus, os membros da elite eram sepultados nas próprias residências, simbolizando a continuidade entre vivos e falecidos no espaço familiar (Costa, 2011).

Com a modernidade, entre os séculos XVIII e XIX, a percepção sobre a morte passou por transformações significativas. O avanço dos saberes científicos e as preocupações sanitárias impulsionaram a criação de espaços específicos para sepultamentos, distanciando a morte do cotidiano e tornando-a um tema cada vez mais velado nas sociedades ocidentais.

Paralelamente, na França do século XIX, o espiritismo surgiu sob a influência do positivismo e do evolucionismo, trazendo uma nova abordagem sobre a existência pós-morte. Allan Kardec desenvolveu um sistema filosófico e religioso que rompe com a dicotomia entre vida e morte, introduzindo a ideia de desencarnação como um processo natural de evolução do espírito (Almeida; Gomes; Pimentel, 2022). Assim, a morte passou a ser compreendida não como um fim absoluto, mas como uma passagem para outra etapa da existência.

O espiritismo nasceu na França na segunda metade do século XIX, influenciado por ideias positivistas e pela busca de uma ciência secularizada e racional. Ele se destacou ao trazer elementos científicos para um campo que, até então, era domínio exclusivo da religião, como o contato com os mortos e o estudo de fenômenos espirituais (Almeida; Gomes; Pimentel, 2022). A doutrina espírita fundamenta-se na existência dos espíritos e na possibilidade de comunicação com os vivos, fenômenos interpretados como evidências empíricas de uma realidade além do mundo material (Cavalcanti, 1985). Esses conceitos dialogam com as ideias de progresso e conhecimento racional típicas do século XIX.

Inicialmente, o espiritismo era entendido como uma prática terapêutica e de investigação espiritual, enfrentando críticas e, em alguns casos, combatido por médicos e até criminalizado (Giumbelli, 1997). Com o tempo, a doutrina se organizou e adquiriu uma dimensão mais religiosa, especialmente no Brasil, onde foi assimilada e adaptada à realidade cultural local (Stoll, 2002). Sua presença no Brasil remonta ao século XIX, quando a colônia francesa no Rio de Janeiro, composta por jornalistas, professores e comerciantes, teve contato com essas ideias (Arribas, 2013). Em 1865, na Bahia, foi fundado o primeiro centro espírita conhecido: o Grupo Familiar do Espiritismo, sob a direção de Luís Olímpio Telles de Menezes (Almeida; Gomes; Pimentel, 2022).

O espiritismo, portanto, surgiu como resultado de influências científicas, filosóficas e culturais, reinterpretando a relação entre vida, morte e espiritualidade. Seu modelo de reencarnação e comunicação com os espíritos foi compreendido no contexto histórico de seu surgimento (Stoll, 2002) e vem se adaptando ao longo do tempo. No Brasil, a doutrina encontrou desafios, incluindo o conflito com a Igreja Católica e a necessidade de legitimação frente ao Estado. A criação da Federação Espírita Brasileira (FEB), em 1884, foi um marco na tentativa de unificação do movimento e na sua consolidação como religião (Arribas, 2013).

A figura de Bezerra de Menezes foi central nesse processo. Considerado o “pai do Espiritismo brasileiro”, ele coordenou e organizou as diversas agremiações espíritas do país, conferindo unidade e estrutura à doutrina (Presoti, 2021). Em 1889, assumiu a presidência da FEB e promoveu esforços para aproximar os grupos espíritas, consolidando um regime federativo como lei orgânica do Espiritismo no Brasil (Presoti, 2021). Além disso, ao vincular o Espiritismo ao Cristianismo, Bezerra de Menezes ajudou a definir sua identidade no contexto religioso nacional.

