Resíduos Sólidos: diagnóstico do cenário e impactos socioambientais no agreste paraibano

  • Andréa Amorim Leite
  • Maristela de Oliveira de Andrade
  • Flávia de Oliveira Paulino
  • Denise Dias da Cruz UFPB/CCEN, João Pessoa, Paraíba, Brasil
Palavras-chave: Lixão, Impactos socioambientais, Catadores.

Resumo

O objetivo do presente trabalho foi diagnosticar o cenário dos resíduos sólidos e respectivos impactos socioambientais no município de Salgado de São Félix-PB. Os dados foram coletados usando entrevistas semiestruturadas com os catadores e o secretário de infraestrutura, observação participante, listagem de controle para a identificação dos impactos ambientais e os resíduos foram medidos através da gravimetria. O município não apresenta coleta seletiva e os resíduos são destinados para o lixão. Há produção de 45,65% de matéria orgânica, 42,37% recicláveis e 11,98% rejeitos. Foram identificados 12 impactos, sendo os mais significativos: retirada da vegetação, contaminação de solo, ar e água e proliferação de macro e microvetores. Dos quatro catadores de materiais recicláveis do município, dois desenvolvem suas atividades no lixão e os outros dois, nas ruas. Os mesmos não fazem uso de equipamentos de proteção individual. A escolaridade varia de analfabeto ao ensino fundamental. A renda fica abaixo de um salário mínimo por mês. A cadeia produtiva dos materiais recicláveis inclui dois atravessadores, diminuindo os lucros dessas famílias. O município não apresenta nenhum tipo de gerenciamento sustentável dos resíduos sólidos, os quais são responsáveis por diversos problemas encontrados no município.

Biografia do Autor

Denise Dias da Cruz, UFPB/CCEN, João Pessoa, Paraíba, Brasil
Possuo graduação em Ciências Biológicas (2000) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado (2003) e doutorado (2007) em Ecologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Fiz pós-doutorado no Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sou professora associada do Departamento de Sistemática e Ecologia da Universidade Federal da Paraíba, ministrando disciplinas na área de Ecologia na graduação e na Pós Graduação (Prodema - Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente). Sou editora de área da revista Gaia Scientia. Tenho experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia Vegetal e Etnobotânica, atuando principalmente nos seguintes temas: fenologia, biologia reprodutiva, polinização, interação animal/ planta e relações entre espécies simpátricas. Desde 2010, tenho desenvolvido pesquisas na área de etnobotânica e sua relação com a conservação de recursos vegetais. Email de contato: denidcruz@dse.ufpb.br

Referências

Abílio FJP, Sato M. 2012. Educação ambiental: do currículo da educação básica às experiências educativas no contexto do semiárido Paraibano. Ed. UFPB. João Pessoa. 2012.

ABRELPE. Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. 2012. Panorama dos resíduos sólidos no Brasil 2012. São Paulo.

Alencar MMM. 2005. Reciclagem de lixo numa Escola Pública do Município de Salvador. Candombá-Revista Virtual, v.1, n. 2, p. 96-113.

Almeida F, Viana A, Ritter A, Sellitto M. 2013. Cooperativas de catadores de resíduos e cadeias logísticas reversas: estudo de dois casos, REGET, v.17, n.2, p.3376-3387.

Alquino IF, Castilho Júnior AB, Pires TSL. 2009. A organização em rede dos catadores de materiais recicláveis na cadeia produtiva reversa de pós-consumo da região da grande Florianópolis: uma alternativa de agregação de valor. Gestão & Produção, São Carlos, v. 16, n. 1, p. 15-24.

Araújo MF, Oliveira LA, Rocha NF. 2017. Resíduos sólidos urbanos e o atendimento à legislação ambiental: diagnóstico de municípios no sudeste do Pará. Anais... Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente. ISSN: 2359-1048.

Beli E, Naldoni CE, Oliveira A, Sales MR, Siqueira M, Medeiros GA, Hussar GJ, Reis FAGV. 2005. Recuperação da área degradada pelo lixão areia branca de Espírito Santo do Pinhal – SP. Engenharia Ambiental, Espírito Santo, v.2, n.1, p.135-148.

