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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1d1 20130915//EN" "JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <article-title>AS POLÍTICAS AMBIENTAIS BRASILEIRAS E A MÍDIA INTERNACIONAL: UM ESTUDO DE CASO SOBRE O GOVERNO BOLSONARO E SUA REPERCUSSÃO NA SOCIEDADE INTERNACIONAL BRAZILIAN ENVIRONMENTAL POLICIES AND INTERNATIONAL MEDIA: A CASE STUDY ON BOLSONARO'S GOVERNMENT AND ITS REPERCUSSION IN INTERNACIONAL SOCIETY</article-title>
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        <title>Abstract</title>
        <p>A intenção do presente artigo é compreender de que forma as políticas ambientais do Brasil e os pronunciamentos feitos pelo presidente Bolsonaro, sua equipe e o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles a respeito das pautas ambientais são refletidos na mídia internacional. Para realizar a investigação, foram analisadas diversas notícias em jornais online que refletem nas medidas ambientais tomadas pelo Governo Bolsonaro, assim como os próprios pronunciamentos feitos pelo Presidente, pelo Ministro Salles e pelo restante de sua equipe de governo. A partir da abordagem construtivista das Relações Internacionais, foi concluído que a mídia é um ator internacional pois, a partir de seu poder simbólico, possui capacidade de difundir informações e acontecimentos para a sociedade internacional de forma a gerar constrangimentos quando os posicionamentos da sociedade civil internacional são contrários às decisões tomadas pelo governo. Porém, no caso brasileiro, esse constrangimento ainda não surtiu efeito, visto que o Presidente e sua comitiva de governo não mudam sua posição de negligência ambiental, mesmo quando confrontados pela mídia internacional.</p>
        <p>Palavras-chave: Governo Bolsonaro, meio ambiente, mídia internacional, políticas ambientais. </p>
      </abstract>
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        <title>Keywords</title>
        <kwd>Keyword: Bolsonaro's government</kwd>
        <kwd>environment</kwd>
        <kwd>international media</kwd>
        <kwd>environmental policies</kwd>
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      <title>INTRODUÇÃO</title>
      <p/>
      <p>Uma das principais consequências da globalização é a internacionalização das notícias e informações, fazendo com que qualquer acontecimento tome grandes proporções e impactando em todos os países do mundo. Com isso, é possível inferir que a sociedade internacional como um todo repercute qualquer pronunciamento e decisão tomada mesmo em âmbito doméstico, como é o caso das decisões ambientais que são feitas no Brasil. Dessa forma, o esforço do presente artigo é entender como os veículos midiáticos internacionais, assim como ativistas de todo o mundo, reagem às políticas ambientais e aos pronunciamentos públicos do Governo Bolsonaro.</p>
      <p>O termo sociedade internacional pressupõe a ideia de valores, interesses e objetivos em comum entre os Estados. Assim, apesar da condição anárquica do sistema, na qual não existe uma instância superior aos Estados soberanos que possa obrigá-los a tomar qualquer decisão, os países se relacionam através de regras e instituições que estabelecem padrões de comportamento para garantir que os objetivos comuns -como o cumprimento de acordossejam alcançados <xref rid="b5" ref-type="bibr">1</xref>. Assim, este termo é usado aqui para partir do pressuposto de que as medidas ambientais são tidas como necessárias para preservar o planeta, que é um recurso comum, e que, portanto, é a intenção de toda a sociedade civil que a agenda ambiental esteja em pauta durante um governo.</p>
      <p>Dessa forma, a pergunta de pesquisa que norteia o presente artigo é: ''Como as políticas ambientais do Brasil e os pronunciamentos feitos pelo presidente Bolsonaro, sua equipe e o Ministro do Meio Ambiente Salles a respeito do meio ambiente são refletidos na mídia internacional?''. Considerando que as redes sociais e notícias midiáticas são repercutidas no mundo inteiro, de forma quase síncrona, o objetivo da análise é compreender em que medida a mídia internacional promove um espaço no qual a população consegue se integrar dos debates ambientais e, no contexto brasileiro do governo de Jair Bolsonaro, concede à sociedade civil a capacidade de criticar e pressionar o governo para que haja maior engajamento com as causas ambientais.</p>
      <p>A hipótese que pretende-se investigar é de que a mídia internacional, em especial o jornalismo crítico, são dotados de poder simbólico e, portanto, proporcionam -principalmente através das redes sociais -o acesso da população a informações a respeito do posicionamento do presidente Bolsonaro em relação às políticas de meio ambiente. Dessa forma, tomando conhecimento da negligência do governo Bolsonaro em relação às causas ambientais, sendo estas reforçadas pela postura negacionista do chefe de Estado, é possível que haja exposição das más políticas no intuito de gerar constrangimento na sociedade internacional, através de grupos sociais ativistas da causa que utilizam dos meios de comunicação para tal.</p>
