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        <article-title>O CONSERVADORISMO NA DIPLOMACIA MIDIÁTICA DE ARAÚJO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE TWEETS DE 2018 A 2020. CONSERVATISM IN ARAÚJO'S MEDIA DIPLOMACY: A CASE STUDY ON TWEETS FROM 2018 TO 2020</article-title>
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        </contrib><aff id="aff0"><institution>, Isabela Regina de Melo Santana</institution>
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        <title>Abstract</title>
        <p>O presente artigo visa explorar a aplicabilidade dos conceitos de conservadorismo e diplomacia midiática no discurso evidenciado pelo atual Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Henrique Fraga Araújo. Reconhecendo que as mídias sociais promovem conectividade entre indivíduos e alto grau de alcance e impacto na manifestação de discurso, delimita-se como objeto de estudo o veículo de comunicação Twitter. O tema escolhido justifica-se sob a perspectiva da mídia surgir como ator de relevância no setor político. Neste sentido, as redes de comunicação podem ser utilizadas como ferramentas políticas, a fim de legitimar uma espécie de diplomacia e instigar a opinião pública com ideais conservadores favoráveis à sua forma de agir. Para tanto, efetuou-se uma revisão bibliográfica, por meio de um levantamento teórico com propósito de refletir a respeito do discurso conservador. Desse modo, foram filtrados e analisados tweets que refletem ideologias e posicionamentos do Ministro, sob o recorte temporal de novembro de 2018 a junho de 2020. Em seguida, foi proposta uma revisão crítica que abrange desde as ferramentas discursivas manifestadas até o detalhamento das pautas e a observação de políticas defendidas virtualmente pela personalidade em questão. Esta estrutura possibilita realizar uma análise de elementos qualitativos e quantitativos, evidenciando os eixos I Discurso ideológico, II Pautas abordadas e III Políticas e posturas institucionais defendidas.</p>
        <p>Palavras-chave: Conservadorismo; Diplomacia Midiática; Ernesto Araújo; Twitter.</p>
        <p>This article aims to explore the applicability of the concepts of conservatism and media diplomacy in the speech evidenced by the current Minister of Foreign Affairs of Brazil, Ernesto Henrique Fraga Araújo. Recognizing that social media promotes connectivity between individuals and a high degree of range and impact on the expression of discourse, the Twitter communication vehicle is the object of study. The chosen theme is justified from the perspective of the media to emerge as a relevant actor in the political sector. Furthermore, communication networks can be used as political tools, to legitimize a kind of diplomacy and instigate public opinion with conservative ideals favorable to their way of acting. To this end, a bibliographic review was carried out, through a theoretical survey to reflect on the conservative discourse. Thus, tweets that reflect the Minister's ideologies and positions were filtered and analyzed, from the time frame from November 2018 to June 2020. Subsequently, a critical review was proposed, ranging from the discursive tools manifested to the details of the guidelines and the observation of policies defended virtually by the personality in question. This structure makes it possible to carry out an analysis of qualitative and quantitative elements, highlighting the axes: I ideological discourse, II guidelines covered and III policies and institutional positions defended.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <title>Keywords</title>
        <kwd>Palavras-chave: Conservadorismo</kwd>
        <kwd>Diplomacia Midiática</kwd>
        <kwd>Ernesto Araújo</kwd>
        <kwd>Twitter Keywords: Conservatism</kwd>
        <kwd>Media diplomacy</kwd>
        <kwd>Ernesto Araújo</kwd>
        <kwd>Twitter</kwd>
      </kwd-group>
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    <sec>
      <title>INTRODUÇÃO</title>
      <p/>
      <p>O presente artigo busca fazer um estudo de caso resgatando publicações e posicionamentos do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Henrique Fraga Araújo, em sua conta pessoal no servidor para microblogging Twitter 1 , a fim de utilizar ferramentas teóricas para constatar qualitativamente a presença de ideias conservadoras, sendo essas propagadas para o público por meio do que identifica-se como diplomacia midiática. Para tanto, o estudo é necessário levando em conta os níveis de alcance que as manifestações de referido ministro podem obter na rede em questão, formando opinião e obtendo informações sobre o que o público concorda ou discorda, suas preferências e concepções.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Essa dinâmica de interação virtual possui a capacidade de interferir na Política</title>
      <p/>
      <p>Externa, como tem sido evidente ao longo dos anos, desde que o papel da mídia passou a ser surpreendentemente considerável como recurso para constranger, respaldar ou orientar atores em seus processos de tomada de decisões 2 . Nesse sentido, vale destacar também que a mídia se constitui como participante direta de episódios nodais da história política brasileira. Ainda assim, nota-se que em relatos historiográficos há a ausência de estudos e pesquisas científicas políticas e sociais quanto a essa influência e presença midiática com poder de formador da opinião pública <xref rid="b27" ref-type="bibr">1</xref>.</p>
      <p>É nessa perspectiva que se verifica, no contexto do pós Guerra Fria e em consonância com a significativa presença de novas tecnologias, que cada vez mais a mídia possui capacidade de influenciar a criação e aplicação da política e, especialmente para o presente trabalho, nota-se sua influência na política externa. Com isso, essas mudanças e a Revolução das comunicações contribuíram para a transição no significado e na forma como se aborda o poder, atraindo a atenção de líderes mundiais, que antes concentravamse nos tipos de poderes militar ou econômico, para esse novo soft power que se configurava. Neste sentido, Nye e Owens afirmam em "America's Information Edge" (1996):</p>
      <p>1 Rede social criada em 2006 na qual permite que os usuários publiquem textos, fotos, vídeos, links e as informações sobre o que está ocorrendo tornam-se uma mercadoria central das relações internacionais, assim como a ameaça e uso de força militar foi visto como o recurso de poder central em um sistema internacional ofuscado pelo potencial choque de superpotências <italic>3</italic> Nesse contexto, Eytan <xref rid="b23" ref-type="bibr">2</xref> enxerga também essas mudanças tecnológicas como fatores chave para o que ele denomina de Diplomacia midiática, conceito esse que será destrinchado na próxima seção deste artigo e se realiza de suma importância para a estudo de caso proposto, uma vez que se encontra atrelado com os artifícios utilizados para se alcançar a opinião pública. Dessa forma, os governos podem utilizar-se de ferramentas de comunicação para conseguir uma opinião pública favorável às suas políticas e interesses.</p>
      <p>Além disso, emprega-se no presente artigo o conceito de Conservadorismo, como base teórica para analisar os posicionamentos do então Ministro de Relações Exteriores do Brasil em sua conta no Twitter, visto que é uma ferramenta capaz de alcançar um grande número de pessoas e pode ser um veículo para a disseminação de determinados discursos.</p>
      <p>O Twitter, hoje, pode ser considerado um formador de opinião e está se tornando também um meio de comunicação de massa, onde mais de um milhão de brasileiros possuem conta nessa rede <xref rid="b34" ref-type="bibr">3</xref>. Isso se deve em grande parte ao fato de ser uma ferramenta de fácil manuseio e ser capaz de compartilhar informações de modo rápido e simples, em apenas 280 caracteres. Por meio de estudo feito pelo site Cuponation em 2019, é possível verificar o Brasil como sendo um dos 10 países com maior número de usuários nessa rede social. De tal forma, o Ministro de Relações exteriores possui, em sua conta pessoal, cerca de 746 mil seguidores 4 e uma capacidade ampla de alcance que pode ultrapassar esse número, considerando o intenso engajamento de seus seguidores.</p>
