ÁFRICA E SERTÃO DA PARAÍBA: LUANDA, ARUANDA

  • Elio Chaves Flores

Resumo

Com o espírito de “caminhando, assistindo e cantando”, essa abertura musical, na voz rouca de Geraldo Vandré, “vai, vai, vai pra aruanda”, passo a escrever essa recensão sobre a impactante obra documentária (e documental/ficcional) de Linduarte Noronha, Aruanda (Brasil/Paraíba, 35mm, 21’35’’, 1960). Aruanda é um filme em preto e branco, formado por planos simples, fotografia estourada e locações sertanejas. “Um filme que apresenta um mundo precário, a partir da precariedade da produção”, anunciou o cineasta Glauber Rocha. É assim que, em Aruanda, as imagens do povo negro e do meio ambiente nordestino surgem na tela como expressões exóticas de uma “terra esturricada”. São os tempos da “estética da fome” que inspirarão a produção de um movimento cinematográfico de “baixo custo”, conhecido como Cinema Novo. Para Glauber Rocha, o filme de Linduarte Noronha foi precursor do seu próprio cinema. A metodologia adotada seguiu de perto a proposta de Erwin Panofsky (Significado nas Artes Visuais), na abordagem do “método iconológico” para a descrição e a interpretação de imagens. O documentário, como uma “imagem em movimento”, e sua realização como curta-metragem (até meia hora de tempo da fita) permitiu que se analisasse o que estava no filme (representação fílmica de um quilombo no sertão da Paraíba) e o que ficou em seu entorno, não visibilizado no contexto das condições sociais de produção da obra cinematográfica.
Publicado
2016-02-12
Seção
Cadernos Afro-Paraibanos