BEVILAQUA, V. F.
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descrevendo-se os contornos do fenômeno social e a forma como se expressa na formação social
brasileira, acompanhado da identificação dos principais antagonismos e conflitos que conferem o
modo particular de manifestação desse tipo de diferenciação interior ao capitalismo como um todo.
O Poder Executivo e a coalizão governamental centralizada nele organizaram, em 2023,
um Grupo de Trabalho tripartite, cujos convidados representavam distintas porções da
sociedade civil. A representação envolvia as empresas de plataforma, os sindicatos associados
à categoria e o Estado6. As entidades participantes do grupo de trabalho alcançaram certo
consenso nas principais matérias da legislação proposta. O trecho, a seguir, resume a questão
da autonomia e a posição do Poder Executivo em relação ao PLP 12/2024:
Assim, nós chegamos ao primeiro princípio que acho fundamental desse projeto, que
é a conceituação de uma nova categoria, uma categoria de autônomos com o mínimo
de direitos — são autônomos, mas têm direitos. Por que é importante destacar isso?
Porque foi uma reivindicação muito grande dos trabalhadores que queriam autonomia,
autonomia para definir o horário de trabalho, autonomia para definir para quais
empresas trabalham, autonomia para definir os dias em que vão trabalhar. E esta
autonomia foi garantida neste projeto de lei (Representante do Poder Executivo).
Em contraposição ao discurso do representante do Poder Executivo, um representante
dos motoristas expressa um discurso em que o PLP 12/2024 não contempla a autonomia. No
nível analítico e processual, a operação de atribuição da qualidade “autonomia”, enquanto um
valor, auxilia o esquema cognitivo do agente a classificar o PLP como bom ou ruim, isto é, a
valorizá-lo ou desvalorizá-lo. A operação, parcialmente cognitiva, mas também contextual e
elementar, inscreve no espaço público uma possível desvalorização do PLP, junto com uma
respectiva tomada de posição.
Deputado, primeiro, eu quero dizer que nós não somos contra a regulamentação. Eu
vou só pontuar algumas falas que já foram discutidas. “Autonomia com direito”. Essa
fala é bonita, mas eu não posso determinar o valor que eu vou ganhar. Um ano após a
assinatura deste PLP, o senhor e a Receita Federal verão milhares de trabalhadores
com suas contas bloqueadas. Anotem isso! (Representante dos motoristas).
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Acusações notórias partiram de uma série de agentes, como motoristas de aplicativos e parlamentares. As
afirmações se dirigiam à falta de representação desses grupos de agentes. O alvo das críticas era centralizado no
Poder Executivo, particularmente no governo de Luis Inácio Lula da Silva. Um representante de associação de
motoristas afirmou: “O PL 12 ficou como uma esperança para o motorista de uma melhora, mas quando ele foi
apresentado, quando ele foi exposto, ficou muito clara uma participação muito grande das empresas, as que tiveram
mais foco ali, que é a Uber e a 99, que, com certeza, têm mais vantagens do que as outras. (...) Não foram ouvidas
as associações, como a que eu represento, como eu disse no Rio são três. Temos uma federação nacional que
contempla várias associações, e não fomos aceitos no grupo de trabalho. Ao contrário, fomos retirados do grupo
de trabalho, e não fomos retirados, banidos do grupo de trabalho, um termo comum para o motorista de aplicativo,
porque cometemos algum erro, simplesmente não queriam nos dar voz.”