A diversidade de concepções acerca da morte reflete sua estreita relação com as estruturas simbólicas e religiosas de cada cultura. Geertz (2008) destaca que a religião é um sistema de significados que molda as percepções humanas, proporcionando interpretações ordenadas para o mundo e para os eventos incontroláveis da vida. Assim, a morte é continuamente ressignificada nas diferentes tradições culturais, sendo compreendida ora como passagem, ora como fim, ora como renovação.

Diante dessas diferentes compreensões, torna-se evidente que a morte transcende a mera extinção biológica. Ao longo da história, as sociedades teceram narrativas e rituais que tentam dar sentido a esse evento universal. A morte, portanto, permanece um tema central na constituição das identidades culturais e religiosas, refletindo as concepções que cada grupo humano constrói sobre a existência e a finitude.

 

O espiritismo: uma visão sobre vida, morte e continuidade

 

Entre as concepções ancestrais, os egípcios acreditavam em uma integração entre seres humanos, deuses, plantas e animais em um sistema universal (Ribeiro, 2014). No hinduísmo, a transmigração da alma e a libertação da existência material representam uma tentativa de superar o ciclo de morte e renascimento (Valera, 2012). De maneira semelhante, o budismo concebe a morte como uma etapa na roda do samsara, onde o espírito segue um processo cíclico até atingir a iluminação e se libertar do mundo material (Gyatso, 2007).

Na tradição ocidental, a separação entre corpo e alma permeou grande parte do pensamento filosófico e religioso. No cristianismo, essa dualidade é reafirmada pela distinção entre o mundo material e o espiritual, conceito ilustrado pela transfiguração de Jesus no Monte Tabor: “Seis dias depois, tendo chamado de parte a Pedro, Tiago e João, Jesus os levou consigo a um alto monte afastado e se transfigurou diante deles. Enquanto orava, seu rosto pareceu inteiramente outro; suas vestes se tornaram brilhantemente luminosas e brancas qual a neve, como não há pisoeiro na Terra que possa fazer alguma tão alva [...].” (Marcos, 9:1 a 9 apud Kardec, 2019a, p. 297)

Esse episódio reflete a distinção entre o corpóreo e o espiritual, reafirmando a possibilidade de existência para além da dimensão material. A narrativa também sugere um vínculo entre o divino e o humano, indicando que a morte não seria um evento final, mas sim uma transição.

No espiritismo, essa ideia se traduz na codificação kardecista, estruturada em cinco obras principais: O livro dos espíritos (Kardec, 2005), O livro dos médiuns (2019b), O evangelho segundo o espiritismo (Kardec, 2004), O céu e o inferno (Kardec, 2001) e A gênese (2019a). Em O céu e o inferno, Allan Kardec propõe que os estados da alma após a morte não são espaços físicos, mas condições espirituais determinadas pelas ações dos indivíduos em vida. Dessa forma, o Espiritismo rejeita a ideia de punição eterna, concebendo a morte como uma etapa do processo evolutivo dos espíritos.

O espiritismo e, sobretudo, suas obras respectivas destacam-se pela tentativa de teorização da moral da figura de Jesus Cristo, sem necessariamente ligar a fatos específicos e narrativos de sua vida, ligados à noção de tempo. Nesse sentido, a cronologia bíblica, por exemplo, não teria importância primária no segmento moral formulado pelo Cristo, sendo este, todavia, a fonte de todo o conhecimento necessário e explicativo das questões humanas.

É dentro dessa perspectiva que o espiritismo entabula cinco pilares básicos que o sustentam. Sendo assim, a existência de Deus, a imortalidade da alma, a multiplicidade das existências, a pluralidade dos tipos de mundos habitados e a comunicação com os espíritos indicariam não somente um padrão de teor discursivo, no qual uma reflexão sobre vida e morte pode aparecer, mas também um dos principais panos de fundo.