      <p>Para realizar a pesquisa, serão utilizados recursos midiáticos como matérias dos jornais El País, Carta Capital, Folha de São Paulo, BBC News Brasil, Brasil de Fato, G1, The Guardian, New York Times, The Atlantic e Gazeta do Povo. Também utilizamos uma postagem feita na rede social Twitter a título de exemplificação. Além disso, o referencial teórico se pauta especificamente na metodologia do poder simbólico, e foi utilizado especificamente a obra ''O poder simbólico'' de Pierre Bourdieu, que pode ser entendido pela "capacidade de intervir no curso dos acontecimentos, de influenciar as ações dos outros e produzir eventos por meio da transmissão de formas simbólicas" <italic>(THOMPSON, 1998, p. 24)</italic>.</p>
      <p>Os símbolos utilizados para possibilitar as interações são meios de conhecimento e de comunicação, são eles que tornam possível o consenso acerca dos sentidos no mundo, além de contribuírem para sua reprodução na ordem social <xref rid="b4" ref-type="bibr">2</xref>.</p>
      <p>Sendo assim, o presente trabalho será dividido em 3 seções: a primeira relata as principais políticas ambientais tomadas durante esse período de Governo Bolsonaro, assim como as principais polêmicas relacionadas à pronunciamentos de pessoas políticas ligadas ao governo; a segunda mostra como se dá a projeção midiática das políticas ambientais brasileiras na sociedade internacional; já a terceira seção apresenta o marco teórico para a discussão, a partir da abordagem construtivista das Relações Internacionais, mostrando os principais conceitos relacionados à análise de discurso e poder simbólico, além da concepção da mídia como agente capaz de atuar de forma transformativa na estrutura social. Ao fim, as considerações finais são apresentadas como forma de concluir os resultados da pesquisa.  Com tudo isso, ''o país deixou de ser retratado pela imprensa internacional como uma das lideranças no combate ao aquecimento global para, aos poucos, ser visto como nação que ameaça os esforços globais de preservação do ecossistema'' <xref rid="b22" ref-type="bibr">3</xref>. É possível perceber a brusca retirada de políticas ambientais da agenda brasileira, que o foco agora passa a ser especificamente em desenvolver a economia e industrialização do país, sem se importar em passar por cima da área ambiental <xref rid="b34" ref-type="bibr">4</xref>. A projeção internacional das políticas ambientais brasileiras, assim como a repercussão das falas de figuras públicas ligadas ao governo Bolsonaro e o impacto disso em ativistas famosos serão apresentados na seção a seguir.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>O MEIO AMBIENTE NO GOVERNO BOLSONARO</title>
      <p/>
    </sec>
    <sec>
      <title>A PROJEÇÃO MIDIÁTICA INTERNACIONAL DO BRASIL</title>
      <p/>
      <p>É inegável o papel que as mídias sociais desempenham nos relacionamentos modernos, nos padrões de consumo e, especialmente, na forma como os indivíduos se engajam em questões políticas. A arquitetura de veículos como Facebook, Twitter e Instagram é elaborada para tornar as pessoas cada vez mais dependentes desses meios de comunicação, ou seja, se expressar pelas redes sociais não é apenas uma escolha facultativa, é uma necessidade conduzida pela dependência que os usuários desenvolvem de consumir o que é divulgado por esses veículos e pela indução para que estes também se tornem ativos nas suas publicações -na psicologia isso é conhecido por efeito "flow" <xref rid="b3" ref-type="bibr">5</xref>. Por conta disso, o destaque que as mídias sociais desempenham no cotidiano de milhares de pessoas acaba se ramificando também para a esfera pública, para o modo de se fazer política. Líderes políticos de diferentes segmentos ideológicos são, portanto, mais adeptos de utilizarem do meio virtual como uma estratégia de propagar suas decisões políticas, opiniões e informações que eles porventura consideram fundamentais para que os cidadãos fiquem cientes.</p>
      <p>Entretanto, o protagonismo dos políticos não vem desacompanhado. Por serem de livre acesso, essas plataformas contemplam diversos seguidores, além de também ser um meio através do qual a mídia internacional contemporânea atua. Assim, os pronunciamentos feitos por chefes de Estado, a exemplo de Jair Bolsonaro e Donald Trump, ficam à mercê tanto de seus apoiadores como também de seus críticos, o que cria um ambiente de interação denominado "vila global" <xref rid="b2" ref-type="bibr">6</xref>. Essa exposição virtual é alavancada pela globalização, em que diversos povos têm acesso ao que é compartilhado e as decisões a respeito de políticas públicas não são mais restritas à dimensão doméstica. As relações internacionais se tornam, então, sujeitas à dinâmica das redes sociais e da mídia internacional, e as pautas políticas são, cada vez mais, internacionalizadas tanto por outros políticos como por membros da sociedade civil (AUVINEN, 2012).</p>
