ISSN 1517-5901(online)  
POLÍTICA & TRABALHO  
Revista de Ciências Sociais, nº 61, Julho/Dez de 2025, p. 127-134  
AUSTERIDADE:  
defesa dos interesses de classe, ontem e hoje  
AUSTERITY:  
defense of class interests, yesterday and today  
__________________________  
Aristóteles de Almeida Silva*  
MATTEI, Clara E. The capital order: how economists invented austerity. Chicago: University  
of Chicago Press, 2022.  
RESENHA  
Clara Mattei apresenta uma obra de notável relevância, especialmente à luz do cenário  
vivenciado no Brasil desde o impeachment ilegítimo de 2016 (QUEIROZ, 2021). Ela traz novas  
perspectivas para debates que, embora não sejam novos, continuam a moldar a agenda  
econômica e a política global. Um dos destaques do livro é como ele recontextualiza a discussão  
sobre austeridade econômica, explorando suas raízes históricas em duas experiências do pós-  
Primeira Guerra Mundial, ou seja, na Inglaterra e na Itália.  
O diferencial do livro de Mattei é sua análise da austeridade sob a perspectiva das classes  
sociais. Embora não seja inédito interpretar a austeridade como uma imposição dos interesses  
das classes capitalistas (MILLOS, 2020; SHEFNER; BLAD, 2020), o que Mattei faz de forma  
singular é resgatar as primeiras experiências modernas de austeridade, no início do século XX  
ou nos primeiros anos da Era de Catástrofe, como denomina Hobsbawm o período entre a  
Primeira e Segunda Guerra Mundial (HOBSBAWM, 2010) , caracterizando-as como uma  
reação antidemocrática diante das ameaças à ordem do capital.  
Com habilidade, ela aborda a austeridade de maneira interdisciplinar, ampliando  
consideravelmente o escopo de análise, a ponto de seu livro não se enquadrar estritamente no  
âmbito econômico. Ao realizar um estudo interdisciplinar, Mattei proporciona uma análise  
original e profundamente relevante sobre a austeridade.  
* Professor do Instituto Federal de Brasília (IFB). Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). E-  
SILVA, A.A.de.  
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A autora investiga as origens históricas da austeridade por meio de uma extensa pesquisa  
em arquivos na Itália e na Inglaterra, visando traçar a trajetória de economistas que  
desempenharam um papel fundamental na formulação e introdução de políticas de austeridade.  
E para evitar uma abordagem compartimentalizada das diversas esferas de suas vidas, ela  
integrou as obras acadêmicas, as intervenções políticas e os comentários públicos desses atores  
sociais. O resultado desse esforço é uma reconstrução vívida das ações desses atores-chave, que  
desempenharam um papel fundamental na primeira onda de políticas de austeridade.  
Durante a Primeira Guerra Mundial, emerge a crise mais significativa enfrentada pela  
ordem capitalista até aquele momento. Nesse contexto, o despertar de ações anticapitalistas foi  
facilitado pelas medidas governamentais extraordinárias adotadas durante o conflito, que  
interromperam a acumulação de capital pelos industriais. Devido à guerra, os governos se viram  
obrigados a intervir naquilo que era considerado o domínio natural do mercado. A intervenção  
estatal permitiu aos aliados vencer a guerra, mas, por outro lado, deixou claro que as relações  
salariais e a privatização da produção eram opções políticas em uma sociedade dividida por  
classes. Após o capitalismo perder sua inocência e revelar suas tendências classistas, a  
austeridade foi utilizada para reimpor a ordem do capital que havia sido perdida.  
