A PERCEPÇÃO DE VARIANTES LINGUÍSTICAS NO CONTATO DIALETAL
O CASO DE FORTALEZA-CE
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1983-9979.2025v20n2.76126Palavras-chave:
percepção linguística, contato dialetal, Matched-GuiseResumo
Este estudo analisa a percepção da realização variável de /t, d/ diante de /i/ na comunidade de fala de Fortaleza-CE em contexto de contato dialetal incentivado pela migração intraestadual, opondo a categoricidade da palatalização na capital com a predominância de oclusivas no interior e sul do estado, com ênfase na região do Cariri. Fundamenta-se na Teoria da Variação e Mudança Linguística (WEINREICH, LABOV, HERZOG, 2006 [1968]; LABOV, 2008 [1972]), na significação social da variação (ECKERT, 2008; CAMPBELL-KIBLER, 2010) e em estudos sobre contato dialetal e atitudes linguísticas (TRUDGILL, 1981; GARRET, 2010). Nesse contexto, aplicou-se um teste baseado na técnica Matched-Guise (LAMBERT et al., 1960; OUSHIRO, 2015) com falantes residentes em Fortaleza, nativos da capital ou migrantes. Foram realizadas análises de frequência e proporção e regressão ordinal com efeitos mistos no software R (R CORE TEAM, 2024). Os resultados indicam que as variantes oclusivas [t] e [d] diante de /i/ são salientes na comunidade fortalezense e estão associadas a um maior grau de nordestinidade, sotaque e prosódia “cantada” em contraste com a variante palatalizada, sendo a percepção desse fenômeno influenciada tanto por fatores sociais internos à comunidade quanto pelas experiências de migração.