      <p>Referente à questão ambiental no governo Bolsonaro, a mídia internacional é bastante ativa quanto às suas críticas às decisões tomadas pelo presidente a respeito das pautas ambientais e, por estarem também no meio virtual, as manchetes ficam a mostra para a comunidade internacional que passa a se inteirar dos movimentos de defesa do meio ambiente. Além disso, o ativismo por meio de plataformas como o Twitter e Instagramcorporificado, por exemplo, em figuras como a da jovem sueca Greta Thunberg -tomam uma proporção enorme na medida em que as postagens criticam publicamente as atitudes do atual governo. Dessa forma, podemos considerar que a mídia internacional se constitui como um terceiro nível de análise para contemplar a dinâmica do debate político e, no caso, ambiental <xref rid="b2" ref-type="bibr">6</xref>.</p>
      <p>De acordo com <xref rid="b0" ref-type="bibr">7</xref>, a mídia, apesar de não ser um ator estatal, está diretamente vinculada ao Estado, uma vez que as medidas adotadas pelos governos e a maneira como estas são noticiadas impactam na formação da opinião pública que, então, se torna ciente das decisões tomadas pelos poderes executivo, legislativo e judiciário -no caso de governos democráticos -e desenvolve a capacidade de reagir frente aos acontecimentos.</p>
      <p>Além do mais, é por dar oportunidade para que diferentes segmentos sociais tenham visibilidades em relação às suas demandas que a mídia pode ser entendida como um "cão de guarda" (AKINWALE, 2012, p. 22) dos regimes democráticos. Ou seja, ao mesmo tempo em que inclui a população no ambiente de discussão política, a liberdade de imprensa permite que a reação desses grupos sociais referentes à determinada decisão ou posicionamento das autoridades políticas também seja noticiada. Esse papel dual, por exemplo, contribui para que o próprio governo se atente às reivindicações e opiniões populares, o que, em determinada instância, pode alterar o próprio parâmetro de decisão política (AKINWALE, 2012).</p>
      <p>Com isso, queremos conceber que ao mesmo tempo que é possível observar os efeitos dos pronunciamentos do Bolsonaro na política doméstica e, também, em suas implicações na condução da política externa -não cumprimento de protocolos internacionais a respeito do meio ambiente -existe uma esfera própria em que essa postura é publicamente contestada e exposta, o espaço midiático internacional. Ao passo que grandes jornais, como o The New York Times, The Guardian, El País utilizam do jornalismo crítico para enfatizar a negligência de Bolsonaro em relação ao desmatamento e queimadas na Amazônia, desastre de derramamento de óleo no litoral nordestino, práticas irregulares de mineração e extrativismo, esses acontecimentos passam a ser de domínio público. Assim, a sociedade civil fica mais ciente e, aproveitando do contato pelas mídias sociais, corrobora as críticas e exige uma postura mais comprometida por parte do presidente. Logo, a mídia internacional tem mecanismos de uso da informação para não só orientar o comportamento da sociedade civil quanto ao que é pertinente para uma pauta de debate político, como também é um instrumento capaz de gerar coesão com as normas e valores defendidos pela comunidade internacional. O argumento proposto é de que a mídia é dotada de poder simbólico, e é através dele que consegue criar mudanças no corpo social, moldando as opiniões a partir de fatos contundentes para a agenda internacional, no caso, agenda ambiental. Essa questão será discutida na seção a seguir. </p>
    </sec>
    <sec>
      <title>PODER SIMBÓLICO E OS DISCURSOS POLÍTICOS</title>
      <p/>
      <p>A partir da análise feita por <italic>Thompson (1998)</italic> sobre a mídia e a modernidade, podemos entender os fenômenos sociais como sendo ações intencionadas em contextos estruturados. Desta forma, a interação no mundo social acontece através de indivíduos que agem dentro de contextos distintos e previamente dados, a posição destes no campo de interação é o que dita a quantidade de recurso que lhes é disponível. Quando tais posições são institucionalizadas, os indivíduos passam a agir de acordo com um conjunto de regras, normas e recursos, além de terem um objetivo. A posição ocupada dentro do campo está diretamente relacionada ao poder que o indivíduo possui, ou seja, a posição define a capacidade deste de agir para alcançar seus próprios objetivos e de intervir no curso dos acontecimentos e em suas consequências. O exercício deste poder depende dos recursos que estão disponíveis aos indivíduos ou às instituições sociais <italic>(THOMPSON, 1998)</italic>.</p>
      <p>A análise do poder se faz importante pelo seu caráter de ubiquação, pois todas as relações sociais estão revestidas de algum tipo de poder <italic>(THOMPSON, 1998)</italic>.</p>
      <p>Frequentemente associamos o exercício do poder à esfera política e a ação dos indivíduos em nome do Estado, contudo, o poder político não deve nublar nossa percepção sobre outras formas de exercício de poder, como o poder econômico, coercitivo e simbólico. Centraremos nossa análise no exercício do poder simbólico pela mídia, que baseia-se na produção, transmissão e recepção de significados de maneira simbólica, de modo a impactar a opinião pública acerca de algum tema.</p>
      <p>O sociólogo Pierre Bourdieu, define o poder simbólico como a capacidade de construção da realidade que tende a estabelecer uma ordem de sentido imediato no mundo.</p>
