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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1d1 20130915//EN" "JATS-journalpublishing1.dtd">
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      <title-group>
        <article-title>A MÍDIA COMO ATOR INTERNACIONAL: OS CASOS DO JOGO DA PAZ 2004 E DA COPA DO MUNDO 2014 THE MEDIA AS AN INTERNATIONAL ACTOR: THE CASES OF THE GAME FOR PEACE IN 2004 AND THE 2014 WORLD CUP</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group><contrib contrib-type="author"><name>
            <givenName>Marcelo Marinho</givenName>
            <surname>Montanini</surname>
          </name>
          <email>montanini.marcelo@gmail.com</email>
          <xref rid="aff0" ref-type="aff">1</xref>
          <xref rid="aff1" ref-type="aff">2</xref>
        </contrib><aff id="aff0"><country>Brasil</country>
        </aff><aff id="aff1"><institution>, Universidade de Lisboa</institution>
          </aff></contrib-group><permissions/><abstract>
        <title>Abstract</title>
        <p>Resumo: O presente artigo tem como objetivo analisar o papel da mídia como agente internacional e como este agente pode influenciar na construção e na desconstrução da imagem de um Estado, a partir da sua relação com o futebol e com a política externa, com base na perspectiva construtivista. Em termos metodológicos, a pesquisa se baseia na revisão de literatura de Mídia e Relações Internacionais e no estudo </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <title>Keywords</title>
        <kwd>Media and International Relations</kwd>
        <kwd>Football and International Relations</kwd>
        <kwd>Foreign policy</kwd>
        <kwd>World Cup</kwd>
        <kwd>Brazil</kwd>
      </kwd-group>
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    <sec>
      <title>A mídia na política externa</title>
      <p/>
      <p>O final do século XX e a transição para o XXI apresentam uma revolução tecnológica e, consequentemente, uma transformação social. Este novo paradigma foi cunhado com a expressão "sociedade da informação" na década de 1980, mas também é denominado de "sociedade informacional" ou "sociedade em rede" <xref rid="b44" ref-type="bibr">1</xref><xref rid="b11" ref-type="bibr">2</xref> e diz respeito ao avanço das novas tecnologias, como a internet.</p>
      <p>Com base nessa revolução e, sobretudo, no fortalecimento dessas redes, compreende-se que a mídia pode ser caracterizada como agente e, simultaneamente, canal referencial <italic>MARCELO MARINHO MONTANINI RICRI Vol. 5,</italic><italic>No. 10,</italic> para produção e propagação de outras mídias -por exemplo, agências de notícias internacionais -em diversos locais do mundo.</p>
      <p>O progresso das tecnologias da informação e a globalização da mídia no século XX apresentam novos agentes com capacidade de influenciar o cenário internacional. Como consequência, a mídia foi alçada à condição de agente. Entretanto, vale ressaltar que a atuação da mídia no cenário internacional se diferencia da atuação de outros agentes <xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref>, visto que aquela altera a morfologia dependendo do contexto.</p>
      <p>"Os meios de comunicação de massa -com a sua capacidade de construir e de disseminar informações e realidades sociais por meio de seu discurso diário em larga escala -compartilham com outros agentes a função de constituir a definição de regras, identidades e interesses, de modo que, em um movimento dialógico, são, igualmente, influenciados pela realidade política internacional" <xref rid="b30" ref-type="bibr">4</xref><italic>Burity, 2014: 381)</italic>. <xref rid="b20" ref-type="bibr">5</xref> reflete essa problematização da característica mutante da mídia e a relação com a política externa no artigo Global Communication and Foreign Policy, no qual apresenta quatro possibilidades de atuação, de acordo com contexto, conceito e atividades. São elas: controladora, constrangedora, interventora e instrumental.</p>
