(IM)POSSIBILIDADES DA CRÍTICA NA VIDA NA RUA
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v17i3.76789Palavras-chave:
Crítica, Poder, Vida na ruaResumo
Partindo do trabalho de mais de 500 horas observação directa levado a cabo numa cidade portuguesa de média dimensão, este texto discute a forma como a crítica emitida por sem-abrigo perturba o exercício do poder. Diversos profissionais de instituições assistencialistas esperam que os sem-abrigo se submetam às suas decisões independentemente das consequências que estas acarretam sobre as possibilidades de vida dos segundos. A crítica emitida por sem-abrigo perturba esta expectativa, forçando estes profissionais a lidar com ela de algum modo. Duas das estratégias para lidar com a crítica que mais expressivamente ilustram a posição dominada dos sem-abrigo são desqualificá-la e retaliar contra o sujeito crítico. De formas diferentes, ambas as estratégias anulam a crítica de um modo que contribui para solidificar a expulsão dos sem-abrigo do campo da cidadania, deixando-os sujeitos ao arbítrio com que outrem pode bem ou maltratá-los, assim diminuindo as suas possibilidades de vida.
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