      <p>Este poder não é algo que conseguimos materializar, mas está sempre presente em nossas relações. O sociólogo entende que o poder simbólico é exercido através de sistemas simbólicos, como a língua, arte e religião que são capazes de cunhar sentido das coisas no mundo material. Os símbolos utilizados para possibilitar nossas interações são, para Bourdieu, meios de conhecimento e de comunicação, são eles que tornam possível o consenso acerca dos sentidos no mundo, além de contribuírem para sua reprodução na ordem social. Desta forma, as relações de comunicação são sempre interações de poder, porém dependem da capacidade material e simbólica acumulada pelos agentes ou pelas instituições envolvidas <xref rid="b4" ref-type="bibr">2</xref>. Segundo Bourdieu, o que faz com que os símbolos tenham poder de manter ou subverter a ordem, é a crença em sua legitimidade. Desta forma, a mídia exerce seu poder através da sua capacidade de fixação e transmissão, bem como suas habilidades, competências e formas de produção de conteúdo simbólico. Por isto, quando buscamos compreender de que forma a grande mídia impacta a opinião pública, devemos entendê-la como uma instituição produtora e mediadora de conteúdo, que é capaz de mudar o papel dos indivíduos. Os veículos midiáticos -como a internet, jornais, rádio, televisão, revistas, redes sociais -, ao levarem informações relevantes ao público, dão voz para diferentes opiniões, o que provoca mudanças nas realidade sociais.</p>
      <p>Para <italic>Thompson (1998)</italic>, "as ações simbólicas podem provocar reações, liderar respostas de determinado teor, sugerir caminhos e decisões, induzir a crer e a descrer, apoiar os negócios do estado ou sublevar as massas em revolta coletiva." <italic>(THOMPSON, 1998, p. 24)</italic>. Desta forma, veículos midiáticos ao tornarem-se cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, transmitem conhecimento e desenvolvem conceitos e valores, sendo capazes de influenciar a opinião pública. Para conceituar opinião pública, usaremos a definição de Norberto Bobbio (1998), de uma opinião sobre conteúdos que dizem respeito à nação ou a um grupo social, expressa de maneira livre por homens que estão fora da esfera governamental, mas que buscam o direito de que suas opiniões possam influenciar ou determinar ações do governo (BOBBIO, 1998).</p>
      <p>As mudanças que somos capazes de produzir ao nos comunicarmos não são viabilizadas apenas pelo fundamento linguístico. Se é possível atuar à distância por meio de um discurso, o fundamento desse poder, não está nas relações que os signos estabelecem entre si, nem propriamente nos meios técnicos utilizados, mas na forma pela qual eles ganham significado no mundo social (BOURDIEU, 1998). As grandes mídias, através de sua capacidade de produção de conteúdo em nível global, une grupos de interesses no mesmo tempo e espaço. Tal fenômeno deslocou os indivíduos do papel passivo de meros receptores de notícias, para o papel ativo de, a partir do acúmulo de informações, aumentar sua participação na esfera pública, criando assim uma governança em prol de diversos temas.</p>
      <p>A imprensa foi criada, inicialmente, para ser um meio de proclamação oficial dos representantes de Estado e também um local onde a oposição se faz presente, evidenciando eventos e ações que poderiam passar despercebidos aos indivíduos. A partir desta publicização de discursos e ações de líderes políticos, a mídia criou um novo cenário, ao qual o poder político teve que se adaptar. O conhecimento acerca de acontecimentos não é mais limitado à copresença de indivíduos em um lugar comum, a qualquer momento temos acesso ao que está acontecendo em diversos lugares do mundo. Desta forma, a imprensa confere visibilidade às ações de autoridades, quebrando a barreira do debate da vida pública, que durante algum tempo foi limitado aos membros da elite e do governo.</p>
      <p>Para mais, na internet, as redes sociais constituem um importante fórum de debate, na medida que possibilitam o agrupamento de pessoas dispostas a agir em prol de determinado conteúdo. Atualmente, podemos ver além da mídia tradicional, diferentes figuras como Greta Thunberg, tornando-se importante fonte de informações sobre atuação de líderes políticos no que diz respeito à temática ambiental. Isto ocorre através da capacidade dos veículos de informações de darem visibilidade a determinados assuntos e exaltarem a relevância de debatermos sobre ele em nível internacional. Para <xref rid="b15" ref-type="bibr">8</xref>, "As revoluções da comunicação e da informação do século XX mudaram fundamental e irreversivelmente o significado do poder nas relações internacionais, a formulação de políticas de defesa e relações exteriores e a conduta da diplomacia" <italic>(GILBOA, 2002, p. 731, tradução nossa 2 )</italic> A participação da sociedade na esfera pública, gera debates que tornam-se importantes fontes de pressão por mudanças no corpo social. Isto ocorre quando líderes políticos proferem discursos arbitrários acerca de temas que são de interesse global, e as mídias, através do seu poder simbólico de fixar significados, mostram a relevância da temática. Ao agir desta forma, a imprensa é capaz de gerar uma nova consciência na população, que passa a compreender a pertinência de pensar e agir criticamente em relação a determinados assuntos. O posicionamento de líderes como Bolsonaro e Trump acerca das temáticas ambientais, gera grande repercussão na mídia internacional, como já explicitado ao longo do artigo. Desta forma, a sociedade tem acesso a informações sobre o que está sendo feito em relação ao tema, o que faz com que os indivíduos, organizações, instituições e demais grupos sejam capazes de criar opiniões baseadas em fatos, além de poderem se organizar para fazer pressão por mudanças.</p>