Ambos os países selecionados pela pesquisadora, apesar das muitas diferenças,  
recorreram à austeridade como um meio de retomar o processo de acumulação de capital. Eles  
sacrificaram a cidadania e fundamentaram suas políticas de austeridade com base em teorias  
econômicas semelhantes. Além dos fatores internos que levaram à adoção das medidas de  
austeridade, havia também a ameaça externa, ou pelo menos o exemplo que poderia inspirar a  
classe trabalhadora em outros países, a saber, a Revolução Russa que eclodiu em plena Primeira  
Guerra Mundial (HOBSBAWM, 2010). Dessa forma, a austeridade, tal como a conhecemos  
hoje, teve suas origens no início do século XX, surgindo após o final da Primeira Guerra  
Mundial como uma resposta à crise do capitalismo  
Mattei, ao analisar a austeridade pela perspectiva da luta de classes, avalia seus  
resultados não apenas por indicadores econômicos, mas principalmente pelo quanto ela  
contribuiu para a restauração da ordem capitalista. Nesse contexto, a austeridade é entendida  
como um método para evitar o colapso do sistema capitalista(MATTEI, 2022, p. 4, tradução  
nossa).  
Essa abordagem fica mais clara quando se considera que a autora faz uma distinção  
entre a crise econômica, relacionada aos ciclos de acumulação de capital, e a crise do próprio  
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regulações globais e a precarização de plataforma  
capitalismo, que diz respeito às ameaças à relação central do sistema, ou seja, à produção  
voltada para o lucro, juntamente com seus dois pilares fundamentais: a propriedade dos meios  
de produção social e as relações trabalhistas entre proprietários e trabalhadores, ou seja, à ordem  
do capital. No entanto, a autora não explicita se considera a crise do capitalismo como uma  
condição necessária para a adoção de medidas de austeridade, e parece oscilar entre uma  
resposta afirmativa para as primeiras ações de austeridade e uma resposta negativa para a onda  
de medidas mais recentes.  
O livro é estruturado em duas partes, na primeira, intitulada “War and Crisis”, composta  
de quatro capítulos, ela analisa o impacto da intervenção estatal na economia em razão da  
guerra, e como as tensões econômicas, sociais e políticas atingiram o auge no início da década  
de 1920 nos dois países analisados. Já na segunda parte, com o título de “The meaning of  
austerity”, composta de seis capítulos, é tratada a reação de classe, que se manifestou sob a  
forma de austeridade, imposta pelo fascismo na Itália, e pela democracia liberal na Inglaterra.  
O livro conta também com um posfácio, no qual a autora dialoga com algumas obras recentes  
sobre a formação da primeira geração de neoliberais.  
No primeiro capítulo, é analisado como a intervenção política nas relações industriais  
durante o conflito armado politizou a economia. O capitalismo que começou a se tornar  
preponderante na Europa a partir do século XVIII, foi gradualmente naturalizado. Nesta  
perspectiva naturalizada do capitalismo, a economia era considerada objetiva, pois funcionaria  
segundo leis naturais da economia, as quais seriam precisas e determináveis cientificamente,  
como, por exemplo, a lei de oferta e demanda. Dentro desse domínio objetivo, a coerção  
econômica é ocultada, pois assume uma forma impessoal. Porém, a guerra provocou o colapso  
da divisão ideológica entre o econômico e o político. Os principais Estados beligerantes  
subordinaram a prioridade do lucro às necessidades políticas.  
A própria economia de guerra desnaturalizou para os trabalhadores as relações de  
produção capitalista. A guerra provocou um deslocamento nas relações de poder entre o capital  
e o trabalho. A intervenção do Estado no mercado de trabalho, para evitar que os salários se  
elevassem dada a escassez de trabalhadores, criou as condições para que os trabalhadores se  
tornassem conscientes da ligação entre poder econômico e político.  
A guerra fez com que os propósitos da acumulação de capital fossem questionados, o  
que é explorado no segundo capítulo. Um ano após o fim do conflito, a crise do capitalismo  
estava em curso em duas frentes: os trabalhadores desfiguravam as relações capitalistas de  
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produção; e os reconstrucionistas pessoas dentro do próprio Estado ou a elite esclarecida –  
almejavam um conjunto novo de políticas sociais, segundo os princípios da justiça social e da  
redistribuição. Ambos os grupos se moviam em complemento um ao outro. Com isso, deslocou-  
se a prioridade do sistema econômico do lucro individual para a satisfação das necessidades  
sociais coletivas.  