      <p>Acrescenta-se que o estudo mencionado sugere que a comunicação internacional possui relação direta com a condução da política externa, no que diz respeito à formulação de políticas e na implementação da mesma.</p>
      <p>A mídia como agente controlador pressupõe que a comunicação global substituiu os tomadores de decisão em questões relacionadas à intervenção militar. Esta tese baseia-se na teoria do Efeito CNN, a qual sugere que os meios de comunicação internacional tornam-se agentes dominantes na formulação de políticas relativas à defesa e às crises humanitárias. As intervenções na Somália e em Ruanda, ambas em 1994, e no Kosovo, em 1999, por exemplo, sugerem a influência da televisão nas opções políticas, quando exercem pressão com relatos e imagens impactantes daquela realidade <xref rid="b20" ref-type="bibr">5</xref><xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref>  <xref rid="b20" ref-type="bibr">5</xref><xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref>.</p>
      <p>A mídia é instrumental quando é utilizada por governos como ferramenta para alcançar metas, como mobilizar apoio, avançar em negociações ou até lograr acordos. Por exemplo, as assinaturas de dois Tratados de Paz: entre Egito e Israel, em 1979, e entre Israel e Jordânia, em 1994 <xref rid="b20" ref-type="bibr">5</xref><xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref>. <xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref>, todavia, apresenta um quinto papel para a mídia: a de agente conflituoso, no qual a atividade jornalística provoca situações caóticas. Como exemplo, a autora cita protestos e mortes em países islâmicos, após uma matéria especulativa publicada pela revista norte-americana Newsweek sobre a deturpação do alcorão, livro sagrado do islamismo, por soldados norte-americanos na base de Guantánamo, em 2005.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Mídia internacional e brasileira -evolução e inserção no sistema internacional</title>
      <p/>
      <p>Em meio a essa conjuntura, os veículos de comunicação procuravam desde a época supracitada obter mais informações por um preço menor <xref rid="b29" ref-type="bibr">6</xref>. Com base na melhoria da relação custo-benefício surgem as agências de notícias, cuja "ideia consistiu em formar pools pelas quais um mesmo repórter ou equipe de repórteres produziriam material para muitos órgãos de imprensa" <italic>(Natali, 2015: 30)</italic>.</p>
      <p>A primeira agência internacional foi a French Havas Agency, criada pelo francês Charles</p>
      <p>Havas em 1835, precursora da atual Agence France-Presse (AFP) <xref rid="b9" ref-type="bibr">7</xref><xref rid="b9" ref-type="bibr">7</xref><xref rid="b0" ref-type="bibr">8</xref><xref rid="b29" ref-type="bibr">6</xref><xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref>. Dezesseis anos depois, um dos seus colaboradores, o alemão naturalizado britânico Paul Julius Reuter fundou a Reuters, em Londres. <xref rid="b0" ref-type="bibr">8</xref><xref rid="b29" ref-type="bibr">6</xref><xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref>. Ambas deram origem, respectivamente, às atuais AFP e Reuters, ainda hoje duas das maiores agências internacionais do mundo <xref rid="b0" ref-type="bibr">8</xref><xref rid="b29" ref-type="bibr">6</xref>.</p>
      <p>Bernard Wolff funda em 1849 a agência alemã Wolff, que 100 anos depois levaria à</p>
      <p>Deutsche Presse-Agentur (DPA), atual agência nacional da República Federal Alemã. A DPA é o resultado da fusão de três outras agências que operavam no setor ocidental da Alemanha, a Deutsche Nachrichtenagentur (Dena), Süddeutsche Nachrichtenagentur (Suedena) e a Deutsche Pressedienst (DPD) <xref rid="b0" ref-type="bibr">8</xref><xref rid="b29" ref-type="bibr">6</xref>.</p>
