ISSN 1517-5901(online)  
POLÍTICA & TRABALHO  
Revista de Ciências Sociais, nº 61, Julho/Dez de 2024, p. 40-57  
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de trabalho emergiram na última década e de  
de trabalho que pode acompanhá-la . Esse fenômeno tem de  
na Alemanha e em ortugal. O objetivo desta inve tigação foi analisar iniciativas sindicai  
mobilização do poder de influência, particularmente de cooperação com outro atores sociai e de di cur o junto  
ociedade em geral, visando à melhoria da condiçõe de trabalho de cloud e gigwo kers. Tendo como ontes de  
evidência entrevi tas semie uturada , análi e de documento e ob ervação di eta, realizou-se um e tudo de ca  
com foco em dois sindicatos, o Indu iegewe chaft Metall (IG etall) e o Sindicato do Trabalhadore  
ortugal ( ultados da inve tigação ugerem a exi tência de  
iniciativas anali : no caso do IG etall, por um lado, au ência de  
com indicatos do owdWo k, declaração  
Tube, cooperação científica. No caso do ência de iniciativa de  
dical tran nacional, recur o ao digital embrionário; por outro lado, caderno reivindicativo TVDE,  
de rua, colaboração com cienti  
indical tradicionais e digitais, bem como entre “Norte” e “  
economia de plataforma  
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ortugal. The aim of thi re earch as to analyse trade union initiative  
with other ocial actor and di cour ith ociety at large, to improve the  
cloud- and gigworker . U ing emi- tructured interview , document analy and di ect  
of evidence, a ca tudy wa conducted focu ing on IG etall and STRU . The re earch  
t that there are weakness and trength in both initiatives analy ed: at IG etall, on the one hand,  
treet demon trations and cooperation with trade union in the Global outh; on the other hand,  
airCrowdWo k, Frankfurt declaration, airTube, cientific cooperation. At TRU , on the one hand, no  
tran nati nal trade union cooperation initiative , embryonic digitali ation; on the other hand, TVDE book of  
demand treet demon tration , collaboration with cienti . It concludes that an interconnection between  
traditional and digital trade union power re ource , as well as between the Global North and outh, i needed to  
address the challenge of the plat m economy.  
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Keywords: Digital labour platform . Trade union  
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s. Germany. Portugal.  
Doutor em sociologia (relações de trabalho, desigualdades sociais e sindicalismo) pela Universidade de Coimbra,  
Portugal, com período sanduíche no Wissenschaftszentrum Berlin für Sozialforschung, Alemanha. Professor  
Adjunto da UNEB. E-mail: vfmfilho@uneb.br.  
MIRANDA FILHO, V. F.  
41  
Introdução: as plataformas digitai  
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plataforma digitais. O crescimento da utilização dessas plataformas pode ser compreendido  
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como uma convergência de diversas tendências, nomeadamente: a difusão da digitalização, a  
expansão das práticas de teletrabalho, o crescimento de intermediários em cadeias globais de  
valor, um crescimento geral do trabalho autônomo nos serviços, um aumento generalizado de  
formas de trabalho just-in-time etc. (Huws et al., 2017). Plataformas  
ubcontratam uma força de trabalho atomizada para prestar erviço a cliente  
2023), podendo er tanto plataformas de trabalho ba eadas na internet (cloudwo  
plataforma de trabalho ba eado na localização (gigwo  
chmidt, 2017). A classificação dos(as) trabalhadores(as) de plataformas como autônomos(as)  
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(Rani; Gobel,  
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suas respectivas subcategorias  
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(De Stefano, 2016), a dispersão geográfica desses(as) trabalhadores(as) (Joyce et al., 2020)3,  
bem como as desativações arbitrárias unilaterais por parte das plataformas (Berg et al., 2018)  
são algumas das questões que têm dificultado a representação desse segmento da força de  
trabalho.  
Globalmente e  
rnicek, 2017). Na Europa esse fenômeno tem  
Kilhof er, 2017) e acelerou sua expansão com a crise da covid-19 (  
Draho ou il, 2022). Em meio às dificuldades de se identificar o percentual da força de trabalho  
envolvida nesse fenômeno no contexto europeu, estimativas mai cautelo s sugerem uma  
porção entre 1,1% ( ia na; Zwy en; Draho ou il, 2022), 2,3% ( ole et al., 2018) ou até 2,9%  
(Huw et al., 2017). Contudo, ainda que repre ente uma pequena parcela da força de trabalho,  
a inve tigação obre o trabalho em plataforma  
fenômeno global com repercussão em diver s seto  
ão cre cente tudo empíricos sobre os sindicato  
plataforma digitai de trabalho tanto no chamado “Norte” quanto no “  
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Sul Global”.  
1 O cloudwork refere-se à atividade realizada independentemente da localização através da internet, atribuída a um  
grupo aberto (crowd) ou a indivíduos específicos (como criadores de conteúdo).  
2
O gigwork refere-se à atividade executada num local específico, num momento específico, como o transporte  
individual de passageiros.  
3
A exceção é o setor de entrega de refeições (estafetas), em que os(as) trabalhadores(as) podem se reunir com  
mais frequência em locais específicos.  
