ENTRE MARGENS E CENTROS: A POESIA URBANA DE MANO SOLANO E OUTROS MANOS

  • Amarino Oliveira de Queiroz

Resumo

Transitando simultaneamente dos códigos da escrita para os da oralidade e da comunicação não verbal, diversos momentos poéticos de Solano Trindade traduzem aquilo que Édouard Glissant (1981) identificaria como o limiar entre a sintaxe da escrita e o ritmo da fala. Ambientadas no cenário da cidade, leituras dessa poesia podem sugerir um exercício que, por ultrapassar os limites da página escrita, sinaliza a corporeidade do gesto, conduzindo a recepção individualizada e passiva para um ato performático, interativo e coletivizante, como ocorre no Hip Hop. Poeta, performer, ator, ativista dos movimentos populares e das causas sociais, Trindade dialogou com outros escritores afro-descendentes das Américas, a exemplo de Nicolás Guillén e sua poesía-son, além de ter antecipado em alguns anos o rap, modalidade poético-musical afro-descendente e urbana que, juntamente com a poética de Solano, constitui objeto de análise no presente estudo.
Publicado
2015-03-17
Seção
Literaturas Africanas e da Diáspora Negra