MORFOLOGIA E BIOLOGIA FLORAL DE Habranthus sylvaticus (AMARYLLIDACEAE) EM ÁREAS ANTROPIZADAS NA REGIÃO DE PETROLINA-PE

  • Lúcia Helena Piedade Kiill Embrapa Semiárido
  • Saulo de Tarso Aidar Embrapa Semiárido
  • Amanda Pricilla Batista Santos Doutoranda em Botânica Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Jhonatan Thiago Lacerda Santos Graduado em Biologia Universidade de Pernambuco
Palavras-chave: Apis melífera, Melitofilia, Trigona spinipes, Xenogamia

Resumo

Conhecida popularmente como lírio da chuva, Habranthus sylvaticus se destaca entre as espécies de Amaryllidaceae da Caatinga de potencial ornamental. Neste trabalho, estudou-se a morfologia e a biologia reprodutiva desta espécie em área urbana e rural de Petrolina-PE. As atividades foram desenvolvidas de 2011 a 2013, no período de novembro a fevereiro, entre 06h00 e 18h00, com populações espontâneas dessa espécie. Flores foram marcadas e acompanhadas para verificar o horário de antese, tempo de vida e os visitantes florais. Experimentos de polinização foram feitos para determinar a estratégia reprodutiva. Habranthus sylvaticus é uma herbácea bulbosa, de floração anual e maciça, com inflorescências unifloras e flores crateriformes, de coloração variada. A antese ocorreu por volta das 06h00, quando o estigma já estava receptivo, o pólen estava viável (93,4%) e o néctar é produzido em pequena quantidade (2,58 ± 0,99µL). O tempo de vida da flor é de aproximadamente 48 horas. Ao longo da floração, foram registradas visitas de 24 espécies de insetos e uma de beija-flor, havendo diferenças entre os locais estudados. Habranthus sylvaticus é autoincompatível, apresenta atributos florais da síndrome de melitofilia, sendo as abelhas Apis mellifera e Trigona spinipes consideradas como polinizadores potenciais em área urbana e rural, respectivamente.

Referências

ALVES-ARAÚJO, A.; DUTILH, J. H. A. e ALVES, M. 2009 - Amaryllidaceae s.s. e Alliaceae s.s. no nordeste brasileiro. Rodriguésia 60(2): 311-331.

AMARAL, A. C. 2011 - Habranthus Herb. (Amaryllidaceae) no Brasil: estudo taxonômico, caracterização morfológicas e relações filogenéticas. Tese de doutorado em Botânica. Universidade de Brasília, Brasília. 167p.

AMARAL-LOPES, A. C. e CAVALCANTI, T. B. 2015. Habranthus (Amarillidaceae) do Brasil. Rodriguésia 66(1): 203-220.

ASHMAN, T. L. e SCHOEN, D. J. 1995 - Floral longevity: fitness consequences and resource costs; pp 112-139. In: LLOYD, D. G. e BARRET, S. C. H. (Ed.), Floral biology: studies on floral evolution in animal-pollinated plants. Chapman & Hall, New York.

BARBOSA, D. C. A.; BARBOSA, M. C. A. e LIMA, L. C. M. 2003 - Fenologia de espécies lenhosas da Caatinga; pp 657-694. In: LEAL, I. R.; TABARELLI, M. e SILVA, J. M. C. (Eds.), Ecologia e conservação da Caatinga. Editora Universitária da Universidade Federal de Pernambuco, Recife.

CASTRO, A. S. e CAVALCANTI, A. 2011 - Flores da Caatinga. INSA, Campina Grande. 116 p.

DAFNI, A. 1992 - Pollination ecology: a practical approach (the practical approach series). Oxford University Press, New York. 250 p.

ENDRESS, P. K. 1994 - Diversity and evolutionary biology of tropical flowers. Cambridge University Press, Cambridge. 311p.

FAEGRI, K. e PIJL, L. VAN DER. 1979 - The principles of pollination ecology. Pergamon Press, London. 244p.

GRABE, D. F. 1976 - Manual do teste de tetrazólio em sementes. Brasília: AGIPLAN. 85 p.

GARIBALDI, L. A.; STEFFAN-DEWENTER, I.; KREMEN, C.; MORALES, J. M.; BOMMARCO, R.; CUNNINGHAM, S. A.; CARVALHEIRO, L. G.; CHACOFF, N. P.; DUDENHÖFFER, J. H.; GREENLEAF, S. S.; HOLZSCHUH, A.; ISAACS, R.; KREWENKA, K.; MANDELIK, Y.; MAYFIELD, M. M.; MORANDIN, L. A.; POTTS, S. G.; RICKETTS, T. H.; SZENTGYÖRGYI, H.; VIANA, B. F.; WESTPHAL, C.; WINFREE, R. e KLEIN, A. M. 2011 - Stability of pollination services decreases with isolation from natural areas despite honey bee visits. Ecology Letters 14(8). Disponível em: <http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1461-0248.2011.01669.x/full> Acesso em: 28/07/2011.