Desafios contemporâneos do trabalho: entre  
42  
regulações globais e a precarização de plataforma  
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te na Alemanha, o  
como as iniciativas sindicai  
e, 2019; N erling et al., 2021), a organização de novo  
ambiente em de envolvimento (Niebler; Kern, 2020), a bu  
trabalho em plataforma digitai (Funke; icot, 2021), bem como o de  
infrae trutura (Gegenhuber et al., 2022) dentre outra á em Portugal, começam a  
alguns e tudo com foco no perfi de trabalhadore (as) e seus interesses na repre entação  
coletiva (Boavida; oniz, 2022), na lógica reivindicativas e organizativa do (as)  
trabalhadores(as) (Co ta; oeiro; iranda ilho, 2022), assim como na iniciativa para a  
regulamentação do trabalho em plataforma digitai iranda ilho, 2023).  
Nesse cenário, a que tão de partida para e ta inve tigação foi a  
indicatos na Alemanha e em ortugal têm mobilizado eu poder de influência  
notadamente de cooperação com outro atores sociai e de di cur o junto à ociedade em ge  
vi ando a reforçar eu poder de organização e a criar pressão pública para a melho ia da  
con içõe de trabalho na plataforma digitai dos setore de cloud e gigwo k? Esta  
inve tigação tem como objetivo, portanto, analisar dois casos: na Alemanha, o  
Indu iegewe chaft Metall (IG etall); e em ortugal, o Sindicato do Trabalhadore de  
an porte Rodoviário e Urbano de ortugal ( TRUP). O primeiro indicato tem como foco  
o chamado cloudwo k, enquanto o egundo foca no chamado gigwo k. Argumenta- e a partir  
de e tudo de ca o de natureza exploratória e qualitativa que as iniciativa de envolvida pelo  
IG etall e pelo TRUP, voltada para trabalhadore (as) de plataforma digitais, apre entam  
fragilidades e ponto forte , como também complementaridades na mobilização de recur de  
poder, articularmente do poder de influência ocial de coope ação e di curso  
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disso, a AR tem sido u  
(Ba ualdo et al., 2021 . Por fim, a AR  
s
tigação utilizou como ferramenta teórico-analítica a Abordagem dos Recursos  
(Dörre, 2008). T ês razõe plicam a opção por e sa abordagem: a AR tem  
tudo sob e a ação indical nas sociedade capitali ta tanto no chamado  
quanto no ul Global (Co ta et al., 2020; Krein; Dia , 2018). Além  
ada em inve tigações sobre o tra alho em plataforma digitai  
tem ido utilizada pelos indicato para o eu trabalho  
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MIRANDA FILHO, V. F.  
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fundamenta-se na hipótese de que os(as) trabalhadores(as) podem  
defender os seus interesses por meio da mobilização coletiva de diferentes recursos de poder na  
relação entre capital e trabalho ( ch alz; Ludwig; Webster, 2018). ortanto, na ba e da AR  
tá uma concepção marxiana de classe, pois o poder de classe é exercido por trabalhadores(as)  
ao enfrentar o capital como antagonista (Galla , 2018).  
O principal objetivo da é anali  
trabalhadore (as) em determinada circun tância  
da AR é formada pelo conceito de poder e  
por Wright (2000) e ilver (2003), ampliada com o conceito de poder in  
et al., 2008) e, po teriormente, poder comunicativo (Ger t; ick hau ; Wagner, 2011) e  
(Schmalz; Dörre, 2014). ortanto, tai conceito repre entam a quatro fonte de pode  
trabalho que e influenciam reciprocamente e e de envolvem em contextos ocioeconômico  
pecíficos.  
O poder e  
tema econômico (Wright, 2000  
primário, poi tá à di po ição dos(as) trabalhadore  
repre entação coletiva de interess chmalz; Dörre, 2014). E  
como uma capacidade de perturba a valorização do capital por  
ch alz; Ludwig; Web ter, 2018 , manife tando- e na produção e no mercado (  
Um indicador fundamental dessa fonte de pode é a taxa de de emprego (Lehn orff; Dribbu  
chulten, 2017). O poder de organização, por seu turno, re ulta da formaçã de associaçõe  
(as) (Wright, 2000) que, ao contrário do poder e trutural, requer um  
es coletivos (Brink ann et al., 2 08).  
sa fonte de poder: o nívei de atuação de se  
na sua avaliação ( ch alz; Dörre, 2014). Um  
indicador do poder de organização do trabalho é a densidade sindical (Lehndorff; Dribbu ch;  
chulten, 2017). O poder in titucional urge como re ultado de negociaçõe e conflito  
ba eado em poder e trutural e poder de organização (Brinkmann et al., 2008). É con ide ado  
como uma fonte ecundária de poder (Brink ann; Nachtwey, 2010), podendo e expressar no  
tema nacionai de relaçõe laborai (Lehndorff; Dribbusch; chulten, 2017), concedendo  
amplos direito aos sindicatos, mas colocando limite ua capacidade de ação (Co ta et al.,  
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Dois aspectos destacam-se na mobilização de  
ato es e o fatore que podem er utilizado  
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Desafios contemporâneos do trabalho: entre  
44  
regulações globais e a precarização de plataforma  
2020  
)
. Um indicado  
orff; Dribbu  
margem de ação re  
populare , bem como o apoio da  
fonte de poder sindical pode manifestar-se de dua  
formar rede com outro atores sociais e er capaz de ativá-la  
rege; Heery; Turner, 2004); e poder de di cur o/comunicativo, que se expressa na capacidade  
de intervir com ucesso em debate público ou em conflito (Ger t; ick hau ; Wagner, 2011).  