Os princípios da reencarnação, da imortalidade da alma e do mediunismo, como uma das formas de comunicabilidade dos espíritos, indicam diretamente que, para o Espiritismo, a morte não é elevada ao patamar de destruição, mas de passagem ou transformação para uma nova vida. Apesar da codificação kardecista ser a ossatura do espiritismo francês[1], a doutrina é conhecida entre adeptos e não adeptos, sobre outras ordens de livros; cartas psicografadas que mostram o posicionamento da doutrina frente à morte. As obras psicografadas pelos espíritos de André Luiz e Emmanuel são as mais populares, dentre elas cita-se; Os mensageiros, Obreiros da vida eterna, E a vida continua.; Há dois mil anos, Paulo e Estevão e Ave Cristo.

Segundo Gonçalves (2011, p. 102), André Luiz, um dos espíritos cuja psicografia é conhecida, principalmente pelo médium Chico Xavier, afirma que o processo de morte é um fenômeno que necessita de esclarecimento, e essas “luzes” são os saberes que constituem o discurso do espiritismo. Nesse sentido, o espiritismo transcende o tempo como geralmente é compreendido pelos seres humanos ocidentalizados, alcançando a eternidade. Ele se baseia em processos simbólicos que abarcam a imensidão e a vastidão do tempo e do espaço (Cavalcanti, 2005).

Ao analisar a construção da ideia de morte na obra espírita, percebe-se que essa temática atravessa toda a base escrita que constitui o espiritismo. Em O evangelho segundo o espiritismo, é possível se debruçar sobre três capítulos essenciais: 1) Capítulo 2: Meu reino não é deste mundo; 2) Capítulo 3: Há muitas moradas na casa de meu Pai; e, finalmente, 3) Capítulo 4: Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo. Esses capítulos giram em torno da afirmação de uma realidade metafísica, reforçando a ideia da morte como um caminho.

O discurso inicia-se com uma afirmação contundente: “Meu reino não é deste mundo”. No entanto, por inferência e interpretação, de qual reino se fala? A estrutura linguística do enunciado carrega um tom de aviso: existem dois reinos, mas o de Cristo não está neste plano físico. Assim, deduz-se que esse reino é metafísico, além da existência terrena. Ao longo do capítulo, é construída a ideia de uma vida futura, que não é uma existência estática, mas um processo contínuo, moldado por uma caminhada incessante. A morte, nesses termos, é compreendida como um rompimento com a perspectiva existencial tradicional; a vida não cessa, ela é contínua.

No capítulo subsequente, Há muitas moradas na casa de meu Pai, essa perspectiva se amplia ao apresentar um argumento acolhedor sobre o que se espera na verdadeira vida. A ideia de um único lugar pós-morte (entre o fogo eterno e um paraíso monótono) é desconstruída. Agora, a morada espiritual se constrói no âmago do ser, aqui e agora, através de sua natureza espiritual. A passagem do evangelho de São João (14:1-3) é um exemplo claro dessa visão:

 

Que o vosso coração não se turbe. Crede em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, eu já vos teria dito. Porque eu me vou para vos preparar lugar e, depois, que eu tenha ido e vos tenha preparado o lugar, eu voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que, onde eu estiver, ali estejais também  (Kardec,2004, p.49)

 

A morte, aqui, é apresentada não como um fim, mas como uma passagem para outro mundo. Cristo promete retornar e levar os seus para a morada preparada. Essa promessa reforça a ideia de que a morte não é um término, mas a abertura de um novo caminho, um contínuo de transformação e aprendizado, que remete também à doutrina da reencarnação.

Essa visão é mais uma vez reforçada no capítulo 4, com a frase “Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo”. A grande incógnita dessa premissa não é um batismo espiritual ou uma renovação mágica do espírito, mas a ideia de um novo nascimento, um ciclo contínuo de reencarnação. Em São Lucas, há uma discussão sobre a possibilidade de um dos antigos profetas ter reencarnado, como no caso de João sendo Elias. O conceito de reencarnação é também uma forma de a morte ser vencida, pois, ao passar pela reencarnação, o profeta Elias (e João) supera a própria morte.

