A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O PROBLEMA DA COGNIÇÃO DESENCARNADA: UMA CRÍTICA FENOMENOLÓGICA AOS LIMITES DA MENTE ARTIFICIAL
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1983-9979.2025v20n2.74352Palavras-chave:
Inteligência artificial, cognição encarnada, fenomenologia, subjetividade técnica, filosofia da menteResumo
A emergência da inteligência artificial (IA) como fenômeno técnico e epistêmico reconfigura os debates filosóficos sobre a natureza da mente, da cognição e da subjetividade. Este artigo examina os pressupostos ontológicos que sustentam a equiparação entre cognição humana e artificial, interrogando a possibilidade de uma mente desencarnada. Por meio de uma abordagem fenomenológica e crítica, articulamos as contribuições de Merleau-Ponty, Dreyfus, Searle, Chalmers e outros para demonstrar que a cognição não é redutível a processos computacionais, mas emerge de uma corporeidade vivida e situada. Argumentamos que a IA, ao abstrair a dimensão encarnada da experiência, opera como simulacro, incapaz de reproduzir a intencionalidade e os qualia da consciência humana. O estudo revela que a tentativa de replicar a mente em substratos maquínicos expõe não apenas os limites da técnica, mas também as aporias dos modelos filosóficos tradicionais da cognição. Concluímos que a IA, mais do que um desafio técnico, é um espelho crítico que obriga a filosofia a repensar a relação entre corpo, mente e técnica.