Contudo, um indica or de se recur o de poder pode ser a percepção cidadã (Lehndorff  
Dribbusch; Schulten, 2017).  
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do poder in  
ch;  
ultante de vínculo  
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titucional dos sindicatos é a cobertura da negociação coletiva  
(Lehn  
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chulten, 2017). Finalmente, o poder  
de cooperação viávei  
demandas sindicai  
formas: poder de cooperação, que  
para mobilizaçõe e campanha  
social caracteriza-se como a  
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fontes de evidências  
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compreender a  
trabalho em plataforma  
eguinte motivo : por um lado, o IG  
pecializada como pioneiro e um do principai  
voltada para trabalhadore (as) do etor do cloudwo  
STRUP também pode er referido como o principal  
iniciativa voltada para trabalhadore (as) do etor do gigwo  
2022). ortanto, a intenção foi abordar o ca alemão e português, trazendo à luz evidência  
de diferentes setore (cloud e gigwo k) do trabalho em plataforma , vi ando a ampliar a  
compreen ão sob e o fenômeno inve tigado.  
Trê fonte de evidência foram utilizada  
principal dela . Trabalhou- e com cinco categoria  
s
tigação utilizou como método o e  
tratégia de mobilização de poder de cooperação e de di  
digitai . A eleção do ca do IG etall e do TRU  
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(Yin, 2018  
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etall é amplamente reconhecido na literatu  
atores sindicai a de envolver iniciativas  
k (Degry e, 2023); por outro lado, o  
indicato português a de envolver  
k (Co ta; Soeir iranda ilho,  
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entrevistas  
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de entrevi  
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tado (as): 1) representantes  
s
sindicais da estrutura do STRUP/Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações  
(FECTRANS)/Confederação Geral de Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional  
(CGTP-IN)  
Gewe chaft  
posição formal na estrutura sindical, mas que desempenham um papel estratégico na mobilização  
dos(as) trabalhadores(as) de plataformas; 3) legi lado es(as) engajados(as) com a pauta do  
e
do  
IG  
Metall/Confederação  
dos  
Sindicato  
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(Deutscher  
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s
bund, DGB); 2) ativi  
s
tas, ou seja, pessoas que não ocupam, necessariamente, uma  
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MIRANDA FILHO, V. F.  
45  
trabalho em plataformas digitais nas comissões parlamentares de trabalho e assuntos sociais em  
seus respectivos países; 4) trabalhadore (as) tanto do setor do cloudwork quanto do setor do  
gigwork de gêneros diferentes em cada país; e 5) inve tigadore (as) implicados(as) no debate  
público, na formulação de políticas e/ou nas estratégias sindicais relacionadas ao tema.  
intenção foi obter variado depoimento para melho contextualizar o problema inve tigado.  
Toda entrevi ta foram conduzida por meio da plataforma oom com duração média de 40  
minutos.  
Em  
seguintes documentos: comunicados sindicais; e  
de reuniões e conferências; Lei 45/2018 (“Lei Uber”)  
di cur de dirigentes sindicais; plataformas FairCrowdWork e FairTube; Declaração de  
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egundo lugar, trabalhou-  
s
e com documentação (Yin, 2018  
tatutos do IG Metall e do STRUP; relatório  
Proposta de Diretiva Europeia; dossiês;  
). Essa constituiu-se dos  
s
s
;
s
sos  
Frankfurt, código de conduta do crowdsourcing, vídeos relacionados aos casos selecionados  
etc.  
Adicionalmente, realizou-se ob  
espaços, nomeadamente: nas sede do dois  
trabalho em plataformas digitais convocadas por legisladores(as) no Reichstag alemão e na  
Assembleia da República Portuguesa; bem como em manife taçõe de rua de trabal adore (as)  
do setor do gigwork. A utilização de múltipla fonte de evi ência (entrevi ta , documento  
ob ervaçõe ) teve como objetivo realizar uma triangulação, vi ando à qualificação do  
re ultados da investigação  
inalmente, a categorização da  
MaxQda, ver ão axqda 2022, Relea  
abordagem dedutiva e orientada pelo conceito  
s
ervação direta (Yin, 2018), que ocorreu em diversos  
s
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indicatos; em audiências públicas sobre o tema do  
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s
informações foi feita com o auxílio do  
2.2.1 tanda d. Nessa perspectiva, eguiu-  
da AR na análi e das informaçõe uckartz;  
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oftware  
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2
s
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e uma  
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P
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(K  
Rädiker, 2019). Portanto, os conceitos teóricos previamente definidos (poder social de  
cooperação e de discurso) orientaram a análise do material empírico, como pode ser observado  
adiante.  
