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        <article-title>A ASCENSÃO CHINESA NO SISTEMA CAPITALISTA GLOBAL CONTEMPORÂNEO: UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DA ESCOLA DE AMSTERDÃ Chinese rise in the contemporary global capitalist system: an analysis from the perspective of the Amsterdam School A ASCENSÃO CHINESA NO SISTEMA CAPITALISTA GLOBAL CONTEMPORÂNEO: UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DA ESCOLA DE AMSTERDÃ</article-title>
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      <contrib-group><contrib contrib-type="author"><name>
            <givenName>Ana</givenName>
            <surname>Rachel</surname>
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        <title>Abstract</title>
        <p>Resumo: A nova conjuntura do sistema capitalista global é marcada pelos questionamentos e debates sobre as práticas neoliberais. Nesse cenário, a emergência da China como um importante player na economiamundo capitalista, surge como um dos fenômenos mais significativos no contexto internacional, resultando em diversas análises sobre o seu suposto papel contra-hegemônico. Dessa maneira, este trabalho se propõe a apresentar as contribuições teóricas da Escola de Amsterdã sobre os impactos políticos e econômicos da China na nova configuração da ordem mundial no século XXI. Através do entrelaçamento e discussão dos estudos da Escola de Amsterdã, espera-se contribuir com o debate acerca das reconfigurações dos núcleos de poder e os rumos das relações internacionais neste século.</p>
        <p>Palavras-chave: China; Escola de Amsterdã; Neoliberalismo; Século XXI.</p>
        <p>A new conjuncture of the global capitalist system is marked by questions and debates about neoliberal practices. In this scenario, an emergence of China as a major player in the world capitalist economy emerges as one of the most dangerous phenomena in the international context, resulting in various analyzes of its counter-hegemonic role. Thus, this paper will be presented as theoretical contributions from the Amsterdam School on the political and economic impacts of China on the new configuration of the world order in the 21st century. Through the intertwining and discussion of the Amsterdam School studies, we hope to contribute to the debate on the reconfigurations of the nuclei of power and the direction of international relations in this century. </p>
      </abstract>
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        <title>Keywords</title>
        <kwd>Key-words: China</kwd>
        <kwd>Amsterdam school</kwd>
        <kwd>Neoliberalism</kwd>
        <kwd>21st century INTRODUÇÃO</kwd>
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      <p>histórico, o ponto de partida para os pesquisadores da Escola de Amsterdã é a afirmação de que as relações entre o nexo estado /sociedade estão inseridos num contexto de evolução das relações sociais transnacionais. Consequentemente, as dimensões internacionais da hegemonia também devem ser abordadas a partir desse mesmo ponto de vista. A hegemonia no sistema global é, portanto, vista como uma relação de classes e não primordialmente como uma relação entre Estados. Com base nessa teorização que a Escola de Amsterdã busca investigar a dinâmica e as limitações do sistema capitalista global <xref rid="b13" ref-type="bibr">1</xref>.</p>
      <p>No que concerne ao sistema capitalista global contemporâneo, os pesquisadores da Escola de Amsterdã concordam que este cenário é marcado pela crise do neoliberalismo e pela ascensão da China como possível desafiadora dessa ordem liderada pelos EUA, desde a década de 70. À vista disso, o presente trabalho tem por objetivo expor as contribuições teóricas de alguns dos pesquisadores da Escola de Amsterdã sobre os impactos políticos e econômicos da China na nova configuração da ordem mundial no século XXI. Para tanto, os autores escolhidos para este trabalho são: Kees Van der pilj, Nana De Graaff, Sebastian</p>
      <p>Van Apeldoorn e Henk Overbeek, os quais vêm pesquisando nos últimos anos temáticas sobre o sistema diferencial capitalista chinês e os impactos para a hegemonia neoliberal.</p>
