ISSN 1517-5901(online)
POLÍTICA & TRABALHO
Revista de Ciências Sociais, nº 62 - 2025, p. 176 -196
O PRESTÍGIO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS HOJE: contradições da ampliação do
mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
THE PRESTIGE OF SOCIAL SCIENCES TODAY: contradictions in the expansion of the
market for interpreting the social world in contemporary Brazil
____________________________________
Michel Nicolau Netto
Resumo
As ciências sociais sempre enfrentaram a desconfiança da sociedade. Nos últimos anos, elas passaram a sofrer ataques
que colocaram em xeque a própria confiança de seus praticantes em seu prestígio social. Este artigo argumenta que
as ciências sociais acadêmicas perderam o monopólio que detinham no campo mais amplo das ciências sociais, pois,
no período recente, houve uma ampliação do mercado de interpretação do mundo social. As implicações disso ainda
o incertas. Mas defendo, com base em um amplo conjunto de dados empíricos, que é mais provável que as ciências
sociais acadêmicas tenham ganhado relevância como fonte de legitimidade para os cientistas sociais não-acadêmicos
ou semiacadêmicos, tendo havido, portanto, um aumento do prestígio das ciências sociais na contemporaneidade, e
o a redução de sua importância.
Palavras-chave: Ciências sociais. Universidade. Influenciadores. Campo.
Abstract
Social sciences have always faced society's skepticism. In recent years, they have been under attack, calling into
question the confidence of their practitioners regarding their social prestige. This article argues that academic social
sciences have lost the monopoly they once held in the broader field of social sciences, as there has been a recent
expansion in the market for interpreting the social world. The implications of this shift are still uncertain. However,
based on a wide range of empirical data, I argue that it is more likely that academic social sciences have gained
relevance as a source of legitimacy for non-academic or semi-academic social scientists. Therefore, there has been
an increase in the prestige of social sciences in contemporary times rather than a reduction in their importance.
Keywords: Social sciences. University. Influencers. Field.
É professor livre docente do Departamento de Sociologia e da Pós-Graduão em Sociologia da Unicamp. Doutor em
sociologia pela Unicamp, com esgio de doutorado na Humboldt Universit de Berlim, e pós-doutorado em sociologia pela
Unicamp. Foi visiting scholar no ILAS/Columbia University (EUA), visiting fellow na London School of Economics and
Political Science (Inglaterra) e professor visitante na ENS Paris-Saclay (2025), tendo sido também diretor-associado do
IFCH/Unicamp (2021-2025). É membro do Centro de Sociologia Contemponea, líder do Grupo de Estudos em Pierre
Bourdieu (GEBU) e participante do eixo Transições ambientais na era do Antropoceno”, do International Research
Laboratory Mundos em transão(CNRS/USP). Seus principais interesses de pesquisa o as reconfigurações da não na
globalização, classe social, práticas culturais e distinção. Fez pesquisas recentes, a partir desses interesses, sobre práticas
culturais e classes sociais, megaeventos esportivos, turismo e mercado internacional de sica. Seu livro mais recente é
Distinção e Globalização (com Renato Ortiz e Miqueli Michetti, Fino Traço/FAPESP, 2023). E-mail:
mnicolau@unicamp.br.
NICOLAU NETTO, M.
177
Introdução
Em “As Formas Elementares da Vida Religiosa”, Durkheim afirma que não importa
quão desenvolvida seja uma ciência, ela só pode ter êxito se tiver “suficiente autoridade”. Se as
pessoas não tiverem “fé” nela, “nenhuma demonstração científica terá influência sobre os
espíritos” (Durkheim, 1996, p. 213). Os cientistas sociais parecem sentir uma perda dessa “fé”,
e tem se tornado comum o diagnóstico de que sua profissão tem perdido prestígio. Alguns
atribuem isso aos ataques recentes que os cientistas sociais sofreram, em especial durante o
governo Bolsonaro no Brasil
1
; outros relacionam a pautas identitárias de grupos de esquerda
2
;
os que atribuem ao liberalismo
3
. De pontos de vista diferentes, todos compartilham um
sentimento, que se tornou quase uma identidade profissional. Tudo se passa como se
estivéssemos vivendo uma nova crise dos intelectuais, mas agora de outro modo. Não traímos
a sociedade (Benda, 2007), mas a sociedade nos traiu e não crê mais em nós.
Trata-se de um sentimento disperso e como tal dispensa demonstração para ser crível.
Com isso, pouco se discutem os termos dessa perda de prestígio e não se questiona se é
adequado o diagnóstico. Este texto busca contribuir para esse debate propondo analisar as
ciências sociais de forma mais ampla, para além da universidade, como um campo no sentido
de Pierre Bourdieu (2021), no qual a universidade está posicionada. Ao fazê-lo, busca
compreender os termos dessa suposta perda de prestígio. Para tanto, vou analisar a circulação
do conhecimento em ciências sociais hoje e buscar compreender a relação desse conhecimento
com o subcampo acadêmico. Minha conclusão é que não uma perda de prestígio das ciências
sociais. Ao contrário, o que se notará é o aumento da circulação dos conhecimentos das ciências
sociais e sua maior relevância na sociedade brasileira contemporânea. Ao mesmo tempo, as
ciências sociais acadêmicas perdem o monopólio do mercado de interpretação do mundo social,
e o fenômeno que se observa é uma ampliação desse mercado, que se torna mais competitivo
com a entrada de novos agentes.
1
Esse diagnóstico se torna objeto de reflexão nas ciências sociais. Na Anpocs 2023, uma mesa propunha estudar
o ensino e a formação das ciências sociais no Brasil no período pós-Bolsonaro. Seu ponto de partida é justamente
a existência de um “desprestígio das humanidades”. Ver:
https://www.encontro2023.anpocs.com/trabalho/view?ID_TRABALHO=7952.
2
Ver: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/parece-revolucao-mas-e-so-neoliberalismo/.
3
Ver: https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/por-que-as-ciencias-humanas-perderam-prestigio-na-
sociedade-liberal/
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
178 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
A presença das Ciências Sociais
Embora um sentimento disperso, a crença no desprestígio das ciências sociais tem base
em indicadores reais que precisam ser reconhecidos. Em primeiro lugar, o ataque que essas
ciências sofreram recentemente é marcante. As ciências sociais são em alguns momentos
tachadas como irrelevantes, incapazes de produzir benefícios para a sociedade e bons postos de
trabalho para seus egressos
4
. Em outros momentos, são vistas como reprodutora de ideias de
esquerda, incapazes de lidar com as contribuições rivais. Nesse sentido, seriam ideológicas,
cujo objetivo único seria doutrinar mentes inocentes
5
.