Quanto mais os trabalhadores pressionavam, mais os reconstrucionistas estavam  
dispostos a pressionar por uma nova ordem social. E as grandes reformas aumentavam as  
aspirações dos trabalhadores de romper com o sistema capitalista. Os italianos se aproximaram  
da ideia de revolução mais do que os ingleses. Para os reconstrucionistas, na Inglaterra, as  
reformas eram uma forma de moderar os movimentos operários, pois com elas poderiam ter  
algo a perder com a ruptura da ordem socioeconômica burguesa. Porém, paradoxalmente,  
aquilo que era uma forma de preservação do capitalismo, se revelou uma ameaça para ele, pelo  
menos para os economistas adeptos da ideia do “puro” capitalismo de laissez-faire. As políticas  
redistributivas implicariam um deslocamento de recursos do capital privado para a coletividade.  
Nesse contexto, a crise de legitimidade atinge o núcleo do capitalismo, questionando a  
motivação do lucro. Isso é explorado nos capítulos terceiro e quarto. No biênio 1919/1920, nos  
chamados “anos vermelhos”, a agitação social atingiu o seu auge. As greves na Itália depois da  
guerra atingiram o ápice de mais do que o dobro em relação ao pré-guerra, e na Inglaterra  
aumentaram mais de seis vezes durante a transição da guerra para os tempos de paz, e elas se  
tornaram cada vez mais políticas. No auge dos “anos vermelhos, além das greves, o  
movimento dos comitês de fábricas lutou pelo controle da produção, e no campo os  
trabalhadores rurais pelo controle da terra. O controle operário da fábrica da Fiat, em Turim, dá  
a dimensão do que estava em jogo para o capital. Na Itália, destaque-se a presença dos  
Ordinovisti, do qual Gramsci era uma das lideranças, na ocupação das fábricas em 1920.  
As lutas sociais fizeram com que os trabalhadores alcançassem vitórias sem  
precedentes, seja em termos de ganhos econômicos, seja em representatividade política. Neste  
contexto, as distintas frações da burguesia italiana e inglesa deixaram as diferenças de lado e se  
uniram para enfrentar a ameaça contra a ordem do capital. Surge daí a reação fascista e a  
austeridade, que destruíram qualquer alternativa ao capitalismo.  
Na segunda parte do livro, a autora chama atenção para o nascimento da austeridade  
como “campeã do capitalismo”, pois enfrentou e venceu as alternativas a ele. Passo decisivo  
na construção das políticas de austeridade foram as duas conferências financeiras internacionais  
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regulações globais e a precarização de plataforma  
promovidas pela Liga das Nações: em 1920, em Bruxelas, e em 1922, em Gênova. O  
establishment do pensamento econômico, que se reuniu nas duas conferências sob a bandeira  
da tecnocracia, construiu e implementou a austeridade. Esse foi um ponto decisivo da ascensão  
da tecnocracia como protetora do capitalismo.  
As duas conferências foram consideradas um fracasso e por isso foram pouco estudadas.  
Mattei, no entanto, aponta essas conferências como pioneiras na definição da austeridade  
moderna e analisa-as no quinto capítulo. Uma das recomendações da segunda conferência foi  
a independência dos Bancos Centrais para separar a política monetária de pressões  
democráticas, aponta a autora. Tal como hoje, as recomendações dos relatórios finais das  
conferências, que defendiam a austeridade, foram apresentadas como acima dos vieses de  
classe. A imagem de uma conferência técnica foi reforçada pela composição dos participantes,  
que eram em sua maioria economistas, com poucos políticos e sem representação da classe  
trabalhadora. Além disso, foram coletados dados de diversos países, em uma época em que a  
contabilidade nacional estava nos seus estágios iniciais de desenvolvimento, um aspecto ao qual  
a primeira geração de neoliberais dedicou considerável atenção (SLOBODIAN, 2018).  