      <p>O artigo encontra-se divido em três seções. No primeiro momento serão apresentados os debates sobre a dinâmica do sistema capitalista global no século XXI sob a ótica da Escola de Amsterdã. A segunda seção, buscar-se-á compreender o processo de inserção chinesa no sistema capitalista global. Por fim, serão analisados os apontamentos e as indagações da Escola de Amsterdã sobre a China como possível desafiadora da ordem neoliberal. Nesse sentido, três pontos pesquisados pelos professores da Escola de Amsterdã, tornam-se relevantes: 1) a dinâmica das elites petrolíferas chinesas; 2) os aspectos diferenciais de sua política externa e 3) os controles de capital que regem sua economia.</p>
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      <title>O sistema capitalista contemporâneo: Estados Lockeanos versus Estados</title>
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      <p>Hobbesianos O sistema capitalista global contemporâneo é marcado pelos questionamentos e debates sobre as práticas neoliberais. Nesse contexto, a emergência de atores de países do sul global passou a ser visto como um polo alternativo a hegemonia neoliberal centralizada nos EUA e na Europa. Dentre essas nações a que adquiriu um papel mais destacado foi a In a more globalised capitalist economy, the chances are greater that the 'offshore' element in the contender states will be activated by the Western heartland. To sum up, 'the potential combination of outside pressure and internal contestation always exists' 8 The billiard ball model of international relations that lies at the heart of neo-realism applies quite well to relations among Hobbesian states, and to relations between states of the Lockean heartland on one side and Hobbesian states on the other. Confrontations between the expanding Lockean heartland and Hobbesian challenger states mostly end in the failure, collapse or violent defeat of the Hobbesian challengers by the Lockean heartland. Such defeat is followed either by gradual incorporation ('hegemonic integration') into the heartland (as with Germany after 1945) or by disintegration (as with the Soviet Union). O centro institucional do sino-capitalismo é uma dualidade única que combina o 10 Globality does not however mean uniformity: the capitalist order is characterized by the dialectics of combined and uneven development.</p>
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      <title>RICRI</title>
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      <p>11 In the past five hundred years we can identify three episodes of intensifi ed market expansión and deepening commodifi cation, namely the episode of the original creation of the world market which we will call the period of mercantile globalization: the long 16th century (1492-1648); the expansión of industrial capital and the rise of imperialism in the second half of the 19th century which we might call the era of laissez-faire globalization ; and fi nally the present episode of neoliberal globalization characterized by the global expansion of transnational capital <italic>(1978-present</italic> Observa-se que a China vem parcialmente se adaptando às instituições liberais e às regras do jogo, todavia, como apontado, há limites para sua integração ás práticas neoliberais. "Portanto, um cenário de cooptação total é bastante improvável" (DE GRAAF; <xref rid="b2" ref-type="bibr">2</xref>. Nessa perspectiva, pesquisas futuras que investigam as redes de elite chinesas, as suas estratégias e políticas econômicas serão fundamentais para uma compreensão de como essas mudanças poderão evoluir, e se levará a uma ordem mundial diferente. Além disso, a questão de como manter relações abertas com o mercado chinês, enquanto se impede a China de se tornar tão poderosa a ponto de desafiar a hegemonia americana e o neoliberalismo é o dilema que os tomadores de decisão, principalmente dos EUA, enfrentam em busca por uma resposta estratégica à ascensão chinesa.</p>
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      <title>CONCLUSÃO</title>