      <p>Posto isso, para o alcance dos objetivos propostos, a metodologia aplicada no presente artigo foi uma pesquisa qualitativa, utilizando-se de revisões bibliográficas para o levantamento de produções acadêmicas com vistas a fundamentar o estudo em referências teóricas, com explanação adequada dos conceitos que amparam a análise proposta. Para tanto, o artigo foi construído em três seções. Em um primeiro momento, destrincha-se e conceitua-se o termo diplomacia midiática, criado por <italic>Gilboa em 2001</italic>. Posteriormente e 3 Superpotência é um estado que pode criar e fazer cumprir as regras e instituições de uma ordem global estável para perseguir seus interesses e segurança. John G. Ikenberry, "The Rise of China and the Future of the West," Foreign Affairs, September 15, 2015. Acesse em: https://www.foreignaffairs.com/articles/asia/2008-01-01/rise-china-and-future-west 4 Informação verificada em novembro <italic>de 2020.</italic> de forma complementar, analisa-se o conceito de conservadorismo, baseando-se nos estudos de <xref rid="b29" ref-type="bibr">4</xref><italic>) e Robin (2011</italic>. Em um segundo momento, é explorada uma análise quantitativa com elementos ilustrativos, onde evidencia-se a frequência de tweets e, consequentemente, as pautas mais tocadas de forma pública por parte do Ministro.</p>
      <p>Por fim, na última seção, foram filtrados tweets para serem analisados de acordo com os conceitos revisitados, sob uma ótica discursiva primeiramente ilustrada por Arthur Schopenhauer. Para realizar, portanto, uma análise do Discurso, seguida da identificação de Pautas Abordadas e, também, Políticas Defendidas pelo Chanceler. Com o intuito de verificar traços da defesa de ideias conservadoras, através de ferramentas de um discurso falacioso, na rede social do Ministro.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>À LUZ DAS TRANSFORMAÇÕES: DIPLOMACIA MIDIÁTICA E CONSERVADORISMO EM EVIDÊNCIA</title>
      <p/>
      <p>Um fator essencial para compreender o conceito de Diplomacia midiática é entender as transformações e disposições das redes na sociedade. Localizar a revolução tecnológica, ocorrida no século XX, proporciona uma análise crítica da função e o impacto que os meios de comunicação exercem hoje. É notável que as mudanças tecnológicas afetam diretamente a forma de se fazer política no mundo <xref rid="b23" ref-type="bibr">2</xref>. A comunicação é enxergada como uma força central na disputa política, a revolução tecnológica altera a forma de acesso à informação, possibilitando um serviço em massa. As redes de comunicação passam a ser compreendidas como uma fonte de poder <xref rid="b23" ref-type="bibr">2</xref>). Assim, a revolução tecnológica pode ser entendida como um mecanismo de ampliação do poder para outros âmbitos, por exemplo para o internacional <xref rid="b8" ref-type="bibr">5</xref>  <xref rid="b8" ref-type="bibr">5</xref><xref rid="b37" ref-type="bibr">6</xref>.</p>
      <p>Os motivos para o jornalismo assumir o papel de difusor de informações enviesadas, como ressalta <italic>Camargo (2008)</italic>, são a existência de vias únicas de informação, grandes empresas e conglomerados mercadistas que controlam a circulação e acesso à informação e hierarquização e/ou verticalização dos fatos divulgados <italic>(CAMARGO, 2008;</italic><xref rid="b8" ref-type="bibr">5</xref>. Ainda, <xref rid="b8" ref-type="bibr">5</xref>, explana a relação existente entre empresas privadas e o Estado diante da comunicação, "o Estado acaba se tornando um grande fornecedor de matéria-prima para esses veículos, e dessa forma 'maquiada' é que se formam as relações governo-mídia" <italic>(BURITY, 2013, p. 5)</italic>. Assim, é notável que os governos exercem um papel crucial no crescimento do domínio privado na esfera comunicacional.</p>
      <p>Com efeito, <xref rid="b31" ref-type="bibr">7</xref> classifica soft power como o potencial de alcançar os objetivos internacionais por meio da atração e convencimento, e não pelo uso da força.</p>
      <p>Logo, a mídia é um exemplo de ferramenta de soft power, muito usada por governos para manutenção de seus interesses, principalmente por aqueles que aprenderam a atrair a opinião pública através dela.</p>
      <p>Nesse sentido, com o aumento dos veículos de comunicação nos anos 1990, e especialmente com o surgimento da internet, os estudos sobre esses novos atores passaram a se tornar evidentes gradativamente . Além disso, a internet possibilitou a criação de uma nova subjetividade e uma nova sociabilidade desconectadas do espaço e do tempo, o chamado mundo virtual <xref rid="b12" ref-type="bibr">8</xref>. Assim, as transformações que tangem política externa e comunicações também tiveram efeito no papel da mídia na diplomacia e propagação da democracia, consequência também do processo de globalização <xref rid="b24" ref-type="bibr">9</xref> De maneira também que, nas mãos de grandes empresas ou pessoas públicas podem ser um instrumento poderoso de disseminação arbitrária de opiniões em massa. É necessário abranger o conceito da comunicação, que é vista por <italic>Carey (1989)</italic> como um processo e uma tecnologia que serviria para espalhar, transmitir e disseminar conhecimento, ideias e informações rapidamente com o objetivo de controlar o espaço e as pessoas. Assim, a escala é crucial para que se atinja o máximo de pessoas, no menor tempo possível, de forma a empregar um caráter de "massa" nessa comunicação <italic>(CAREY, 1989)</italic>. Dada essas transformações, a mídia também se torna uma ferramenta diplomática <xref rid="b23" ref-type="bibr">2</xref>. Retirar esse papel unicamente dos agentes estatais altera a forma de fazer política externa, principalmente devido a participação de outros atores. O pesquisador Eytan Gilboa (2001) salienta que o advento tecnológico afeta a forma de se fazer política uma vez que aponta suas interferências dentro das disputas de poder.</p>
      <p>Dado a isso, o autor estuda e define três modelos analíticos-conceituais de se fazer diplomacia: midiática, pública e feita pela mídia. Por se tratar de casos analíticos, em sua obra original Gilboa busca ilustrar cada tipo com acontecimentos históricos da política externa. Além disso, o autor afirma que um modelos não exclui o outro, e sim que podem acontecer de forma antecedente e até simultânea em um só caso <xref rid="b8" ref-type="bibr">5</xref><xref rid="b23" ref-type="bibr">2</xref> Twitter como um esforço de reafirmar e desenvolver uma manutenção do poder vigente, no que consta aos grupos de apoio do Presidente Bolsonaro, valendo-se, para isso, de intensas manifestações ideológicas.</p>
      <p>Reiterando, o presente artigo e a análise por ele percursionada justifica-se como recurso alternativo e inovador para analisar as nuances e problemáticas da diplomacia midiática como recurso legitimizador de posturas ideológicas questionáveis de representantes institucionais, cujas narrativas conservadoras podem comprometer uma conduta institucional imparcial nos âmbitos plurais social, político e ideológico.</p>
    </sec>
    <sec>
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          <title>Nessa esfera, o Twitter pode ser considerado no Brasil uma ferramenta de comunicação suporte aos meios convencionais desde 2010. Em junho de 2020, o Brasil apareceu como segundo país no qual a rede teve mais usuários (COMSCORE, 2020). Esse meio de comunicação é conhecido por suas postagens curtas e rápidas, numa sociedade que também possui essa característica dinâmica. Mesmo com postagens curtas, o Twitter tem potencial de ser utilizado para diversão, mecanismo de publicidade, manifestação de opiniões e assessoramento de imprensa. Não podendo subestimar sua capacidade também, tal qual outras Redes Sociais, como veículo de comunicação de massa.</title>
