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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1d1 20130915//EN" "JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <article-title>AÇÃO MULTILATERAL NO ESPAÇO CIBERNÉTICO: A COOPERAÇÃO ENTRE BRASIL E ARGENTINA EM DEFESA CIBERNÉTICA MULTILATERAL ACTION ON CYBERSPACE: THE COOPERATION BETWEEN BRAZIL AND ARGENTINA ON CYBER DEFENSE</article-title>
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            <givenName>Camila</givenName>
            <surname>Marques</surname>
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          <email>camilamarquesoliveira@outlook.com</email>
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        <title>Abstract</title>
        <p>Este trabalho busca analisar a importância da ação multilateral entre Estados no que diz respeito às respostas a ataques cibernéticos, pois a maioria dos ataques cibernéticos é transfronteiriço, podendo afetar todos os atores do espaço cibernético e, dessa forma, a troca de informações e experiências entre Estados pode beneficiá-los a evitar danos maiores. Foi apresentado, de forma geral, como os países da América do Sul têm lidado com essas ameaças e foi feita a descrição, baseada em sites do governo e nas respostas de um questionário elaborado pela autora e respondido pelo Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), da cooperação entre Brasil e Argentina nesta seara. Em termos metodológicos, o artigo baseou-se na revisão de literatura de teorias das Relações Internacionais e temas atinentes à segurança e defesa cibernética, além de pesquisas em sites do governo e relatórios de organizações internacionais. Por fim, conclui-se que a cooperação internacional é a melhor maneira de se assegurar o espaço cibernético.</p>
        <p>Palavras-chave: Segurança cibernética. Defesa cibernética. Cooperação internacional. Brasil e Argentina.</p>
        <p>This article seeks to analyze the multilateral action among states concerning responses to cyberattacks, since most cyberattacks are cross-border, can affect all the cyberspace actors and, therefore, the exchanges of information and experiences among states can benefit them in order to prevent greater damages. It was presented, in general terms, how South America countries have dealt with those threats and it was done the description, based on the responses of a questionnaire elaborated by this article's author and answered by the Cyber Defense Center (CDCiber), of the cooperation between Brazil and Argentina on this field. In methodological terms, this article was based on the bibliographical review of international relations theories and issues related to cybersecurity and cyber defense. Finally, one can conclude that the international cooperation is the best way to secure the cyberspace.</p>
      </abstract>
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        <title>Keywords</title>
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    <sec>
      <title>INTRODUÇÃO</title>
      <p/>
      <p>espaço cibernético é caracterizado por suas inerentes vulnerabilidades, sendo algumas delas: a possibilidade de qualquer um de seus atores -Estados, organizações e indivíduos -realizar um ataque cibernético; a dificuldade de imputar um ataque cibernético, uma vez que todos são feitos de forma anônima; o baixo custo de se realizar um ataque cibernético; o fato de este espaço não possuir fronteiras, portanto os ataques cibernéticos podem ser transfronteiriços, e a dificuldade de regular este espaço. Devido a essas vulnerabilidades, enfrentadas por diferentes tipos de Estado, alguns têm optado pela securitização do espaço cibernético.</p>
      <p>Além disso, este espaço é considerado um bem comum global -como o mar, a Antártida e o espaço exterior -, que não pertence a um Estado, mas a todos, fato este que enfatiza a necessidade da cooperação internacional para que a utilização deste seja assegurada para todos. Assim sendo, o presente artigo apresenta como problema a seguinte pergunta: qual é a importância da ação multilateral no que diz respeito às respostas a ataques cibernéticos?</p>
