DA FAVELA À BAIXADA: A VARIAÇÃO DA CODA (S) E O CONTÍNUO DE NORMA URBANA NO RIO DE JANEIRO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1983-9979.2025v20n2.76169

Palavras-chave:

Coda (s). Comunidade de fala do Rio de Janeiro. Contínuo urbano. Modelos Baseados no Uso. Sociolinguística Variacionista.

Resumo

Este estudo investiga a variação da coda (s) na comunidade de fala do Rio de Janeiro, a partir de duas novas amostras de fala: FavRio, composta por moradores de favelas da capital, e Baixada-RJ, formada por falantes oriundos da Baixada Fluminense. O objetivo é compreender os condicionamentos linguísticos e sociais que atuam sobre a realização das variantes alveopalatal, posterior, alveolar e de ausência, bem como analisar o posicionamento dessas comunidades no contínuo de norma urbana. A análise, fundamentada na Sociolinguística Variacionista (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]) e nos Modelos Baseados no Uso (BYBEE, 2016; PIERREHUMBERT, 2003, 2016; CRISTÓFARO-SILVA; GOMES, 2017, 2020), revelou que fatores estruturais, como contexto seguinte, tonicidade e posição da coda, além de variáveis sociais, como sexo e escolaridade, condicionam significativamente a realização da variante posterior. Os resultados indicam que, embora oriundos de territórios periféricos, os falantes das amostras FavRio e Baixada-RJ não se aproximam do padrão dos adolescentes socialmente excluídos (Amostra EJLA), mas convergem para o comportamento observado entre falantes da classe média (Amostra Censo 2000) e adolescentes inseridos socialmente (Amostra Fiocruz). Além disso, observou-se que a centralidade da variante alveopalatal ou posterior na representação de itens lexicais mais frequentes varia conforme o grau de inserção social dos falantes, refletindo diferentes modos de organização do conhecimento linguístico. Esses achados sustentam a hipótese de um contínuo de normas urbanas na comunidade de fala do Rio de Janeiro, no qual a inserção social e o acesso a instituições de prestígio influenciam tanto a produção quanto a representação lexical.

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Biografia do Autor

Marcelo Melo, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000), graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010), mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2012) e doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2017). Fez, com bolsa Capes, estágio de pós-doutorado na Universidade de Aveiro (Portugal) em 2024. Atualmente é Professor Adjunto, do Departamento de Linguística e Filologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística (UFRJ), membro integrante do Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL/UFRJ), membro colaborador do GT de Sociolinguística da ANPOLL e associado à ABRALIN. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística, atuando principalmente nos seguintes temas: variação linguística, mudança linguística, modelos baseados em exemplares.

Gabriel Magalhães da Silva Gregório, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGLIN/UFRJ) atuando na linha Variação e Mudança e Linguística. Membro do Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL/UFRJ) no qual desenvolve o Projeto "BaixadaRJ: a construção de uma nova amostra de fala com nativos da Baixada Fluminense do Estado do Rio de Janeiro". Atuou no Projeto de Extensão CLAC - Curso de Línguas Aberto à Comunidade (UFRJ), exercendo o vinculo de bolsista de apoio administrativo pedagógico (2024 até 2025) e no Projeto de Extensão Mais Casas da Inovação (2019). Participou do Programa Residência Pedagógica da CAPES durante o período de 2020 até 2022, atuando no Subprojeto Interdisciplinar Inglês e Espanhol: Línguas estrangeiras modernas e a construção de um sujeito letrado: diferentes práticas de letramento nas aulas de Língua Estrangeira Moderna". Pesquisador associado ao GEL (Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística, atuando principalmente nos seguintes temas: Variação e Mudança Linguística, Sociolinguística e Dialetologia, Fonética/Fonologia, Modelos Baseados no Uso e Teoria de Exemplares. 

Kamila Leite Alvarez da Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Licenciada em Português-Inglês pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é mestranda em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua em projeto para construção de amostras de fala com moradores periféricos da região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro e pesquisa a variação da coda (r) interna e externa em nomes na variedade carioca. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística, atuando principalmente nos seguintes temas: variação linguística, mudança linguística, modelos baseados em exemplares. Além disso, é bolsista FAPERJ Mestrado Nota 10.

Karen Tavares dos Santos Lima

Licenciada em Portuguës-Inglës pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua em projeto para construção de amostras de fala com moradores periféricos da região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística, atuando principalmente nos seguintes temas: variação linguística, mudança linguística, modelos baseados em exemplares.

Publicado

27.02.2026

Como Citar

Melo, M., Magalhães da Silva Gregório, G., Leite Alvarez da Silva, K., & Tavares dos Santos Lima, K. (2026). DA FAVELA À BAIXADA: A VARIAÇÃO DA CODA (S) E O CONTÍNUO DE NORMA URBANA NO RIO DE JANEIRO. PROLÍNGUA, 20(2), 1–31. https://doi.org/10.22478/ufpb.1983-9979.2025v20n2.76169

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