FAZENDA TRAPSA, UM REFÚGIO DE DIVERSIDADE DE MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE EM SERGIPE, NORDESTE DO BRASIL

  • Renata Rocha Déda Chagas
  • Eduardo Marques Santos Junior
  • João Pedro Souza-Alves
  • Stephen F. Ferrari

Resumo

A Mata Atlântica brasileira é um “hotspot” de biodiversidade e endemismo, tendo sofrido um extensivo desmatamento. Impactos antrópicos são especialmente intensos no extremo setentrional deste bioma. Entretanto, poucos dados são disponíveis sobre a fauna local da maioria das áreas. Trabalhos de campo recentes na Fazenda Trapsa, uma propriedade privada localizada no Estado de Sergipe, têm revelado uma diversidade inesperada de vertebrados, apesar do seu relativo isolamento, intensa fragmentação e área total de floresta limitada (< 500 ha). Há mais de quinze anos o proprietário tem protegido sua fauna e flora. Esta fauna inclui espécies de aves, mamíferos e répteis ameaçadas, além de um predador alfa, Puma concolor (Linnaeus, 1771). Esta área também é uma das únicas duas em que ocorrem em simpatria duas espécies de primatas ameaçados, Callicebus coimbrai Kobayashi & Langguth, 1999 e Cebus xanthosternos Wied-Neuwied, 1826. O local também constitui uma extensão das distribuições geográficas de duas outras espécies ameaçadas, Bradypus torquatus Desmaret, 1816 e Amazona rodocorytha (Salvadori, 1890). Embora a lista não esteja completa, o local tem um importante papel a exercer na conservação dos ecossistemas locais, especialmente em associação com outros grandes fragmentos de florestas mais ao sul.
Publicado
2011-02-03
Seção
Artigos