Irrelevantes e/ou ideológicas: os ataques questionam o prestígio das ciências sociais, o
que produziria uma perda do interesse pela área. De fato, alguns dados parecem confirmar esse
diagnóstico. Se compararmos os anos de 2015 e 2019, vemos que houve uma redução de 47%
no número de ingressantes em cursos de graduação em ciências sociais no Brasil
6
. Esse número
parece confirmar uma relação de causa e efeito entre os ataques e a perda do prestígio das
ciências sociais. Contudo, dados de ingressantes podem significar questões relativas a ofertas
de curso, não de interesse. O número de candidatos é um indicador melhor para medir o
prestígio das ciências sociais, uma vez que indica a busca, não o sucesso do candidato ou a
oferta dos cursos. Se fizermos isso e analisarmos uma série mais ampla do que anos relativos a
Bolsonaro, podemos ter um diagnóstico mais complexo. Não tenho dados sobre o Brasil como
um todo e, por isso, restrinjo a amostra a duas universidades de São Paulo: USP e Unicamp.
Embora seja uma amostra extremamente limitada, é importante destacar que essas são duas
importantes universidades brasileiras e seus cursos de ciências sociais estão entre os mais
reconhecidos. Ou seja, em lugares de prestígio em ciências sociais.
Ampliemos a análise para todo o século, de 2001 e 2023. Vemos no Gráfico 1 que
uma tendência de queda na quantidade de candidatos nos vestibulares da Fuvest e da Comvest
para os cursos de ciências sociais das duas universidades.
4
Foi neste sentido que A. Weintraub afirmou que o “objetivo de seu governo” “é focar em áreas que gerem retorno
imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”.
5
Essa visão é compartilhada pela extrema direita, que resume as ciências sociais ao termo macarrônico de
marxismo cultural. Mas mesmo quem não é desse campo olha as ciências sociais com a mesma suspeita, afirmando
que ela exclui ideias que não sejam de esquerda. Ver, por exemplo, a entrevista com Franscisco Bosco
(https://www.leiaisso.net/827wj/).
6
Ver: https://ruf.folha.uol.com.br/2019/noticias/demanda-por-cursos-de-filosofia-e-ciencias-sociais-despenca-
no-pais.shtml e https://exame.abril.com.br/brasil/10-numeros-que-mostram-como-esta-o-ensino-superior-no-
brasil/.
NICOLAU NETTO, M.
179
Gráfico 1: Trajetória de candidatos aos cursos de Ciências Sociais na USP e na Unicamp
Elaboração própria com base em https://acervo.fuvest.br/?t=vestibular e https://www.comvest.unicamp.br/
É importante considerar que esses dados não demonstram se a queda é específica da área
das cncias sociais ou se pode estar atrelada a um declínio no interesse pelo ensino superior. De
fato, em 2023 se inscreveram no vestibular da Fuvest 114.342 candidatos. Esse número chegou a
ser, em seu pico na série analisada, de 172.037, em 2014. No caso da Comvest, em 2023 houve
69.831, sendo que o pico se deu em 2018, com 84.718 indivíduos. Dessa forma, há uma queda
generalizada e precisamos controlar os dados para saber o que é específico das ciências sociais.
Para tanto, mais prudente é comparar a taxa dos candidatos de ciências sociais em relação ao total
de candidatos nos vestibulares. O Gráfico 2 mostra que, embora a queda possa ser generalizada,
ela é mais perceptível em ciências sociais.
Gráfico 2: Trajetória da taxa de candidatos aos cursos de Ciências Sociais na USP e na
Unicamp em relação ao total de candidatos dessas universidades
973
1171
1491
1521
1445
1431
1313
1247
1087
802
906
814
784
804
1009
1156
1183
1047
1086
1160
1194
1174
1003
1999
2188
2411
2502
2224
1930
1433
1723
1482
1228
1183
1144
1304,1 1304
1402
1390
1168
1089
1005
1136
1142
798
792
20012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
UNICAMP USP
2,6%
3,2%
3,3%
2,9%
2,7%
2,6%
2,5%
2,2%
1,6%
1,6%
1,4%
1,3%
1,2%
1,4%
1,5%
1,5%
1,4%
1,3%
1,4%
1,5%
1,5%
1,4%
1,3%
1,4%
1,5%
1,5%
1,6%
1,4%
1,1%
1,0%
1,2%
1,1%
1,0%
0,9%
0,8%
0,8%
0,8%
1,0%
1,0%
0,9%
0,8%
0,8%
0,9%
0,9%
0,7%
0,7%
20012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
UNICAMP USP
Elaboração própria com base em https://acervo.fuvest.br/?t=vestibular e https://www.comvest.unicamp.br/
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
180 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
Se observarmos os dados de perto, notaremos que as tendências das universidades são
muito parecidas. Em relação ao pico, na Unicamp ele ocorre em 2003, quando 3,3% dos
candidatos na Comvest concorriam ao curso de ciências sociais. Na USP, ocorre em 2004,
quando eram 1,6%. Também o nível mais baixo é similar: 2023 é o ano de menor taxa na USP
e de segunda menor na Unicamp.
Esses dados colocam o debate anterior sob outra perspectiva. A se fiar nessas duas
universidades, o que notamos é que a queda de interesse pelo curso de ciências sociais é real,
mas bastante anterior aos anos Bolsonaro. Entre 2018 e 2023, a variação é pequena, com alguma
relevância nos anos de 2021 e 2022. Como nesses anos a variação é maior em relação ao número
absoluto (Gráfico 1) do que ao número relativo (Gráfico 2) dos candidatos de ciências sociais,
ela deve se explicar mais pelas consequências da pandemia de covid-19 do que pelo interesse
na área.
É importante ter precisão no que encontramos: uma perda de interesse em cursar
ciências sociais. Mas isso permite pensar que há uma perda de prestígio das ciências sociais na
sociedade contemporânea? As pessoas buscam seus cursos por diversas razões, das mais às
menos conscientes. O prestígio da área pode ser um, mas certamente não é o único. Mercado
de trabalho, ampliação de ofertas de curso, origem de classe social, entre tantas outras podem
também explicar esses dados. É preciso, então, buscar essa resposta em outro lugar. Caso
houvesse uma perda de prestígio, seria de se esperar que as ciências sociais desaparecessem do
debate público. O fato, inclusive, de serem atacadas pode ser um indício de sua própria
legitimidade, uma vez que toda forma de ataque depende do reconhecimento de quem é atacado.
Testemos isso com base em dois conjuntos de dados. O primeiro se refere aos discursos dos
detratores, o segundo, a uma análise quantitativa de menções na Folha de São Paulo de termos
ligados a conceitos centrais das ciências sociais.
Comecemos por dois detratores. A importância deles se dá por demonstrar que até para
serem atacadas, as ciências sociais são mobilizadas, evidenciando seu prestígio. O primeiro
deles é Ernesto Araújo, antigo ministro das relações exteriores sob Bolsonaro. Araújo (2017)
argumenta que o fim da Guerra Fria não representou o fim do comunismo, que continua a ser
gestado ideologicamente pelo “marxismo cultural”. Essa ideologia seria pregada nas
universidades e se espalharia globalmente por agências multilaterais formativas do que ele
denomina globalismo. O ex-chanceler se dedica, em grande parte de seus textos e discursos, a
desmontar as bases dessa suposta ideologia. A quantidade de autores com os quais ele discute
NICOLAU NETTO, M.