Alemanha: coo  
p
eração e  
diálogo com as plataformas digitais de trabalho?  
Na Alemanha, algun  
plataforma digitai . E timativas sobre a exten  
envolvida com o trabalho em plataforma digitai  
quantitativos sugerem ainda que esse fen meno é mai  
s
e
s
tudos quantitativo  
s
fornecem informações sobre o trabalho em  
s
s
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s
ão da população economicamente ativa  
s
s
variam entre 0,85% e 4,8%. O  
s
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s
tudo  
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s
comum no grupo etário mais  
s
s
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joven  
Desafios contemporâneos do trabalho: entre  
46  
regulações globais e a precarização de plataforma  
(16 a 44 ano  
s
) do que nos mais velho  
entado do que a  
tudante e detentore  
a realizar trabalho ba  
pessoa que de envolve e sa atividade tende a ter o en  
(Bonin; Rinne, 2017; Huw oyce, 2016; er ling, 2018).  
O IG etall tem ido o indicato mai ativo na Alemanha com iniciativa  
em plata orma digitai sa organização foi fundada em 1949, mas sua  
etalúrgico (Deut chen Metalla  
band DMV), em 1891 (Hofmann; Benner, 2019). O sindicato abrange três setores  
s
. A  
s
inve  
s
tigações sugerem também que o  
s
homen  
s
estão  
ligeiramente mais repre  
mulher). Além disso, e  
anos são mai propen  
e que a maioria da  
s
s
s
mulheres (numa proporção de 1 homem para 0,7  
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(as) de certificado  
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de  
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im de e  
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tudos com 12-13  
or fim, e tima-  
s
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eado na inte net (cloudwo  
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k).  
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sino médio completo  
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para o trabalho  
igens  
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de 20124. E  
s
s
or  
remontam à fundação da Associação Alemã de  
Ve  
M
s
s
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-
r
econômicos: 1) indústria metalúrgica, extração de metais, indústria produtora de ferro e aço,  
artesanato metálico e indústrias afins, artesanato e ramo de serviços; 2) indústria têxtil e de  
vestuário e indústrias e serviços relacionados; e 3) transformação da madeira, processamento  
da madeira e processamento de plásticos. Atualmente, o  
Alemanha, reunindo aproximadamente 2,2 milhõe de trabalhadores(as) em  
2022). No ano de 2021, a contribuiçõe do (as) filiado (as) ao indicat  
milhõe de euros (Ern t, 2022). ua ede localiza- e na cidade de F ankfurt am Main, no e  
de Hessen. O IG etall é membro da DGB, a qual e tá filiada à Confede ação Sindical  
Internacional I UC/CSI/ GB (IG etall, 2020).  
s
indicato é con  
s
iderado o maior da  
ua e ( tati ta,  
totalizaram 592  
tado  
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Pode de cooperação  
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Quanto ao poder  
trução de ponte entre os dirigentes sindicais e ativi  
coletivo dos(as) trabalhadore (as) de plataforma digitai  
do indicato no local de trabalho. Ness entido, no primeiro momento do de  
iniciativas sindicais ob ervou- e nas entrevistas que a participação de m profissional com  
experti e no etor do cloudwo oi de fundamental importância para o IG etall: “contrataram  
Michael Silberman, dos Estados Unidos, que anteriormente tinha feito a plataforma  
s
ocial de cooperação, bu  
s
cou-  
ta  
, que contribuíram para a penetração  
envolvimento da  
s
e perceber no nível da produção a  
con  
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engajado na defe a do interess  
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u
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k
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Turkopticon” (  
A
- I, Pos. 4).  
Essa ob  
s
ervação encontra re  
s
paldo em outro estudo sobre o tema  
4
O acompanhamento do IG Metall foi fundamental para que um(a) filiado(a) fosse reconhecido(a) como  
arbeit gericht, 2020; Coelho, 2021).  
empregado(a) de uma plataforma digital, em dezembro de 2020 (Bun  
de  
s
s
MIRANDA FILHO, V. F.  
47  
(Hai  
ocorreu por meio do contato com a liderança de uma organização de trabalhadore  
do cloudwo k: “em 2018 nós conhecemos Jörg Sprave, o conhecido YouTuber alemão, e ele  
iniciou naquela época uma iniciativa chamada Youtubers Union” ( - I etall, Po . 6). Ess  
compreen ão também encontra re paldo na literatura especializada (Niebler; Kern, 2020  
O poder ocial de cooperação pode e expressar também no nível do tema político/  
ocial atravé de prote to /concentraçõe no espaço público. Nesses, o sindicato tenta mobiliza  
ociedade em torno da pauta do (as) trabalhadore (as) de plataformas digitais. Ness entido,  
não e percebeu indícios de regularidade de manife taçõe de rua de te (as) trabalhadore (as)  
no depoimentos dos(as) entrevi tado (as), na ob ervaçõe , nem no documento . Ess  
con tatação vai ao encont o de outra inve tigaçõe que ugerem q e a iniciativa do IG etall  
se voltam principalmente pa a o cloudwo k ( unke; icot, 2021; Gegenhuber et al., 2022;  
Ro enboh ; Hoo e, 2023). (as) de se etor foi me mo  
mencionada nas entrevi tas: “se tu queres falar com entregadores da Deliveroo ou da Foodora,  
podes ir às ruas e conversar com eles. Mas não podíamos fazer isso com os que trabalham on-  
line” A A2, Pos. 4). Contudo, esse limite parece compen ado pelo poder de organização do  
próp  
digitai  
p
eter; Hoose, 2019). No entanto, recentemente a ampliação das iniciativa  
s
em cur  
so  
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(as) do  
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dificuldade em organizar trabalhadore  
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io  
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indicat  
(Re re entative  
Em relação à mobilização d  
iniciativa podem er de tacada  
Fai owdWo  
o
, bem como por alguma  
s
iniciativas sindicais de prote  
s
tos na  
s
redes sociai  
s
s
s
p
s
Press, 2019).  