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          <title>). A chamada Era da Informação, sustentada pela globalização, altera também o domínio da propagação de informações, atores privados ganham força e ampliam seu nicho no mercado da comunicação. Entender as formas de poder em uma sociedade em rede é enxergar o caminho trilhado pelo capital (MORAES, 2004). A proliferação da informação ganha destaque no mercado privado, o que redimensiona as formas de poder nessa dada sociedade. A circulação de informações, como aponta Burity (2013), não ocorre de forma democrática. Quem têm acesso à informação? Quem decide o que será publicado? A autora explica que os atores privados em conjunto com o interesse do capital dominante agrega à Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 95 comunicação um papel de manipulação de notícias. Conforme Burity (2013) defende em seu texto, a mídia tem o poder de disseminar e de reter a informação. A manipulação de notícias representa a hierarquização dos acontecimentos: o que é mais importante de ser divulgado? A escolha do que recebe destaque trilha uma distorção dos fatos. A interpretação do meio de comunicação sobre o episódio repassado enviesa a forma do receptor em receber a informação</title>
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          <title>De modo que as Redes Sociais são uma categoria das mídias sociais, as quais significam possibilidade de interação entre pessoas de forma eletrônica. Essas mídias obtiveram relevância nos últimos anos, não apenas pelo seu número elevado de adeptos, mas também pela sua capacidade de transmitir mensagens de forma rápida e de influenciar conversações. Tendo um papel estratégico também como mídia de massa, na atenção dadaRICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais96às questões públicas em democracias contemporâneas(AZEVEDO, 2006). Assim, alguns desses temas só obtêm visibilidade da opinião pública quando chegam nesses meios de comunicação e da forma que essas informações são passadas nesses veículos.</title>
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          <title>O conceito mais tradicional é o de diplomacia pública, este refere-se a construção da imagem do país internacionalmente, utilizada por Estados contra Estados(BURITY, 2013). Para tal, utiliza-se de meios de comunicação em massa e busca enviesar a opiniãoAna Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo  Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes   97    pública em temas selecionados. O autor ainda aponta os intercâmbios culturais e científicos como uma forma de exercê-lo.A diplomacia feita pela mídia estrutura os meios de comunicação enquanto agente, resgatando a ideia de que existe um quarto poder -as redes de comunicação(BURITY, 2013). Nesse momento, os jornalistas afastam-se de suas funções tradicionais e assumem um papel de mediadores(GILBOA, 2001). O apontamento levantado pelo autor é sobre a importância de entender a motivação dessa ação -a existência ou não de ideologias -para que se possa compreender, então, as consequências dessa interferência(GILBOA, 2001).O termo diplomacia midiática, a ser considerado no presente ensaio, refere-se ao uso da mídia como fonte de informação(GILBOA, 2001). É marcado pela união de atores estatais e atores não estatais na construção de um apoio público. O conceito é representado pela propaganda e por utilizar de diversos meios de comunicação e não só os tradicionais , rádio e televisão. Usar a mídia como fonte de informação possibilita aos oficiais estatais, como chefes de Estado, indicar seu posicionamento frente a debates, conflitos e negociações. De acordo comGilboa (2001), o uso da diplomacia midiática é notável para a construção da opinião pública por meio de conferências, entrevistas, tweets e até compartilhamentos em redes sociais.Como consequência de seu uso, o Estado perde o controle da disseminação da informação. Devido à alta velocidade de chegada e saída da informação, os governantes passam a comunicar-se com rapidez, o que pode acarretar em uma falta de análise crítica da informação postada e fomentar erros governamentais(GILBOA, 2001). As redes sociais, que se destacam como formas não tradicionais de comunicação, facilitam a entrega e velocidade da mensagem. Outro ponto nodal para essa discussão é compreender o conceito de conservadorismo. O termo conservador, segundo o dicionário Houaiss de língua portuguesa, significa 1. que(m) defende a manutenção do que é tradicional ou da ordem estabelecida, 2. que(m) se opõe a reformas políticas radicais. Observa-se que o conservadorismo pode ser retratado tanto como um fenômeno político, quanto uma tradição filosófica. Nesse sentido, alguns estudiosos discorrem acerca do caráter ideológico do movimento, dentre eles, o norte-americano George H. Nash 5 que em seu livro, The 5 Historiador e intérprete do conservadorismo americano, autor de livros célebres como The Conservative Intellectual Movement in America Since 1945 (1976) e Reappraising the Right: The Past &amp; Future of American Conservatism (2009). RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 98 Conservative Intellectual Movement in America Since 1945 (1976), buscou analisar o conservadorismo presente na história dos Estados Unidos. Assim, o autor explica, inicialmente, a dificuldade em classificar tal termo, uma vez que não possui uma ortodoxia teórica, mas que é possível identificar algumas características que se repetem ao longo da história. Entre elas é classificado que os seguidores do movimento têm uma predileção à tradição, por isso buscam manter a herança civilizacional europeia na América. Ainda, Nash (1976) critica a ideia de que o conservadorismo seria um movimento unicamente passível de surgir na Europa, não concordando que, algumas ocorrências históricas, tais quais, o feudalismo, a Idade Média e a Revolução Francesa seriam as únicas capazes de gerar a base do movimento conservador. Para tanto, o autor explora a origem do conservadorismo no território estadunidense, partindo da ideia que o conservadorismo possui diferentes raízes na América e que a política norte americana é derivada de um Ethos liberal. Esse Ethos significa que nos Estados Unidos o liberalismo não se limitaria a uma ideologia política tradicional dominante, mas a única tradição existente (TRIGUEIRO, 2019) Dado isso, George H. Nash (1976) classificou o conservadorismo como um movimento caracterizado por baixa sistematização ou uma doutrina inteligível. A questão é que para o conservador, segundo Nash, o passado tem uma atenção especial. Além disso, para o autor, o conservadorismo também carrega uma atitude de resistência perante forças identificadas como esquerdistas, revolucionárias e subversivas. A partir desta linha de pensamento, Samuel Huntington em seu ensaio "Conservatism as an Ideology", publicado em 1957, definiu o conceito de ideologia e a partir dele trabalhou algumas contradições da natureza conservadora. Para Huntington, ideologia seria um "[...] sistema de ideias preocupado com a distribuição de valores sociais e políticos compartilhados por um determinado grupo social." (HUNTINGTON, 1957 p. 106). Dessa forma, a primeira contradição é fomentada através do argumento aristocrático, definindo o conservadorismo moderno como a reação da nobreza agrária para com a Revolução Francesa, relacionando-a aos princípios liberais e a ascensão da burguesia ao longo do século XVIII. Enquanto que, a segunda a interpretação apontada pelo autor é referente a argumentação autônoma, na qual o conservadorismo não estaria Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 99 associado aos interesses de classe e não teria especificação de um único período histórico marcante para o seu surgimento. Desse modo, trataria-se de um sistema autônomo de ideias definido por valores universais. Outrossim, a definição discutida por Robin (2011) é um outro recorte conceitual relevante acerca do conservadorismo. Para o autor, o conservadorismo pode ser entendido como uma busca pelo poder, ou seja, uma experiência na qual um grupo detentor de poder o