181
é marcante: de Marx e Hegel, a Nietzsche e Lacan, e seu pensamento é muitas vezes embasado
nos próprios diagnósticos daqueles que ele quer criticar. Pego, como exemplo, o uso que faz de
Herbert Marcuse em um discurso proferido em um dos mais importantes think tanks
conservadores do mundo, o Heritage, em Washington (Cavalcante; Chaguri; Nicolau Netto,
2021). Ali ele propõe que o ocidente se afastou de Deus e gerou aquilo que Marcuse (2008)
chamou de o “homem unidimensional”, que se define como aquele desprovido de simbologia,
meramente um homem racional. Ao contrário de Marcuse, Araújo entende essa simbologia
enquanto símbolos religiosos. Ou seja, o homem unidimensional seria aquele que teria retirado
Deus de nossos corações e mentes. Não importa a distorção que faz; o fato é que Marcuse é
quem lhe dá a chave de análise para defender a volta da centralidade do cristianismo
7
.
O segundo detrator, Abraham Weintraub, ex-ministro da educação de Bolsonaro,
também era afeito a mobilizar cientistas sociais. Em uma conferência em 2018
8
, ele defendeu
que o capitalismo no Brasil não avançaria devido a uma questão cultural. Para tanto, sua
principal referência foi Max Weber. Distorcendo o pensamento do alemão, Weintraub afirmou
que Weber teria demonstrado que apenas os países ocidentais, herdeiros da “cultura”
protestante, teriam tido a condição de desenvolver uma forma de pensamento que poderia levar
ao desenvolvimento do capitalismo. Nesse sentido, ele faz referência à tese de Samuel
Huntigton, outro cientista social, de que vivemos em um choque de civilizações, no qual a
salvação do mundo se daria pela vitória do Ocidente sobre o Oriente. No caso do Brasil, então,
seria necessária uma mudança cultural que alie o país aos “princípios” ocidentais lidos como
cristãos e conservadores se afastando da influência de outras culturas. É com base nisso que
a condenação de políticas da diferença, do multiculturalismo e de formas de diversidade
sexual e religiosa. Weber, aliás, é o autor frequente entre os detratores, sendo também usado
para fundamentar os argumentos a favor das propostas do Programa Escola Sem Partido
9
.
7
A importância de Marcuse para Araújo é demonstrada pela grande volta que o brasileiro precisa dar para condená-
lo. Se o diagnóstico do filósofo está certo, ele esconderia um projeto. Marcuse não descrevia um fenômeno ou um
processo, mas buscava impor na sociedade aquilo que ele fingia condenar, o próprio homem unidimensional. Nas
palavras do ex-ministro: “ele escreveu aquele livro nos anos 60 denunciando a sociedade de consumo, mas seu
real problema era estabelecer o homem unidimensional” (Araújo, 2019).
8
Em minha última busca (13/1/2020), notei que o vídeo dessa conferência foi retirado do Youtube. O endereço
em que estava é o seguinte: https://www.youtube.com/watch?v=CbJa6B77FdY.
9
Sobre isso, ver “Programa Escola sem Partido”: uma janela fundamentalista. Disponível em:
https://www.sabedoriapolitica.com.br/products/programa-escola-sem-partido-uma-janela-fundamentalista/.
Acesso em: 19 abr. 2021.
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
182 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
Passemos ao segundo conjunto de dados, que indica a presença das ciências sociais nos
debates públicos. Olhemos para a Folha de São Paulo como um indicador de assuntos que
circulam na esfera pública. Na base de dados do jornal, observei a frequência dos termos “classe
social”, “racismo”, “ciências sociais”, “sociologia” em cinco quinquênios: 1995-2000, 2000-
2005, 2005-2010, 2010-2015, 2015-2020. Esses termos foram escolhidos como representantes
de debates típicos das ciências sociais. Especialmente os dois primeiros termos não são
exclusividade das ciências sociais, mas nada é, uma vez que as ciências sociais falam sobre o
mundo. Contudo, racismo e classes sociais são termos centrais às ciências sociais e, se eles
estiverem circulando mais amplamente no debate público, isso pode indicar a amplitude das
próprias ciências sociais. O que notamos na tabela 1 é justamente um grande crescimento da
presença desses termos no jornal, em especial no último quinquênio:
Tabela 1 - trajetória de menções a termos selecionados no jornal Folha de São Paulo
Classe Social
Racismo
Ciências Sociais
Sociologia
1995-2000
26
206
18
140
2000-2005
46
368
37
212
2005-2010
20
309
16
229
2010-2015
241
496
172
296
2015-2020
477
2771
1300
1146
Elaboração própria com base em https://acervo.folha.com.br/index.do.
Esses dados indicam a relevância das ciências sociais na contemporaneidade, algo que
encontra respaldo no recente sucesso editorial de autores e autoras da área. Alguns colegas se
dedicaram ao estudo de autores conservadores que se tornaram best-sellers, especialmente nos
anos anteriores ao golpe contra Dilma Rousseff (Silva, 2018; Rodrigues, 2018; Cavalcante,
2015). Mas podemos notar mais recentemente que autores e autoras progressistas também se
tornaram sucesso nas gôndolas das livrarias e nos sites de venda de livro. Segundo dados da
Publishnews, que apenas contabiliza venda de livros em livrarias físicas, em 2018 dois autores
desse campo apareciam entre os mais vendidos de livros de não-ficção: Jessé Souza e Marcia
Tiburi (Chimamanda Ngozi Adichie também aparecia na lista, mas em 2017)
10
. Se olharmos
para os livros mais vendidos na Amazon em 13/04/2021, na lista geral de não-ficção aparecem
Djamila Ribeiro e Silvio Almeida.
10
Disponível em: https://www.publishnews.com.br/ranking. Acesso em: 8 jan. 2020.
NICOLAU NETTO, M.
183
Temos até aqui, portanto, dados contraditórios. O curso universitário de ciências sociais
perde o interesse ao mesmo tempo em que as cncias sociais se tornam mais presentes e, talvez já
possa dizer, prestigiadas no debate público. O próximo item busca dar sentido a essa contradão.
O crescimento do mercado de interpretação do mundo social e seus novos agentes
Se os dados indicam que as ciências sociais não estão ausentes dos debates públicos,
precisamos saber quais ciências sociais estão nesses debates. Os dados a seguir nos dão algumas
pistas. O primeiro conjunto de dados tratará do universo de publicações em livro. A estratégia
é observar quais são os livros mais vendidos da área. Embora o ideal seria trabalhar com os
livros mais lidos e mais comentados, os dados que pude levantar são limitados aos mais
vendidos. De toda forma, serem mais vendidos é um bom indício de sua popularidade. A lista
que apresento observa os 100 livros, categorizados como política, filosofia e ciência sociais,
mais vendidos pela Amazon do Brasil
11
. A pesquisa foi feita no dia 13 de abril de 2021 e ela se
refere aos mais vendidos na semana anterior
12
.
Em minha amostra, encontrei 22 autores brasileiros, que serão analisados a seguir. São eles:
Tabela 2 - Autores brasileiros mais vendidos na Amazon.com.br classificados em política,
filosofia e ciências sociais em 13/04/2021
13
Clóvis de Barros Filho
Malu Gaspar
Daniela Arbex
Luís Roberto Barroso
Ciro Gomes
Patricia Campos Mello
Sidnei Nogueira
Alessandra Devulsky
Monica Baumgarten de Bolle
Carla Akotirene
Celso Furtado
Elaboração própria com base em www.amazon.com.br.