o
poder  
social de cooperação no nível transnacional, dua  
s
s
s
s
.
Por um lado, é possível dizer que de  
sde 2015, com a iniciativa  
r
C
r
r
k5, o IG  
Metall, conjuntamente com outros sindicatos notadamente  
Arbeiterkammer e Österreichischer Gewerkschaftsbund, da Áustria, e Unionen, da Suécia –  
tem bu cado mobilizar e se recur o de pode para o enfrentamento do problema no trabalho  
s
s
s
r
s
s
em plataformas, tais como a ausência de redes de trabalhadores(as) que estão dispersos  
geograficamente. Essa iniciativa tem sido apontada como um exemplo importante de  
cooperação  
ohn ton; Land-kazlausk  
tran nacional foi ampliada  
s
indical tran  
s
nacional (Vandaele, 2018), inclu  
s
ive no a  
s
pecto da renovação  
s
s
indical  
indical  
(J  
s
as  
, 2018). Por outro lado, de de julho de 2019, a cooperação  
s
s
s
ignificativamente com a coligação com um movimento de ba  
se de  
trabalhado  
res(as),  
YouTubers Union; bem como em julho de 2020 com a fundação da  
5
O website Fair Crowd Work reúne informações sobre o trabalho em plataformas, apps e crowdwork da  
perspectiva dos(as) trabalhadores(as) de plataformas e dos sindicatos (http://faircrowd.work/de/).  
Desafios contemporâneos do trabalho: entre  
48  
regulações globais e a precarização de plataforma  
a
ssociação FairTube6, visto que: “as plataformas de crowdsourcing são um ramo muito restrito,  
que poucas pessoas conhecem e todas conhecem o YouTube. Por isso, nós decidimos chamar  
atenção para o tema” (A – IG Metall, Pos. 6). E sa iniciati a tem ido con iderada uma tentativa  
de ampliação de sa fonte de poder (Niebler; Kern, 2020), além de uma nova pos  
entação de interess de trabalhadores(as) (Ro enboh ; Hoo e, 2023).  
s
v
s
s
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s
ibilidade de  
repre  
s
es  
s
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s
Pode  
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de di  
s
curs  
o
Alguma  
tido, uma primeira que  
tabelecimento de uma agenda de reivindicaçõe  
de rankfurt (IG Metall et al, 2016) para o trabalho em platafo  
apre enta uma érie de propo ta para o problemas emergente com o trabalho em plataforma  
digitais, por exemplo, a necessidade de adequação à legislação nacional, o esclarecimento do  
status de emprego, o direito de organização, a proteção social etc. Diver autore têm chamado  
a atenção para a relevância de sa iniciativa (Vandaele, 2021), em, no entanto, eixar de apontar  
eu limite unke; icot, 2021). Além disso, essa Decla ação foi uma iniciativa que gerou  
vário de dobramento em termos de poder in titucional, dent e os quai de tacam- e o “Código  
de Conduta” (Code o Conduct, 2017) para o trabalho remunerado em plataforma digitai , bem  
como a ouvidoria Ombudsstelle (IG Metall, 2018).  
A cooperação com o meio científico pode  
exemplo de mobilização do poder ocial de di cur  
tran nacional. Nesse âmbito, vale a pena referir o intercâmbio e  
organizaçõe com forte orientação científica com a quai o IG Metall e  
exemplo, com a Fundação Hans-Böckler. E, sim, nós temos também contato, na organização  
Fairwork” - I etall, Pos. 20). Além de fortalece o poder de di cur o, tai forços  
indicai representam ainda indícios da existência de um regime de conhecimento indical  
ulign no; Hau eier; ran , 2023).  
iniciativa do IG etall parecem mobilizar poder  
nacional, influenciando também o de ate público europeu. Ness  
s
iniciativas sindicai  
s
remetem à análi  
s
e do poder  
s
ocial de di  
s
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urso. Nesse  
s
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n
s
tão investigada foi a existência de algum documento com o  
. Nessa per pectiva, destaca-se a Declaração  
mas digitais. O doc mento  
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indical em nível tanto nacional quanto  
treito com cienti ta , bem como  
tabelece contato: “por  
sma forma como outro  
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scurso em nível  
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s
entido, é provável que  
6 Trata-se de uma associação que foi formada visando a melhorar as condições de trabalho de trabalhadores(as) de  
MIRANDA FILHO, V. F.  