A oposição à austeridade era frequentemente rotulada como socialismo, bolchevismo  
ou paternalismo. As oposições às medidas de austeridade foram encaradas por meio de duas  
estratégias: o consenso e a coerção. Nos capítulos sexto e sétimo, são analisadas essas duas  
estratégias na introdução da austeridade na Inglaterra e na Itália. O economista inglês Ralph  
Hawtrey é uma figura de destaque nessa história, dado o pioneirismo em prescrever a  
austeridade como um antídoto natural contra a crise do capitalismo. Suas recomendações de  
terapia de austeridade praticamente foram transcritas na resolução da Conferência de Gênova  
(1922).  
A culpa pela crise, para os defensores da austeridade, não vinha das contradições  
econômicas estruturais, ou da guerra, mas dos cidadãos desejarem viver acima de suas  
condições. Caberia à ciência econômica (neutra e conhecedora das verdades universais no  
domínio econômico) modelar e controlar o comportamento dos cidadãos, para que as condições  
de acumulação de capital fossem reestabelecidas. Os princípios fundamentais da austeridade  
durante a crise incluíam trabalho árduo, poupança, cortes no orçamento público e  
autodisciplina.  
A pedra de toque das políticas de austeridade é a redução de salários. Hawtrey defende  
que os salários além de conduzirem a um excesso de consumo, levam também a um aumento  
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dos custos de produção. Isso se liga à teoria de Hawtrey sobre a inflação, cuja natureza é a  
expressão viciosa da natureza indisciplinada do crédito. A inflação ameaça o processo de  
acumulação e, além disso, tem sua causa apontada para a parte menos favorecida da sociedade.  
A partir dos textos dos tecnocratas ingleses, Mattei conclui que eles ilustram a sutileza da  
mensagem política da austeridade, que é racionalizar e justificar o deslocamento (extração) de  
recursos da maioria para a minoria. De acordo com esses tecnocratas, essa minoria virtuosa não  
é rica somente por causa de suas virtudes morais; eles também fortalecem o processo de  
acumulação de capital, que foi assumido como o próprio interesse nacional.  
A três formas de austeridade fiscal, monetária e industrial funcionaram em uníssono  
para desarmar a classe trabalhadora e rebaixar os salários. A principal conquista, portanto, da  
trindade da austeridade, foi subjugar a classe trabalhadoras às leis impessoais do mercado.  
Logo, ao despolitizar a economia, gerando o recuo do Estado em atividades econômicas, foi  
possível: impor o comando das forças impessoais do mercado; fazer com que as decisões  
econômicas não estivessem mais submetidas ao escrutínio do processo democrático; e  
promoveu o conceito de uma teoria econômica neutra e objetiva, que por isso transcende as  
relações de classe.  
Enquanto na Inglaterra a estratégia do dinheiro caro” (dear money), através do aumento  
das taxas de juros, provou-se eficaz, na Itália, a austeridade só se concretizou com a ascensão  
do governo fascista de Benito Mussolini em 1922. Nesse contexto, o sucesso da austeridade  
dependeu do fascismo, e o fascismo, por sua vez, encontrou na austeridade um aliado essencial.  
As reformas implementadas por Mussolini representaram uma reversão significativa das  
políticas sociais anteriores, concentrando-se na restauração dos pilares fundamentais da  
acumulação de capital. Tanto os liberais italianos quanto seus homólogos britânicos e  
estadunidenses rapidamente reconheceram que um líder autoritário com plenos poderes era o  
meio mais eficaz de proteger o capitalismo contra seus adversários.  