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      <p>Este trabalho buscou apresentar as contribuições dos pesquisadores da Escola de <italic>24</italic> Uma instituição estrangeira pode deter até 20% do capital de um banco chinês, e a propriedade total estrangeira de um banco chinês é restrita a 25%. Além disso, enquanto no final de 2007, 193 bancos estrangeiros entraram no setor de serviços financeiros da China, sua participação de mercado permaneceu muito pequena, totalizando 2,4%. <italic>(DIERCKX, 2015, p.6, tradução nossa)</italic> 25 Why has China kept such stringent capital controls in place in an era where capital account liberalisation has become the internationally accepted norm? An important reason is that capital controls are crucial to maintain the current accumulation regime. This regime engenders social forces which could be argued to form a historic bloc together, benefiting from the capital controls in place. The Chinese accumulation regime is, especially since entry into the WTO in 2001, based on two growth poles: exports and investment.</p>
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          <title>A ASCENSÃO CHINESA NO SISTEMA CAPITALISTA GLOBAL CONTEMPORÂNEO: UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DA ESCOLA DE AMSTERDÃ RICRI Vol. 7, No. 13, 2020. 22 República Popular da China. Muitos autores sustentam que a reestruturação do sistema interestatal contemporâneo recai sobre a estratégia de inserção internacional que a China assumir nos próximos anos, podendo ela vir a ser ou não uma nova nação hegemônica. Segundo Overbeek (2012), a crise hegemônica global do neoliberalismo, na verdade, como em qualquer ruptura histórica, é um fenômeno de múltiplas camadas. Essa crise é, antes de tudo, uma crise do modelo de acumulação dominante, da ideologia hegemônica sustentada por esse modelo e, consequentemente, também da ordem política e social no "centro" do capitalismo global, ou seja, no ocidente. Em suma, "a crise do neoliberalismo 1 , não necessariamente terá fim: ainda há uma longa fase de dominação neoliberal, contudo permeada de profundas contradições e instabilidades" (VAN APELDOORN; OVERBEEK, 2016, p.2, tradução nossa 2 ). É neste cenário que os estudos da Escola de Amsterdã vêm buscando compreender como a atual crise global do capitalismo está reconfigurando a relação entre o capital e o Estado tanto dentro do "núcleo" ocidental, onde se fundamentou o neoliberalismo, quanto nos centros rivais de acumulação fora deste "núcleo" (em países do sul global, por exemplo). Essa reconfiguração é caracterizada pela manifestação contraditória, de um lado pelo "retorno do Estado" 3 , e por outro de um aprofundamento contínuo do processo de transnacionalização capitalista. A dialética da globalização neoliberal vem criando, assim, uma situação em que a posição hegemônica dos EUA pode agora estar ameaçada pela ascensão da China. Desse modo, embora as contradições da acumulação de capital no século XXI assumam formas diferentes no mundo, a ascensão de centros rivais de acumulação constitui um desafio aos fundamentos da ordem global do neoliberalismo. Desde a eclosão da crise nos EUA em 2007, sucessivas ondas desestabilizadoras passaram pela economia global. A trajetória da crise deixou claro que não 1 Define-se o neoliberalismo como um projeto político destinado a restaurar o poder de classe capitalista após as crises econômica e social da década de 1970. Consisti em limitar o papel do Estado e garantir condições para a ampliação da acumulação de capital (VAN APELDOORN; OVERBEEK, 2012). 2 In short, we tend to the view that the crisis is a crisis of neoliberalism, but not necessarily a terminal one: there is still life left for a phase of neoliberal dominance, but one wrought with deepening contradictions and increasingly unstable. Our arguments, which are borne out in the subsequent chapters in this book, can be summarized as follows. 3 Como Van Apeldoorn (2007, p. 215,tradução nossa) aponta, é "o Estado que fornece as pré-condições institucionais (inter-relacionadas) para os mercados capitalistas surgirem e se desenvolverem: por exemplo, permitindo que certas "coisas" sejam transformadas em mercadorias; criando e garantindo direitos de propriedade; emitindo e sustentando o valor do dinheiro; e assegurando mercados suficientemente competitivos através, por exemplo, do direito da concorrência. Isto sublinha a relação interna entre capital e estado até mesmo em uma economia capitalista neoliberal". ANA RACHEL SIMÕES FORTES RICRI Vol. 7, No. 13, 2020. 