Benvindo AZ. 2010. A nomeação no processo de construção do catador como ator econômico e social. Dissertação (Mestrado) – Universidade de Brasília, Brasília, 96 p.

Bosi A. 2015. Os “cartoneros” no contexto da Reestruturação Produtiva e do crescimento da classe trabalhadora no Brasil (1970-2005). [online]. http://www.urosario.edu.co/RET/documentos/Ponencias%20pdf/370.pdf. Acessado em 14 de Jan. 2015.

Braga FS, Nóbrega CC, Henriques VM. 2000. Estudo da composição dos resíduos sólidos domiciliares em Vitória- ES. Senear, São Paulo, n.55, p.11-17.

BRASIL. 2007. Decreto federal n 6.017, de 17 de Janeiro de 2007. Regulamenta a lei n 11.107, de 6 de abril de 2005, que dispõe sobre as normas gerais de contratação de consórcios públicos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n.13, p. 1-4.

BRASIL. 1998. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: Acesso em: 05 ago. 2015.

BRASIL. 2010. Lei nº 12.305, de 2 de Agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências, 2010.

BRASIL. 2005. Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. Resolução 357/2005, Enquadramento dos Corpos Hídricos Superficiais no Brasil. Governo Federal, Brasilia. Publicada no DOU nº 53, de 18 de março de 2005, Seção 1, p. 58 - 63.

BRASIL. 2003. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 62, de 26 de agosto de 2003. Oficializa os Métodos Analíticos Oficiais para Análises Microbiológicas para Controle de Produtos de Origem Animal e Água (MAPA). Diário Oficial República Federativa do Brasil, Brasília, DF, p. 14, 18.

BRASIL. 2005. Ministério do Meio Ambiente – CONAMA. Resolução n. 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu Capa Índice 11380 enquadramento, estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF.

Carmo MS, Oliveira JAP, Arruda RGL. 2006. O trabalho com resíduos pelos classificadores - o papel da semântica do lixo no reconhecimento social e identidade profissional. In: EnANPAD, 30, Salvador, 2006. Anais. Salvador: ANPAD.

Carvalho DL, Lima AV. 2010. Metodologias para Avaliação de Impactos Ambientais de Aproveitamentos Hidrelétricos. Anais XVI Encontro Nacional dos Geógrafos. Posto Alegre.

Carvalho VEC, Carmo JR, Freitas RG. A. 2014. Consórcios públicos para a gestão de resíduos sólidos urbanos em Minas Gerais: Uma alternativa para a problemática do lixo. In: Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental V. Belo Horizonte – MG.

CEMPRE - COMPROMISSO EMPRESARIAL PARA RECICLAGEM (CEMPRE). 2012. Guia da Coleta Seletiva de Lixo. São Paulo: Compromisso Empresarial para Reciclagem.

CEMPRE- COMPROMISSO EMPRESARIAL PARA RECICLAGEM. 2018. Lixo municipal: manual de gerenciamento integrado / Coordenação geral André Vilhena. – 4. ed. – São Paulo (SP): 316 p.

Costa et al. 2013. Gravimétrica dos Resíduos sólidos urbanos domiciliares e perfil socioeconômico no município de Salinas, Minas Gerais. Revista Ibero‐Americana de Ciências Ambientais, Aquidabã, v. 3, n. 2, p. 73-90.

Cruz JAW, Quandt CO. 2007. Redes, cooperação e desenvolvimento: estudo de caso em uma rede de associações de coletores de materiais recicláveis. In: Encontro Nacional de Pós-Graduação em Administração – ENANPAD,31, 2007. Anais eletrônicos. Rio de Janeiro: Anpad.

Dias S M. 2006. Coleta seletiva e inserção cidadã: a parceria poder público-ASMARE em Belo Horizonte. In: JACOBI, Pedro (org). Gestão compartilhada dos resíduos sólidos no Brasil: inovação com inclusão social. São Paulo: Annablume, p.65-87.

Freire GJ de M, Freitas LO. 2009. Análise da declividade em lixões do estado de Minas Gerais. Anais XIV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Natal, Brasil, 25-30 abril, INPE, p. 679-682.

Frota PV, Nappo ME. 2012. Processo erosivo e a retirada da vegetação na bacia hidrográfica do açude Orós – CE. Revista Geonorte, Edição Especial, v. 4, n. 4, p.1472 – 1481.

