TORNAR-SE MÃE:

IMPLICAÇÕES DA MATERNIDADE NO CONTEXTO DA PREMATURIDADE EM UMA UTI NEONATAL

  • Marcella de Araújo Fleuri Pinheiro
  • Antonio Leonardo Figueiredo Calou
  • Rivalina Maria Macêdo Fernandes
Palavras-chave: Maternidade; Prematuridade; Vínculo mãe-bebê; UTI neonatal

Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo analisar os aspectos subjetivos que envolvem a vivência materna diante da hospitalização de um pré-termo, elucidando os caminhos percorridos na maternidade até a atualidade, considerando os sentimentos maternos que se manifestam devido as idealizações gestacionais, o impacto com o bebê real e o luto, e a perda do bebê imaginário, que pode alterar a percepção materna influenciando nas estratégias de elaboração do luto, devido a sentimentos desadaptativos. A busca do entendimento da dualidade do bebê imaginário e o real em torno do funcionamento psíquico da mãe, são necessários para o estudo em questão. Diante disso, propor-se-ia uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo por considerar os fenômenos tal como se apresentam a sua essência. A discussão ocorre sob a visão da terapia cognitivo comportamental no entorno de pensar a diferenciação da relação mãe e bebê em uma circunstância natural e na prematuridade, considerando o processo de luto vivido, ilustrando a nova dinâmica familiar estabelecida, as características do hospital maternidade, bem como visibilizando à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal responsável por proferir cuidados essenciais à sobrevivência do pré-termo e o papel da psicologia hospitalar que fornece escuta especializada e acolhimento frente aos conflitos vivenciados pela família na instituição. Diante do exposto, a preocupação, interesse e relevância desse texto, se caracteriza em entender como o suporte afetivo materno proporcionado está diretamente ligado ao desenvolvimento satisfatório da criança, e como isso, se intercomunica com a redução da taxa de óbitos neonatais

Biografia do Autor

Marcella de Araújo Fleuri Pinheiro
Bacharel em Psicologia e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Centro Universitário INTA (UNINTA)
Antonio Leonardo Figueiredo Calou
Doutorando em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Cientista Social com mestrado na área. Professor do curso de especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental do Centro Universitário INTA (UNINTA)
Rivalina Maria Macêdo Fernandes
Mestre em Gestão de Organizações Aprendentes pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Psicóloga e professora do Centro Universitário INTA (UNINTA)