11
A Amazon representa 50% da venda de livros no Brasil, segundo dados de 2023, o que a torna uma boa fonte
de dados Ver: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2023/05/amazon-ja-e-dona-de-mais-da-metade-
do-mercado-de-livros-no-brasil.ghtml.
12
Embora tenha tentado, não consegui uma lista melhor. Busquei dados na mara Brasileira do Livro e no
Sindicato Nacional de Editores de Livros. Ambos disseram que não possuíam listas de livros mais vendidos, muito
menos por gênero. O Sindicato me indicou procurar a Nielsen, que produz dados para o setor. Assim o fiz e até 13
de junho de 2024 não obtive resposta.
13
As análises que faço sobre esses autores é baseada naquele momento. A situação deles pode ser diferente hoje.
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
184 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
Vamos olhar esses autores buscando primeiro compreender o vínculo com a
universidade. A questão que me ocupa é saber se as ciências sociais que são sucesso editorial
se relacionam com essa instituição. Em seguida veremos os meios de divulgação de seus
trabalhos.
Em relação ao vínculo, começamos por entender o nível educacional do conjunto. Todos
fizeram graduação, 60% deles possuem doutorado e outros 15% possuem somente o mestrado.
Dos que possuem doutorado, quase todos adquiriram o título em universidades de prestígio:
70% nas grandes universidades públicas brasileiras, 20% em universidades estrangeiras e 10%
em fundações. São também pessoas que, em sua maioria, mantêm vínculo atual e permanente,
embora não exclusivo, com a universidade: 50% são professores ou pesquisadores em
universidades, 4,55% o estudantes e 45,45% não possuem vínculo
14
. Da mesma forma,
parecem observar as regras do campo acadêmico. Excluindo os autores que morreram, temos
que 73,68% de todos os autores possuem currículo Lattes. Até aqui, portanto, podemos pensar
que estamos tratando de intelectuais acadêmicos.
Quando, contudo, nos aprofundamos em suas produções isso parece se modificar.
Enfoquemos o Lattes, pois tê-lo é a carteira de identidade do pesquisador acadêmico. Agora me
restrinjo aos autores vivos para notar que 26,32% deles não possuem Lattes. Outros 36,84%,
ainda que possuam, não o atualizam há mais de dois anos (alguns há mais de 10 anos). De todo
o corpus, apenas 26,32% dos autores atualizaram o Lattes nos últimos 12 meses. Se, então,
olharmos para suas produções escritas, o afastamento das regras acadêmicas se torna mais
marcante: 52,63% nunca publicaram um artigo em revista acadêmica; 10,53% publicaram o
último artigo há mais de 10 anos. Apenas 15,79% publicaram artigos em revistas acadêmicas
nos últimos dois anos. Ou seja, quase 85% dos autores excluindo os que não estão vivos
organizam suas carreiras distantes das regras acadêmicas
15
. Isso nos permite classificar os
intelectuais em três grupos. Chamo de acadêmicos os autores que possuem doutorado, vínculo
permanente (mesmo que não exclusivo) com a universidade e que publicaram ao menos um
artigo acadêmico nos últimos 5 anos. Chamo de semiacadêmicos aqueles que mantêm vínculo
com a universidade, mas não de forma permanente. Ou seja, circulam frequentemente em
palestras, dão cursos, muitas vezes estão nos programas de disciplinas, mas não possuem
14
Quando o autor já havia morrido, considerei a maior parte de sua carreira.
15
A importância que damos ao Lattes nas universidades o torna um bom índice para se compreender o vínculo
intelectual dos autores com as regras acadêmicas.
NICOLAU NETTO, M.
185
contratos estáveis. Também não publicaram artigos acadêmicos nos últimos 5 anos. Chamo de
não-acadêmicos os que não publicaram artigos acadêmicos nos últimos 5 anos e não possuem
vínculos com a universidade. Nesses termos, apenas 15% de minha amostra pode ser
classificada como acadêmica.
Se a relação com a universidade distingue os autores, eles são muito semelhantes em
suas atuações na mídia. Naquele mesmo 13 de abril de 2021, 81,82% da amostra possuía uma
página na Wikipedia, sendo que 63,64% em mais de uma língua. Também estavam presentes
na TV e no jornal (quase 95% entre os vivos estão constante ou frequentemente na TV e
escrevem em jornais). Em relação à internet, o mais raro é terem canais no Youtube (26,32%),
mas em relação às mídias sociais é quase uma unanimidade: 89,47% possuem conta no
Facebook, o mesmo número de contas no X; 100% possuem Instagram.
Ao menos com base nessa amostra, temos um cenário no qual os intelectuais que mais
vendem livros em ciências sociais, política e filosofia na Amazon.com.br se vinculam com
intensidades diferentes com a universidade, mas estão totalmente integrados às formas
contemporâneas de circulação de ideias. Pode-se dizer que são todos nossos egressos, alguns
poucos nossos colegas e todos capazes de falar com um público que ultrapassa o público
acadêmico.
Isso pode estar de acordo com algumas tendências contemporâneas. Em uma pesquisa
feita por Isolda Santiago dos Santos (2024) com alunos ingressantes do curso de ciências sociais
na Unicamp em 2023, ela perguntou o “meio pelo qual os respondentes tiveram maior contato
com as temáticas das ciências sociais” e, em seguida, o segundo meio. Entre 110 estudantes, 51
responderam ao questionário. O primeiro meio mais mencionado foi “disciplinas escolares”
(47,1%) e, em seguida, “redes sociais” (19,6%). O segundo meio foi “redes sociais” (29,4%) e,
em seguida, “disciplinas escolares” (25,5%) (Santos, 2024, p. 71). Esses dados demonstram a
importância da escola, como se esperava. Contudo, o destaque é a importância das redes
sociais. Elas são a primeira ou segunda principal fonte de conhecimento sobre as ciências
sociais para 49% da amostra. Bem à frente dos livros, por exemplo (27,4%).
Isso está em linha com a expansão do mercado de intelectuais em redes sociais. Como
vimos, todos os best-sellers mencionados acima possuem uma presença relevante nas redes
sociais. A pesquisa de Santos (2024, p. 76) tentou encontrar dados para isso medindo
conhecimento e interesse dessa amostra pelos canais de Sabrina Fernandes, Jones Manuel,
Chavoso e Café com Sociologia. Para cada um, ela apresentava as alternativas: “conhecia”,
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
186 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
“conhecia e acompanhava” e “não conhecia”. Apenas 3,9% da amostra dizia não conhecer
nenhum desses canais, enquanto 11,7% diziam conhecer e acompanhar todos eles. 78,4%
disseram acompanhar ao menos um dos quatro canais. Chavoso era o mais conhecido e o mais
acompanhado, enquanto Sabrina Fernandes (a única que está na nossa lista de best-sellers) é a
menos conhecida, embora quase 40% ainda a conheçam.