perde e, de modo reativo, passa a tentar retomá-lo ou é ameaçado e toma posicionamentos para mantê-lo. "O conservadorismo requer derrota; falha é sua fonte mais potente de inspiração" (ROBIN, 2011, p. 247). Esse momento de ruptura e "falha" apontado por Robin é necessário para fortalecer as bases conservadoras. Em síntese, trataria-se da "voz teórica do anônimo contrário as agências das classes subalternas" (ROBIN, 2011, p. 07). A análise realizada por Robin da narrativa do conservadorismo frente aos conceitos políticos de esquerda e direita, foi analisada no Brasil por Gabriel Trigueiro. Nesse sentido, o brasileiro retoma a ideia de Robin de que a esquerda privilegiaria a igualdade enquanto a direita privilegiaria a liberdade. Desse modo, para o autor, o maior temor das políticas de direita não seria a ameaça à liberdade, e sim que essa liberdade alcançasse as classes baixas (TRIGUEIRO, 2019). Isto, pois, de acordo com Robin (2011), a direita defenderia a liberdade apenas para as classes altas em momentos de instabilidade da hegemonia conquistada. O conservadorismo, portanto, ganharia força a fim de manter o poder ou tentar retomá-lo. O conceito de conservadorismo a ser considerado na análise do objeto de estudo do presente ensaio, será o entendimento de Robin (2011) com destaque para suas considerações de que o movimento é caracterizado pela busca e manutenção da hegemonia do poder. Nesse sentido, a postura de Ernesto Araújo de ataque a certos grupos ideológicos pode ser amplamente entendida pelo conceito, visto que é fruto de uma tentativa de manutenção do poder alcançado, após o rompimento de um ciclo de governos à esquerda. Desse modo, o Ministro das Relações Exteriores utiliza a rede social Twitter como uma ferramenta de fomento, legitimação e manutenção de seu status de poder, bem como, na propagação de suas ideologias conservadoras. AMOSTRA DE DADOS QUANTITATIVOS DA CONTA DO TWITTER RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 100 Para complementar a análise qualitativa a ser realizada na próxima seção, compilou-se uma amostra de dados que englobou todos os tweets publicados por Ernesto Araújo no período temporal utilizado ao longo do artigo. Para tanto, como se trata de centenas de mensagens, os dados disponíveis na forma de mensagens de texto foram exportados para a ferramenta Microsoft Excel, inseridos em modelo de tabela e exportados para o website "Monkey Learn" (2020), que conta com um gerador de nuvens de palavras. Com a lista de frequência em ranking de até 100 palavras, elegeu-se os sessenta (60) primeiros colocados, incluindo palavras independentes e compostas em expressão. O resultado se encontra na figura abaixo. FIGURA I: Nuvem de palavras de tweets por Ernesto Araújo, ordenada por frequência. Fonte: elaboração própria pela ferramenta WordCloudGenerator 6 , do MonkeyLearn. É necessário que seja explicitado o fato de que a figura serve exclusivamente como complemento para ilustrar o escopo que foi analisado no ponto supracitado. Os dados 6 Uma nuvem de palavras (também conhecida como nuvem de tags) é uma representação visual das palavras. Os criadores da nuvem são usados para destacar palavras e frases populares com base na frequência e relevância. Eles fornecem insights visuais simples e rápidos que podem levar a análises mais aprofundadas. Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 101 ordenados na nuvem não possuem valor subjetivo, tendo a finalidade de agregar ao exposto previamente, visando demonstrar uma consideração pelo espaço amostral completo do período de cargo do Ministro. Assim, são sanadas dúvidas acerca da arbitrariedade de pautas trazidas, como Venezuela, democracia, Estados Unidos da América e liberdade, visto que estas são, por observação de frequência de menções, pautas abordadas e validadas em quantidade expressiva pelo Ernesto Araújo. DE COMUNAVÍRUS A ISENTOLEFT: DISCURSO POLÍTICO EM CARACTERES O presente artigo possui como hipótese e objeto de estudo analisar, a título do documento, o conservadorismo na diplomacia midiática de Araújo. Reconhecendo ser este um objetivo ousado, dada a necessidade de efetuar recortes teóricos a partir da exposição e entendimento de conceitos específicos, os esforços analíticos se pautam, justificadamente, em privilegiar alguns aspectos de concepção em detrimento de outros. Isto é, para evidenciar a influência do conservadorismo em uma postura e discursos informais aqui identificados como diplomacia midiática, em um primeiro momento, conceitua-se esses termos a fim de introduzi-los aos legentes do ensaio. Em um segundo momento, e como foco da presente seção e estudo de caso, nota-se a possibilidade de distribuir os tweets de Ernesto Araújo a partir da consideração de: I Discurso ideológico, II Pautas abordadas e III Políticas e posturas institucionais defendidas. Neste sentido, apesar de ser o Twitter um canal de comunicação informal e não institucional, onde questiona-se a seriedade das implicações de falas e políticas defendidas pelo chanceler Araújo, nota-se, e deve-se reconhecer, a abrangência temática de suas publicações em questões profissionais e institucionais, bem como seu amplo alcance ao público composto por cidadãos brasileiros, que compõem a opinião pública capaz de, ainda que restritamente, respaldar a política externa pelo chanceler orientada. Além de que, conforme outrora explicitado, vê-se a mídia e seus recursos como novo ator das relações internacionais, seja por suas influências diretas ou como formadora da opinião pública (RADENOVIC, 2006). Posto isso e para fins técnicos de pragmatismo, a presente seção irá analisar 54 tweets do chanceler Ernesto Araújo, publicados no recorte temporal visto entre novembro de 2018 a junho de 2020, deliberadamente selecionados a partir de considerações da análise quantitativa previamente exposta, sendo filtrados os termos entendidos como mais RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 102 relevantes e emblemáticos, no sentido de suscitar discussões em torno de conservadorismo e diplomacia midiática. Dessa forma, será possível vislumbrar como a análise de tweets incorpora desde momentos de relativa estabilidade doméstica para um cenário de crise pandêmica ocasionada pelo COVID-19 7 . Isto é, analisar-se-á a suposição de transitoriedade de discurso conservador, partindo do pressuposto de que estes afloram e são impulsionados em momentos de instabilidade social, política e econômica. Quanto a I Discurso ideológico, fazer-se-á considerações iniciais específicas à análise de discurso, usando o marco teórico de Schopenhauer (2014). Referidas considerações serão sucedidas pelas análises sobre II Pautas abordadas e III Políticas e posturas institucionais defendidas pelo chanceler Ernesto Araújo, visando expor traços de conservadorismo, segundo conceito apresentado por Robin (2011) e reconhecendo-os aspectos que compõem a diplomacia midiática, segundo conceito apresentado por Gilboa (2001). Assim, para discorrer sobre o primeiro ponto, de discurso ideológico, será utilizada a obra A Arte de ter Razão (2014), que visa a explorar os artifícios e métodos que tornam a vitória possível àquele que convence quem o rodeia de maneira mais cativante(SCHOPENHAUER, 2014). A partir dessa noção, é necessário identificar as formas e ferramentas que constroem a vitória, vide a inserção contextual em um mundo que funciona na esfera midiática, na qual o histórico de lideranças políticas recaem sob uma luz mais carismática. A obra pretende, então, sistematizar os artifícios desonestos comuns em discussões e, para tal, faz-se necessário introduzir a palavra falácia a este artigo.Com origem no termo em latim fallacia, o verbete indica a característica ou propriedade de algo que é falaz, ou seja, engana e/ou ilude(FALÁCIA, 1966). Ao identificar um argumento falacioso, Schopenhauer (2014) destrincha modos, como o ad rem, que se configura como uma ofensiva à natureza das coisas; e expõe caminhos como a refutação direta, que confronta a tese, e a refutação indireta, que confronta as suas implicações. Dessa forma, analisar-se-á alguns dos tweets do perfil do ministro ErnestoAraújo para buscar possíveis ferramentas de discurso falacioso, que é crescente no meio político virtual, com ascensão das fake news e afins.7 A sigla origina-se da expressão Corona Virus Disease 19 (Doença do Corona Vírus 19), foi oficialmente declarada pela Organização Mundial da Saúde após a divulgação dos primeiros casos na China no mês de dezembro de 2019, alastrando-se pelo globo e atingindo diferentes países, configurando uma pandemia. Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 103 [23/10/2019 14:45] @ernestofaraujo A América do Sul está mobilizada em defesa da democracia no Equador, onde forças de esquerda, apoiadas na rede criminosa do Foro de S. Paulo, com violência e vandalismo, tentam solapar o Presidente legítimo Lenin Moreno. A ameaça é continental, a resposta tem que ser continental. [24/10/2019 17:20] @ernestofaraujo 10/Querem que façamos vista grossa ao Foro de São Paulo e sua insana aposta de recuperar o poder através da violência, da manipulação, do crime, da corrupção e da fraude. [28/10/2019 14:05] @ernestofaraujo 2/As forças do mal estão celebrando. As forças da democracia estão lamentando pela Argentina, pelo Mercosul e por toda a América do Sul. Mas o Brasil continuará inteiramente do lado da liberdade e da integração aberta. [25/02/2020 18:00] @ernestofaraujo 2/Um modelo baseado na liberdade econômica e na iniciativa privada, não mais no controle político cartorial e cartelizado da economia do Estado. Um novo modelo que, se der certo, afastará para sempre do poder a própria isentolândia (incluindo o neo-lulismo a ela atrelado). [25/02/2020 18:01] @ernestoaraujo 9/Não enxergam jamais a fé, o patriotismo e o amor pela liberdade (quae sera tamen…) que fazem viver e trabalhar a imensa maioria dos brasileiros e lhes dão esperança. Não enxergam que existe aqui uma Nação, não apenas um Estado. Ao estudar o estratagema trinta e dois de Schopenhauer, que versa sobre explorar a alegação da oposição e colocá-la em uma categoria odiosa ou, ao menos, suspeita, podemos encarar criticamente as escolhas de palavras do ministro. Quando Ernesto, em 2019, utiliza as expressões forças de esquerda, violência e vandalismo associadas ao governo do Equador, ao Foro de São Paulo e à corrente ideológica contrária ao seu posicionamento pessoal, há um caráter proposital ao peso desses conceitos. Ouvindo-os, o público automaticamente desconfia e rechaça o objeto associado, pois as palavras associam-se a uma natureza maléfica. Logo, é notável que atrelar a imagem da corrente ideológica da dita esquerda política a crimes e ameaças continentais é uma abordagem política nas redes sociais, que alcança e chama a atenção de um público considerável, considerando o elevado engajamento em referidas publicações. RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 104 O ministro utiliza-se das palavras violência, manipulação, corrupção, crime e fraude para caracterizar o Foro de São Paulo, como uma forma de ligar a Organização a essa natureza fraudulenta ou maligna. Além disso, enfatiza-se o uso dessas expressões para falar da tentativa de "[...] recuperar o poder", supostamente centralizado no Foro de São Paulo, de maneira que se associa a identificação por parte de Robin (2011) do movimento do conservadorismo e sua busca por assegurar o poder. De forma que se observa também esse padrão no próximo tweet o qual ele usa, dessa vez de forma mais clara, a expressão "[...] forças do mal" ao citar a vitória da Esquerda na Argentina, assemelhando-se a forma como ele tratou do Governo do Equador, colocando as orientações opostas como sendo não democráticas. Em sequência, ao analisar os dois tweets que pertenciam a uma thread 8 feita pelo chanceler, na qual ele expressou seus pensamentos acerca das críticas de uma parte da população às medidas, ações e posicionamentos da gestão brasileira, observa-se-á o cunho do termo isentolândia, para se referir àqueles que discordam das diretrizes tomadas. Assim, Ernesto Araújo posiciona esse grupo como contrários à própria Nação, trazendo um caráter quase idealista no sentido de defender uma posição patriota e, subjetivamente, positiva de que não teria motivos para reclamações ou cobranças, mais uma vez dialogando com o estratagema 32 exposto por Schopenhauer (2014). Ademais, essa linha de raciocínio, que inclui referenciar uma liberdade e traçar um perfil cartelista e controlador como oposto a diretriz governamental sendo defendida, comporta elementos do estratagema quatro de Schopenhauer (2014). De acordo com essa estratégia, prepara-se o caminho para direcionar a uma conclusão. O leitor, após ler uma sequência de 10 tweets que mostram a iniciativa privada como altamente positiva, que apontam o caráter duvidoso da isentolândia e que amarram seus pensamentos com perspectivas brilhantes de um futuro que seguiu suas pautas, leva à conclusão desejada de forma discreta. Ernesto é objetivo quando direciona seus legentes ao fato de que, sem dúvidas, o modo mais benéfico à nação brasileira seria a pauta de direita por Ernesto defendida, na qual os fantasmas da esquerda não voltariam a implementar seus caminhos supostamente falhos. Em suma, as estratégias de discurso se mostram bem direcionadas, tomando um caráter de ataque aos grupos políticos de esquerda e mostrar que as pautas governamentais 8 Sequência de tweets subordinados à mensagem original, recurso muito utilizado na rede social por ter um limite de caracteres baixo (280). Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 105 seriam uma evolução, a qual enfrentaria uma oposição pouco interessada no bem estar do Brasil. Quanto a considerações sobre II Pautas abordadas e III Políticas e posturas institucionais defendidas pelo chanceler Ernesto Araújo, estas serão decorrentes da análise de tweets publicados na conta oficial do ministro entre novembro de 2018 a julho de 2020, sendo expostos cronologicamente a fim de, ao final, elucidar se o discurso conservador aflora e impulsiona-se em momentos de instabilidade social, política e econômica. No período que antecede a gestão ministerial do chanceler Ernesto Araújo, referente ao ano de 2018, percebe-se, por meio de publicações em sua rede social no Twitter, a postura em prol do estabelecimento de boas relações políticas internas e externas. [14/11/2018 09:27] @ernestofaraujo Olá, Twitter! Sinto-me extremamente honrado e entusiasmado com a responsabilidade que o Presidente Jair Bolsonaro me confia, de chefiar sua diplomacia e implementar seu programa na frente externa a partir do dia 1º de janeiro. Muito honrado de fazer parte deste momento histórico! [20/11/2018 08:10] @ernestofaraujo A convite da Deputada Tereza Cristina, futura Ministra da Agricultura, tive hoje o prazer de encontrar-me com a Frente Parlamentar Agropecuária. Ouvi excelentes propostas do agronegócio brasileiro e garanti que o Itamaraty estará comprometido com o setor. [20/11/2018 22:57] @ernestofaraujo Recebi hoje o Embaixador Mashimbye, da África do Sul. Conversamos sobre as excelentes perspectivas de colaboração em comércio, energia e infraestrutura, sobre a irmandade Brasil-África e sobre a importância do sentimento nacional. Nkozi sikelel' iAfrika! (Deus abençoe a África!). [23/11/2018 19:51] @ernestofaraujo Excelente conversa hoje com a Embaixadora dos Emirados Árabes Unidos, Hafsa al Ulama. Oportunidades de aumentar a participação de fundos de investimento em projetos de infraestrutura no Brasil e de cooperar na área de Defesa são muito promissoras, com esse país dinâmico e aberto. Entretanto, ainda no mesmo período, nota-se a prévia semeação de cooperação com personalidades da política brasileira que possuem práticas e discursos que propõem e favorecem o segmento político conservador do país, no que se refere ao entendimento de RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 106 haver a necessidade de uma ordem a ser avançada e justiça a ser feita, sob a égide de um discurso judicial e ministerial antipetista, conforme artigo publicado pelo historiador marxista Perry Anderson 9 . [22/11/2018 