      <p>Pode-se entender melhor o poder simbólico da mídia na medida em que consideramos que esta se constitui como um ator capaz de praticar sua agência discursivamente, ou seja, conduzir a atenção do público para determinado assunto e compartilhar significados com a intenção de influenciar comportamentos. A mídia constrói seu próprio discurso ao passo que interpreta o discurso proferido pelos agentes políticos, relação essa que é intrinsecamente dependente da linguagem, uma vez que esta é a responsável por fazer com que a realidade empírica dos fatos seja evidenciada -a exemplo do índice alarmante de queimadas na região amazônica <xref rid="b18" ref-type="bibr">9</xref>. Assim, a própria mídia é um ator político ao mesmo tempo em que é um espaço para se fazer política, ao passo que organiza debates, apresenta análises e críticas sociais e concede visibilidades a outros atores sociais.</p>
      <p>Esse entendimento, por sua vez, se insere na abordagem construtivista das Relações Internacionais, visto que esta entende a política doméstica e a internacional como fenômenos políticos, ou seja, ocorrem em uma estrutura social sobre a qual os indivíduos dialogam e constroem, intersubjetivamente, um nexo de significados partilhados. É a continuidade das interações entre os atores que permite que ocorram mudanças sociais e é por isso que a mídia é um ator com grande capacidade de transformação, porque ela se sustenta justamente por instigar o debate público, além de ter a capacidade de transpor uma pauta doméstica para nível global <xref rid="b0" ref-type="bibr">7</xref><xref rid="b18" ref-type="bibr">9</xref>. É possível dizer ainda que, sendo o agente disseminador de conteúdo por meio do discurso -mais uma vez reforçando o papel da linguagem na aquiescência da realidade material -a mídia adquire um status de ator da esfera pública, que age intencionalmente e racionalmente e que pode alterar uma realidade social ao passo que a repercussão do seu discurso gera pressão em outros atores e segmentos sociais, que reagem frente a esta. Ainda que o presidente Bolsonaro deslegitime muitas das notícias a respeito do seu governo, é evidente que sua política doméstica e externa ficam, também, sob a égide do que é discutido na imprensa. O Construtivismo, como abordagem das Relações Internacionais, se esforça para compreender a interação dos atores a partir do seu contexto social, pois adota o entendimento de que o contexto orienta e instrui as ações destes. Além disso, esta abordagem traz luz à relevância que aspectos sociais como a linguagem, as regras, normas, ideias e práticas desempenham nas RI <italic>(FIERKE, 2007)</italic>. A linguagem, nesta análise, é de extrema importância, pois é por meio dela que os atores se expressam, construindo discursos que demonstram quais são suas crenças, valores, intenções, objetivos e ideias. Ademais, é através dela que os sentidos e significados compartilhados são construídos. Para <xref rid="b21" ref-type="bibr">10</xref>, esta construção depende da aceitação social, e o processo de criação só se concretiza quando os sentidos e significados são repetidos pelos outros em larga escala <xref rid="b21" ref-type="bibr">10</xref>. A mídia internacional utiliza, diariamente, sua capacidade de difundir ideias por meio da linguagem, e assim, criar entendimentos compartilhados acerca de diversas temáticas, a exemplo das políticas ambientais. É neste processo que a mídia passa a cumprir seu papel de ator nas relações internacionais.</p>
      <p>As ações de pressão feitas pela sociedade tem como objetivo gerar constrangimento em líderes políticos, de forma que estes se sintam coagidos e reavaliem sua postura sobre diversos temas. No que tange o debate sobre políticas ambientais não é diferente, através das informações dadas pela mídia, grupos de interesses se organizam, pautados em fatos contundentes para agir em prol de mudanças no globo. Desta forma, a articulação entre a mídia e a sociedade se torna imprescindível para dar respaldo à atuação dos indivíduos como agente de mudança. O Greenpeace é um exemplo de como a pressão da sociedade civil pode provocar mudanças na ordem social. A organização, por meio de informações concedidas pela mídia sobre ações de autoridades no que tange o meio ambiente, articula junto à sociedade civil confrontos pacíficos e criativos para ampliar o alcance da temática ambiental e desenvolver soluções em todo mundo (VOCÊ..., 2020).</p>