49  
tais iniciativa  
in tituiçõe europeia  
Trabalho atravé de Plataforma  
junto com os sindicatos, em particular os sindicatos alemães” (A A2, Pos. 6).  
de Diretiva Euro ean Comm  
trutura indical na Alemanha (DGB, 2  
Por fim, o recur o ao digital pode  
tigações sobre a tentativas de mobilização do poder  
tudo tem reconhecido o avanço do IG etall na utilização das tecnologia  
mencionadas acima com a finalidade de exercer poder de di cur obre a opinião pública  
Hai eter; Hoo e, 2019; ohn ton et al., 2020), promovendo “poder de negociação” (Dufre ne;  
Leter e, 021), o qual é ainda percebido como limitado ent e trabalhadore (as) do etor do  
cloudwo k (Vandaele, 2021).  
Ao me mo tempo, inúmero  
digital p r parte dos sindicatos, de modo que: “eles possam trocar ideias com os crowdworkers”  
(A P1, Pos. 4). Além disso, há uma preocupação com o cre cente controle algorítmico do (as)  
trabalhadores(as), pois: “cada vez mais os algoritmos assumem o controle dos trabalhadores. É  
importante para os sindicatos também reagirem” ( DGB, Pos. 2). Entretanto, já e encontram  
regi tros sobre o direito de participação de repre de trabalhadores(as) em que tõe de  
utilização de tecnologia digitai relacionada ao de iranda ilho,  
20 3).  
s
do IG Metall ten  
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am repercutido me  
s
mo na elaboração de documentos das  
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, tai  
s
como a Diretiva Europeia para a Melhoria da  
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Condiçõe  
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de  
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Digitais: “sei que grande parte do conteúdo foi desenvolvida  
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ssa proposta  
(
p
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ssion, 2021) foi ainda um tema abordado em documento  
22; IG etall, 2021).  
er tomado como um a  
ocial de di  
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permanecem.  
Por exemplo, o direito de acesso  
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empenho na Alemanha (  
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Portugal: co  
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enúncia  
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loração  
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al  
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o em  
plataformas digitais?  
Em  
em plata orma  
ugere que 4,2% da população portuguesa economicamente ativa realizou trabalho  
(ao menos 25% da sua renda mensal) através de plataforma digitai . Além disso, estima-  
uma proporção de mulhere para homen de 0,91 ness atividades, ou seja, uma predominância  
masculina. Con tatou- e, or fim, uma elevada taxa de trabalhadore (as) que realizam serviço  
ba eado na localização ( ole et al., 2018).  
Com relação à iniciativas sindicai  
mas digitai o STRU tem e de tacado. Esse sindicato é con  
P
ortugal há uma e  
s
cassez de inve  
s
tigaçõe  
s
empíricas sobre o fenômeno do trabalho  
obre esse fenômeno na Eu opa  
ignificativo  
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digitai . No entanto, um e  
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tudo comparativo  
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s) trabalhadores(as) de  
platafo  
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,
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s
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iderado a maior  
Desafios contemporâneos do trabalho: entre  
50  
regulações globais e a precarização de plataforma  
organização  
s
indical no  
s
etor do  
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tran  
s
porte  
s
rodoviário  
(as) na ua base, de acordo c  
foi fundado no ano de 2006 como resultado da fu  
tiam de de 1975, alguns até ante da “Revolução de  
s
e urbano  
s
de  
P
ortugal (  
S
TRU  
m informação  
ão  
P, 2022),  
possuindo cerca de 12 mil trabalhadore  
di ponibilizada pelo indicato. O TRU  
de outros sindicato regionai que exi  
s
s
o
s
s
S
P
s
s
s
s
s
s
Abril”, para representar trabalhadores(as) que exercem sua atividade no setor de transportes  
rodoviários e urbanos ou em outros setores de atividades relacionadas ao transporte. Do ponto  
de vista político ideológico, o STRUP é uma organização sindical da chamada esquerda  
tradicional, pois “[…] reconhece o papel determinante da luta de classes na evolução histórica  
da humanidade e defende os legítimos direitos, interesses e aspirações coletivos e individuais  
dos trabalhadores” (BTE, 2006, p. 3.786). Atualmente, a  
na cidade de Li boa. No lano nacional, o TRU é filiado à  
IN (Portugal, 2006). á no plano internacional, o indicato mantém relações de cooperação com  
s
ede do  
s
indicato fica em um p  
rédio  
s
P
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P
FECTRAN  
S, bem como à CGT  
P-  
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ederação  
Sindical  
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undial (FSM/WFTU).  
Pode  
r
de cooperação  
Em relação à  
s
tentativa  
s
de mobilização de poder de cooperação no nível da produção, o  
indicai TRU , 2021a), de 2 motori ta do etor  
porte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículo De caracterizado a parti de  
plataforma Eletrônica (TVDE) como e tratégia de con trução de ponte com os(as)  
trabalhadore (as) do etor do gigwo k/TVDE. Essa iniciativa tem ido con iderada de fundamental  
importância para aproximar colega de trabalho da luta de se etor encam adas pelo indicato.  