GENTRY, A. H. 1974 - Flowering phenology and diversity in tropical Bignoniaceae. Biotropica 6(1): 64-68.

GHOSH, S. e SHIVANNA, K. R. 1984 - Struture and Cytochemistry of the stigma and pollen-pistil interactions in Zephyranthes. Annals of Botany II 53: 91-105.

INOUYE, D. W. 1980 - The terminology of floral larceny. Ecology 61:1251-1253.

KEARNS, C. A e INOUYE, D. W. 1993 - Techniques for Pollination Biologists. The University Press of Colorado. 559 p.

KIILL, L. H. P.; TERAO, D. e ALVAREZ, I. A. 2013 - Plantas Ornamentais da Caatinga. Embrapa, Brasília, DF. 139 p.

LEAL, F. C.; LOPES, A. V. e MACHADO, I. C. 2006 - Polinização por beija-flores em uma área de caatinga no município de Floresta, Pernambuco, Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Botânica 29: 379-389.

MACHADO, I. C. S., BARROS, L. M. e SAMPAIO, E. V. S. B. 1997 - Phenology of caatinga species at Serra Talhada, PE, Northeastern Brazil. Biotropica 29: 57-68.

MACHADO, I. C. S. e LOPES, A. V. 2003 - Recursos Florais e Sistemas de Polinização e Sexuais em Caatinga; pp 515-563. In: LEAL, I.R.; TABARELLI, M. e SILVA, J.M.C. (Eds.), Ecologia e conservação da Caatinga. Editora Universitária da Universidade Federal de Pernambuco, Recife.

MEEROW, A. W. 2004 - Amaryllidaceae; pp 410-412. In: SMITH, N. MORI, S. A.; HENDERSON, A.; STEVENSON, D. W.; HEALD, S. V. (Eds.), Flowering plants of the Neotropics. The New York Botanical Garden, New Jersey.

MERROW, A. W. e SNIJAN, D. A. 1998 - Amaryllidaceae; pp 83-110. In: KUBITSKY, K. Families and genera of vascular plants. Vol. 3. Springer-Verlog, Berlin.

NEWSTROM, L. E.; FRANKIE, G. W. e BAKER, H. G. 1994 - A new classification for plant phenology based on flowering patterns in lowland Tropical Rain Forest Trees at La Selva, Costa Rica. Biotropica 26:141-159.

OLIVEIRA, R. 2006 - Flora da Cadeia do Espinhaço: Zephyranthes Herb. & Habranthus Herb. (Amaryllidaceae). Tese de Mestrado em Botânica. Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, São Paulo.

PERCIVAL, M. S. 1969 - Floral biology. Pergamon Press, London. 243P.

SOUZA, V. e LORENZI, H. 2008 - Botânica Sistemática. Instituto Plantarum, Nova Odessa.

TEIXEIRA, A. H. C. 2010 - Informações agrometeorológicas do polo Petrolina, PE/Juazeiro - 1963 a 2009. Embrapa Semiárido, Documentos 233, Petrolina. 21 p.

TOIT, E. S.; ROBBERTSE, P. J. e NIEDERWIESER, J. G. 2004 - Plant carbohydrate partitioning of Lachenalia cv. Ronina during bulb production. Scientia Horticulturae 102(4): 433-440.

VERDAGUER, D.; SALA, A. e VILÀ, M. 2010 - Effect of environmental factors and bulb mass on the invasive geophyte Oxalis pes-caprae development. Acta Oecologica 36(1): 92-99.

VOGEL, S. 1998 - Floral Biology; 34-48 p. In: KUBITZKI, K. (Ed.), HUBER, H.; RUDALL, P. J.; STEVENS, P.S. e STUZEL, T. (Col.), The families and genera of vascular plants. Flowering plants, Monocotyledons: Lilianae (except Orchidaceae). Vol.III. Springer, Berlin.

WEBB, C. J. e LLOYD, D. G. 1986 - The avoidance of interference between the presentation of pollen and stigmas in angiosperms. New Zealand Journal of Botany 24: 163-178.

WINFREE, R.; AGUILAR, R.; VA´ZQUEZ, D. P.; LEBUHN, G. e AIZEN, M. A. 2009 - A meta-analysis of bees responses to anthropogenic disturbance. Ecology 90: 2068-2076.

Publicado
2019-05-19
Seção
Artigos