23 estamos simplesmente lidando com uma crise financeira singular, mas com uma crise subjacente de superacumulação e com uma crise do projeto hegemônico neoliberal que moldou o curso do capitalismo global nas últimas décadas. Essa crise política e econômica estrutural está, além disso, intimamente ligada a uma mudança de poder cada vez mais palpável para o Oriente dentro da economia política global. (DE GRAAFF; OVERBEEK; VAN APELDOORN, 2012, p.2,tradução nossa 4 ) Ao analisar o desenvolvimento do sistema capitalista global, Van der Pijl (1998), conjectura a existência de dois complexos distintos de estado / sociedade: os estados "Lockean Heartland 5 " e os "contender" / "hobbesian" 6 . Enquanto o primeiro refere-se ao ocidente anglófono, onde existe uma sociedade civil forte e auto-reguladora sob o égide da lei, o outro tende a ser organizado por uma "classe estatal" através da coerção e da centralização do poder. Em outras palavras, a principal diferença entre esses dois complexos é que os estados lockeanos baseiam suas regras, primeiro no consentimento e depois na coerção, enquanto os estados hobesianos baseiam suas regras principalmente na coerção. (VAN DER PILJ, 1998). Na configuração lockeana que prevalece no Ocidente, há, portanto, setores da economia que definem o ritmo da dinâmica social na sociedade e uma classe governante que administra o Estado e os assuntos burocráticos. Por outro lado, em países que existem uma configuração hobbesiana, há uma classe que controla tanto a economia quanto o Estado. Para Van der Pijl (1998), esses estados contendores confiam no aparato estatal para acelerar e manter o ritmo da mudança social e desenvolver recursos econômicos e militares necessários para superar a hegemonia dos estados lockeanos na estrutura de poder da economia política global. Ainda sim, os estados lockeanos são os principais impulsionadores da expansão capitalista no mundo e controlam uma parte considerável da economia mundial. Essa desvantagem competitiva acaba por induzir os estados contendores a copiar (seletivamente) práticas e elementos das economias do lockean heartland. Por 4Since the outbreak of the subprime crisis in the US in 2007, successive destabilizing waves have gone through the global economy. The trajectory of the crisis has made it clear that we are not simply dealing with a singular financial crisis, but with an underlying crisis of overaccumulation, and with a crisis of the neoliberal hegemonic project that has shaped the course of global capitalism for the past decades. This structural political and economic crisis is furthermore intimately linked to the deepening ecological crisis as well as bound up with an increasingly palpable power shift to the East within the global political economy.5 Tradução nossa: Centro Lockeano. 6 Tradução nossa: Contendedores. A ASCENSÃO CHINESA NO SISTEMA CAPITALISTA GLOBAL CONTEMPORÂNEO: UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DA ESCOLA DE AMSTERDÃ RICRI Vol. 7, No. 13, 2020. 24 consequência, muita das vezes, os estados hobbesianos podem acabar sendo integrados ao complexo lockeano. "Em uma economia capitalista mais globalizada, as chances são maiores de cooptação, devido as pressões externas dos Estados lockeanos. 7 " (DIERCKX, 2015, p. 8, tradução nossa). O modelo das relações internacionais da bola de bilhar do neorealismo se aplica muito bem às relações entre estados contendores e às relações entre estados do Lockean Heartland. Afinal, os confrontos entre a expansão do Lockean Heartland e os estados contendores hobbesiano terminam, em sua maioria, no colapso violento dos desafiantes hobbesianos. Tal derrota é seguida ou pela incorporação gradual ("integração hegemônica") no Lockean Heartland (como na Alemanha após 1945) ou pela desintegração (como na União Soviética) 8 . (OVERBEEK, 2004, p.15, tradução nossa) De acordo com os autores da Escola de Amsterdã a ascensão do modelo conhecido como "capitalismo de Estado" pode ser visto como uma potencial ameaça à ordem neoliberal, a qual foi constituída para promover principalmente os interesses do capital dos EUA como também da Europa. Como analisado, as características típicas do Estado contender\hobbesian podem ser enquadrados na China no século XXI, já que o Estado retém as alavancas fundamentais de poder e opera como uma força que regula toda a sociedade. Van der Pijl (2012, p.505, tradução nossa) salienta que "a China é o principal estado contendor, resistindo à hegemonia ocidental na atualidade. 9 " Nesse sentido, já se observa alguns sinais de que a ascensão da China está causando renovadas rivalidades geopolíticas que, se intensificadas, certamente enfraquecerão a atual ordem global neoliberal. Por conseguinte, dando continuidade a proposta do trabalho, será apresentado os estudos dos pesquisadores da Escola de Amsterdã sobre a ascensão chinesa no sistema capitalista global como também os impactos de seu aspecto "diferencial" de</title>