      <p>Para responder a essa pergunta foi elaborada a seguinte hipótese: a maneira mais eficiente de responder a um ataque cibernético é por meio da ação multilateral. Pois pelo fato de o espaço cibernético ser considerado um bem comum global, todos os Estados devem cooperar para assegurar a utilização deste espaço por todos os atores e, tendo em vista que os ataques cibernéticos podem atravessar fronteiras, e envolver atores de diversos países, o mais eficiente é respondê-los através da ação multilateral, por meio do compartilhamento de informações, experiências, por meio da cooperação internacional.</p>
      <p>Como exemplo, pode-se citar o caso da Estônia, que em 2008 sofreu diversos ataques cibernéticos em sites de seu Parlamento, do Primeiro-Ministro, do Presidente, em sites jornalísticos e, inclusive, um banco recebeu ataques cibernéticos, causando uma perda de mais de um milhão de dólares a ele. Diante desta situação, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) -organização da qual a Estônia é Estado-membro -criou um centro para lidar com guerra cibernética, ou seja, não se tratou de uma resposta unilateral, mas de uma resposta coletiva dos Estados-membros da OTAN, pois, naquele momento, considerou-se que foi acionado o pacto de segurança coletiva dessa organização <xref rid="b30" ref-type="bibr">1</xref> O presente artigo encontra-se estruturado em três seções e algumas subseções. A primeira seção busca ambientar o leitor no tema de segurança e defesa cibernética, apresentando, dessa forma, os principais conceitos de espaço cibernético, segurança e defesa cibernética.</p>
      <p>São apresentados também alguns ataques cibernéticos relatados que alguns países sofreram. Na segunda seção, é discutida a possibilidade de se considerar o espaço cibernético como um bem comum global securitizado. E na última seção, é apresentado, de uma forma geral, como os países da América do Sul têm lidado com a proteção do espaço cibernético, e é feita uma descrição da cooperação bilateral entre Brasil e Argentina em defesa cibernética.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>ESPAÇO CIBERNÉTICO</title>
      <p/>
      <p>O espaço cibernético não é um espaço natural -como o mar, o espaço exterior -, mas um espaço criado pelo homem, que nasce em 1969, a partir da conexão de quatro dispositivos centrais <xref rid="b29" ref-type="bibr">2</xref> Dessa forma, a defesa cibernética é acionada quando o Estado sofre um ataque cibernético, por exemplo, em suas infraestruturas críticas nacionais e deve responder, de forma defensiva e ofensiva, podendo levar à guerra cibernética. Na próxima subseção serão apresentados alguns ataques cibernéticos cometidos a Estados. Dessa forma, <xref rid="b13" ref-type="bibr">3</xref>, utilizando o modelo <italic>de Buzan et al (1998)</italic>, analisa as vulnerabilidades cibernéticas de acordo com o tipo de poder e coesão sócio-política -classificados em forte ou fraco -de cada Estado, conforme demonstrado na Tabela 1.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Ataques cibernéticos</title>
      <p/>
      <p>Assim, a partir do quadrante que determinado Estado ocupar, este tomará diferentes medias e políticas públicas.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Tabela 1 -Vulnerabilidades cibernéticas e tipos de Estados</title>
      <p/>
      <p>Coesão sócio-política regulamentação deste bem comum -e por se tratar de uma ameaça existencial, alguns</p>
      <p>Estados têm optado pela securitização desse espaço.</p>
      <p>Assim sendo, alguns Estados têm buscado lidar com ataques cibernéticos de diversas maneiras, a partir da cooperação internacional, instituições, estabelecimento de políticas, para que, dessa forma, possa ser assegurado o bem-estar dos usuários, a segurança nacional. Além disso, vale mencionar que tanto a teoria da securitização quanto a dos bens comuns globais prevê a necessidade de se assegurar o bem-estar dos usuários do espaço cibernético, e a teoria dos bens comuns globais defende a importância da cooperação internacional para que a Tragédia dos Bens Comuns não aconteça.</p>
      <p>Dessa maneira, conclui-se que a securitização do espaço cibernético contribui para que esse seja mantido como um bem comum global, pois a partir do momento que se toma medidas para lidar com os ataques cibernéticos, o espaço cibernético está sendo assegurado, e dentre essas medidas, enfatiza-se a importância da ação multilateral. Forsyth</p>