A passagem mais significativa talvez seja a seguinte:

 

Em verdade, em verdade vos digo: se um homem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que nasce do Espírito é Espírito. Não vos espanteis do que eu vos disse, que é preciso que nasçais de novo. (Kardec, 2004,p. 59-60)

 

A conversa entre Cristo e Nicodemos (Kardec, 2004) não deve ser compreendida somente como um renascimento espiritual, mas como a reafirmação de que a morte é somente uma transição natural, um processo de renovação. A advertência “não vos espanteis” fortalece a ideia de que não devemos temer a morte, pois ela é apenas uma passagem. Nascer e viver novamente é, então, uma possibilidade presente para todos.

No Livro dos espíritos, no capítulo 1, quarta parte, especificamente questão 941, aborda-se diretamente o medo da morte. Quando questionados sobre o temor que a morte inspira, os espíritos respondem:

 

É errado que tenham esse temor. Todavia, que queres tu! procuram persuadi-las em sua juventude de que há um inferno e um paraíso, mas que é mais certo que elas irão para o inferno porque lhe dizem que, o que está na Natureza, é um pecado mortal para a alma. Então, quando se tornam grandes, se têm um pouco de julgamento, não podem admitir isso, e se tornam atéias ou materialistas. É assim que as conduzem a crer que, fora da vida presente, não há mais nada. Quanto às que persistiram em suas crenças da infância, elas temem esse fogo eterno que as deve queimar, sem  as destruir. (Kardec, 2005, p. 367)

 

Essa passagem ilustra como o temor da morte é, muitas vezes, enraizado nas crenças católicas aprendidas desde a infância, nas quais o inferno é apresentado como um destino certo para aqueles que não seguem a moral religiosa. Ao amadurecer, muitos passam a questionar essas ideias e, por consequência, a ver a morte com outros olhos.

Assim, o espiritismo brasileiro, especialmente com figuras como Bezerra de Menezes, vai aproximando o espiritismo do catolicismo, ao mesmo tempo em que refuta algumas de suas premissas. O espiritismo é, então, compreendido como uma continuidade e explicação das doutrinas católicas, mas com a ênfase na morte como uma passagem natural, em vez de um fim aterrador. O temor da morte é, portanto, uma construção cultural, uma herança de uma visão medieval e teológica, e o espiritismo busca romper com esse medo, apresentando a morte como uma lei natural do progresso humano, como um processo inevitável que nos conduz a um caminho contínuo entre as vidas.

Cada argumento que constitui a literatura básica do espiritismo não se limita a tranquilizar o ser humano diante do falecimento, mas a desmistificar a morte, tornando-a uma porta atravessada no caminho do espírito. A morte, assim, é entendida como um fio condutor entre as existências, sem o caráter de fim, mas de transformação e continuidade.

 

A ressignificação da morte no espiritismo

 

Na obra intitulada O problema do ser, do destino e da dor, Léon Denis afirma que a morte vai além de uma simples mudança de estado ou destruição biológica. Na verdade, ela abre uma nova forma de existência, “O Espírito, debaixo da sua forma fluídica, imponderável, prepara-se para novas reencarnações; acha imponderável, prepara-se para novas reencarnações” (Denis, 1991, p. 129). Assim, a morte, como geralmente é entendida, não existe, pois nenhum ente de fato perece em sua unidade consciente.

O espiritismo, dessarte, apresenta um sistema religioso próprio, caracterizado por uma interpretação peculiar da relação entre os homens e os espíritos. Nesse contexto, concepções dicotômicas, como nascimento e morte, são ressignificadas como encarnação e desencarnação (Cavalcanti, 1985), configurando uma rede de significados que estabelece uma simbologia própria e coerente.

Na perspectiva espírita, falecer e desencarnar são conceitos e processos significativos diferentes, ainda que substancialmente possam indicar similaridade. Morrer pode estar relacionado ao não mais funcionamento biológico do indivíduo, nesse caso, a morte do corpo físico, mas o desencarne representa a separação total e final do espírito e do corpo do indivíduo. Dessa forma, o ser experimentaria, verdadeiramente, a liberdade.