      <p>"O Greenpeace está há 26 anos no Brasil confrontando o desmatamento ilegal na Amazônia, indústrias do petróleo e de energia nuclear, produtores de transgênicos e projetos que ameaçam o meio ambiente e as comunidades tradicionais. Esse é o trabalho do Greenpeace." <xref rid="b36" ref-type="bibr">11</xref> Em suas redes sociais -Blog, Facebook, Twitter, Instagram e Youtube -a organização divulga informações, cria movimentos, recruta voluntários e arrecada fundos de forma a engajar mais pessoas no movimento, construindo uma sensibilização sobre a causa ambiental.</p>
      <p>A mediação das informações contribui para o ativismo político, viabilizando mobilizações e construções de grupos voltados a questões ecológicas (MORIGI; KREBS, 2012).</p>
      <p>Desta forma, podemos ver o poder simbólico da mídia sendo exercido através de seus meios técnicos, para gerar mudanças na compreensão da sociedade internacional sobre a agenda ambiental. A capacidade de lançar luz sobre essa temática, só é viabilizada pela produção de conteúdo simbólico, que cria novos entendimentos acerca da relevância do assunto. Quando os grandes veículos midiáticos, as instituições e organizações comunicacionais exercem poder sobre a formação da opinião dos indivíduos, a sociedade civil é capaz de organizar-se e gerar mudanças no mundo. Posto isto, a publicização da negligência do governo Bolsonaro em relação a políticas ambientais, quando divulgadas, geram constrangimento, fazendo com que a sociedade civil utilize este conteúdo de forma estratégica para exercer pressão sobre o governo e tornem-se protagonistas de mudanças sociais.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
      <p/>
      <p>Levando em conta todo o exposto, é possível concluir que a mídia internacional possui poder simbólico na medida em que difunde informações e acontecimentos para toda a sociedade internacional, de forma a fixar significados ressaltando a relevância da ação coletiva em prol de diversos temas, como as políticas ambientais. Então, pode-se acompanhar notícias em tempo real e reagir a elas de forma compartilhada com todo o mundo. No caso das políticas ambientais feitas pelo Governo Bolsonaro, estas repercutem de forma negativa, e os posicionamentos tomados tanto pelo Presidente e pelo Ministro Salles, quanto pelos outros membros de sua comitiva, são constantemente criticados pelo jornalismo crítico.</p>
      <p>Além disso, como foi exemplificado pelo pronunciamento no Twitter feito pela ativista Greta Thunberg, as redes sociais estão tornando-se cada vez mais uma plataforma de debates internacionais, nas quais qualquer pessoa pode se pronunciar contra ou a favor de uma política governamental. Ademais, podemos perceber, através da atuação de ONGs como Greenpeace, como as organizações são capazes de mobilizar membros da sociedade civil, e junto a eles exercer pressão por mudanças no governo. É possível também concluir que esses maus reflexos das políticas ambientais brasileiras geram constrangimento por parte da sociedade internacional, e então com esses posicionamentos contrários surge uma pressão maior para que o Governo brasileiro elabore políticas ambientais mais protetivas e rígidas e que apresentem resultados em preservar a fauna e a flora brasileiras.</p>
      <p>Porém, infelizmente esses constrangimentos não obtiveram muito resultado ao longo desses 20 meses de governo, e então o Presidente e sua equipe de governo continuam com seus posicionamentos, preferindo o embate direto com os jornalistas e perfis nas redes sociais que os criticam. Com isso, a pauta ambiental é tratada de maneira simplista e negligenciada, e há prevalência do discurso negacionista sobre os possíveis efeitos das mudanças climáticas e do desmatamento. Dessa forma, faz-se necessário que o jornalismo crítico continue a difundir informações, sem censura, para que a sociedade internacional tenha consciência de toda a negligência ambiental que está tomada pelo Governo Bolsonaro. Isso fará com que a pressão internacional aumente ainda mais, e espera-se que tenha algum feito para gerar políticas ambientais efetivas no país.</p>
    </sec>
    <sec>
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        <caption>
          <title>Essas políticas que arriscam o meio ambiente não passaram sem repercussões negativas em âmbito doméstico do Brasil. Um exemplo disso é que a tentativa de Salles de auxiliar na extração de madeira ao não aplicar a lei contra a exportação dos madeireiros, indo contra a orientação do Ibama foi ''alvo de duas ações protocoladas no Supremo Tribunal Federal (STF) e uma terceira na Justiça Federal do estado do Amazonas por congelamento de verbas destinadas à preservação ambiental e exportação de madeira sem fiscalização. A Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), quatro partidos políticos -PSB, PSOL, PT e Rede Sustentabilidade -Greenpeace e Instituto Socioambiental (ISA) entraram nesta sexta-feira (5 de junho de 2020), com ações na Justiça contra o governo de Jair Bolsonaro'' (BRASIL…, 2020).Mais recentemente, diversos servidores públicos da área ambiental compilaram um dossiê com todas as medidas que