      <p>Junior <italic>(2013)</italic>  Assim, com o objetivo de reforçar a tese de que a cooperação internacional é fundamental para o combate aos crimes cibernéticos, no próximo tópico será feito um breve panorama das políticas que os países da América do Sul têm adotado para o combate desses crimes e será apresentado o caso da cooperação entre o Brasil e a Argentina.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>POLÍTICAS ADOTADAS PELOS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL</title>
      <p/>
      <p>A América do Sul é considerada, pela Política Nacional Analisando esse relatório percebeu-se que todos possuem uma CSRIT, porém nem todos possuem políticas ou estratégias de defesa cibernética. Ainda, cada país designou sua polícia nacional para lidar com crimes cibernéticos.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>A cooperação em defesa cibernética entre Brasil e Argentina</title>
      <p/>
      <p>A escolha da descrição da cooperação em defesa cibernética entre Brasil e Argentina foi motivada pelo fato de esses dois países já possuírem cooperação consolidada em algumas áreas da defesa como, por exemplo, no setor nuclear. Dessa forma, pretendeu-se analisar como essa parceria poderia contribuir para o setor de defesa cibernética. Menciona-se que essa subseção foi escrita a partir das respostas obtidas de um questionário enviado ao Ainda, pelo fato de esse espaço não ser domínio de nenhum Estado, ele é considerado como um bem comum global, requerendo a cooperação internacional para que seja mantida a utilização desse espaço por todos os Estados, organizações e indivíduos.</p>
      <p>Destaca-se, também, a necessidade da cooperação e regulamentação do espaço cibernético, para evitar que a Tragédia dos Bens Comuns -quando um ator utiliza um bem comum global para maximizar seu autorinteresse -aconteça.</p>
      <p>Vale mencionar que a ação multilateral pode ser realizada por meio do compartilhamento de informações entre Estados, maior integração das CSIRTs, pelas trocas de experiências, intercâmbios de profissionais, pela adoção de políticas comuns no combate aos crimes cibernéticos. Com o objetivo de destacar a importância da cooperação no espaço cibernético, apresentou-se um breve panorama de como os países da América do Sul têm lidado com as vulnerabilidades desse espaço para, então, descrever a cooperação entre Brasil e Argentina em defesa cibernética. Percebeu-se que esses dois países possuem uma cooperação significativa nesse tema e que eles têm trabalhado para fortalecê-la, além de não deixarem de tratar dele no âmbito regional.</p>
      <p>Por fim, concluiu-se que, apesar de os Estados serem diferentes e de cada um lidar com tipos diversos de vulnerabilidades, a ação multilateral é a maneira mais eficiente de se responder às ameaças e crimes do espaço cibernético. Pois, conforme demonstrado alhures, ataques cibernéticos podem atingir diversos Estados, reiterando a necessidade da cooperação internacional.</p>
    </sec>
    <sec>
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        <caption>
          <title>). O AÇÃO MULTILATERAL NO ESPAÇO CIBERNÉTICO: A COOPERAÇÃO ENTRE BRASIL E ARGENTINA EM DEFESA CIBERNÉTICA RICRI Vol. 6, No. 11, pp. 72-90 74 Neste trabalho, a cooperação entre Brasil e Argentina é adotada como estudo de caso pelo fato de a Argentina ter sido o primeiro país cooperante, da América do Sul, com o Brasil, nesta seara de defesa cibernética. Além disso, há algumas pesquisas relacionadas à segurança e à defesa do espaço cibernético, porém, carentes são aquelas que versem sobre a importância da cooperação em defesa do espaço cibernético. Assim, esse estudo justifica-se na medida em que despertou interesse de analisar essa importância. Entende-se ainda que, divulgar essa relação pode contribuir para formulações mais eficientes de políticas públicas na seara de cooperação para a defesa cibernética.</title>
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      <table-wrap id="tab_1" orientation="portrait">
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        <caption>
          <title>). Vale mencionar que ele foi criado com o objetivo de facilitar a difusão de informações e intercomunicações (KUEHL, 2009). Trata-se de um objeto de estudo que tem ligações desde a ciência da computação até as ciências sociais (PORTELA, 2016), pois além de CAMILA MARQUES DE OLIVEIRA RICRI Vol. 6, No. 11, pp. 72-90 75 envolver hardwares e softwares, envolve uma camada chamada por Ventre (2012) de peopleware, na qual está a parte cognitiva do usuário, além de dados bancários, dados pessoais, ou seja, informações que podem impactar a sociedade como um todo.</title>