Os próprios conceitos são definidos e interligados. A formação do homem em sua totalidade não se resume ao espírito e à matéria (corpo), mas a outras formas que formam o ser tridimensionalmente. No “Livro dos espíritos”, Kardec (2005) indaga os significados, ou a natureza do que é espírito e a matéria. Ao primeiro, é respondido que seria “um princípio inteligente”. Sendo, dessa forma, a inteligência um atributo do espírito, e este de natureza não palpável e difícil de ser definido na linguagem humana. Quanto à segunda, seria formada por um elemento primitivo cujas modificações seriam resultados das modificações das moléculas elementares e determinadas substâncias.

No livro, é reforçado a incapacidade de compreensão completa desses conceitos em virtude da linguagem humana não ser muito desenvolvida para apreensão completa desses sentidos. Todavia, a natureza substancial do espírito ainda é desconhecida, e alguns adeptos podem entendê-la também como uma matéria, mas, dentro desse contexto, pode assumir o caráter de uma matéria quintessenciada. Por essa conceituação, entenda-se uma espécie de pureza própria e, em alguma medida, menos densa que a de um corpo biológico segundo a perspectiva ocidental (Kardec, 2005).

Já a noção de perispírito forma a tríade dimensional do homem enquanto unidade completa. Segundo os espíritos apresentam a Kardec, a noção de perispírito seria de um princípio intermediário que envolve o espírito e une a alma ao corpo, sendo sua natureza semimaterial. (Kardec, 2005). Segundo o Livro dos espíritos:

 

O homem é formado, assim, de três partes essenciais:

1°- O corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo princípio vital;

2°- A alma, Espírito encarnado, do qual o corpo é habitação;

3°- O princípio intermediário ou perispírito, substância semi-material que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo. São, como num fruto, o germe, o perisperma e a casca. (Kardec, 2005, p. 90)

 

Uma problematização em torno das noções de alma e espírito se forma. De modo genérico, a alma pode também ser interpretada como o espírito aprisionado no corpo. Além disso, há interpretações que se dirigem em outra direção e assumem que alma e espírito equivaleriam significativamente e reforçariam a pobreza da linguagem humana na compreensão do mundo espiritual. Nesse caso, concebem-se as percepções de espírito encarnado, ou seja, aquele que anima o corpo e espírito desencarnado, aquele liberto do corpo.

Os símbolos rituais, portanto, podem ser compreendidos como multivocais, ao carregarem múltiplos significados que se polarizam entre fenômenos fisiológicos e valores normativos (Turner, 1974). Nessa perspectiva, as noções de perispírito e reencarnação funcionam como metáforas radicais, articulando dimensões materiais e espirituais.

Para além dessa perspectiva geral, há mais uma ideia que permeia o espiritismo. Como o ser é tridimensional e ligado, necessariamente, há um elo conhecido como cordão fluídico ou fio de prata. A ideia de um cordão de cor prateado é para os espíritas relacionada à sua luminosidade. O romper completo e natural, ou seja, o fim da existência do indivíduo nas condições ideais, significa o desencarne e não está, necessariamente, atrelada ao fim do funcionamento natural do corpo biológico.

Para o espiritismo, diante do quadro conceitual apresentado, existem duas realidades distintas. A morte, verdadeiramente, pode ser superada, visto que a verdadeira vida é a do espírito livre. O estado do espírito liberto e, consequentemente, sua vida espiritual depende de sua conduta moral e comportamental enquanto espírito encarnado numa existência corpórea. A morte não passa de mera passagem, transição do espírito para a possibilidade de um despertar e desenvolvimento.