Gomes ER, Steinbruck MSA. 2012. As oportunidades e os dilemas do tratamento dos resíduos sólidos. Ponto de vista, n.6.

Gonçalves P. 2003. A Reciclagem Integradora dos Aspectos Ambientais, Sociais e Econômico. Rio de Janeiro: DP&A, Fase,184 p.

Guerra AJT, Silva SS, Botelho RGM. 2007. Erosão e conservação dos solos. Editora Bertrand Brasil, 3º edição.

Gusmão ICCP. 2014. Avaliação microbiológica, fisíco-química de águas minerais comercializadas em Vitória da Conquista. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental, v. 18, n. 1, p. 7-13.

Hoornweg D. 2000. What a waste: solid waste management in Denmark. Waste Management, v. 23, n. 1, p. 65-70.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2016. Cidades. Disponível em: <http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/home.php>. Acesso em: 20 de Mar.

IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 2013. Diagnóstico sobre Catadores de Resíduos Sólidos. Relatório de Pesquisa. Brasília,76 p.

Kgathi DL, Bolaane B. 2001. Instruments for sustainable solid waste management in Botswana. Waste Management & Research, v.19, n.4, p. 342-353.

Lehmann S. 2011. Optimizing urban material flows and waste streams in urban development through principles of zero waste and sustainable consumption. Sustainability, v. 3, p. 155-183.

Lopes WS, Leite VD, Prasad, S. 2000. Avaliação dos impactos ambientais causados por lixões: um estudo de caso. XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental. Porto Alegre – RS, 2000.

Maia HJL, Silva PA, Cavalcante LPS, Souza MA, Silva MMP. 2013. Coleta seletiva: benefícios da sua implantação no bairro de Santa Rosa, Campina Grande-PB. Polêmica, v.12, n.2, p. 352-368.

Mazzer C, Cavalcanti OA. 2004. Introdução à gestão ambiental de resíduos. Revista Infarma – Informativo Profissional do Conselho Federal de Farmácia, Brasília, v. 16, n. 11/12, p. 67-77.

Metin E, Erozturk A, Neyim C. 2003. Solid waste management practices and review of recovery and recycling operations in Turkey. Waste Management, v. 23, p. 425-432.

Medeiros GA, Reis FAGV, Simonetti FD, Batista G, Monteiro T, Camargo V, Santos LFS, Ribeiro LFM. 2008. Diagnóstico da qualidade da água e do solo no lixão de engenheiro Coelho, no Estado de São Paulo. Engenharia ambiental, Espirito Santo do Pinhal, v.5, n. 2, p. 169-186.

Medeiros LFR, Macedo KB. 2006. Catador de material reciclável: uma profissão para além da sobrevivência? Revista psicologia & sociedade, n. 18, v. 2, p. 62-71.

Medina, M. 2000. Scavenger cooperatives in Asia and Latin America. Resources, Conservation and Recycling, v. 31, n. 1, p. 51–69.

Monteiro, JHP. et al. 2001. Manual Integrado de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, Rio de Janeiro. IBAM, 197 p. ou 2008.

Obladen NL, Obladen NTR, Barros KR. 2009. Guia para elaboração de projetos de aterros sanitários para resíduos sólidos urbanos. Série de publicações temáticas do CREA-PR, v.3, n.4.

Oliveira AG, Silva MMP, Ribeiro LA, Cavalcante LPS, Leite VD. 2011. Perfil de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis que atuam em Campina Grande-PB. In: 26º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Anais. Porto Alegre – RS.

Oliveira S, Pasqual A, Salazar VLP, Toledo AAGF, Barreira LP, Leão AL. 1998. Caracterização física dos resíduos sólidos urbanos (RSU) em comunidades de médio porte. Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) Botucatu – SP.

Pagliuso JD, Regattieri CR. 2008. Estudo do aproveitamento da energia do biogás proveniente da incineração do chorume para a geração de eletricidade. Revista Brasileira de Ciências Ambientais, v. 16, p. 7.

Paiva V. 2006. El “cirujeo” un camino informal de recuperación de resíduos: Buenos Aires 2002-2003. Estudios Demográficos y Urbanos. Distrito Federal, México, v. 21, n. 1, p. 189-210.