      <p>Em 1892, surge a primeira agência de notícia dos Estados Unidos e uma das maiores do mundo, a Associated Press (AP), como resultado do pool de seis jornais de Nova York para a cobertura de eventos como a guerra norte-americana contra o México (1848-1850) <xref rid="b9" ref-type="bibr">7</xref><xref rid="b9" ref-type="bibr">7</xref><xref rid="b0" ref-type="bibr">8</xref><xref rid="b29" ref-type="bibr">6</xref>.</p>
      <p>Com base em um levantamento de <xref rid="b0" ref-type="bibr">8</xref>, há pelo menos dez anos, as dez maiores agências de notícias do mundo -em números de clientes e em volume de material transmitido -são a britânica Reuters, as norte-americanas AP e Bloomberg, a francesa AFP, a espanhola EFE, a italiana Agenzia Nazionale Stampa Associata (ANSA), a alemã DPA, a russa Telegrafnoe Agentstvo Sovetskogo Soiuza (ITAR-TASS), a japonesa Kyodo e a chinesa Xinhua <xref rid="b0" ref-type="bibr">8</xref>.</p>
      <p>Quanto a natureza institucional da agências, elas podem ser agências privadas, como As críticas à ordem da informação, em suma, baseiam-se em três pontos: (1) na existência de uma única via de informação, oriunda dos países desenvolvidos; (2) no monopólio de algumas corporações da mídia, que dominam o fluxo da informação no mercado mundial;</p>
      <p>(3) e na verticalização das notícias, que contribui para uma visão distorcida das regiões mais pobres do mundo <xref rid="b42" ref-type="bibr">9</xref><xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref> O termo é utilizado para explicar a influência da mídia nas conversas e concepção de ideias dos cidadãos no cotidiano. Trata-se de um efeito social da mídia no processo de seleção e hierarquização na disposição sobre determinados temas. As ideias básicas deste estudo são originalmente de Lippmann, em 1922, e desenvolvida por McCombs e Shaw em The agenda setting function of mass media, em 1972. <italic>(Marques, 2014)</italic>. Contudo, estas agências inserem-se no que a literatura classifica de agências regionais de informação <xref rid="b42" ref-type="bibr">9</xref><italic>Marques, 2014</italic>  <xref rid="b33" ref-type="bibr">10</xref>.</p>
      <p>As agências de notícias "são empresas especializadas em coletar informações de interesse jornalístico dispersas, formatá-las como notícia e redistribuí-las para assinantes [no caso, os veículos de comunicação]" <italic>(Aguiar, 2008: 22)</italic>. As agências brasileiras são ligadas a conglomerados jornalísticos e não operam como agências de notícias propriamente ditas, mas como agenciadoras de notícias, ao revender o conteúdo produzido pelos veículos de suas holdings e não para produzir material exclusivo aos clientes -este modelo é denominado no mercado anglo-saxão como syndication <xref rid="b33" ref-type="bibr">10</xref>.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>A mídia na (des)construção da imagem</title>
      <p/>
      <p>Observa-se que a mídia passa a ter relevante impacto social nos séculos XX e XXI, com o avanço tecnológico dos meios de produção e a ampliação da disseminação de informação. Se a função básica da mídia é informar a sociedade sobre os acontecimentos, pode-se dizer que, concomitantemente, possui a capacidade de influenciar <xref rid="b26" ref-type="bibr">11</xref><xref rid="b26" ref-type="bibr">11</xref>. Afinal, ao selecionar o que é ou não notícia e a forma hierárquica como isso é publicado, os veículos incutem ou omitem determinadas informações <xref rid="b6" ref-type="bibr">12</xref><xref rid="b21" ref-type="bibr">13</xref><xref rid="b29" ref-type="bibr">6</xref>. e a realidade, oferecendo -através dos discursos -uma construção simbólica da realidade e, por conseguinte, de uma "história do presente" <xref rid="b21" ref-type="bibr">13</xref>.</p>