ameaçam o meio ambiente e foram tomadas pelo governo Bolsonaro, com a intenção de apresentá-lo à ONU, ao Congresso e às ONGs ambientais presentes no país. O propósito principal é denunciar a falta de medidas rápidas para lidar com os incêndios florestais, com o desmatamento da Amazônia e com o vazamento de óleo. Para tal dossiê, Salles afirmou que: "o suposto 'dossiê' nada mais é do que manipulação de fatos, dados e versões. Enfim, ladainha de sindicalista". Isso demonstra a descrença do ministro para com o impacto e repercussão que o documento poderia apresentar para sua gestão como Ministro (MACHADO, 2020).Beatriz Pessoa Aguiar, Flávia Silva Lanza, Maria Eugênia Nogueira Jones 77 Ademais, vale ressaltar que vários membros da equipe de Bolsonaro, incluindo seus próprios filhos, já afirmaram que não acham que o aquecimento global é uma ameaça real, fazendo piadas a respeito nas redes sociais. O Ministro Salles também ridicularizou a COP- 25, ao fazer uma publicação no Twitter e falando que seu churrasco seria uma forma de compensar as emissões de carbono do Brasil (PASSARINHO, 2019). O deputado do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, filho do presidente brasileiro, já afirmou várias vezes que defende o fim das Reservas Legais, tanto para fazendeiros em áreas rurais quanto para indígenas(SILVA, 2020;TRIGUEIRO, 2019).</title>
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          <title>O perfil tradicional e populista de Jair Bolsonaro o conduz a medidas consideradas, sob o escopo do Regime Internacional de Mudança do Clima (RIMC), retrógradas e inconsistentes com o progresso que o Brasil tinha até então alcançado quanto às políticas socioambientais(ISA, 2019). Além disso, a deserção do compromisso com a agenda internacional de Meio Ambiente é decorrente da postura negacionista de Bolsonaro e de seus ministros, como Salles e Ernesto Araújo, sobre as mudanças climáticas e a necessidade de proteger os biomas brasileiros vítima da pecuária extensiva e das intensas atividades extrativistas. Ernesto Araújo chegou a dizer, assim que assumiu como Ministro das Relações Exteriores, que a pauta ambiental é nada mais do que "marxismo cultural" e que os fundos de preservação com capital estrangeiro eram tentativas de internacionalização da Amazônia(PHILLIPS, 2020).Em agosto de 2019, por exemplo, um evento orquestrado em um grupo no Facebook mobilizou 12 mil pessoas em São Paulo para irem às ruas manifestar contra as queimadas na Amazônia e movimentos similares aconteceram em outras regiões do Brasil, além de extrapolar as fronteiras e conduzir outras manifestações ao redor do mundo. Com a ênfase trazida pela mídia internacional, a sociedade civil, ONGs e ativistas se aliaram para expor o descontentamento com o governo (ZAREMBA, 2019). A ativista Greta, conhecida por reivindicar maior comprometimento social e das autoridades públicas quanto aos problemas climáticos, postou em suas redes sociais: "Mesmo aqui no meio do Oceano Atlântico, eu escuto sobre a quantidade recorde de incêndios devastadores na Amazônia. Meus RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 80 pensamentos estão com as pessoas afetadas. Nossa guerra contra a natureza precisa acabar" (THUNBERG, 2019). Sendo assim, a mídia internacional consegue -através de recursos visuais, gráficos e de linguagem diversa para diferentes públicos -tornar as informações mais acessíveis e promover a conexão da população com o que está sendo decidido no âmbito doméstico e internacional "[...] a mídia pode não ser bem sucedida em dizer o que as pessoas devem pensar, mas é extremamente bem sucedida em dizer sobre o que as pessoas devem pensar" (COHEN, 1963, p. 13, tradução nossa) 1 . Além disso, a mídia toca em um ponto bastante nevrálgico para qualquer figura pública que intenta se manter no poder: o prestígio. A sociedade internacional é regida por valores, normas, símbolos e regras compartilhadas que pautam o comportamento dos atores. Quando a atitude de um ator é desviante, ele sofre constrangimento por parte dos demais, sendo isso endossado pelos acordos e protocolos internacionais que sinalizam em que instância o ator fugiu ao que era previamente acordado (FRIZIS, 2013). Esse distanciamento do Bolsonaro, exposto por manchetes como "A Amazônia está completamente sem lei -a floresta após um ano de governo Bolsonaro" do The New York Times (2019) e "Vigília da morte para a Amazônia" do The Economist (2019), sinaliza para os demais pares na sociedade internacional que essa atitude é incoerente com os valores perpetrados e corrompe o que é instituído por convenções e tratados. A partir disso, outros líderes assumem o posto de condenar as ações do Bolsonaro, como é o caso de Angela Merkel -que encabeça as negociações acerca do acordo Mercosul-União Européia -que condicionou a manutenção ou não das negociações à resposta mais comprometida de Bolsonaro em relação às queimadas e desmatamento na Amazônia. O ceticismo europeu é ainda mais endossado pelo movimento "Fridays for Future" que tem bastante repercussão nas mídias sociais, principalmente para o público jovem (Merkel diz ter…, 2020).</title>