Quanto à tentativa de mobilização de poder de cooperação no nível do istema  
político, a realização de prote ido uma marca das iniciativa do  
TRU (CGT -I , 2020; ECTRAN , 2021b . Entretanto, há também  
indício de dificuldade na manutenção dessa e ervar em relato de  
motori tas: “posso lhe dize que quando azemos uma concent ecem 0, 80, 100, não  
aparecem mais do que isso” (P-T2, os. 22). Tais dificuldades também foram observadas in loco  
na manife tações, como a ocorrida no dia 20 de outubro de 2021, na cidade de Li boa.  
A capacidade do TRU mobilizar poder ocial de cooperação em nível tran  
parece ainda ba tante reduzida: “em termo inte nacionais, não temos capacidade inancei  
estar organizado , po exemplo na ede ação Eu opeia dos T anspo tes” ( TRU  
STRU  
P
utilizou-se da eleição, para delegados  
s
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e concentraçõe  
, 2021a;  
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tem  
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TRU  
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tratégia, como se pôde ob  
ação apa  
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nacional  
a pa  
os. 2).  
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MIRANDA FILHO, V. F.  
51  
Portanto, limite  
a m  
limite talvez  
s
de infrae  
s
trutura do  
s
indicato podem  
s
er interpretados como um fator que dificulta  
o
bilização dessa fonte de poder do trabalho organizado. Contudo, como ver-  
se-á adiante, esse  
s
eja compen ado pelo poder de di curso do indicat no nível internacional.  
s
s
s
o
Pode de discurso  
r
Em  
é o caderno reivindicativo TVDE (  
entre motori ta do etor e repre entantes sindicais, em 2020. O referido documento tem como  
Portugal, um documento essencial para a mobilização do poder de di  
s
curs  
o
sindical  
F
ECTRAN , 2020), que urgiu a partir do trabalho conjunto  
S
s
s
s
s
s
objetivo subsidiar a intervenção sindical no nível do sistema político, visando à revisão da  
chamada “Lei Uber”, Lei 45/2018 (Portugal, 2018). Para tanto, apresenta uma agenda de 14  
pontos, que vai desde a relação direta entre os(as) trabalhadores(as) e as plataformas até a  
relação estabelecida com o Estado português: “a partir desse caderno reivindicativo, partirmos  
para as  
português, o tran  
2014 com a empre  
con equência negativa  
qualitativamente o entido da  
2022; iranda ilho, 2023).  
Quanto à cooperação com o meio científico (outra forma de in  
oi possível também perceber indício de mobilização de poder de di  
e tran nacional. E se intercâmbio têm ido importante  
vi ta dos(as) trabalhadores(as) e do sindicato, como referiu um dirigente: “nó  
semp e g ande p io idade também a estas conve sas, porque ue emos t ansmiti  
a nossa posição sob e o assunto” (P-CGT os. 18).  
Outra que tão ob ervada foi a presença de indício  
so em nível tran nacional. Nesse quesito, deve- e atentar para a repercussão no contexto  
europeu do trabalho do sindicato voltado para o setor do TVDE. Esse entendimento é  
corroborado pela publicação recente de um relatório obre regulamentação do alário mínimo  
e outra ormas de remuneração para o trabalhadore por conta própria (Euro ound, 2022), no  
qual o STRU é citado como um ator fun amental em ortugal.  
Por fim, ob ervou- e a que tão do de afio do recur o ao digital, como uma variante do  
ocial de di cur o. Ness entido, percebeu- e a exi tência de um trabalho iniciado pelo  
r
euniões com os o  
porte de passageiro  
a Uber. No entanto, a ent  
da pandemia da covid-19 pa  
luta dess (as) trabalhado es(as) (Cost  
r
ganismos  
r
egulado  
(as) via plataformas de TVDE teve início em 04 julho de  
ada em vigo da referida lei bem como a  
a o etor de TVDE mudaram  
oeiro; iranda ilho,  
r
es da actividade” (P  
-
S
TRU  
P
,
Pos. 8). No contexto  
s
s
s
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a;  
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erção no debate público)  
cur o em nível nacional  
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para expor as demanda  
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do ponto de  
temos dado  
aquilo que é  
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P,  
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de mobilização de poder  
social de  
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poder  
s
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e
s
s
s
 
Desafios contemporâneos do trabalho: entre  
52  
regulações globais e a precarização de plataforma  
STRUP, como um separador no site para TVDE, no intuito de fortalece  
convergência na repre entação de interess do (as) trabalhadore (as) do setor TVDE. Outros  
estudos sugerem que o recur o à tecnologia é um in trumento valio o para a  
mobilização tanto do poder de organização ( ilton; Kisingu, 2020) quanto de  
di cur o de motori ta que atuam no TVDE . A Tabela 1  
apre enta uma ínte e das fragilidade iniciativas voltadas para  
trabalhadores(as) de plataformas desenvolvidas pelo IG etall e pelo TRU  
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Tabela 1 Síntese das estratégias de mobilização de poder social de cooperação e de  
discurso sindical  
País  
Sindicato  
Setor  
Poder social de cooperação e discurso  
Ausência de manifestações de rua;  
IG Metall  
Cloudwork  
+ Iniciativas transnacionais; Declaração de Frankfurt; FairCrowdWork;  
FairTube; cooperação científica; proposta de diretiva europeia etc.  