Nesse caso, as ideias católicas apriorísticas de céu, inferno e purgatório estariam agora atreladas ao estado e ordem do espírito e não, necessariamente, à possibilidade de um lugar circunscrito, geoespacial e definido. Enquanto o espírito encarnado é o indivíduo que constrói o seu céu e o inferno. Assim, para o espiritismo, a resiliência e escolhas na existência corpórea definem o pós-vida, sendo assim, o sujeito responsável pelo seu destino, ainda que esteja sob o jugo da Providência, que pela onisciência sabe do que é necessário à evolução do espírito.

 

O progresso, entre os Espíritos, é o fruto do seu próprio trabalho; mas como são livres, trabalham para seu adiantamento com mais ou menos de atividade ou de negligência, segundo a sua vontade; eles apressam, assim, ou retardam o seu progresso, e, por consequência, a sua felicidade. (Kardec, 2001, p. 26)

 

A concepção de morte interpretada pelo espiritismo justifica seus pilares da pluralidade de existência e, portanto, da reencarnação. Não podendo o espírito conseguir atingir a perfeição relativa[2] numa só vida e resgate de vidas passadas, Deus concede a possibilidade reencarnatória na conjuntura de vida. O acaso não existe nesses termos.

 

A encarnação é inerente à inferioridade dos Espíritos; ela não é mais necessária àqueles que ultrapassaram o limite e progridem no estado espiritual ou nas existências corporais de mundos superiores que não têm nada mais da materialidade terrestre [...] (Kardec, 2001, p. 27).

 

Nesse sentido, a grande questão para o espiritismo é a desconstrução da morte; não existe morte, e sim vida em outro plano. A morte, portanto, não passa de uma transformação, tal qual é a metamorfose que permite a lagarta se transformar em borboleta (Rocha, 2012, p. 61). Nesse hiato, a vida é um continuum, do qual a morte faz parte da vida e não se finda com ela. Viver, desencarnar e moralidade estão ligados, inevitavelmente, nesse contexto.

No espiritismo, a morte não é concebida como um fim, mas como uma etapa de transição do espírito para uma nova existência. Essa visão se diferencia das concepções tradicionais, que associam a morte à finitude e à ruptura definitiva entre corpo e alma. No entanto, na doutrina espírita, a morte é compreendida como um processo simbólico que separa o ser humano de seu corpo físico, permitindo a continuidade de sua jornada espiritual.

Geertz (2008) e Douglas (1991) apontam que as crenças relacionadas ao fenômeno da morte precisam ser interpretadas no contexto de seus próprios sistemas simbólicos, que oferecem sentido e ordem à experiência humana. No espiritismo, a morte não representa destruição, mas um vínculo entre os planos material e espiritual, transcendendo a dicotomia tradicional entre vida e morte. Sob essa perspectiva, a morte é vista como uma transformação, na qual a alma, ainda em processo de purificação, se renova e avança para planos espirituais mais elevados (Cavalcanti, 2005).

Essa concepção espírita propõe a morte como transição e continuidade, oferecendo uma visão de renovação e progresso espiritual que desafia as ideias convencionais de fim. Nesse sentido, ela introduz a ideia de um ciclo eterno de aprendizado e aperfeiçoamento do espírito. Como Cavalcanti (1985, p. 15) destaca, “o nascimento e a morte ou, em termos espíritas, a encarnação e a desencarnação; enquanto passagens do Mundo Invisível ao Mundo Visível e vice-versa, abrigam uma complexa transformação na identidade do Espírito”.

Esse entendimento reforça a noção de que a existência espiritual ultrapassa os limites do plano terreno. Cavalcanti (2005 apud Cavalcanti, 2003, p. 79) afirma que o espiritismo “visa desfazer a oposição entre vida e morte em sua fabulosa construção cosmológica e ritual”. Assim, a morte não é vista como o término, mas como uma transformação simbólica que mantém e fortalece os vínculos entre os mundos visível e invisível (Cavalcanti, 2005).

