mudança sociocultural e inovação política, ora como um problema social a ser solucionado. O
artigo finaliza destacando a necessidade de uma concepção alargada de juventude, mais plural e
multifacetada, que seja capaz de evitar análises reducionistas e prevenir a produção e reprodução
de estereótipos.
Na sequência, o artigo de Henrique Rodrigues Moreira e Cristiano Fonseca Monteiro,
intitulado “As disputas em torno dos contratos intermitentes na Câmara dos Deputados (2012-
2017)”, aborda a Reforma Trabalhista promulgada em 2017, com atenção especial para o
processo de tramitação na Câmara dos Deputados que resultou na institucionalização dos
contratos de trabalho intermitente. O estudo explora os diversos elementos que compunham o
contexto político em que se processou a tramitação da matéria e identifica a emergência de uma
janela de oportunidade política que permitiu a aprovação da inclusão dos contratos de trabalho
intermitente como parte do texto final da reforma.
No artigo seguinte, intitulado “Desigualdades na Participação das Mulheres no Mercado de
Trabalho Informal da Bolívia: Um Estudo de 2000 a 2021”, os autores Ana Cristina de Oliveira
Mélo e Alexandre César Cunha Leite se debruçam sobre as estatísticas oficiais referentes ao
mercado de trabalho do país andino ao longo de duas décadas, para revelar uma grande
concentração da mão de obra feminina em trabalhos informais, além da reprodução da
desigualdade de gênero no mercado de trabalho em consonância com o que ocorre no resto do
mundo.
Na sequência, o artigo de Guilherme Figueredo Benzaquen, intitulado “O Auxílio
Emergencial e a financeirização da pobreza no governo Bolsonaro”, apresenta uma provocante
análise acerca da política de transferência de renda de caráter emergencial que foi adotada durante
o governo Bolsonaro (2019-2022). O autor caracteriza essa medida enquanto uma forma de
“gestão da pobreza” pelo Estado brasileiro, que é representativa de um processo mais abrangente
de “financeirização da pobreza” e constitutivo do padrão atual de dominação/expropriação
capitalista.
Em “O Trabalho por Plataforma na Construção Civil”, Manuela Gomes da Rocha e
Manuela de Carvalho Rodrigues apresentam uma análise acerca do crescimento da presença de
empresas-plataformas que fazem a intermediação de serviços no setor da construção civil,
revelando sua lógica de funcionamento e sua dinâmica de atuação à luz dos debates recentes sobre
terceirização, precarização e uberização do trabalho. A análise revela como essas plataformas
contribuem para a manutenção do quadro atual de predomínio do trabalho precarizado, ao mesmo