Esses dados podem ser contrapostos a outros. Santos (2024) também investigou o grau
de conhecimento de seus respondentes sobre um conjunto de autores. No gráfico 3 apresento
uma seleção desses autores. É importante notar que sua pesquisa lidou com ingressantes, ou
seja, pessoas que ainda não foram ambientadas no meio acadêmico.
Gráfico 3 - Conhecimento sobre autores entre os ingressantes no curso de graduação em
Ciências Sociais da Unicamp em 2023
Elaboração própria com base em gráfico de Santos (2024, p. 73).
Lévi-Strauss, Malinowski, Marx e Weber são autores clássicos das ciências sociais e
foram escolhidos por Santos justamente porque são obrigatoriamente ensinados nos cursos
introdutórios da Unicamp. Mbembe e Angela Davis também são autores acadêmicos,
frequentemente ensinados nas universidades, mas que têm adquirido maior presença nos
programas curriculares recentemente. Já Silvio Almeida e Djamila Ribeiro são, como vimos,
sucessos editoriais e, em minha classificação, autores semiacadêmicos, cuja presença social
ultrapassa bastante o mundo acadêmico. Marx é o autor mais lido, seguido de Weber, o que
pode ser consequência da presença da sociologia no ensino médio. Marx, inclusive, é o único
13,7
3,9
62,7
43,1
5,9
33,3
17,6
41,2
29,4
74,5
0
5,9
76,5
9,8
52,9
9,8
56,9
21,6
37,3
51
17,6
56,9
29,4
49
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
Lévi-Strauss Malinowski Marx Weber Mbembe Angela Davis Silvio Almeida Djamila
Ribeiro
Já tinha lido Não conhecia Não tinha lido, mas já tinha ouvido falar
NICOLAU NETTO, M.
187
autor que todos conheciam. Contudo, Weber é seguido de perto por Djamila Ribeiro. Em
seguida está Angela Davis e, em quarto lugar, o autor mais lido é Silvio Almeida. Os autores
da antropologia clássica (Lévi-Strauss e Malinowski) tinham sido mais lidos do que
Mbembe, o autor menos conhecido da amostra. Esses dados mostram que, antes de ingressar
em ciências sociais, esse público conhece uma ampla gama de autores, misturando autores
clássicos (especialmente da sociologia), emergentes e semiacadêmicos.
A ampliação do mercado de interpretação do mundo social
O conjunto de dados nos revela até aqui que não há perda de prestígio ou de relevância
nas ciências sociais, mas que as ciências sociais acadêmicas não reinam mais sozinhas no
mercado de interpretação do mundo social. Em outras palavras, o campo das ciências sociais se
adensou e a competição aumentou. Se esse é o diagnóstico, podemos agora pensar em suas
implicações. Farei isso a partir do tema da autonomia relativa do campo. Diversos textos se
ocuparam de questionar se as transformações recentes nas condições de trabalho intelectual
estariam levando a sua perda. É isso que Pierre Bourdieu (1997) faz no fim da década de 1990.
Naquele momento, Bourdieu estava preocupado com o avanço do neoliberalismo e com novas
práticas que afetavam os campos da produção cultural. Se, em suas obras anteriores, o autor
nos proporcionou instrumentos para questionar a ilusão existente nos campos, no fim da vida,
ele se preocupava com o campo intelectual. Nas conferências publicadas em 1996, o autor
reflete sobre “a influência crescente da televisão na produção da informação jornalística e na
produção de outros bens culturais” (Setton, 2001, p. 29). Para o autor, a televisão representa
“um grande perigo às diferentes esferas da produção cultural, arte, literatura, ciência, filosofia,
direito” (Bourdieu, 1996, p. 9). Isso levava a uma mudança nas regras de produção cultural. O
acesso dos produtores culturais à televisão tinha como “contrapartida uma formidável censura,
uma perda de autonomia ligada, entre outras coisas, ao fato de que o assunto é imposto, de que
as condições da comunicação são impostas (...)” (Bourdieu, 1996, p. 19). Para tanto, os agentes,
tais quais os cientistas sociais acadêmicos, precisavam se adaptar às “ideias feitas” e ao fast
thinking(Bourdieu, 1996). Dessa forma, ele via como uma norma externa de produção cultural
afetava as formas internas do campo, colocando em xeque sua autonomia.
Essa ideia está presente em um conjunto de textos que consideram o neoliberalismo uma
ameaça ao pensamento autônomo. As implicações são várias: modificam-se as formas como
nos relacionamos uns com os outros, agora pautados pela competitividade; mudam-se as formas
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
188 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
pelas quais nos relacionamos com as instituições, em busca de maior eficiência; transforma-se
nossa relação com nossa produção, agora mais acelerada e medida por indicadores quantitativos
(Maia, 2019). Dessa forma, as lógicas econômicas do neoliberalismo se espraiam por toda a
sociedade e se inserem nos campos do trabalho intelectual.
Embora essas discussões sejam fundamentais, elas pouco se ocupam em compreender a
transformação mais ampla do campo das ciências sociais e a posição que ocupam as ciências
sociais acadêmicas frente a essas transformações. Para que possamos compreender isso,
considerarei a questão da autonomia do próprio campo. Usarei como foco a sociologia para
poder me aprofundar em alguns casos, mas a análise pode ser estendida, com outros exemplos,
para as outras áreas das ciências sociais. Comecemos por historicizar o campo, o que nos leva
de imediato a relativizar sua autonomia. Isso porque, se entendermos a autonomia do campo
como a capacidade de seus praticantes de agirem apenas em relação a seus pares (Bourdieu,
2021), temos um problema no processo da própria autonomização das ciências sociais. Em
verdade, o processo de institucionalização das ciências sociais, ou seja, o “desenvolvimento
institucional das disciplinas dentro do sistema acadêmico, com a criação de currículos, de
postos de trabalho com ensino e diplomas” (Sapiro, 2018, p. 351), pode ocorrer por um
processo de permissividade do campo ao conhecimento produzido fora dele. Heilbron (2022)
nos lembra que não foi o campo das ciências sociais que criou as teorias sociais; ao contrário,
elas o antecedem. Dessa forma, quando vão para as universidades, as ciências sociais o fazem
levando uma plêiade de autores que produziram suas teorias fora delas. Evidentemente, isso
pode ser uma marca do nascimento dessas ciências. Contudo, essa marca se estende na história.
Marx, Weber e Durkheim são tidos como fundadores da sociologia. Isso, contudo, denota
uma história das ciências sociais. Ainda em 1937, Parsons (1967) considerava autores centrais
da área Weber, Pareto, Marshall e Durkheim. No Brasil, os fundamentos sociológicos antes da
segunda metade do século XX são dominados por Durkheim e pela escola francesa (Merkel,
2024). A apresentação da sociologia feita por Fernando de Azevedo em 1935, Princípios de
Sociologia (1954), demonstra isso. Ela traz uma imensa gama de pensadores europeus e norte-
americanos. Durkheim ocupa o centro da obra, é o sociólogo por excelência. Weber aparece
apenas em um verbete de poucas linhas ao lado de vários outros intelectuais alemães como
representantes da moderna sociologia naquele país. Embora esteja no livro, Marx não está nessa
lista, uma vez que não é considerado como alguém que tenha desenvolvido “métodos
NICOLAU NETTO, M.