      <p>"In the absence of a perfect real-world indicator, the media coefficient likely reflects both media effects -effects that are the product of the filtering and focusing, or the distortion, inherent in media coverage of real-world eventsand effects that are more appropriately attributed to real-world events themselves" <italic>(Soroka, 2003: 34)</italic>.</p>
      <p>A mídia seria, portanto, um agente com múltiplas funções: além de ser um dos principais canais entre a sociedade e os agentes políticos, é dotada de capacidade de influenciá-los.</p>
      <p>Diante disso, alguns governos passam a adotar estratégias políticas voltadas para a construção de imagens do Estado a partir da mídia. "A ligação dialética é facilmente perceptível pela constatação da influência que a difusão impressa exerce sobre o comportamento das massas e dos indivíduos" <italic>(Sodré, 1983: 7)</italic>. Esta afirmativa é observada tanto na esfera doméstica quanto na internacional, visto que a mídia desempenha um papel significativo em determinar a atenção do público para assuntos externos <xref rid="b41" ref-type="bibr">14</xref>.</p>
      <p>Importante correlacionar: um veículo de comunicação pode ser compreendido como o reflexo epistemológico e metodológico da visão construtivista, na qual agentesjornalistas, em suas diversas funções -e estrutura -a própria empresa -interagem e influenciam-se mutuamente na construção de ideias e de discursos, de acordo com suas identidades e interesses. A mídia é mais do que apenas o canal de propagação de ideias e discursos de outros agentes. Age, em algumas situações, como agente político e social e, por conseguinte, criador de discursos.</p>
      <p>Desse modo, "o controle dos meios de difusão de ideias e de informações -que se verifica ao longo do desenvolvimento da imprensa [...] -é uma luta em que aparecem organizações e pessoas da mais diversa situação social, cultural e política, correspondendo a diferenças de interesses e aspirações" <italic>(Sodré, 1983: 7)</italic>.</p>
      <p>Contudo, a velocidade na propagação e, consequentemente, a intensificação dessa influência devem-se ao desenvolvimento das tecnologias da comunicação. Castells (2002) avalia que, embora não determine a evolução histórica e a transformação social, a tecnologia ou a falta dela incorpora a capacidade de transformação das sociedades.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Gregolin (2007) ressalta que as identidades são construções discursivas.</title>
      <p/>
      <p>"A comunicação simbólica entre os seres humanos e o relacionamento entre esses e a natureza, com base na produção (e seu complemento, o consumo), experiência e poder, cristalizam-se ao longo da história em territórios específicos, e assim geram culturas e identidades coletivas" <italic>(Castells, 2002: 52)</italic>.</p>
      <p>A mídia pode ser compreendida como relevante agente social envolvida em processos de construções cognitivas coletivas, visto que, por um lado, serve como canal para discursos interessados e, por outro, seus discursos determinam significados a determinados fatos enquanto ocultam outros, construindo uma "definição de realidade" <xref rid="b19" ref-type="bibr">15</xref><xref rid="b30" ref-type="bibr">4</xref>.</p>
      <p>Supõe-se, portanto, que por meio da mídia pode-se manipular simbolicamente a sociedade, embora esta não seja facilmente perceptível <xref rid="b3" ref-type="bibr">16</xref><xref rid="b3" ref-type="bibr">16</xref>. Assim como esta também pode ser fundamental em processos de construção da paz em países que passam por conflitos armados, ao auxiliar na catalisação de debates, solidariedades e mobilização de agentes em torno do problema <xref rid="b3" ref-type="bibr">16</xref><xref rid="b3" ref-type="bibr">16</xref>.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Estudos de casos</title>
      <p/>
      <p>A história da mídia no Brasil e no mundo está diretamente ligada ao desenvolvimento e à globalização, e a ligação dialética disso é perceptível na influência que a mídia exerce na sociedade <xref rid="b40" ref-type="bibr">17</xref><italic>Hobsbawm, 2010</italic>  <xref rid="b13" ref-type="bibr">18</xref> </p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Jogo da Paz (2004)</title>