Paula MB, Pinto HS, Souza MTS. 2010. A importância das cooperativas de reciclagem na consolidação dos canais reversos de resíduos sólidos urbanos pós-consumo. In: Simpósio de administração da produção, logística e operações internacionais. X. Anais...FGV EAESP. São Paulo.

Pereira Neto JT. 2007. Gerenciamento do lixo urbano: Aspectos técnicos e operacionais. Viçosa, Ed. UFV.

Pereira SS, Melo JAB. 2008. Gestão dos resíduos sólidos urbanos em Campina Grande/PB e seus reflexos socioeconômicos. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional. v. 4, n. 4, p. 193-217.

Porto MFS, Juncá DCM, Gonçalves RS, Filhote MIF. 2004. Lixo, trabalho e saúde: um estudo de caso com catadores em um aterro metropolitano no Rio de Janeiro, Brasil. Caderno de saúde pública, Rio de Janeiro, v. 20, n. 6, p. 1503-1514.

Reis LS, Chaves LSS. 2002. Contaminação do rio Chumucuí por líquidos percolados (chorume) oriundos do lixão da cidade de Bragança, Pará. 2012. III Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental.

Ribeiro DV, Morelli MR. 2009. Resíduos sólidos: problema ou oportunidade? Rio de Janeiro: Interciência, 160 p.

Ribeiro LA, Albuquerque HN, Silva MMP. 2012. Impactos decorrentes da organização de catadores de materiais recicláveis em Campina Grande/PB. Revista Brasileira de Informações Científicas. v. 3, n. 4, p. 80-91.

Rios CM. 2008. Lixo e cidadania: um estudo sobre catadores de recicláveis em Divinópolis-MG. Dissertação (Mestrado). Universidade do Estado Minas Gerais. Divinópolis.

Rozman, M. A. et al. 2008. HIV infection and related risk behaviors in a community of recyclable waste collectors of Santos, Brazil. Rev. Saúde Pública, v. 42, n. 5, p. 838-843.

Santos CB. 2004. Caracterização do impacto na qualidade das águas subterrâneas, causado pela disposição dos resíduos sólidos urbanos no aterro municipal da cidade de Feira de Santana – BA. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Bahia, Bahia, 188 p.

Santos GO, Silva LFF. 2011. Os significados do lixo para garis e catadores de Fortaleza (CE, Brasil). Ciênc. Saúde Coletiva, v. 16, n. 8, p. 3413-3419.

Severo RG. 2008. Catadores de materiais recicláveis da cidade de Pelotas: situação de trabalho. Dissertação (Mestrado). UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS.128 p.

Silva AM, Matos MAJ, Silva DC, Cardoso NLC. 2013. Analise microbiológica das águas do rio João Leite e rio Meia Ponte da região metropolitana de Goiania (GO). Anais do Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão- CONPEEX ,11377 – 11381p.

Silva TR, Vanâncio TM, Brito Junior AO, Carvalho Junior FH. 2018. Gestão e gerenciamento de resíduos sólidos no Japão: história e atualidades. Conexões Ciência e Tecnologia, V.12, n.1, p. 72-78.

Silva RM, Senna ETP. 2013. O papel dos catadores de materiais recicláveis na logística reversa: Um estudo de múltiplos casos. Congresso Nacional de Excelência em Gestão.

Sisinno CLS, Moreira JC. 1996. Avaliação da contaminação e poluição ambiental na área de influência do aterro controlado do Morro do Céu, Niterói, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 12, n. 4, p. 515-523.

Soares ELSF. 2011. Estudo da caracterização gravimétrica e poder calorífico dos resíduos sólidos urbanos. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio de Janeiro.150.p

Stamm HR. 2003. Método para avaliação de impacto ambiental (AIA) em projetos de grande porte: estudo de caso de uma usina termelétrica. Tese (doutorado), Universidade de Santa Catarina, Florianópolis. 284 p.

Suzuki JAN, Gomes J. 2009. Consórcios intermunicipais para a destinação de RSU em Aterros regionais: estudo prospectivo para os municípios no Estado do Paraná. Revista de Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 14, n. 2, p. 155-158.

Tommasi LR. 1994. Estudo de Impacto Ambiental. São Paulo: Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo.

Publicado
2019-05-21
Seção
Artigos