        </caption>
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          <title>mails, de diversos cidadãos e até de chefes de governos -o que foi o caso da descoberta de intercepção de e-mails e chamadas telefônicas da ex-presidente Dilma Rousseff (BBC,AÇÃO  MULTILATERAL NO ESPAÇO CIBERNÉTICO: A COOPERAÇÃO ENTRE BRASIL E ARGENTINA EM DEFESA CIBERNÉTICA RICRI Vol. 6, No. 11, pp. 72-90 78 2014). Foi nesse momento que se percebeu uma relevância maior dado pelo Brasil ao tema de segurança e defesa cibernética, por meio da assinatura de diversos tratados de cooperação, por exemplo. Já em 2014, alguns sites da OTAN sofreram ataques de negação de serviço (Distributed Denial of Service -DDoS) -que têm como objetivo exceder os limites de requisição de um servidor -por consequência da crise da Crimeia (LOBATO; KENKEL, 2015b) e em 2016, o Federal Bureau of Investigation (FBI) percebeu que as eleições estadunidenses foram alvo de hackers (GROLL, 2016). Vale lembrar também do ataque cibernético do tipo ransomware que atingiu o Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra, em 2017, no qual foram paralisados computadores e telefones de 16 hospitais de três regiões da Inglaterra. Além da Inglaterra, esse vírus afetou mais de 150 países (EL PAÍS, 2017). Assim sendo, a partir desses ataques pode-se perceber que as consequências que eles causam não ficam somente no plano virtual, atingindo o plano real e ameaçando a segurança nacional dos Estados. Além disso, é importante ressaltar que o poder cibernético é mais difuso no sistema internacional, podendo ser exercido por qualquer ator dele. Dessa forma, é notória a necessidade da ação multilateral no espaço cibernético, pois a partir da troca de informações e experiências, pode-se facilitar a localização dos criminosos, bem como sua punição. 3. O ESPAÇO CIBERNÉTICO SECURITIZADO A Escola de Copenhague defende que a agenda de segurança internacional pode ser expandida para além de assuntos militares, podendo tratar, também, de ameaças que podem atingir os setores ambiental, societal e econômico. Essa expansão propicia um tratamento especial -no que diz respeito à formulação de respostas adequadas na área da segurança e defesa -àqueles assuntos que antes não eram vistos como pertencentes ao campo da segurança internacional. Um exemplo disso é a securitização do espaço cibernético. CAMILA MARQUES DE OLIVEIRA RICRI Vol. 6, No. 11, pp. 72-90 79Tendo em vista os ataques cibernéticos sofridos por diversos Estados, alguns têm optado pela securitização do espaço cibernético, ou seja, eles têm tratado o espaço cibernético como uma ameaça existencial, que requer medidas emergenciais e que justifica a tomada de ações que não estão dentro dos limites dos processos políticos (BUZAN ET AL, 1998).Outro fator determinante que influencia o processo de securitização é o discurso dos atores securitizantes -aqueles que securitizam determinada questão ao tratar algum objeto de referência como ameaçado -, pois[u]m discurso que assume a forma de apresentar algo como uma ameaça existencial a um objeto de referência não cria, por si só, a securitização -esse é um movimento securitizador, mas a questão é securitizada somente se e quando o público a aceitar como tal (BUZAN ET AL, 1998, p. 25, tradução nossa) 2 .Dessa forma, o processo de securitização depende também do discurso, e Buzan et al (1998) assinala que a palavra 'segurança' nem precisa ser dita nesse discurso, pois o essencial é designar uma ameaça existencial que requer ações emergenciais ou medidas especiais, além da aceitação dessa designação por um público. Assim, pode-se perceber que a securitização é socialmente construída. Ainda,Buzan et al (1998) assinala que "uma</title>