No oitavo capítulo, é analisado como os interesses externos influenciaram no triunfo da  
austeridade fascista. A posição de país dependente da Itália fez com que os credores  
internacionais exercessem uma forte pressão sobre a política econômica do país. O  
establishment italiano e inglês concordavam que os problemas econômicos da Itália só  
poderiam ser resolvidos depois de enfrentados os problemas políticos. Acima de tudo, as greves  
e as políticas redistributivas (como o subsídio do pão). Os financistas britânicos e  
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regulações globais e a precarização de plataforma  
estadunidenses foram mais do que expectadores da austeridade fascista. Eles foram cruciais  
para apoiar o regime de Mussolini na ordem capitalista internacional.  
A austeridade é eficiente em estabilizar as relações de classe e aumentar os lucros. No  
nono capítulo, isso é analisado por meio de uma série de dados estatísticos que mostram que a  
porcentagem dos salários na renda nacional diminuiu e que as taxas de exploração e lucro  
aumentaram.  
E no décimo e último capítulo, Mattei argumenta que os resultados econômicos da  
austeridade corroboram a crítica keynesiana de que ela é uma política irracional, ou perigosa e  
errada (BLYTH, 2013), que falha em estimular o crescimento econômico. No entanto, como  
Mattei argumentou nos capítulos anteriores, a austeridade é eficaz na defesa dos interesses da  
classe dominante, sendo esse seu primeiro e principal objetivo. Portanto, se considerarmos esse  
critério como base para a análise, a austeridade pode ser considerada bastante eficiente, ontem  
e hoje.  
Por fim, a partir de preocupações contemporâneas, Mattei lança uma nova luz sobre as  
origens da austeridade, fornecendo uma pesquisa inovadora e esclarecedora. Isso possibilita o  
surgimento de novas questões sobre a onda de austeridade contemporânea e a persistente  
influência do neoliberalismo (CROUCH, 2012). No entanto, algumas questões demandam uma  
análise mais profunda. Por exemplo, embora haja uma menção à relação entre neoliberalismo  
e austeridade, a obra apenas a toca superficialmente. Além disso, seria necessário investigar  
mais profundamente se a crise do capitalismo é uma condição necessária e/ou suficiente para a  
implementação de medidas de austeridade. Essa análise poderia levar a uma reavaliação da  
natureza da crise econômica global de 2008 e de seus efeitos persistentes na atualidade.  
O livro de Mattei é fundamental para a compreensão da história do capitalismo e suas  
transformações ao longo do tempo, ressaltando que a luta de classes foi e continua a ser central  
no capitalismo, ainda que tenha se transformado ao longo do tempo. À luz do que ocorreu no  
Brasil na última década e do que ainda perdura no presente, a obra se revela como uma leitura  
provocativa, reveladora e essencial para diagnosticar o estado atual das coisas.  
SILVA, A.A.de.  
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Referências  
BLYTH, Mark. Austeridade: a história de uma ideia perigosa. Lisboa: Quetzal, 2013.  
CROUCH, Colin. La extraña no-muerte del neoliberalismo. Buenos Aires: Capital Intelectual, 2012.  
HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras,  
2010.  
MATTEI, Clara E. The capital order: how economists invented austerity and paved the way to fascism. Chicago:  
University of Chicago Press, 2022.  
MILLOS,  
John.  
A
austeridade  
não  
é
irracional.  
2020.  
Disponível  
em:  
out. 2020.  
QUEIROZ, Rafael Mafei Rabelo. Como remover um presidente: teoria, história e prática do impeachment no  
Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.  
SHEFNER, Jon; BLAD, Cory. Why austerity persists. Medford: Polity Press, 2020.  
SLOBODIAN, Quinn. Globalists: the end of empire and the birth of neoliberalism. Cambridge, Massachusetts:  
Harvard University Press, 2018.  
Recebido em: 22/12/2023  
Aceito em: 21/05/2026