01:12] @ernestofaraujo Agradeço ao Carlos Bolsonaro a confiança e a amizade que formamos, por convicção e afinidade na visão do Brasil e do mundo. Parabéns por sua incrível e decisiva atuação nas redes. Muito sucesso! [19/11/2018 07:43] @ernestofaraujo Conversei hoje com o futuro Ministro da Justiça, Sérgio Moro, sobre as perspectivas de cooperação entre o Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Justiça em temas de grande interesse para o avanço da ordem e da justiça em nosso país e em nosso continente. O discurso do chanceler, ainda, adquiriria um caráter mais radical em meados de 2019 onde, por exemplo, Araújo insiste em uma intensa ligação entre o espectro político da esquerda com o viés nazista: [30/03/2019 10:56] @ernestofaraujo Sobre o nazismo como movimento de esquerda e sobre a importância da aliança liberal-conservadora: [anexado artigo a seguir] Artigo autoral postado junto ao tweet acima. Ainda em 2018, a postura do chanceler com setores políticos conservadores é reforçada, ao passo que Ernesto Araújo defende políticas econômicas necessárias ao país com a justificativa de se manter compromissos com grupos como o setor agropecuário: [18/11/2018 20:10] @ernestofaraujo [imagem publicada a seguir] 9 O artigo "No Brasil, mistérios de um golpe de Estado judicial", publicado pelo Le Monde Diplomatique edição Brasil e escrito pelo historiador marxista inglês Perry Anderson, alerta para uma conduta do ministro Sérgio Moro corrompida por ideais de juiz, justiceiro e político. Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 107 Imagem postada junto ao tweet acima. [20/11/2018 23:42] @ernestofaraujo A convite da Deputada Tereza Cristina, futura Ministra da Agricultura, tive hoje o prazer de encontrar-me com a Frente Parlamentar Agropecuária. Ouvi excelentes propostas do agronegócio brasileiro e garanti que o Itamaraty estará comprometido com o setor: [imagem publicada] Imagem postada junto ao tweet acima. [21/12/2018 01:30] @ernestofaraujo 1/Nova política externa: O Brasil não deixará de exportar frango e soja, carne e açúcar, mas passará a exportar também esperança e liberdade. O fato de ser uma potência agrícola não nos proíbe de ter ideais e de lutar por eles. Nota-se que até este período, novembro de 2018, poucas opiniões estritamente pessoais -questionáveis a uma conduta estritamente institucional -são publicadas pelo chanceler, no sentido de que onde não há críticas a outros governos, tampouco a partidos nacionais, em comparação a publicações posteriores. Porém, em contraposição ao que é afirmado por Carlos Aurélio, em seu artigo Opinião pública e política externa: insulamento, politização e reforma na produção da política exterior do Brasil publicado em 2008, no qual o autor elenca seis fatores pelos quais o Brasil apresenta caráter uma política externa de insulado 10 , um desses fatores alega que a diplomacia brasileira, geralmente, não externaliza quaisquer caracteres ideológicos e conflitivos com o âmbito social. Os seis fatores elencados por Carlos Aurélio, são: 10 De acordo com o dicionário Houaiss edição 2015, é originário da palavra insular, significa tornar-se incomunicável, isolar-se, afastar-se do convívio social. RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 108 (a) o arcabouço constitucional do país, que concede grande autonomia ao executivo em tal seara, relegando o Congresso Nacional a uma posição marginal, o que não é singularidade brasileira (Milner, 1997); (b) o fato de o legislativo brasileiro ter delegado ao executivo a responsabilidade pela formação da política externa; (c) o caráter "imperial" do presidencialismo brasileiro; (d) o fato de o modelo de desenvolvimento por substituição de importações ter gerado uma grande introversão nos processos políticos e econômicos do país, redundando em grande isolamento internacional do Brasil, revertido parcialmente a partir do início dos anos 90; (e) o caráter normalmente não conflitivo e largamente adaptativo da atuação diplomática do país; e, por fim, mas não menos importante, (f) a significativa e precoce profissionalização da corporação diplomática do país, associada ao prestígio de que desfruta o Itamaraty nos âmbitos doméstico e internacional. (AURÉLIO, 2008, p. 81). Contudo, ainda em dezembro de 2018 e em janeiro de 2019 -momento em que o chanceler inicia sua gestão ministerial -, há contraposições para referida afirmação, vistas em publicações oficiais do chanceler Ernesto Araújo: [16/12/2018 08:44] @ernestofaraujo Em respeito ao povo venezuelano, não convidamos Nicolás Maduro para a posse do PR Bolsonaro. Não há lugar para Maduro numa celebração da democracia e do triunfo da vontade popular brasileira. Todos os países do mundo devem deixar de apoiá-lo e unir-se para libertar a Venezuela. [23/01/2019 17:59] @ernestofaraujo Brasil reconhece Juan Guaidó como Presidente da Venezuela e oferece apoio para o processo de transição democrática que hoje se inicia naquele país. [03/03/2019 23:46] @ernestofaraujo O novo Brasil é fundamental para a esperança de uma nova Venezuela. A verdadeira tradição diplomática brasileira exige trabalhar pela democracia. Meu artigo contra falsas tradições e falsas dicotomias: [anexado artigo a seguir] Artigo autoral postado junto ao tweet acima. Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 109 Vale salientar que em referida época de posse presidencial o Brasil retomava o debate efervescente acerca de regimes presidenciais adotados em países como a Venezuela, que possuiria, segundo críticos oposicionistas conservadores, uma postura de ditadura socialista que corrompe princípios de liberdade e democracia. 11 Referido contexto é ilustrado por meio de um tweet onde o chanceler comemora a emergência de Juan Guaidó: [23/01/2019 17:59] @ernestofaraujo Brasil reconhece Juan Guaidó como Presidente da Venezuela e oferece apoio para o processo de transição democrática que hoje se inicia naquele país. [16/03/2019 02:12] @ernestofaraujo O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) passa a ter um representante da verdadeira Venezuela, aquela que hoje constrói com bravura sua transição democrática, sob a liderança de Juan Guaidó. Dessa forma, nota-se a aparição de um viés político anti-esquerda 12 e concordante ao pensamento estadunidense intervencionista e anti-comunista. A partir desses tweets, o chanceler Ernesto Araújo aprofunda e transparece seu posicionamento íntimo, não ausentando-se de expor suas preferências políticas ao Itamaraty, e contribuindo na formação da opinião pública, mesmo que com médio impacto 13 , configurando uma situação na qual reconhece-se a abordagem da diplomacia midiática (GILBOA, 2001). Ainda, no início do ano de 2019, seu conteúdo mostra-se mais conservador (ROBIN, 2011). [30/01/2019 19:07] @ernestofaraujo -O MRE, o MJSP e a PF realizaram hoje reunião para restabelecer o Brasão da República Federativa do Brasil na capa dos passaportes, uma das metas dos 100 dias de governo do PR Bolsonaro. Em breve, o cidadão brasileiro voltará a ter nas mãos esse símbolo do orgulho nacional.[imagem publicada a seguir] 11 Em matéria da Folha de S. Paulo, diz que, segundo o líder oposicionista conservador do governo venezuelano de Nicolás Maduro, Juan Guaidó: "Venezuela vive dilema entre ditadura e democracia", antes de se encontrar com o presidente Jair Bolsonaro, que lhe promete 'apoio total'. 12 Em referência ao discurso do Presidente Jair Bolsonaro, como mostrado por Thilo F. Papacek em sua entrevista para a Revista Fórum em abril de 2019. 