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          <title>Já Estados que possuem poder e coesão sócio-política fortes têm a capacidade de manter forças militares e econômicas mais fortes no sistema internacional e são, dessa forma, mais relutantes a securitizar ameaças no espaço cibernético. Vale mencionar que nesses Estados, geralmente, a segurança cibernética permanece como uma responsabilidade do setor privado, e eles são um dos mais dependentes do espaço cibernético(HARE, 2010).Aqueles com poder fraco e coesão sócio-política forte são vulneráveis à maioria das ameaças das forças militares, porque sua infraestrutura e populações são mais suscetíveis a ataques militares. Ainda, os países que estão neste quadrante, são desenvolvidos e utilizam o e-governance, por isso são vulneráveis a ataques cibernéticos(HARE, 2010).Por fim, os Estados com poder forte e coesão sócio-política fraca são aqueles com forças militares fortes e fraca coesão sociocultural, são países que limitam o acesso à informação e à utilização do ambiente cibernético e, portanto, estão mais preocupados com as consequências que a propagação de informações pode causar na coesão interna desses Estados (HARE, 2010).Por fim, Hare (2010) enfatiza a importância de os Estados formarem alianças de securitização, pois muitas vezes eles lidam com as mesmas ameaças e podem se esforçar para securitizá-las.3.1 O espaço cibernético como um bem comum globalAlguns autores consideram o espaço cibernético como um bem comum global, ou seja, como um bem que não é controlado por um Estado em particular e que pode ser usufruído pelos Estados, indivíduos e organizações(MURPHY, 2010). Menciona-se que os outros bens comuns globais são o mar, o espaço exterior, o ar e a Antártida. Por se tratarem de bens comuns, há a importância da regulação desses bens por meio de acordos e tratados internacionais como, por exemplo, a Convenção das Nações Unidas do Direito do Mar que regula o comportamento dos Estados nesse bem comum global. Porém, o espaço cibernético ainda não possui um tratado ou acordo que regulamente a atuação de seus atores, pois, além da dificuldade inerente de se regulamentar um bem AÇÃO MULTILATERAL NO ESPAÇO CIBERNÉTICO: A COOPERAÇÃO ENTRE BRASIL E ARGENTINA EM DEFESA CIBERNÉTICA RICRI Vol. 6, No. 11, pp. 72-90 82 comum global, deve-se destacar que a maior parte do espaço cibernético pertence ao setor privado. Murphy (2010) comenta que [o] espaço cibernético é o domínio mais singular dos bens comuns globais: é feito pelo homem; facilita a transferência de informação e dados em vez de pessoas, navios e mercadorias; e é em grande parte controlado pelo setor privado (p.40, tradução nossa) 5 . Por isso deve-se também enfatizar a importância da cooperação entre o setor público e o setor privado no que diz respeito à coordenação de respostas a ameaças e a ataques cibernéticos (MEYER, 2016). Outra variável que explica a importância da regulamentação do espaço cibernético é a necessidade de dificultar a ocorrência da Tragédia dos Bens Comuns -que acontece quando os indivíduos buscam maximizar seu autointeresse em detrimento dos interesses da sociedade como um todo, enquanto exploram um bem comum (MURPHY, 2010) -, pois ao ter sua confiança sobre-explorada nesse espaço, o usuário tem sua confiança e bem-estar diminuídos. Dessa forma, deve-se cooperar no espaço cibernético, para que se evite a ocorrência da Tragédia dos Bens Comuns e seja assegurado o bem-estar dos atores deste espaço (HURWITZ, 2012).Tendo em vista isso, questionou-se a possibilidade de se considerar o espaço cibernético como um bem comum global securitizado. Porventura, a securitização do espaço cibernético possa contribuir na sua manutenção como um bem comum global, pois medidas extraordinárias seriam autorizadas e tomadas, assegurando a utilização desse bem por todos seus usuários. Assim, esse tema será melhor defendido no próximo tópico.</title>
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          <title>CDCiber e de pesquisas a sites do governo.Destaca-se que após as revelações de espionagem realizadas pela NSA, o Brasil e a Argentina estabeleceram uma agenda de cooperação em defesa cibernética, resultando na assinatura da Declaração de Buenos Aires, que previu: a formação de um Subgrupo de Cooperação em Defesa Cibernética, na visita de oficiais argentinos ao CDCiber e no convite de oficiais argentinos para realizarem o curso de Guerra Cibernética que ocorreuno Brasil em 2014 e 2015. Menciona-se, porém, que o CDCiber não considerou este caso como fator preponderante para o início dessa cooperação, pois a Diretriz para as Atividades do Exército Brasileiro na Área Internacional (DAEBAI) tem como objetivo realizar ações de cooperação e integração entre os países da América do Sul, então a cooperação em defesa cibernética era esperada. O mencionado Subgrupo se reuniu em 2014 e 2015 com o objetivo de discutir questões como: Intercâmbio