No espiritismo, a morte é compreendida como um período de transição, no qual o espírito ainda pode manter vínculos com a esfera material, especialmente por meio das práticas mediúnicas. Esse entendimento se alinha ao conceito de liminaridade proposto por Victor Turner, que descreve um estado de ambiguidade em que as categorias sociais e estruturais se dissolvem. Nesse estágio, “os neófitos não estão nem vivos, nem mortos e, de outro, estão vivos e mortos. Sua condição é de ambiguidade e paradoxo, uma confusão de todas as categorias costumeiras” (Turner, 2005, p. 140).

A desencarnação espírita, portanto, segue a lógica de um rito de passagem liminar, no qual o espírito, desapossado do corpo físico, vivencia uma condição ambígua: já não está encarnado, mas ainda não se integrou plenamente ao plano espiritual. Essa fase reflete a noção de Turner (2005, p. 140) de que a liminaridade constitui um “reino de pura possibilidade”, no qual novas configurações de existência podem emergir.

Similarmente, a reencarnação é interpretada como um processo de renovação espiritual que se realiza através do retorno do espírito ao plano físico. Nesse contexto, a morte é percebida somente como um intervalo entre diferentes existências, reafirmando a continuidade da evolução espiritual (Cavalcanti, 1985). Esse processo não apenas oferece uma nova compreensão sobre a morte, mas também proporciona consolo diante do que, em outros sistemas simbólicos, poderia ser compreendido como o fim definitivo da vida.

Como observa Gonçalves (2011), os princípios espíritas indicam que cada encarnação é cuidadosamente planejada com o propósito de impulsionar o progresso do espírito. Assim, a reencarnação não se limita ao simples retorno à vida, mas representa uma expressão da vontade divina e da contínua possibilidade de evolução espiritual.

Outra noção central abordada ao longo do texto é a do perispírito, descrito como um corpo semimaterial que liga o espírito à matéria. Esse conceito não somente explica a transição entre encarnação e desencarnação, mas também reforça a ética espírita de evolução moral, ao integrar a morte biológica à dimensão espiritual, transformando-a em um “processo de devir” (Turner, 2005, p. 137).

Dessa forma, a doutrina espírita propõe uma nova perspectiva sobre a morte, ultrapassando a concepção tradicional de fim e apresentando-a como uma passagem que nos insere em um processo contínuo de evolução e aprimoramento. Para além dessa visão ressignificar a morte, ela também transforma a maneira como a vida e o sofrimento são compreendidos, conferindo-lhes um significado em um ciclo incessante de crescimento espiritual.

Ao considerar os símbolos rituais como detentores de multivocalidade, possibilita-se a ressignificação da morte. Enquanto a medicina ocidental a reduz ao fim biológico, a doutrina espírita a interpreta como um rito de transformação contínua, alinhando-se à visão de Turner de que os símbolos são ferramentas para “examinar os valores centrais de uma cultura” (Turner, 1974, p. 202).

Em síntese, a visão espírita desafia concepções tradicionais ao oferecer esperança e consolo àqueles que buscam compreender o propósito mais profundo da vida e da morte, revelando um caminho de renovação constante e transformação espiritual.

 

Considerações finais

 

Neste artigo, exploramos a complexidade da concepção simbólica da morte, ou de sua não existência, no espiritismo, confrontando a sua interpretação com as perspectivas culturais e religiosas ocidentais tradicionais. Percebe-se, assim, como o espiritismo, ao introduzir conceitos como reencarnação, perispírito e desencarnação, ressignifica a experiência da morte, a transformando em um não fim, mas em novas etapas de aprendizado e evolução espiritual.

Entretanto, algumas dificuldades emergem ao longo desta análise. Uma delas reside na tensão entre a visão espírita e as concepções tradicionais ocidentais sobre a morte, frequentemente marcadas por uma dicotomia rígida entre vida e morte. Além disso, a tentativa do espiritismo de aproximar seus pressupostos das justificativas científicas cria desafios epistemológicos, pois, apesar de sua sistematização racional, ele ainda se insere em um campo de crenças e valores que nem sempre são compatíveis com o método científico tradicional.