13 Ao todo são 570 tweets e cerca de 746 mil seguidores. Dados conferidos em novembro de 2020. RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 110 Imagem postada junto ao tweet acima. [11/05/2019 16:19] @ernestofaraujo Ontem, no castelo de Varsóvia, com o retrato do rei polonês Jan Sobieski, vencedor da batalha dos portões de Viena em 1683. [imagem publicada a seguir] . Imagem postada junto ao tweet acima. Nos dois exemplos acima, há enaltecimento ao segmento militar, o qual representa a força que mantém o poder das classes mais altas e defende a liberdade das mesmas, como apontado anteriormente na seção 2. O primeiro tweet traz uma clara menção à República Militar do século 19, cujos traços são altamente nacionalistas 14 , amostras incontestáveis de conservadorismo. O segundo tweet traz em evidência a figura do rei católico Jan Sobieski, polonês militar que marcou seu reinado com grande estabilidade apesar das disputas, vitoriosas para o seu lado, contra o povo otomano 15 . Tais características de ideologia e vertentes conservadoras políticas e religiosas são axiomáticas do governo e da gestão ministerial vigente. O teor católico, que já era manifestado no ano de 2018, é novamente resgatado em setembro de 2019: [14/12/2018 20:32] @ernestofaraujo As pessoas que criticam a Ministra Damares Alves preferem escarnecer do sofrimento de uma menina de dez anos a sequer ouvir o nome de Jesus. Ministra, conte com o MRE para ajudá-la a 14 Como mostrado na dissertação de pós-graduação de Guilaume Azevedo Marques de Saes "A República e a Espada: a primeira década republicana e o florianismo". em 2005. 15 Informações oriundas do artigo O conflito entre o Islã e o ocidente: da ascensão dos árabes ao ocaso otomano, publicado por André Leme Lopes em 2004. Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 111 defender os direitos humanos, a família, as mulheres e o direito de expressar livremente sua fé. [27/09/2019 13:21] @ernestofaraujo Junto com a Hungria e outras nações o Brasil está colocando o enfrentamento da perseguição aos cristãos na agenda internacional. A desvalorização do cristianismo pela cultura politicamente correta nos próprios países de maioria cristã é grande parte do problema. #ReligiousFreedom É possível perceber, por meio dessas publicações, o conceito de conservadorismo, indicado antecedentemente, em que, de acordo com Robin (ROBIN, 2011), um grupo detentor de poder sente-se ameaçado e toma posicionamentos para mantê-lo, fazendo vigorar o status quo conservador. É irrefutável que a religião católica no Estado brasileiro possui grande influência política 16 ; ainda assim, ao sentirem que seu poder e ideologias estão sendo ameaçados, agentes estatais utilizam a diplomacia midiática para induzir a busca pela preservação e mesmo expansão de valores tradicionais, incluindo religiosos.Diferente do final do ano de 2018, o segundo semestre de 2019 e o início de 2020 são marcados por fortes posicionamentos externos, retomando discurso oposicionista a governos reconhecidamente e auto proclamados socialistas, a exemplo do regime cubano. Além disso, o chanceler passa a tecer críticas a outros partidos políticos nacionais, postura essa de propriedade questionável ao cargo ministerial que exerce: [16/12/2018 08:44] @ernestofaraujo Em respeito ao povo venezuelano, não convidamos Nicolás Maduro para a posse do PR Bolsonaro. Não há lugar para Maduro numa celebração da democracia e do triunfo da vontade popular brasileira. Todos os países do mundo devem deixar de apoiá-lo e unir-se para libertar a Venezuela. [07/11/2019 17:24] @ernestofaraujo 1/O Brasil hoje votou contra Cuba na ONU. Todo ano, Cuba apresenta na Assembleia Geral da ONU um projeto de resolução condenando o embargo imposto pelos EUA desde os anos 60. Os países em desenvolvimento votam sempre a favor de Cuba. Desta vez o Brasil votou a favor da verdade. [07/11/2019 17:24] @ernestofaraujo 8/Então chega de bajular Cuba. A influência que Cuba possui entre os países em desenvolvimento no sistema ONU 16 Ponto observado no texto de Dermi Azevedo, "A Igreja Católica e seu papel político no Brasil" (2004). RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 112 é uma vergonha e precisa ser rompida. Seu papel de sementeira de ditaduras precisa acabar. [01/01/2020 01:02] @ernestofaraujo Feliz Ano Novo! Em 2020 é preciso continuar trabalhando contra o mecanismo esquerdista, e não basta fazê-lo dentro do Brasil. Há que combater na frente externa pois a esquerda sempre é transnacional. Lulopetismo+isentoleft são expressão de um projeto de poder global e globalista. [20/04/2020 09:27] @ernestofaraujo 20/4 Feliz Dia do Diplomata. Diplomacia não é ficar em cima do muro. Diplomacia não é assistir de camarote aos combates que definirão o futuro do mundo e do Brasil como se não fosse conosco. Diplomacia é lutar junto com o povo brasileiro por um Brasil grande, livre e soberano. Imagem postada junto ao tweet acima.No que se refere à hipótese de elucidar se e como o discurso conservador aflora e impulsiona-se em momentos de instabilidade social, política e econômica, ao termos como objeto de análise os tweets do chanceler Ernesto Araújo, essa hipótese se confirma ao percebermos que, sob os marcos temporais de novembro de 2018 a janeiro de 2020, o ministro das relações exteriores, de ausente em questões partidárias e conflitivas, passa a se direcionar em oposição a partidos de esquerda, governo declarados socialistas e, ainda, adquire postura conservadora a respeito de suas crenças religiosas.[22/04/2020 01:06] @ernestofaraujo Não bastasse o Coronavírus, precisamos enfrentar também o Comunavírus. No meu blog, analiso o livro "Virus" de Slavoj Žižek e seu projeto de usar a pandemia para instaurar o comunismo, o mundo sem nações nem liberdade, um sistema feito p/ vigiar e punir: [anexado artigo a seguir] Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 113 Artigo autoral postado junto ao tweet acima O Chanceler também publica em seu Twitter colocações acerca da forte aliança com os Estados Unidos, principalmente no período de agosto de 2019 a julho de 2020: [30/08/2019 19:55] @ernestofaraujoO Deputado @bolsonaroSP e eu tivemos hoje a honra de ser recebidos pelo Presidente Trump na Casa Branca, novo passo para construir uma grande relação sob a liderança de @realDonaldTrump e @jairbolsonaro: desenvolvimento p/ a Amazônia, livre comércio e segurança foram temas. [31/08/2019 13:25] @ernestofaraujo No Salão Oval da Casa Branca ontem, acompanhado pelo Deputado @bolsonaroSP e pelo Assessor Internacional @filgmartin, conversei com o Presidente @realDonaldTrump sobre as ótimas perspectivas da aliança Brasil-EUA e confirmei a determinação do PR @jairbolsonaro de consolidá-la. Imagens postadas junto ao tweet acima. [31/08/2019 13:25] @ernestofaraujo Em Washington com o Professor Olavo de Carvalho e o Deputado @BolsonaroSP, conversando sobre as bases filosóficas da política, os avanços na luta contra o globalismo e a necessidade de seguir repensando o Brasil a partir de sua essência conservadora. RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 114 Imagem postada junto ao tweet acima. [20/12/2019 20:17] @ernestofaraujo EUA não mais aplicarão sobretaxas ao aço e alumínio brasileiros após conversa dos presidentes @jairbolsonaro e @realDonaldTrump: continuamos construindo uma grande parceria Brasil-EUA, com resultados concretos para ambos e visão estratégica. https://m.youtube.com/watch?feature=youtu.be&amp;v=TmMWIkxAFRc [29/01/2020 16:38] @ernestofaraujo O governo brasileiro, após examinar o plano de paz e prosperidade apresentado pelo Presidente Trump, considera que a proposta é uma boa base negociadora e cria esperança de solução para o conflito israelense-palestino.Nota do Itamaraty. [21/02/2020 20:08] @ernestofaraujo EUA anunciam a reabertura de seu mercado para a carne bovina brasileira, fechado desde 2017. Mais um resultado econômico concreto, que não viria sem a nova parceria política estabelecida entre os Presidentes @jairbolsonaro e @realDonaldTrump [11/03/2020 15:15] @ernestofaraujo Esta manhã reuni-me em Washington com o Secretário de Estado Mike Pompeo. A aliança Brasil-EUA está tomando forma e ganhando substância a cada dia. Estamos criando um novo eixo Norte- Sul baseado no crescimento econômico e compromisso inabalável com a liberdade e democracia. Imagem postada junto ao tweet acima. [11/04/2020 20:26] @ernestofaraujo Em 9/4 o governo dos EUA autorizou a importação de 65 mil toneladas adicionais de açúcar do Brasil em 2020. Isso Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 115 significa um aumento de 42,5% em relação à atual quota disponível, abrindo