SOBRE A ORGANIZAÇÃO COGNITIVA DA VARIAÇÃO FONOLÓGICA

Autores

  • Christina Abreu Gomes UFRJ
  • Manuela Aguiar Barroso Oliveira de Moraes UFRJ

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1983-9979.2025v20n2.76089

Palavras-chave:

Variação, Modelo de Exemplares, Coda (r)

Resumo

Nesse artigo, abordamos a questão da organização cognitiva da variação linguística com base nos pressupostos dos Modelos Baseados no Uso a partir de dados de produção controlada das variantes da coda (r) por falantes do português carioca em final de nomes e infinitivos. Parte-se da hipótese de que a representação detalhada das formas fonéticas dos itens com coda (r) em final de palavra contêm todas as possibilidades fonéticas da variedade carioca ([χ, ɣ, h, ɦ] e outras de sua experiência com diferentes variedades do PB), além da ausência da coda, e de que a representação em exemplares está organizada em torno de uma variante dominante. Os dados foram obtidos através da produção controlada de infinitivos e nomes, utilizando a técnica de priming, definido como um fenômeno cognitivo detectado em comportamento linguístico e não linguístico, que diz respeito ao efeito que a exposição prévia a um determinado estímulo (prime) pode gerar na resposta a um estímulo subsequente (alvo). Foram elaborados estímulos a partir de 16 itens lexicais selecionados de cada classe gramatical, inseridos em uma sentença veículo, seguida de uma pergunta para elicitar a produção do item alvo, já produzido no estímulo com uma das duas variantes (prime), presença ou ausência da coda. O experimento foi aplicado a 34 participantes, 20 universitários e 14 não universitários. Não foi observado efeito da variante do estímulo, com coda ou sem coda, na produção dos itens lexicais das duas categorias gramaticais. Os resultados obtidos são indicativos de que a ausência da coda é a variante dominante nos infinitivos, independentemente da escolaridade dos participantes. Já em relação aos estímulos com nomes, houve predomínio da produção da coda somente no grupo dos universitários, o que foi tomado como indicativo de que a variante dominante, neste caso, pode diferir em função de características sociais dos falantes.

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Publicado

27.02.2026

Como Citar

Abreu Gomes, C., & Aguiar Barroso Oliveira de Moraes, M. (2026). SOBRE A ORGANIZAÇÃO COGNITIVA DA VARIAÇÃO FONOLÓGICA. PROLÍNGUA, 20(2), 111–138. https://doi.org/10.22478/ufpb.1983-9979.2025v20n2.76089

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