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          <title>Vol. 7, No. 13, 2020.  25    capitalismo no sistema.2. A inserção chinesa no sistema capitalista globalComo a ordem capitalista é global, esta tendência foi inerente a ela desde o seu nascimento, e praticamente todas as partes do globo foram integradas até o final do século XIX. No entanto, "essa globalidade, não significa uniformidade: a ordem capitalista é caracterizada pela dialética do desenvolvimento combinado e desigual"(OVERBEEK,   2016, p. 310, tradução nossa)  10  . Isso implica que o estudo de qualquer país, como a China, por exemplo, deve situar-se no contexto do sistema internacional, analisando como seu desenvolvimento é articulado com o resto do mundo.Nos últimos 150 anos podemos identificar três episódios da expansão de mercado, ou seja, o episódio da criação original do mercado mundial, que vamos chamar de globalização mercantil: o longo século XVI (1492-1648); a expansão do capital industrial e a ascensão do imperialismo na segunda metade do século XIX que poderíamos chamar de era da globalização do laissez-faire (1846- 1914); e, finalmente, o presente episódio de globalização neoliberal caracterizado pela expansão global do capital transnacional(1978-presente).(OVERBEEK, 2016, p.312, tradução nossa 11 )    Destarte, primeiramente, é necessário investigar a configuração doméstica chinesa, conceituando sua "variedade particular de capitalismo" e explorando como as suas relações Estado-mercado são estruturadas e como estes influenciam a trajetória de seu crescente papel global. Precisa-se levar em conta as particularidades da economia política do país e como isso está (inter) relacionado com a economia política mundial. Essa variante distinta de capitalismo, também chamada de sino-capitalismo 12 , consiste na cooperação entre várias forças empresariais nacionais, coordenadas por mecanismos recíprocos de lealdade e confiança, baseadas em relações pessoais informais, laços familiares e experiências sociais compartilhadas.DE GRAAFF, 2017)</title>
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          <title>Não obstante, a abertura da China só pode ser entendida a partir da morte de Mao Tsé-Tung, em 1976, e a ascensão do poder de Deng Xiaoping, em 1978, que remodelou as forças políticas e econômicas dentro da China 14 . "Essas reformas acabaram coincidindo -e é muito difícil considerar isso como nada além de um incidente conjuntural de importância histórica no mundo -com as soluções neoliberais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos."(OVERBEEK, 2016, p. 318, tradução nossa 15 )    A globalização neoliberal e o despertar do Dragão Adormecido foram mutuamente condicionados e intensificados de formas complexa. Para muitos observadores(por exemplo, Harris 2009; Harvey 2005; Hung 2009; 2013; Li  2008; Panitch e Gindin 2013; So e Chu 2012), isso significou que a China trocou seu sistema socialista por um sistema capitalista completo, sendo assim reintegrado grosseiramente à economia mundial capitalista neoliberal dominada13  Guanxi é uma expressão fundamental e designa a complexa rede de relações indispensáveis ao funcionamento social, político e organizacional na China.(BACELAR, 2013)   14 O programa chinês fundou-se num conjunto de reformas e num programa estratégico de desenvolvimento, descrito a seguir: ampla reforma na utilização da terra; programa de promoção de exportações e de proteção do mercado interno; formação de grandes empresas estatais na indústria pesada, com crescente autonomia gerencial e financeira, mas subordinadas ao planejamento central; promoção das empresas coletivas; transição gradual de um sistema de preços controlados para um sistema misto de preços regulados, controlados e de mercado.