aos exportadores brasileiros do Nordeste um mercado adicional de US$ 34 milhões. [18/04/2020 11:03] @ernestofaraujo Brasil e EUA aceleram os trabalhos rumo a uma parceria econômico-comercial que terá papel estratégico e transformador. Esse pilar Norte-Sul contribuirá para a retomada do crescimento e também para a promoção de nossos valores de liberdade e democracia.Comunicado Conjunto: Antes mesmo da pandemia do vírus covid-19 atingir a população brasileira Ernesto Araújo iniciou uma série de postagens acerca do assunto em fevereiro de 2020, desde o auxílio do retorno de brasileiros até a cuidados, compromissos não só com a saúde pública como também com a economia nacional: [02/02/2020 19:55] @ernestofaraujo Sobre as providências em andamento no governo para trazer os brasileiros que estão na província de Hubei, China, com a necessidade de que façam quarentena, nota conjunta do Itamaraty e do Ministério da Defesa: [21/03/2020 11:21] @ernestofaraujo Brasileiros que estavam retidos no Marrocos já embarcaram de volta ao Brasil. Continuamos trabalhando para ajudar todos os brasileiros retidos em todos os lugares a retornarem. [23/03/2020 22:22] @ernestofaraujo "Nossa missão é proteger vidas e empregos" define o PR @jairbolsonaro O MRE está embarcado nessa missão: repatriar os brasileiros p/ a segurança de seus lares e contribuir no esforço internacional de sustentação econômica -no G20, em foros de chanceleres e diálogos bilaterais. A imagem foi postada junto ao tweet acima. RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 116 [25/03/2020 15:54] @ernestofaraujo 1/ Nos trabalhos preparatórios para a videoconferência dos líderes do G20 sobre coronavírus, a ser realizada amanhã, formou-se o consenso de que todos os governos devem trabalhar para proteger a vida dos cidadãos e ao mesmo tempo preservar o emprego,... [25/03/2020 15:54] @ernestofaraujo 2/...restaurar a confiança, permitir a retomada do crescimento econômico e reduzir as perturbações ao comércio. Desse modo, o G20 (onde estão Brasil, EUA, China, Índia, Japão, europeus, Arábia Saudita, Coreia etc.) se orienta na mesma direção defendida pelo PR @jairbolsonaro [26/03/2020 13:48] @ernestofaraujo Líderes do G20, após sua reunião por videoconferência, emitem declaração confirmando que a frente econômica - preservação de empregos -é tão importante quanto a frente da saúde no combate ao coronavírus e seus efeitos: http://itamaraty.gov.br/pt-BR/notas-a- imprensa/21469-cupula-extraordinaria-dos-lideres-do-g20-declaracao-sobre- covid-19 A imagem foi postada junto ao tweet acima. [26/03/2020 13:48] @ernestofaraujo Cada país tem suas políticas para conter a propagação do vírus e preservar a saúde dos cidadãos. Mas todos coincidem que é fundamental evitar um colapso econômico. [26/03/2020 13:48] @ernestofaraujo O compromisso de manter os fluxos comerciais e as cadeias de suprimento vem simultaneamente com o empenho em encontrar a vacina e a cura do COVID-19. É pertinente pontuar que no momento que o vírus alastrou o Brasil e o número de casos cresceu exponencialmente, os tweets de Ernesto Araújo começaram a fugir cada vez mais do assunto em questão. [29/04/2020 13:35] @ernestofaraujo Orgulho-me de minha postura de denunciar e combater o anti-semitismo e de meu trabalho pela construção da relação de profunda amizade e parceria desejada pelos povos do Brasil e de Israel. Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 117 [08/05/2020 19:02] @ernestofaraujo O Brasil de pé diante do mundo pela liberdade. O Itamaraty executando uma política externa que honra e defende a Constituição: Art 1º § único: Todo o poder emana do povo. Art 4º: O Brasil rege-se nas suas rel. internacionais pelos seguintes princípios: A independência nacional… [05/05/2020 14:10] @ernestofaraujo Celebramos hoje, 5 de maio, o Dia Internacional da Língua Portuguesa. A história da língua portuguesa, com 250 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, é essencialmente a história de uma grande aventura de navegação e desbravamento. O assunto do coronavírus só é novamente retomado no final do mês de maio, mostrando mais uma vez a aliança com os EUA e conversas com outros líderes aliados do Estados Unidos: [24/05/2020 16:07] @ernestofaraujo Em conversa hoje com representantes da Casa Branca, dentro da ótima cooperação Brasil-EUA no combate ao Covid-19, recebi a notícia de que o Presidente @realDonaldTrump determinou a doação de 1.000 respiradores ao Brasil. Parceria produtiva entre duas grandes democracias. [03/06/2020 16:50] @ernestofaraujo Em videoconferência hoje com os Chanceleres da Austrália, Coreia do Sul, EUA, Índia e Israel discutimos iniciativas para o combate ao Covid-19 e para a retomada econômica. A imagem foi postada junto ao tweet acima. RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 118 [26/06/2020 10:25] @ernestofaraujo Tive excelente videoconferência em 4/6 com o Chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Xeique Abdullah Al Nahyan, sobre cooperação no combate à pandemia e na retomada econômica, especialmente investimentos dos Emirados em infraestrutura no Brasil. Parceria estratégica avançando. A imagem foi postada junto ao tweet acima. Há ainda um tweet do chanceler Araújo ilustrando o reconhecimento de seu alcance e influência na história da política brasileira e na formação da opinião pública: [17/12/2018 19:42] @ernestofaraujo Mais de 100 mil seguidores no Twitter e 47 mil curtidas de apoio no último tuíte, números que demonstram o interesse dos brasileiros à política externa de Bolsonaro. Essa atenção às relações internacionais aproxima a população ao Itamaraty -novidade radical a ser celebrada! Dessa forma, o presente artigo e a análise por ele percursionada justifica-se como recurso alternativo e inovador para analisar as nuances e problemáticas da diplomacia midiática como recurso legitimizador de posturas ideológicas questionáveis de representantes institucionais, cujas narrativas conservadoras podem comprometer uma conduta institucional imparcial nos âmbitos plurais social, político e ideológico. CONSIDERAÇÕES FINAIS O entendimento acerca de diplomacia midiática e conservadorismo se demonstram cruciais para a análise e interpretação de publicações e posturas defendidas pelo chanceler Ernesto Araújo em sua conta no Twitter. A partir de referida explanação teórica, evidenciou-se o recorte ideológico e político incorporado nos posicionamentos do ministro, no que se refere à política externa por ele proferida e praticada, e seus atravessamentos com aspectos econômicos, religiosos, militares, entre outros, de caráter individual e que se sobrepõem à função institucional pelo ministro desenvolvida. O artigo demonstra sua Ana Isadora Meneguetti, Isabela Regina de Melo Santana, Juliana Lima Silva, Letícia Buriti de Araújo Fernandes, Marcelly Thaís Marques Ribeiro, Nathalia Williany Lopes 119 relevância ao reconhecer e examinar o Twitter como veículo de promoção da diplomacia midiática, identificada em seus artifícios de ágil e grande alcance societário e público. Considerando a conceituação de Gilboa (2001) acerca da diplomacia midiática, é identificada pelo autor a construção da opinião pública de modo raso pela ausência de análise crítica às mensagens proferidas com alta velocidade nas redes sociais, o que possibilita alimentar erros governamentais. Como aporte teórico, essa proposição do autor possui a sua performance identificada neste estudo de caso, espaço que demonstra como o ministro Araújo induz seu público, ao emitir opiniões generalizadas e arbitrariamente enviesadas para beneficiar a agenda defendida pelo atual governo. Assim como, ao utilizar concepções de Schopenhauer (2014), é possível encontrar no discurso do Ministro o emprego de artifícios desonestos, a fim de fortalecer seu ponto de vista e consequentemente, enfraquecer ideias opostas ao mesmo. Ademais, valendo-se do recorte conceitual sobre conservadorismo, segundo Robin (2011) e Nash (1976), pode-se entender as manifestações do chanceler Ernesto Araújo via</title>
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