      <p/>
      <p>Sem relação cultural-identitária histórica com o Brasil, o Haiti -país mais pobre do continente americano -sofre intervenção da ONU para reparar problemas de desestruturação do Estado, após sucessivos episódios de turbulência política e violência, que culminam no exílio do então presidente Jean-Bertrand Aristide na África do Sul <xref rid="b35" ref-type="bibr">19</xref><xref rid="b3" ref-type="bibr">16</xref><xref rid="b3" ref-type="bibr">16</xref>. Aceitar o desafio de liderar a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) representa um ponto de mudança na política externa do <italic>Brasil (Amorim, 2005;</italic><italic>Saraiva, 2010;</italic><xref rid="b27" ref-type="bibr">20</xref>.</p>
      <p>O objetivo central da Minustah, durante o período transitório, era viabilizar a eleição presidencial de 2006, propiciando a substituição do governo provisório pelo presidente vencedor René Préval <xref rid="b39" ref-type="bibr">21</xref>. Além das presidenciais de 2006 e 2010, a</p>
      <p>Minustah atua na reconstrução do Estado caribenho e, após o terremoto de 2010, na construção de hospitais, escolas e rodovias, redução da criminalidade e estabilização do conflito interno, apoio na formação da Polícia Nacional Haitiana, e fortalecimento do ambiente político-institucional <xref rid="b35" ref-type="bibr">19</xref><xref rid="b8" ref-type="bibr">22</xref>.</p>
      <p>Já o objetivo implícito do governo brasileiro era angariar apoio para a investida de reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) <xref rid="b7" ref-type="bibr">23</xref><xref rid="b7" ref-type="bibr">23</xref><xref rid="b43" ref-type="bibr">24</xref><xref rid="b5" ref-type="bibr">25</xref><xref rid="b17" ref-type="bibr">26</xref> Haiti, chamar a atenção da opinião pública para relevância da operação e, consequentemente, melhorar a sua própria imagem <xref rid="b37" ref-type="bibr">27</xref>, mas o sucesso da partida e da operação só é possível por causa da mídia <xref rid="b3" ref-type="bibr">16</xref><xref rid="b3" ref-type="bibr">16</xref>.</p>
      <p>A cobertura do Jogo da Paz no Haiti, pela mídia, é um exemplo de como ela -junto à política externa -pode influenciar nas relações sociais e jogar luz aos problemas. Os veículos de comunicação analisados publicaram matérias que mesclam futebol com política externa e conjuntura social, política e econômica do Estado caribenho. Ao todo, são 52 matérias, sendo 32 positivas (61,5%), 14 neutras (27%) e apenas 6 negativas (11,5%). Por neutra, leia-se matéria pontuando aspectos positivos e negativos ou sem direcionamento claro. em Sochi e a Copa do <italic>Mundo 2018</italic><xref rid="b12" ref-type="bibr">28</xref>.</p>
      <p>Megaeventos esportivos são oportunidades ímpares para a promoção da imagem de um país no mundo, além do legado esportivo e de infraestrutura -com a construção de novos estádios, hotéis, estradas, rodoviárias, portos e aeroportos -, oportunidades urbanas e sociais e criação de emprego e renda <xref rid="b37" ref-type="bibr">27</xref><xref rid="b12" ref-type="bibr">28</xref> Pesquisa realizada a partir da palavra-chave "Copa do Mundo 2014" entre os dias 1º de junho a 31 de julho de 2014 nos sites dos veículos, visto que o torneio ocorreu entre os dias 13 de junho e 13 de julho.</p>
      <p>se afirmar também que a mídia corrobora para a construção de uma realidade tranquila ou caótica.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Considerações finais</title>
      <p/>