189
genuinamente sociológicos” (Azevedo, 1954, p. 427). Pareto e Simmel m mais destaque no
livro do que os dois clássicos atuais.
na década de 1960 isso muda de figura. Em 1967, Florestan Fernandes (1967), propõe
um método de investigação em ciências sociais que parte de três matrizes retiradas de Marx,
Weber e Durkheim (Ianni, 1996, p. 28). Alguns anos depois, Bourdieu (1972) e Anthony
Giddens (1971) também produziriam suas teorias e seus métodos a partir da síntese desses três
autores. Houve, portanto, um processo de seleção de autores que moldaram a imagem das
ciências sociais acadêmicas. Essa história, contudo, não se faz apenas em referência ao campo
acadêmico. Ao contrário, ela é feita pela inclusão e a exclusão tanto de acadêmicos quanto de
não-acadêmicos. Sabemos que a razão do insucesso de Tarde e Worms na história das ciências
sociais (Ortiz, 1989; Consolim, 2008), na disputa com Durkheim, se relaciona com a distância
deles da institucionalização acadêmica. Contudo, quando olhamos o estabelecimento da tríade
Marx, Weber e Durkheim, vemos que essa institucionalização também se deu pelo ingresso de
cientistas sociais não-acadêmicos ou semiacadêmicos no campo acadêmico. Marx é o exemplo
mais óbvio, uma vez que sua obra foi produzida antes da institucionalização das ciências sociais
na universidade. De fato, Marx não manteve relações permanentes com a universidade após
seus estudos e sua obra originalmente foi muito mais ligada ao campo político, ao mercado
editorial e ao jornalismo (Stedman-Jones, 2017; Heinrich, 2018). Mas também Weber não pode
ser considerado um intelectual tipicamente acadêmico. Especialmente após seu adoecimento
em 1898, ele se afasta dos afazeres acadêmicos, só os retomando nos dois últimos anos de vida
(Radkau, 2013). Dessa forma, suas obras mais lidas pelos cientistas sociais foram produzidas
fora da universidade: a primeira parte de A Ética Protestante (2004) é de 1904. Sua conferência,
Ciência como Vocação (2016), muitas vezes tida como um modelo de atuação para o cientista
acadêmico, foi ministrada justamente no ano em que ele voltou a dar aula e um ano antes de
sua morte. Portanto, embora estivesse de volta às atividades acadêmicas, Weber analisa aquilo
que por anos observou de fora. Se ele produziu sua obra em instituições mais especializadas do
que Marx, como o Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, e ajudou a fundar a
Sociedade Alemã de Sociologia, sua atuação pode ser considerada para-acadêmica, com intensa
circulação nos ciclos intelectuais não acadêmicos de artistas e políticos.
Entre os considerados fundadores da sociologia, Durkheim é a exceção, não a regra.
Mais do que um entre três, é em relação a sua imagem que se produz um ideal de cientista social
acadêmico. Por isso, como diz Renato Ortiz (1989), ele não é apenas o “herói fundador”, mas
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
190 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
também o arquiteto das ciências sociais acadêmicas. É aquele que busca estabelecer as
fronteiras da sociologia com outras áreas: diferente da psicologia (não estudamos as
consciências individuais, mas as coletivas), da filosofia (não lidamos com raciocínios genéricos
e metafísicos, mas com objetos construídos), da biologia (não lidamos com fatos biológicos,
mas sociais) (Lukes, 1973). Mas também busca afastar a sociologia daquilo que Bourdieu,
Passeron e Chamboredon (2007) chamaram de sociologia espontânea, ou seja, as interpretações
do mundo social feitas pelo senso comum. Por fim, é dele a imagem do intelectual que precisa
“renunciar aos sucessos mundanos, por assim dizer, e (...) assumir o caráter esotérico que
convém a toda ciência. Ele ganhará assim em dignidade e em autoridade o que talvez perderá
em popularidade” (Durkheim, 2019, p. 151). Durkheim venceu seus competidores e sua vitória
representa um movimento que leva as ciências sociais a se tornarem, anos mais tarde, o métier
típico de acadêmicos.
Isso não é dizer que as ciências sociais acadêmicas realizaram plenamente o projeto de
Durkheim (Ortiz, 1989, p. 27), ou seja, se impuseram plenamente sobre as outras formas de
interpretar o mundo social. A sociologia acadêmica pode negar a sociologia espontânea, mas
não a anula. Afinal, no seu dia a dia, as pessoas mobilizam seus conhecimentos práticos ou os
ensinamentos que estão mais à mão para viverem suas vidas, sem precisarem recorrer aos
acadêmicos. Contudo, se olharmos para os especialistas, é fato que a partir da segunda metade
do século XX a história das ciências sociais se confunde com a história de sua
institucionalização acadêmica pelo mundo. O surgimento de periódicos e sociedades de
sociologia, que se aceleram e se globalizam após a Segunda Guerra Mundial, se dão em um
contexto acadêmico. Seus autores e seus membros são acadêmicos e, quando circulamos em
congressos da área, supomos estar entre colegas da universidade. Isso se dá, em especial, a
partir das décadas de 1950 e 1970, período que Sapiro (2018) denomina de ouro das ciências
sociais. Desde então e até recentemente , temos a sensação, bem fundamentada, de que as
ciências sociais acadêmicas adquiriram o monopólio do campo das ciências sociais. Embora
outras vozes se aventurassem a atuar como cientistas sociais fora das universidades, elas eram
pouco ouvidas ou talvez ouvidas apenas em setores específicos. Assessores políticos, membros
de movimentos sociais, professores do ensino básico continuaram atuando como cientistas
NICOLAU NETTO, M.
191
sociais, mas suas vozes pouco desafiavam as dos cientistas sociais acadêmicos, que mantinham
para si o controle das regras e da doxa do campo das ciências sociais
16
.
É isso que parece ter mudado. Aqui vimos autores de livros e agentes em redes sociais
que ostentam a alcunha de cientistas sociais, sem necessariamente atuarem na universidade.
Outras pesquisas mostram diferentes formas de atuação dos cientistas sociais. Os think tanks,
por exemplo, têm sido estudados por vários autores como um desses espaços
17
. Lidiane
Rodrigues (2018) amplia a análise para os intelectuais que atuam na dia, os que ela chama
de intelectuais-jornalistas e jornalistas-intelectuais.