Doutrinário, Capacitação, Exercícios de Defesa Cibernética, Intercâmbio Operacional e Visitas Mútuas de Delegações. AÇÃO MULTILATERAL NO ESPAÇO CIBERNÉTICO: A COOPERAÇÃO ENTRE BRASIL E ARGENTINA EM DEFESA CIBERNÉTICA RICRI Vol. 6, No. 11, pp. 72-90 86 Em 2014, um oficial argentino participou do Curso de Guerra Cibernética realizado no Brasil e, em contrapartida, um oficial brasileiro participou de um curso relacionado à segurança de rede e criptografia na Argentina. Vale mencionar que se tratou da primeira experiência entre os dois países no âmbito deste tema, e em maio de 2016, o governo brasileiro convidou a Argentina para participar do Estágio Internacional de Defesa Cibernética para Oficiais de Nações Amigas, que foi ministrado pelo Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE). No mesmo ano, foi realizado, em Madri, o Foro Iberoamericano de Ciberdefensa no qual foi elaborada uma Carta de Intenções, com expectativas de que os países participantes - Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Peru e Portugal -realizassem exercícios no âmbito da defesa cibernética. Assim sendo, em outubro de 2017, foi realizado em Brasília o I Exercício Ibero-Americano de Defesa Cibernética, onde estiveram reunidos militares da Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Portugal e observadores do Peru (EXÉRCITO, 2017). As atividades foram realizadas no CIGE com o objetivo de estreitar as relações entre os países participantes. Ainda, foi destacada a importância da cooperação no que diz respeito ao combate de ataques neste espaço. Enfim, vale mencionar os benefícios desta cooperação mencionados pelo CDCiber: fortalecimento da proteção cibernética de órgãos governamentais e infraestruturas críticas de ambos os países; possibilidade de cooperação acadêmica e industrial; e estabelecimento de medidas de construção de confiança em defesa cibernética. CONCLUSÃO O espaço cibernético não é domínio de nenhum Estado e, portanto, todos estão vulneráveis às ações de hackers maliciosos, independente de seus poderes militares ou econômicos, pois conforme demonstrado, todos os Estados lidam com vulnerabilidades inerentes a este espaço. Ainda, ataques cibernéticos podem atingir todos os atores desse espaço e se cometidos contra as infraestruturas críticas nacionais de determinado país, podem colocar em risco sua segurança nacional. Assim sendo, alguns países encaram esse espaço como uma ameaça existencial que necessita de políticas não convencionais, ou seja, tratam o espaço cibernético como securitizado. CAMILA MARQUES DE OLIVEIRA RICRI Vol. 6, No. 11, pp. 72-90 87</title>
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          <source>Cibertaque: o vírus WannaCry e a ameaça de uma nova onda de infecções</source>
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          <source>Edward Snowden: Leaks that exposed US spy programme</source>
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            <uri>&lt;http://ctnsp.dodlive.mil/files/2014/03/Cyberpower-I-Chap-01.pdf&gt;.Acessoem</uri>
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          <source>Exercício Ibero-Americano de Defesa Cibernética promove Intercâmbio na Área de Segurança da Informação</source>
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            <uri>&lt;http://www.eb.mil.br/web/noticias/noticiario-do-exercito/-/asset_publisher/MjaG93KcunQI/content/exercicio-ibero-americano-de-defesa-cibernetica-promove-intercambio-na-area-de-seguranca-da-informacao-&gt;.Acessoem</uri>
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          <source>Decisión sobre el rechazo al espionaje por parte de los Estados Unidos sobre los países de la región</source>
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            <uri>&lt;http://www.mercosur.int/innovaportal/file/4506/1/decision_sobre_espionaje_es.pdf&gt;.Acessoem</uri>
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          <source>Declaração de Paramaribo, Aprovada na VII Reunião Ordinária do Conselho de Chefes de Estado e de Governo da União das Nações Sul-americanas</source>
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            <uri>&lt;http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/notas-a-imprensa/2193-declaracao-de-paramaribo-aprovada-na-vii-reuniao-de-cupula-da-unasul&gt;.Acessoem</uri>
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