Desafios contemporâneos do trabalho: entre
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regulações globais e a precarização de plataforma
capitalismo, que diz respeito às ameaças à relação central do sistema, ou seja, à produção
voltada para o lucro, juntamente com seus dois pilares fundamentais: a propriedade dos meios
de produção social e as relações trabalhistas entre proprietários e trabalhadores, ou seja, à ordem
do capital. No entanto, a autora não explicita se considera a crise do capitalismo como uma
condição necessária para a adoção de medidas de austeridade, e parece oscilar entre uma
resposta afirmativa para as primeiras ações de austeridade e uma resposta negativa para a onda
de medidas mais recentes.
O livro é estruturado em duas partes, na primeira, intitulada “War and Crisis”, composta
de quatro capítulos, ela analisa o impacto da intervenção estatal na economia em razão da
guerra, e como as tensões econômicas, sociais e políticas atingiram o auge no início da década
de 1920 nos dois países analisados. Já na segunda parte, com o título de “The meaning of
austerity”, composta de seis capítulos, é tratada a reação de classe, que se manifestou sob a
forma de austeridade, imposta pelo fascismo na Itália, e pela democracia liberal na Inglaterra.
O livro conta também com um posfácio, no qual a autora dialoga com algumas obras recentes
sobre a formação da primeira geração de neoliberais.
No primeiro capítulo, é analisado como a intervenção política nas relações industriais
durante o conflito armado politizou a economia. O capitalismo que começou a se tornar
preponderante na Europa a partir do século XVIII, foi gradualmente naturalizado. Nesta
perspectiva naturalizada do capitalismo, a economia era considerada objetiva, pois funcionaria
segundo leis naturais da economia, as quais seriam precisas e determináveis cientificamente,
como, por exemplo, a lei de oferta e demanda. Dentro desse domínio objetivo, a coerção
econômica é ocultada, pois assume uma forma impessoal. Porém, a guerra provocou o colapso
da divisão ideológica entre o econômico e o político. Os principais Estados beligerantes
subordinaram a prioridade do lucro às necessidades políticas.
A própria economia de guerra desnaturalizou para os trabalhadores as relações de
produção capitalista. A guerra provocou um deslocamento nas relações de poder entre o capital
e o trabalho. A intervenção do Estado no mercado de trabalho, para evitar que os salários se
elevassem dada a escassez de trabalhadores, criou as condições para que os trabalhadores se
tornassem conscientes da ligação entre poder econômico e político.
A guerra fez com que os propósitos da acumulação de capital fossem questionados, o
que é explorado no segundo capítulo. Um ano após o fim do conflito, a crise do capitalismo
estava em curso em duas frentes: os trabalhadores desfiguravam as relações capitalistas de