A PERSONA COMO HEURÍSTICA IDENTITÁRIA:
SUBJETIVIDADE E ADAPTAÇÃO EM REGIMES DE ATENÇÃO ESCASSA
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v17i3.77723Palavras-chave:
persona, heurística identitária, economia da atenção, subjetividade, autoriaResumo
Este artigo examina por que, na economia da atenção, a presença social tende a se organizar em formas identitárias estáveis, rápidas e previsíveis. Defende-se que a Persona pode ser compreendida, no contexto contemporâneo, como uma heurística identitária: um atalho funcional que reduz custo decisório e atrito social em ambientes que penalizam a demora e favorecem respostas imediatas. A argumentação articula três eixos teóricos: a noção de heurísticas na psicologia cognitiva (KAHNEMAN; TVERSKY, 1974), a Persona na psicologia analítica (JUNG et al., 2016) e diagnósticos sociológicos da modernidade líquida e da sociedade do desempenho (BAUMAN 2008, HAN 2015). A contribuição central consiste na formulação do modelo da Persona–heurística, que permite descrever o mal-estar contemporâneo sem recorrer a julgamentos moralizantes. Sustenta-se que a mesma adaptação que assegura proteção, legibilidade e pertencimento pode, quando se torna dominante, deslocar a autoria do Eu e reduzir a tolerância à ambiguidade. O problema analisado não é o uso da Persona, mas sua conversão em condição prática de participação social, com implicações éticas e existenciais.
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