Esses textos em conjunto com os dados que trago aqui, demonstram, portanto, que as
ciências sociais acadêmicas perderam o monopólio do campo. Gostaria de fazer duas reflexões
a partir disso. A primeira se refere a perguntar se tudo o que vimos significa uma perda da
autonomia do subcampo, ou seja, se as ciências sociais acadêmicas estão perdendo sua
capacidade de refração. De fato, em sala de aula ou nos momentos em que atuam fora do espaço
acadêmico (como nas redes sociais ou nas mídias), os cientistas sociais são impelidos a debater
com autores ou a reagir a temas de fora do subcampo acadêmico. Poucos escrevem sobre isso,
mas uma noção compartilhada de que os estudantes, em especial, nos exigem um
conhecimento que não dialoga diretamente com o campo acadêmico. Para termos dados
precisos, e não apenas sentimentos, precisaríamos medir quais autores o estudados ou
mobilizados nas ciências sociais acadêmicas, algo queo fiz. Contudo, me parece improvável
que essa noção revele uma perda da autonomia. É possível, de fato, observar que alguns autores
não-acadêmicos ou semiacadêmicos têm sido incluídos na bibliografia dos acadêmicos ou em
suas aulas, como é o caso de Krenak, Ana Maria Gonçalves ou Djamila Ribeiro. Outros,
contudo, continuam do lado de fora, como Olavo de Carvalho, que, a não ser como objeto,
nunca se tornou referência bibliográfica na universidade. Ao estudar a relação entre o trabalho
e a autonomia intelectual de professores universitários, João Marcelo Maia (2019) notou que
seus entrevistados negociam a autonomia, ou seja, conseguem manter, em certas dimensões de
seus trabalhos, um alto grau de autonomia, enquanto em outras não. Algo parecido pode ser
16
Talvez os jornalistas pudessem ser vistos como concorrentes dos cientistas sociais acadêmicos. Mas eles já eram
de uma especialidade à parte, não se chamavam, nem eram vistos como cientistas sociais. Esses eram, de fato,
praticamente reservados aos acadêmicos.
17
Ver Rocha (2015), Moraes (2015), Stedman-Jones (2012), Chaloub & Perlatto (2019). No livro de Thomas
Medvetz (2012), Think Tanks in America, ele demonstra como os agentes dos think tanks legitimam sua posição
mobilizando ambiguamente capitais acadêmicos e do mercado. Alguns estudos se dedicam justamente a
compreender a atuação desses think tanks na universidade. Ver por exemplo Cristofoletti (2021).
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
192 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
pensado em relação ao campo. O que se passa é que seus praticantes recebem influências
externas; algumas são repelidas, outras são integradas, tal como ocorreu na formação da tríade
fundadora da sociologia. Isso significa que ao negociarem com essas influências externas, eles
parecem manter a condição de formar a doxa do subcampo das ciências sociais. Ao me referir
à doxa, penso nas hierarquias simbólicas entre as teorias sociais. Pelo que foi afirmado, nada
parece indicar que o subcampo tenha perdido a capacidade de produzir tais hierarquias.
A segunda reflexão refere-se a pensar se o subcampo das ciências sociais é capaz de
impor sua doxa ao campo mais amplo das ciências sociais. Trabalhemos com os indícios que
temos. Em primeiro lugar, devemos lembrar que, embora os autores best-sellers que analisei
não sejam acadêmicos, na forma como a defini, todos possuem ensino superior e a maior parte
possui pós-graduação. Na pesquisa aqui citada de Lidiane Rodrigues, ela nota que a alcunha
“professor” é mobilizada pelos intelectuais, acadêmicos ou não, que ela estuda. Isso é o mesmo
que encontrei ao analisar os intelectuais ligados a dois think tanks no Brasil: o Instituto Liberal
(IL)
18
, fundado em 1983 e sediado no Rio de Janeiro, e o Instituto Mises Brasil
19
(IMB),
fundado em 2007 e sediado em São Paulo. Em 2021, registrei aqueles que aparecem como
“autores” no site do IL e “especialistas” no site do (IMB). No total estamos falando de 53
intelectuais. São eles:
Tabela 3 - Intelectuais ligados ao Instituto Liberal e ao IMB
Autores IL
Especialistas IMB
Alex Pipkin
Adriano Gianturco
Antônio Claret Jr.
Adriano Paranaiba
Carlos Junior
Adrualdo Catão
Catarina Rochamonte
Alberto Oliva
Gabriel Wilhelms
Antony Mueller
Hiago Rebello
Bruno Garschagen
Ianker Zimmer
Dennys Garcia Xavier
João Luiz Mauad
Fabio Barbieri
Juliano Oliveira
Felipe Rosa
Leonardo Corrêa
Fernando D'Andrea
Lucas Berlanza
Ives Braghittoni
Lucas Sampaio
José Manuel Moreira
Marcel Balassiano
José Maria Rodriguez Ramos
Pedro Henrique Alves
Marco Poli
Ricardo Vélez-Rodríguez
Rodrigo Saraiva Marinho
18
https://www.institutoliberal.org.br/
19
https://www.mises.org.br/
NICOLAU NETTO, M.
193
Roberto Ellery
Ubiratan Jorge Iorio
Roberto Rachewsky
Yago Martins
Rodrigo Constantino
Christian Vonbun
Vinícius Montgomery
Fernando Ulrich
Geanluca Lorenzon
Guilherme Benezra
Gustavo Maultasch
Helio Beltrão
João Daniel Ruettimann
Leandro Roque
Lucas Fiuza
Marco Palhares de Barros
Mariana Diniz Lion
Mariana Piaia Abreu
Mariangela Ghizellini
Martim Vasques da Cunha
Rafael Gonçalves
Renata Barreto
Thiago Guterres
Elaboração própria com base nos sites dos institutos.
Em termos de suas ligações acadêmicas, eles se parecem com os vendedores de livro.
Segundo o Lattes, 60,38% estavam na plataforma, mas apenas 32,08% desses havia atualizado
sua página no último ano. Mas neles também observei a forma como querem ser reconhecidos
publicamente, observando seus textos de apresentação nas páginas dos think tanks, em que
esbanjam, de maneira recorrente, o nome de universidades onde estudaram e a alcunha de
professores (utilizada pela metade do corpus).
De fato, mesmo entre aqueles que chamamos de cientistas sociais não-acadêmicos ou
semiacadêmicos, a universidade é parte importante de suas vidas, tanto para suas formações
quanto para a legitimidade que podem articular. Assim, os intelectuais que atuam em canais de
internet aqui mencionados são todos eles formados na universidade. Além disso, eles
mobilizam frequentemente as universidades de prestígio que visitaram. Não à toa, o canal de
maior sucesso na amostra de Santos (2024) carrega em seu nome mediático a USP.
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
194 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
Conclusão
A expansão do mercado de interpretação do mundo social leva à perda do monopólio
das ciências sociais acadêmicas dentro do campo mais amplo das ciências sociais. O aumento
da relevância das ciências sociais, e não sua perda, produz uma demanda maior por especialistas
que não são absorvidos pela universidade. Dessa forma, esses especialistas se dirigem para o
mercado editorial, a dia, os think tanks, etc. Em outros termos, podemos dizer que hoje
uma múltipla institucionalização das ciências sociais. Essas instituições não acadêmicas e os
cientistas sociais não-acadêmicos ou semiacadêmicos se encontram em condições de competir
com os cientistas sociais acadêmicos no oferecimento de interpretações do mundo social para
a sociedade mais ampla. Contudo, eles parecem menos capazes, neste momento, de produzir
suas próprias fontes de consagração. Suas instituições são recentes ou excessivamente marcadas
por grupos de interesse e pouco científicas. Dessa forma, é nas ciências sociais acadêmicas que
mesmo esses agentes buscam sua legitimidade. Não apenas se graduam, mas buscam manter
ligações com a universidade, de forma não constante, embora perene. E, sempre que o fazem,
destacam o fato mobilizando títulos ou valorizando seus trabalhos na academia. O que se nota,
portanto, é que as ciências sociais acadêmicas estão perdendo o monopólio do campo das
ciências sociais. Ao mesmo tempo, contudo, elas ampliam sua centralidade como fonte de
legitimidade.