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          <title>[...] the media may not be successful in saying what people should think, but it is extremely successful in saying what people should think about"(COHEN, 1963, p. 13).</title>
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          <title>Jair Bolsonaro assumiu o governo brasileiro em janeirode 2019,  e neste 1 ano e 8 meses a parte ambiental foi muitas vezes negligenciada. O atual Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, enfrentou durante o governo Bolsonaro diversas tragédias ambientais, entre elas o rompimento da barragem em Brumadinho, os incêndios florestais na Amazônia e os óleos que foram derramados no litoral nordestino. Cabe ressaltar que, no início de seu governo, o Presidente cogitou não ter um Ministério do Meio Ambiente e, apesar dele ter se mantido, este foi enfraquecido porque pontos importantes, como a Agência Nacional das Águas e o Serviço Florestal Brasileiro, foram integrados para outros ministérios, como o Ministério da Agricultura (TRIGUEIRO, 2019). Beatriz Pessoa Aguiar, Flávia Silva Lanza, Maria Eugênia Nogueira Jones 75 Sobre os incêndios florestais em específico, o presidente subestimou as consequências das queimadas ao minimizar os dados produzidos pela Agência Especial dos EUA (NASA) e do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE), e também sugeriu que as ONGs internacionais seriam as culpadas pelo fogo. O governo de Bolsonaro foi incapaz de lidar com esses eventos de forma rápida e com destreza, e ainda promoveu uma mudança de discurso extremamente bruta quando comparada ao governo anterior, promovendo críticas ao Acordo de Paris, cancelando um encontro da ONU sobre mudanças do clima em Salvador e não enviando representantes para uma convenção sobre meio ambiente no Peru (PASSARINHO, 2019). Ao mesmo tempo, o ministro Salles criticou a gestão do Fundo Amazônia, e tanto a Noruega quanto a Alemanha, que contribuem com mais de R$3 bilhões em recursos para o Fundo (o que corresponde a 95% do Fundo), não concordam com as mudanças que Salles deseja fazer. Considerando que é necessário um acordo de todas as partes para retomar as atividades do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), isso deixa um questionamento de como o Fundo será regido no futuro. Uma outra política do ministro foi a liberalização da exploração de petróleo perto do Parque Nacional de Abrolhos, que protege corais e grande parte da biodiversidade da América do Sul, sendo o berçário das baleias-jubarte, refúgio paraespécies de corais e tartarugas em ameaça de extinção. Essa foi uma medida que passou por cima do parecer liberado pelo Ibama e indignou diversos ex-ministros do Meio Ambiente (TRIGUEIRO, 2019). Além desses eventos, o ex-presidente Michel Temer havia negociado para que a Conferência das Partes (COP-25), o maior e mais importante fórum de negociação internacional sobre as mudanças do clima que faz parte da Convenção da ONU para Mudanças do Clima (UNFCCC), fosse realizada no Brasil, o que seria extremamente importante para perpetuar a imagem do país como apoiador de medidas de adaptação às consequências aquecimento global -e o presidente Bolsonaro cancelou este encontro, que foi transferido para a Espanha (PASSARINHO, 2019). Além dessas atitudes, o presidente tem sua própria cota de pronunciamentos polêmicos feitos sobre o meio ambiente brasileiro. Um exemplo disso é que ele já anunciou várias vezes sua vontade de tornar a Estação Ecológica de Tamoios, que é um refúgio para a vida marinha brasileira, uma ''Cancún brasileira'' (TRIGUEIRO, 2019). Outras medidas tomadas pelo governo bolsonaro incluem: a redução das multas por crimes ambientais; a revisão da lista de espécies marinhas ameaçadas; o desalojamento de RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais 76 famílias quilombolas; a liberalização do avanço das plantações de cana-de-açúcar sobre os biomas pantaneiros e amazônicos; a liberalização de agrotóxicos proibidos em alguns países; a privatização da Eletrobras, o que faz com que a energia elétrica do Brasil fique em mãos estrangeiras; a privatização do setor de saneamento; a nomeação de policiais, ao invés de profissionais ambientais, para compor o Ministério do Meio Ambiente; ''a regulamentação da exploração de minerais, recursos hídricos para construção de hidrelétricas, e de petróleo e gás em Terras Indígenas'' (SILVA, 2020); entre outras políticas. Além disso, alguns dos pronunciamentos mais radicais feitos pelo Presidente Bolsonaro demonstram seu desinteresse em proteger a Amazônia e sua despreocupação em extinguir recursos naturais se isso significar um desenvolvimento econômico para o país. Um exemplo disso é o seguinte discurso, feito em Brasília durante um ato público em julho de 2019: "Quando acabarem as commodities [matérias-primas] do Brasil, nós vamos viver do quê? [...] Vamos virar veganos? Vamos viver do meio ambiente? [...] Ricardo Salles está no lugar certo. Consegue fazer o casamento do Meio Ambiente com a produção. Eu falei para ele: 'Mete a foice em todo mundo no Ibama. Não quero xiitas'.'' (EL PAÍS, 2020).</title>
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