      <p>Com a ajuda da mídia, o Brasil se transformou no "país do futebol" e no "país amante da paz", mas também, agora, em um país atrasado. E o futebol é o grande pano de fundo, esse esporte que é tratado nestas páginas com a dualidade e a relevância pertinente que possui na sociedade brasileira e mundial. O literal -disputado dentro de campo, muitas vezes entre duas seleções, com suas regras -, mas, sobretudo, o metafórico -disputado entre nações em qualquer arena, sob normas internacionais.</p>
      <p>Ressalta-se também que a ideia do Brasil de sediar megaeventos esportivos vem na esteira de um movimento mais amplo e ocorre também com países emergentes. Afinal, Copa do Mundo é mais do que um torneio entre seleções futebolísticas, é um campo de batalha simbólica entre países, com interesses e identidades, exercendo o poder produtivo em meio a agentes e estrutura.</p>
      <p>Partindo das observações acerca das formas de atuação da mídia, com base em Gilboa, reitera-se que, no primeiro episódio, o Jogo da Paz, a mídia tem um papel instrumental, ao servir de ferramenta para a política externa mobilizar apoio e avançar em negociações. Os problemas, contudo, não desapareceram, tampouco foram suprimidos. Afinal, existem. Entretanto, os infortúnios não são superlativos, como outrora anunciados. Só dentro de campo.</p>
    </sec>
    <sec>
      <fig id="fig_0" orientation="portrait" fig-type="graphic" position="anchor">
        <caption>
          <title>Diante disso,Soroka (2003) aponta uma questão central no estudo dos efeitos da mídia: a capacidade de distinção entre os efeitos que são realmente acionados e os que são indicadores do mundo real. Em suma, os efeitos da mídia, segundo o mesmo autor (2003), estão na lacuna que existe entre conteúdo de mídia e realidade. Em outras palavras, a mídia -como o próprio nome indica -desempenha um papel de mediação entre os leitores A MÍDIA COMO ATOR INTERNACIONAL: OS CASOS DO JOGOS DA PAZ 2004 E DA COPA DO MUNDO 2014 RICRI Vol. 5, No. 10, pp. 1-19 8</title>
        </caption>
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    </sec>
    <sec>
      <fig id="fig_1" orientation="portrait" fig-type="graphic" position="anchor">
        <caption>
          <title>Já no segundo momento, a Copa do Mundo 2014, a mídia agiu de maneira constrangedora, destacando o lado negativo, com críticas em série. Esse tipo de atuação ocorre quando a mídia procura influenciar os líderes políticos a tomar determinadas decisões e agir em curto prazo. O Brasil realizou o Jogo da Paz e conseguiu o apoio do Haiti e de outros países africanos, mas não obteve o desejado assento no CSNU. Ademais, sediou a Copa do Mundo 2014, apesar da agenda setting da mídia que, junto com a conjuntura desfavorável, causou uma ebulição social, com protestos país afora. No final, o caos prenunciado não se concretizou.</title>
        </caption>
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    </sec>
    <sec>
      <table-wrap id="tab_0" orientation="portrait">
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        <caption>
          <title>).Já o agente constrangedor é visto mais como elemento influenciador no processo de tomada de decisão e com a função básica de constranger o líder político a agir em um prazo diminuto. Os tomadores de decisão, neste caso, utilizam-se dos canais de comunicação, em vez dos canais diplomáticos, por sua velocidade de propagação e em larga escala.Gilboa (2002) cita como exemplo o fato de o presidente dos Estados Unidos A MÍDIA COMO ATOR INTERNACIONAL: OS CASOS DO JOGOS DA PAZ 2004 E DA COPA DO MUNDO 2014 RICRI Vol. 5, No. 10, pp. 1-19 4 da América (EUA) George W. Bush ter passado informações aos membros da coalizão contra o Iraque por meio da rede de televisão norte-americana Cable News Network (CNN) e não por canais diplomáticos tradicionais durante a Guerra do Golfo, em 1991. O papel de interventora nas mediações internacionais ocorre quando jornalistas agem,</title>
        </caption>
      </table-wrap>
    </sec>
    <sec>
      <table-wrap id="tab_1" orientation="portrait">
        <table/>
        <caption>