Referências

Ariès, Phelippe (1981), História social da criança e da família. 2ed. Rio de Janeiro: LTC editora.
Avellar, Luziane Zacché (2011), Jogando na análise de crianças. 2ed. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Baltazar, Danielle Vargas; Gomes, Rafaela Ferreira de Souza; SegaL, Viviane Lajter (2014), “Construção de vínculo e possibilidade de luto em Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal”, Revista SBPH, Rio de Janeiro, 17(01), 88-98, jan-jul.
Baptista, Adriana Said Daher; Furquim, P. M. (2010), “Enfermaria de Obstetrícia”. In: Baptista, Makilim Nunes; Dias, Rosana Righetto (Orgs), Psicologia Hospitalar: teoria, aplicações e casos clínicos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
Barros, Sibele Maria Martins et al (2003), “Padecendo no paraíso: representações sociais da maternidade e paternidade para mães com filhos internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTIN)”. In: Trabalhos Completos - III Jornada Internacional sobre Representações Sociais. Anais... Rio de Janeiro.
Basso, Lissia Ana; Wainer, Ricardo (2011), “Luto e perdas repentinas: Contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental”, Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Porto Alegre, set.
Beck, Judith S. (2013), Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 2ed. Porto Alegre: Artmed.
Bowlby, John (1985), Apego, perda e separação. São Paulo: Martins Fontes.
Bowlby, Jonh (1989), Uma base segura: aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artmed.
Carter, Beth; Mcgoldrick, Mônica (2008), As mudanças no ciclo de vida da família: uma estrutura para a terapia familiar. Porto Alegre: Artmed.
Correia, Larissa Costa; Souza, Nadia Aparecida de. (2010), Pesquisa bibliográfica ou revisão de literatura: traçando limites e ampliando compreensões, Revista Anais do XIX EAIC –UNICENTRO, Guarapuava.
Dattilio, Frank M.; Freeman, Arthur (2004), Estratégias cognitivo comportamentáis de intervenção em situações de crise. Porto Alegre: Artmed.
Ferrari, Andrea Gabriela; Donelli, Tagma Marina Schneider. (2010), “Tornar-se mãe e prematuridade: considerações sobre a constituição da maternidade no contexto do nascimento de um bebê com muito baixo peso”, Contextos Clínicos, Rio Grande do Sul, 3(02), 106-112, jul- dez.
Fortes, Renata C. (2012), A escuta clínica na maternidade: o importante papel do psicólogo. Consultado em: http://www.institutogerar.com.br/.
Freitas, Neli Klix (2000), Luto materno e psicoterapia breve. São Paulo: Summus.
Gomella, Tricia Lacy et al (2006), Neonatologia: Manejo, procedimentos, problemas no plantão, doenças e farmacologia neonatal. 5 ed. Porto Alegre: Artmed.
Gutierrez, Denise Machado Duran; Castro, Ewerton Helder Bentes de; Pontes, Karine Dias da Silva (2011), “Vínculo mãe e filho: reflexões históricas e conceituais a luz da psicanálise e da transmissão psíquica entre gerações”, Revista do Nufen, ano 3, v. 1, n. 2, ago-dez, 2011.
Iaconelli, Vera (2007), “Luto insólito, desmentido e trauma: clínica psicanalítica com mães de bebês”, Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, 10(04), dez.
Klaus, Marshall H.; Kennel, John H.; Klaus, Phyllis H. (2000), Vínculo: Construindo as bases para um apego seguro e para a independência. Porto Alegre: Artmed.
Klaus, Marshall H.; Kennel, John H. (1992), Pais/bebê: a formação do apego. Porto Alegre: Artes Médicas.
Lakatos, Eva Maria; Marconi, Mariana de Andrade (1992), Metodologia do trabalho científico. 4.ed. São Paulo: Atlas.
Levin, Esteban (2005), Clínica e Educação Com as Crianças do Outro Espelho. 1ed. Petrópolis: Editora Vozes.
Ludwig, Antônio Carlos Will (2012), Fundamentos e prática de Metodologia Cientifica, 2ed. Petropólis, RJ: Vozes.
Lustosa, Maria Alice (2010), “A psicoterapia breve no hospital geral”, Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, Rio de Janeiro, 13(02), dez.
Marchetti, Debora; Moreira, Marina Calesso (2015), “Vivências da prematuridade: a aceitação do filho real pressupõe a desconstrução do bebê imaginário?”, Revista Psicologia e Saúde, Campo Grande, 7(01), jun.
Mazutti, Sandra Regina Gonzaga; Kitayama, Marcela Mayami Gomes (2008), “Psicologia hospitalar: um enfoque em terapia cognitiva”, Revista SBPH, Rio de Janeiro, 11(02), 111-124, dez.
Morsch, Denise Streit; Braga, Nina de Almeida (2003), “Os irmãos do bebê”, In: Moreira, Maria Elizabeth Lopes; Braga, Nina de Almeida; Morsch, Denise Streit (Eds.), Quando a vida começa diferente: o bebê e sua família na UTI Neonatal. Rio de Janeiro: Fiocruz, 97-106.
Morsch, Denise Streit; Delamonica, Juliana (2015), “Análise das repercussões do Programa de Acolhimento aos Irmãos de Bebês Internados em UTI Neonatal: "Lembraram-se de Mim!", Revista Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 10(03), jul./set.
Netto, Marcos Vinicius Rezende F.; Duarte, Leandro Silva (2010), “Frankenstein na uti neonatal: o conflito entre o filho real e o filho imaginário”, Psicanálise & Barroco em revista, Rio de Janeiro, 8(01),175-188, jul.
Oliveira, Edilene Barreto S. de. Sommermam, Renata Dias G. (2008), “A família hospitalizada”, In: Romano, Bellkiss Wilma (Org). Manual de psicologia clínica para hospitais. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Parkes, Colin Murray (1998), Luto: estudo sobre a perda na vida adulta. 3ed. São Paulo: Summus.
Quayle, Julieta (2005), “Gestantes de alto risco: a atuação do psicólogo”, In: Ismael, Silvia Maria Cury (Org). A prática psicológica e sua interface com as doenças. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Remor, Eduardo Augusto (1999), “Abordagem psicológica da Aids através do enfoque cognitivo comportamental”, Psicologia: Reflexão e Crítica, 12(01), 89-106.
Simonetti, Alfredo (2013) Manual de psicologia hospitalar: o mapa da doença. 7. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Spitz, René Arpad (2004), O primeiro ano de vida. 3ed. São Paulo: Martins Fontes.
Stern, Daniel N. (1997), A constelação da maternidade: o panorama da psicoterapia pais/bebês. Porto Alegre: Artes Médicas.
Zimmermann, Ainda et al (2001), “Gestação, Parto e Puerpério”, In: Eizirik, Cláudio Laks; Bassols, Ana Margareth Siqueira (Orgs). O ciclo da vida humana: uma perspectiva psicodinâmica. Porto Alegre: Artmed.
Publicado
2020-02-20
Como Citar
DE ARAÚJO FLEURI PINHEIRO, M.; LEONARDO FIGUEIREDO CALOU, A.; MARIA MACÊDO FERNANDES, R. TORNAR-SE MÃE: . Gênero & Direito, v. 9, n. 2, 20 fev. 2020.
Seção
Direitos Humanos e Políticas Públicas de Gênero