(LIMA, 2010)   15 These reforms just happened to coincide and -it is very hard to consider this as anything other than a conjunctural incident of world-historical-significanc with the turn to neoliberal solutions in Britain and the United States .ANA RACHEL SIMÕES FORTESRICRIVol. 7, No. 13, 2020. 27 pelos EUA. Outros (por exemplo, Arrighi 2007; Cui 2005; Strange 2011; Wang 2009) são mais reservados sobre a natureza da transição dentro da China e seu impacto potencial na ordem global (OVERBEEK, 2016, p. 318, tradução nossa 16 ) Como exposto, alguns pesquisadores acham concebível que a China possa alterar a hegemonia neoliberal. No entanto, destaca-se o fato de que a China tem se adaptado às regras liberais formuladas dentro de instituições globais lideradas pelos EUA. Nesse sentido, "a questão que permanece é: de que modo a China estaria se adaptando ou confrontando a ordem neoliberal -e o poder e a posição dos EUA dentro dessa ordem" (DE GRAAF; VAN APELDOORN, 2018, p.114, tradução nossa 17 ) Do ponto de vista político estadunidense (e europeu), o aspecto distinto "estatista" do modelo chinês muitas vezes é percebido como uma ameaça que poderia implicar no "fim do livre mercado". O nexo capital\ estado chinês, em última instância, é organizado em torno do Partido Comunista Chinês (PCC), o qual é a fonte dominante de poder na sociedade. Em contrapartida, nos EUA a interdependência entre estado e capital é determinada por uma estrutura de classe burguesa autônoma, embora inserida na estrutura burocrática do Estado. Ainda assim, o apoio estatal -encoberto ou aberto -não é a questão, já que também países considerados liberais praticam. O que se deve ressaltar é que a China, de fato, se encontra inserida na mesma lógica de expansão das relações capitalistas de produção, impulsionado pela busca incessante de fontes baratas de matérias- primas, novos mercados e mão de obra superexplorada. . Isto posto, é muito cedo para dizer qual será o resultado, afinal a China pode ser incorporada à ordem estabelecida pela classe capitalista transnacional ou pode resistir com sucesso ao neoliberalismo global. O que é certo, no entanto, é que nas próximas décadas a economia política global será decisivamente moldada pela trajetória da ascensão da China e pela relação entre as elites dominantes dos EUA e a emergente classe estatal chinesa. 16 Neoliberal globalization and the awakening of the Sleeping Dragon thus mutually conditioned and intensifi ed each other in complex ways. For many observers (e.g. Harris 2009 ; Harvey 2005 ; Hung 2009 ; 2013 ; Li 2008 ; Panitch and Gindin 2013 ; So and Chu 2012 ), this meant that China traded in its socialist system for a fully capitalist one, thus being re-integrated wholesale into the US dominated neoliberal capitalist world economy. Others (e.g. Arrighi 2007 ; Cui 2005 ; Strange 2011 ; Wang 2009 ) are more reserved on the nature of the transition within China and its potential impact on the global order. As I will argue later, we may well be witnessing since around 2010 a rather substantial shift in the nature of China's position in the global order. 17 The question thus remains to what extent and how China is adapting to or confronting the liberal order- and US power and position within that order. A ASCENSÃO CHINESA NO SISTEMA CAPITALISTA GLOBAL CONTEMPORÂNEO: UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DA ESCOLA DE AMSTERDÃ RICRI Vol. 7, No. 13, 2020. 28 Conforme ressaltado pelos pesquisadores da Escola de Amsterdã, a classe estatal chinesa optou por construir seu estado dentro do próprio sistema vigente. Ainda que o capital estrangeiro tenha desempenhado um papel importante no desenvolvimento econômico da China, este capital financeiro tem sido amplamente bloqueado 18 . Ao reter os controles de capital, a China consegue manter um certo controle sobre a economia, mantendo o capital financeiro transnacional sob orientação. Nesse cenário, o objetivo chinês será participar, tanto quanto possível, da economia política global, sem, entretanto, sacrificar, por exemplo, a propriedade estatal em setores estratégicos, nem embarcar em reformas políticas radicais vinculadas ao neoliberalismo. Ao