          <title>Reuters, Bloomberg, AP, DPA e ANSA, sendo as três últimas consórcios de veículos de imprensa, de modo que os acionistas também são clientes; públicas, como AFP e EFE,</title>
        </caption>
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    </sec>
    <sec>
      <table-wrap id="tab_2" orientation="portrait">
        <table/>
        <caption>
          <title>). Vale destacar que as agências de notícias internacionais cumprem papel relevante nesta concentração de poder.A NOMIC se debruça sobre os problemas da Comunicação no mundo e esse esforço resulta no Relatório MacBride, também conhecido como Many Voices, One World, redigido por uma comissão formada por 16 membros de diversos países e publicado em 1980. A iniciativa não alcança o êxito prático desejado, mas coloca o tema na agenda global. E a influência causada pela mídia nas relações internacionais a quem fez ser alçada à condição de agente no cenário internacional.No Brasil, as agências de notícias surgem entre os anos 1960 e 1970, um período de grande inovação da imprensa. Elas têm características diferenciadas das agências de notícias internacionais mas, com elas, mantêm parcerias para trocas de produtos</title>
        </caption>
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    </sec>
    <sec>
      <table-wrap id="tab_3" orientation="portrait">
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        <caption>
          <title>). A primeira agência de notícias brasileira foi a Meridional, criada pelo grupo Diários Associados (DA), de Assis Chateaubriand, em 1931. Já os três principais veículos de comunicação do Brasil -O Estado de S. Paulo, O Globo e Folha de S. Paulo -criam suas próprias agências, respectivamente, Agência Estado, em 1970; Agência O Globo, em 1973; e Agência Folha, em 1994. Esta última passa a ser denominada de Folhapress, em 2004</title>
        </caption>
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          <title>Lula da Silva, passou a privilegiar outros parceiros comerciais na América Latina, na África e outros países emergentes. Essas relações eram associadas pela mídia não como pragmáticas, mas fruto da ideologia do governo e, consequentemente, eram alvo de críticas.4.2 Copa do Mundo (2014)MARCELOMARINHO MONTANINI RICRI Vol. 5, No. 10, pp. 1-19 13 Na Copa do Mundo 2014, a situação foi diferente da do Jogo da Paz. O Brasil foi escolhido em 2007 como sede da Copa do Mundo 2014 e, por conseguinte, da Copa das Confederações 2013, como evento preparativo. À época, o Estado brasileiro vivia o auge do crescimento e estabilidade econômica e política. A decisão do Brasil em sediar megaeventos esportivos reflete o poder do esporte como instrumento de política externa e a visão dos países emergentes, sobretudo dos BRICS, que utilizaram a mesma estratégia. Além do Brasil, China recebe os Jogos Olímpicos 2008 em Pequim, a África do Sul sedia a Copa do Mundo 2010, a Índia realiza os Jogos da Commonwealth 2010 em Délhi, a Rússia sedia os Jogos Olímpicos de Inverno 2014</title>
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          <title>, mas também pode trazer problemas relacionados à corrupção e aos direitos humanos, vide os recursos financeiros empregados e os interesses envolvidos. Na ocasião do anúncio, a mídia se dividiu entre o ceticismo, o pessimismo e o otimismo.Contudo, ao ater-se ao período da Copa -poucas semanas antes e depois, que compreendem dois meses, incluso o mês de realização do megaevento -observa-se da mídia uma postura diferente daquela adotada no Jogo da Paz. Ao todo, são 701 matérias, sendo 116 positivas (16,5%), 178 neutras (25,4%) e apenas 407 negativas (58,1%). Neste caso, as matérias sobre a partida em si foram descartadas, em detrimento de conteúdos que exploravam outros aspectos além das quatro linhas.Gráfico 2 -Volume de matérias sobre a Copa do Mundo com as tendências 5</title>
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