
Uma categoria com sentido latente: a noção de povo nos estudos de
50 folclore no Brasil e a visão (crítica) de Florestan Fernandes
Nesse sentido, e em contraposição àquela concepção de inspiração evolucionista,
Fernandes desenvolveu sua concepção de povo como equivalente a uma “coletividade”, a uma
“população”, “sociedade” ou “grupo social”, em que os elementos tidos como folclóricos
circulariam de modo dinâmico e inventivo, estando em constante transformação, visto
corresponderem a experiências provenientes do meio social que os produz. Tal concepção,
lapidada pelo autor ao longo dos anos, nos permite melhor compreender sua disposição em
defender o folclore como uma disciplina humanística, isto é, uma concepção desprovida do
pressuposto voltado a uma estagnação ou “involução” de certos estratos sociais, e sim o folclore
enquanto capacidade humana de criação, em seus aspectos estéticos e poéticos.
Referências
ALMEIDA, Renato. Vivência e projeção do folclore. Rio de Janeiro: Agir, 1971.
ALMEIDA, Renato. Inteligência do folclore. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1957.
BANDEIRA, Rebeca Carolina da Silva. Florestan Fernandes e o folclore: um estudo sobre as suas primeiras
elaborações (1941-1962). 2020. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em
Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2020.
CARNEIRO, Edison. A sociologia e as “ambições” do folclore. Revista Brasiliense, São Paulo, v. 23, p. 132-
145, maio/jun. 1959.
CARNEIRO, Edison. A sociologia e as ambições do folclore. Comunicação feita à CNFL. Documentos da CNFL
– IBECC, nº. 429, 1959.
CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. Entendendo o folclore e a cultura popular. 28 jan. 2020.
Disponível em: https://marialauracavalcanti.com.br/2020/01/28/entendendo-o-folclore/. Acesso em: 23 maio
2025.
CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro; VILHENA, Luís Rodolfo. Traçando fronteiras: Florestan
Fernandes e a marginalização do folclore. Estudos Históricos, São Paulo, v. 3., n. 5, p. 75-92, 1990.
COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE. Carta do Folclore Brasileiro. 1951. I Congresso Brasileiro de
Folclore, Rio de Janeiro, 1951. Disponível em: https://www.gov.br/iphan/pt-br/unidades-especiais/centro-
nacional-de-folclore-e-cultura-popular/CartadoFolcloreBrasileiro1951.pdf. Acesso em: 21 jul. 2025.
CUNHA, Paulo Anchieta Florentino da. O Movimento Folclórico Brasileiro e seus desdobramentos na
Paraíba: uma aproximação a partir da trajetória de Hugo Moura (1960 a 1978). 2011. Dissertação (Mestrado em
Antropologia) – Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife,
2011.
FERNANDES, Florestan. O folclore em questão. São Paulo: Hucitec, 1978.
FERNANDES, Florestan. As trocinhas do Bom Retiro. Pro-posições, Campinas, v. 15, n. 1, p. 229-250, 2004.
GARCIA, Sylvia Gemignani. Folclore e sociologia em Florestan Fernandes. Tempo Social, São Paulo, v. 13, n.
2, p. 143-167, 2001.
GNACCARINI, José Cesar. Folclore e consciência nacional: a visão crítica de Florestan Fernandes. Revista USP,
São Paulo, n. 5, p. 67-77, jun. 1987.
MAZZA, Débora. A leitura sociológica do folclore paulistano: a contribuição de Florestan Fernandes, 2015. 15
p. Disponível em: https://marxismo21.org/wp-content/uploads/2015/08/F-Fernandes-Sobre-Folclore-D-
Mazza.pdf. Acesso em: 18 jun. 2025.
MELO, Veríssimo de. Adivinhas. Natal: Biblioteca da Sociedade Brasileira de Folk-lore, 1948.