Outra questão relevante diz respeito à complexidade simbólica do espiritismo, que, ao interligar vida e morte de maneira contínua, exige uma abordagem cuidadosa para evitar reducionismos. A interseção entre filosofia, religião e ciência dentro da doutrina espírita também pode gerar interpretações diversas, o que demanda um olhar analítico que contemple suas múltiplas dimensões.

Assim, este estudo contribui para a compreensão da morte como um fenômeno culturalmente construído, cujos significados variam conforme os sistemas simbólicos que os sustentam. No caso do espiritismo, a morte deixa de ser um fim definitivo para se tornar um estágio dentro de um ciclo maior, oferecendo uma alternativa à visão tradicional e influenciando, de maneira profunda, a forma como os indivíduos compreendem sua própria existência e seu papel no mundo.

A doutrina espírita oferece uma abordagem que vai além da dicotomia entre vida e morte, promovendo uma integração entre os planos físico e espiritual. Dessa forma, apresenta uma estrutura simbólica que traz alento para lidar com a finitude biológica humana, ao passo em que redefine os princípios morais e espirituais que orientam a existência. À luz da antropologia simbólica, destacamos como as crenças e práticas simbólicas se inserem em um amplo sistema cultural, que organiza a experiência humana, refletindo a capacidade do pensamento simbólico de oferecer sentido, organização e propósito.

Nesse sentido, entende-se como, inevitavelmente, a construção dos símbolos propostos pelo espiritismo atendem a uma necessidade não tradicional do que seria a morte. Os pressupostos entabulados pela doutrina são justificados, aproximando-se, sobretudo, das respostas científicas, o que lhes confere um diferencial de outras escolas religiosas. Assim, superar a morte tornou-se possível dentro dos seus respectivos fundamentos.

Nesse contexto, morte e vida tornam-se processos significativos interligados e contíguos. Uma ideia de ser se forma a partir dessas noções. O ser, entendendo-se o âmago e individualidade de cada criatura humana, é reinterpretado. O indivíduo é livre para definir as caracterizações de si, ou seja, do seu verdadeiro estado natural: o espírito. Esse nível de liberdade é transcendente e impacta não somente no seu suposto fim como também o além do fim.

Os símbolos que atendem a esse propósito revisitam, principalmente, a teoria de moral e ética do espiritismo. Assim, concebe-se que o escopo que forma o espiritismo está interligado e pode ser bem mais debruçado a partir das formulações espíritas de vida e morte, ou, encarnação e desencarnação. A antropologia simbólica não somente permite identificar como interligar a construção de símbolos em diferentes esferas e, principalmente, de modo relacional. Assim, a construção dos símbolos espíritas nessa perspectiva justificam uma série de outras noções que foram aqui debruçadas.

 

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Recebido em: 23 / 12 /2024.

Aceito em: 26 / 04 /2025.

 

DOI: https://doi.org/10.46906/caos.n34.72583.p153-171

 

 



* Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil. Mestranda em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da mesma universidade. E-mail: majualexandre20@gmail.com.

** Mestra  em  Arqueologia pelo Programa de Pós-Graduação em Arqueologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco (PPArque/Univasf), Brasil. Doutoranda em Antropologia Social no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (PPGAS/USP), Brasil. E-mail: dias.valentina@outlook.com.

[1] Esse trabalho não se preocupa com as diferentes manifestações culturais que o espiritismo assume mediante o contexto que se desenvolve. Todavia, indicamos ciência de uma literatura consolidada no que concerne a essa perspectiva.

[2] A perfeição relativa entre os espíritas refere-se ao estágio último de depuração que um Espírito pode atingir. Estados angelicais são entendidos nesse sentido pelo Espiritismo.

 

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Desenho de um círculo

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