Bibliografia
ARAÚJO, Ernesto Henrique Fraga. Trump e o Ocidente. Cadernos de Política Exterior, Brasília, v. 3, n. 6, p.
323-358, 2017.
ARAÚJO, Ernesto Henrique Fraga. Conversation at Heritage Foundation, 11 set. 2019. 1 vídeo (53 min 42
seg). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=i2PDyry8F_M. Acesso em: 8 jan. 2020.
AZEVEDO, Fernando. Princípios de sociologia: pequena introdução ao estudo de sociologia geral. São Paulo:
Melhoramentos, 1954.
BENDA, Julien. A traição dos intelectuais. São Paulo: Peixoto Neto, 2007.
BOURDIEU, Pierre. Sociologia Geral. Vol. 2: habitus e campo. Curso no Collège de France (1982-1983).
Petrópolis: Vozes, 2021.
BOURDIEU, Pierre. Esquisse d’une théorie de la pratique: Précédé de Trois études d’ethnologie kabyle. Paris:
Librairie Droz, 1972.
BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
BOURDIEU, Pierre; CHAMBOREDON, Jean-Claude; PASSERON, Jean-Claude. Ofício de Sociólogo.
Petrópolis: Vozes, 2007.
NICOLAU NETTO, M.
195
CAVALCANTE, Sávio; CHAGURI, Mariana M.; NICOLAU NETTO, Michel. Conservadorismo-liberal no
Brasil: a força da articulação no contexto de pandemia. Brasiliana: Journal for Brazilian Studies, London, v.
10, n. 1, p. 285-307, 2021.
CAVALCANTE, Sávio. Classe média e conservadorismo liberal. In: CRUZ, Sebastião Velasco e; KAYSEL,
André; CODAS, Gustavo (org.). Direita Volver! São Paulo: Perseu Abramo, 2015. p. 177-196.
CHALOUB, Jorge; PERLATTO, Fernando. Intelectuais da “nova direita” brasileira: ideias, retórica e prática
política. In: ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS, 39., 2015, Caxambu. Anais Eletrônicos do 39° Encontro
Anual da Anpocs. São Paulo: Anpocs, 2015.
CONSOLIM, Maria Cristina. Gabriel Tarde e as ciências sociais francesas: afinidades eletivas. Mana, Rio de
Janeiro, v. 14, n. 2, p. 269-298, 2008.
CRISTOFOLETTI, Evandro Coggo. Disputando hegemonia no ensino superior e na universidade: a atuação
das think tanks liberais brasileiras no âmbito da educação superior e da academia. 2021. Tese (Doutorado em
Política Científica e Tecnológica) Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas,
2021.
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. Petrópolis: Vozes, 2019.
DURKHEIM, Émile. As Formas Elementares da Vida Religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
FERNANDES, Florestan. Fundamentos empíricos da explicação sociológica. São Paulo: Nacional, 1967.
GIDDENS, Anthony. Capitalism and modern social theory. Cambridge: Cambridge University Press, 1971.
IANNI, Octavio. A Sociologia de Florestan Fernandes. Estudos Avançados, São Paulo, v. 10, n. 26, p. 25-33,
1996.
LUKES, Steven. Émile Durkheim: his life and work. A historical and critical study. London: Allen Lane The
Penguin Press, 1973.
HEILBRON, Johan. O nascimento da sociologia. São Paulo: Edusp, 2022.
HEINRICH, Michael. Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna. São Paulo: Boitempo, 2018.
MAIA, João Marcelo. Ciências sociais, trabalho intelectual e autonomia: quatro estudos de caso sobre nós mesmos.
Dados, Rio de Janeiro, v. 62, n. 2, p. 1-33, 2019.
MARCUSE, Herbert. One-dimensional man: studies in the ideology of advanced industrial society. London:
Routledge, 2008.
MEDVETZ, Thomas. Think Tanks in America. Chicago: The University of Chicago Press, 2012.
MERKEL, Ian. Termos de troca: intelectuais brasileiros e as ciências sociais. São Paulo: Edusp, 2024.
MORAES, Reginaldo C. A organização das células neoconservadoras de agitprop: o fator subjetivo da
contrarrevolução. In: CRUZ, Sebastião Velasco e; KAYSEL, André; CODAS, Gustavo (org.). Direita Volver!
São Paulo: Perseu Abramo, 2015. p. 231-246.
PARSONS, Talcott. The Structure of Social Action. Illinois: Free Press, 1967.
ORTIZ, Renato. Durkheim: arquiteto e herói fundador. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 4,
n. 11, p. 5-22, 1989.
ROCHA, Camila. Direitas em rede: think tanks de direita na América Latina. In: CRUZ, Sebastião Velasco e;
KAYSEL, André; CODAS, Gustavo (org.). Direita Volver! São Paulo: Perseu Abramo, 2015. p. 261-278.
RODRIGUES, Lidiane. Uma revolução conservadora dos intelectuais (Brasil/2002-2016). Política & Sociedade,
Florianópolis, v. 17, n. 39, p. 277-312, 2018.
O presgio das Ciências Sociais hoje: contradições da ampliação do
196 mercado de interpretação do mundo social no Brasil contemporâneo
SANTOS, Isolda Santiago dos. Imaginário de estudantes sobre o ingresso no curso de Ciências Sociais na
Universidade Estadual de Campinas. 2024. Dissertação (Mestrado em Sociologia) Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2024.
SAPIRO, Gisèle. Entre o nacional e o internacional: o surgimento histórico da sociologia como campo.
Sociedade e Estado, Brasília, v. 33, n. 2, p. 349-377, 2018.
SETTON, Maria da Graça Jacintho. Indústria Cultural: Bourdieu e a teoria clássica. Comunicação &
Educação, São Paulo, n. 22, p. 26-36, set./dez. 2001.
RADKAU, Joachim. Max Weber: a biography. New York: John Wiley & Sons, 2013.
STEDMAN-JONES, Daniel. Masters of the universe. Princeton/Oxford: Princeton University Press, 2012.
STEDMAN-JONES, Gareth. Karl Marx Grandeza e ilusão. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
SILVA, Leonardo Nóbrega da. O mercado editorial e a nova direita brasileira. Teoria e Cultura, Juiz de Fora, v.
13, n. 2, p. 73-84, 2018.
WEBER, Max. A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
WEBER, Max. Ciência como vocação. In: WEBER, Max. Metodologia das Ciências Sociais. São Paulo: Editora
Cortez, 2016. p. XLVI-L.
Recebido em: 28/6/2024
Aceito em: 22/1/2026