mesmo tempo, a China, sempre que possível, e enquanto o domínio estadunidense persistir, tentará formar redes alternativas para dinamização do capitalismo global (DE GRAAFF, 2014) 3. Escola de Amsterdã: análises e indagações sobre a China e seu suposto papel contra-hegemônico. A partir do que foi dito sobre as características dos complexos estado\sociedade do sistema internacional, a China poderia ser descrita como um Estado contendor\hobesiano contemporâneo. Assim sendo, os pesquisadores da Escola de Amsterdã expõem em suas investigações possíveis vestígios que podem indicar se a China será (ou não) um estado capaz de desafiar a estrutura neoliberal, liderada pelos EUA. Dentre os estudos, três pesquisas fazem-se relevantes: a dinâmica das elites petrolíferas chinesas (DE GRAAFF, 2014), os aspectos diferenciais da política externa chinesa (DE GRAAFF; VAN APELDOORN, 2017; 2018) e os controles de capital (OVERBEEK, 2016; DIERCKX, 2015). Ao analisar a dinâmica e as relações das elites da China, De Graaff (2014) observou que cada vez mais a expansão global das companhias petrolíferas chinesas tem sido acompanhada por sua crescente integração no mercado global. Como mapeado pela autora, as empresas selecionadas para o estudo: Corporação Nacional de Petróleo da China 18 Ver Dierckx (2015): "China's capital controls: Between contender state and integration into the heartland" ANA RACHEL SIMÕES FORTES RICRI Vol. 7, No. 13, 2020. 29 (CNPC) e PetroChina se engajam não apenas com agências estatais estrangeiras, mas também colaboram com muitas empresas privadas e ocidentais . As descobertas preliminares apresentadas mostram que, com a expansão no exterior, a CNPC e a PetroChina colaboram cada vez mais com outras empresas de petróleo. Significativamente, também estão formando o que chamei de "alianças híbridas" com principais petroleiras privadas ocidentais. No entanto, eles permanecem ligados a um papel diferente em casa. Essa dualidade é espelhada pelos diretores da companhia petrolífera chinesa, que devem manter um equilíbrio entre suas "duas faces" de gerentes corporativos, por um lado, e os compromissos com os interesses do partido, por outro 19 (DE GRAAFF, 2014,p 2. , tradução nossa) Segundo De Graaf (2014) há uma emergente elite privada chinesa que tem impulsionado uma trajetória de crescimento e investimento que originalmente foi iniciada pelo Estado. Além disso, embora "o governo supervisione a maioria das decisões importantes, como alocação de capital e escolhas estratégicas para a exploração de petróleo e gás, bem como a nomeação e remoção de gestores, o governo está, em parte, afrouxando seu controle" 20 (DE GRAAFF, 2014, p.19, tradução nossa). No entanto, essas empresas continuam ligadas aos interesses do Estado. À vista disso, se a China poderá confrontar a ordem neoliberal, em certa medida, será decidido mediante a como as elites chinesas estão se integrando ao capitalismo global e às redes de elites transnacionais ocidentais. A forma como as empresas petrolíferas chinesas estão se relacionando com empresas privadas do ocidente, demonstra como as contradições do capitalismo dirigido pelo Estado estão se aprofundando, podendo conduzir o país a maior integração a ordem liberal (DE GRAAFF;VAN APELDOORN, 2018) A Política Externa (PE) chinesa, cujas características são distintas das visões estratégicas tradicionais de países do Norte, é outro aspecto significativo a ser considerado.19 The preliminary findings presented in this study show that with their overseas expansion, cnpc and PetroChina increasingly collaborate with other oil companies. Significantly, also forming what I have called 'hybrid alliances' with Western private oil majors. However, they remain wedded to a different role at home, where they are expected to adhere to priorities and values tightly knit to the state, such as supply security and social responsibilities. This duality is mirrored by the Chinese oil company directors who must maintain a balancing act between their 'two faces' of corporate managers, on the one hand, and commitments to party- state interests, on the other.20  Indeed, although central government oversees most major decisions such as allocation of capital and strategic choices for oil and gas exploration, as well as the appointment and removal of top managers, it seems that "government is partly loosening its grip.A ASCENSÃO CHINESA NO SISTEMA CAPITALISTA GLOBAL CONTEMPORÂNEO: UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DA ESCOLA DE AMSTERDÃ RICRI Vol. 7, No. 13, 2020. 