Ausência de iniciativas transnacionais; recurso ao digital embrionário;  
+ Manifestações de rua; Caderno Reivindicativo TVDE; colaboração  
com cientistas; reconhecimento transnacional  
Strup  
Gigwork  
Fonte: Elaboração própria com base em entrevistas, documentos e observações.  
Conclusão: tradicional-digital  
Com base na ARP, o objetivo desta investigação foi analisar iniciativas desenvolvidas  
pelo IG Metall (Alemanha) e pelo STRUP (Portugal) voltadas para trabalhadores(as) de  
plataformas digitais dos setores de cloud e gigwork, respectivamente. Para tanto, a análise  
centrou-se nas estratégias utilizadas por essas organizações sindicais, notadamente na  
mobilização dos recursos de poder social da cooperação e do discurso, visando à melhoria das  
condições de trabalho nas plataformas digitais.  
No caso do IG Metall, parece evidente a ausência de referências às manifestações de rua  
nas iniciativas sindicais. Entretanto, isso não implica necessariamente a inexistência de uma  
organização coletiva no setor do cloudwork. Nesse sentido, as iniciativas FairCrowdWork e  
FairTube podem ser tomadas como exemplos bem-sucedidos não só de “cooperação sindical  
transnacional” (Vandaele, 2018), mas também de mobilização de “poder de discurso”, através  
de um “sistema de classificação” das plataformas digitais (Johnston; Land-Kazlauskas, 2018)  
que pode afetar a “reputação social” delas (Degryse, 2023). A “declaração de Frankfurt” pode  
MIRANDA FILHO, V. F.  
53  
ser considerada outro bom exemplo de mobilização de “poder de cooperação e discurso” pelo  
IG Metall. No entanto, não se encontrou evidências de uma cooperação explícita com sindicatos  
do Sul Global nesse setor. A cooperação com fundações, como Hans-Böckler, Fairwork etc.,  
pode também ser considerada um fator que fortalece o poder de discurso sindical. Por fim, há  
indícios de que essas iniciativas influenciaram a proposição de uma” diretiva europeia para o  
trabalho em plataformas digitais”.  
No caso do STRUP, a ausência de iniciativas de cooperação transnacional,  
especificamente no âmbito do TVDE, é compensada por um reconhecimento internacional do  
trabalho desenvolvido pelo sindicato (Eurofoud, 2022). De igual modo, o incipiente recurso ao  
digital é suprido por outras formas de mobilização do “poder de discurso”, tais como o  
“Caderno Reivindicativo TVDE” (FECTRANS, 2020), citado nos meios de comunicação  
(Lusa, 2021), bem como na literatura especializada (Boavida; Moniz, 2022; Costa; Soeiro;  
Miranda Filho, 2022). Foi possível perceber também a colaboração com o meio  
científico/acadêmico como forma de inserção no debate público e mobilização de poder de  
discurso sindical. Finalmente, métodos tradicionais de pressão, como as concentrações  
/manifestações de rua são outra maneira utilizada pelo sindicato para tentar sensibilizar a  
opinião pública em torno das precárias condições de trabalho no setor do TVDE (FECTRANS,  
2021b; STRUP, 2021b). Conclui-se que, além de fraquezas e forças, é possível também  
reconhecer a necessidade de interligação entre essas diferentes iniciativas sindicais voltadas  
para cloud e gigworkers, no Norte e Sul Globais.  
Por fim, vale salientar que no Brasil há grande expectativa em torno da discussão sobre  
uma regulamentação da prestação de serviços via plataformas tecnológicas (Brasil, 2023).  
Sabe-se dos riscos a que esses(as) trabalhadores(as) estão expostos(as), por exemplo no setor  
de entrega de refeições (Festi; Lapa; Carvalho, 2023). Entretanto, é provável que a existência  
de uma lei não resolva todos os problemas da precarização das relações de trabalho na economia  
de plataformas digitais. Nesse sentido, em Portugal, além da Lei 45/2018, recentemente entrou  
em vigor a Lei 13/2023, que alterou o Código do Trabalho no âmbito da “agenda do trabalho  
digno” e buscou regulamentar o trabalho através de plataformas, sobretudo por meio de normas  
que podem presumir a existência de um contrato de trabalho, art. 12º - A (Portugal, 2023).  
Contudo, na véspera da entrada em vigor dessa lei as plataformas realizaram alterações no seu  
modo de funcionamento, visando a dificultar o reconhecimento da existência de contrato de  
Desafios contemporâneos do trabalho: entre  
54  
regulações globais e a precarização de plataforma  
trabalho (Martins, 2023). Portanto, “se a manobra vingar [...] a lei não terá qualquer efeito”  
(Soeiro, 2023).  
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2018.  
Recebido em: 25/9/2023  
Aceito em: 9/3/2026