30 Sua PE é baseada nos cinco princípios de coexistência pacífica: 1) Respeito mútuo pela soberania e integridade territorial; 2) Não agressão entre os Estados; 3) Não interferência na política interna; 4) Igualdade entre os Estados e benefícios mútuos em seus relacionamentos; 5) Existência dos Estados baseada na paz. Logo, "a China distingue-se do intervencionismo liberal ocidental e da imposição do Consenso de Washington 21 , bem como a mudança de regime referente aos direitos humanos, que caracterizaram a ordem neoliberal sob a liderança dos EUA" (DE GRAAF, VAN APELDOORN, 2018 p. 120 tradução nossa 22 ). De Graaf e Van Apeldoorn (2017) ainda argumentam que enquanto o domínio do Norte persistir, a China tentará por meio de sua PE formar redes alternativas de governança. Um exemplo de tal possibilidade é a recente criação do Asian International Infrastructure Bank (AIIB), criado como uma alternativa ao Banco Mundial. O AIIB, em pouco tempo, tornou-se muito bem sucedido ao recrutar membros de países-chave da Europa, bem como aliados regionais dos EUA, como a Austrália. Além disso, tem-se o BRICS, bloco composto pelas potências emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e seu Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) cujo objetivo está centrado em apoiar\financiar países do sul global. Nessa lógica esses projetos parecem sinalizar o potencial de alternativas lideradas pela China. Não menos importante, a questão dos controles de capital 23 é um ponto considerável nas políticas neoliberais em muitos países. Dessa maneira, também pode indicar vestígios de se a China será um desafio para a ordem mundial estruturada pelo Ocidente. Embora o capital industrial estrangeiro tenha desempenhado um papel importante no desenvolvimento econômico da China, o capital financeiro externo tem sido 21 Consenso de Washington é uma conjugação de medidas formulado em novembro de 1989 por economistas de instituições financeiras situadas em Washington D.C., como o FMI e Banco Mundial. Em 1990, essas medidas passaram a ser "receitadas" para promover o "ajustamento macroeconômico" dos países em desenvolvimento. As ideias do Consenso de Washington foram instrumentos cruciais para o avanço do Neoliberalismo pelo mundo. 22 The Chinese perspective here distinguishes itself from western liberal interventionism and the imposition of the Washington Consensus, as well as regime change justified by reference to human rights, that have characterized the liberal international order under US leadership. 23 De acordo com Dierckx ( 2015) há uma fração da classe estatal chinesa beneficiada pelos controles pois permite que eles conduzam sua economia face a economia neoliberal. Apesar da hegemonia desse bloco , os controles foram significativamente relaxados, especialmente após a crise financeira global de 2007. Existem forças sociais dentro da China a favor da liberalização, e recorrerem a internacionalização do Renminbi como projeto. ANA RACHEL SIMÕES FORTES RICRI Vol. 7, No. 13, 2020. 31 controlado 24 . Consequentemente, a China ainda permanece fora da globalização financeira, pois os controles de capital são cruciais para manter o seu regime de acumulação. A sua liberalização implicaria na perda do PCC sobre o controle da economia, de modo que poderia prejudicar a sua posição como estado contendor (DIERCKX, 2015.). Dessa maneira, os controles de capital são cruciais para manter o regime de acumulação da China, além de proteger sua economia diante das ameaças de maior integração a estrutura neoliberal. Por que a China manteve os controles de capital tão rigorosos em uma época em que a liberalização das contas de capital se tornou a norma aceita internacionalmente? Uma importante razão é que os controles de capital são cruciais para manter o atual regime de acumulação. Este regime engendra forças sociais que formam um bloco histórico que se beneficiam dos controles de capital em vigor. 25 . (DIERCKX, 2015, p.7, tradução nossa)</title>
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