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        <article-title>ABORDAGEM MIDIÁTICA SOBRE O DESTERRO E A LUTA DA POPULAÇÃO NATIVA DO ARQUIPÉLAGO CHAGOS 1 MEDIA APPROACH TO THE EXILE AND STRUGGLE OF THE NATIVE POPULATION OF CHAGOS ARCHIPELAGO</article-title>
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        <title>Abstract</title>
        <p>Este artigo discute o caso do Arquipélago Chagos, no Oceano Índico, cujos habitantes foram expulsos pelo Reino Unido entre 1968 e 1973, tendo como objetivo alugar o arquipélago aos Estados Unidos da América, para que instalasse na Ilha de Diego Garcia uma base militar que funciona até hoje. É um caso exemplar de violação de direitos humanos, discriminação, remoção forçada e privação do direito de propriedade, com consequências transnacionais. O objetivo deste trabalho é analisar o tratamento dado sobre esse episódio por 8 veículos de comunicação da imprensa escrita do Reino Unido, dos EUA, da República de Maurício, da França e da Índia. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica de cunho quantitativo e qualitativo. Conclui-se que o caso dos chagossianos é paradigmático na área do Direito Internacional. Trata-se de um caso de injustiça colonial sofrida por uma população indefesa, nas mãos de duas superpotências guiadas por interesses geopolíticos e que a mídia, em sua maioria, ajudou a manter o assunto fora do conhecimento público.</p>
        <p>Palavras-chave: Arquipélago Chagos. Diego Garcia. Mídia. Reino Unido. Estados Unidos.</p>
        <p>This paper discusses the case of the Chagos Archipelago, in the Indian Ocean, whose inhabitants were expelled by the United Kingdom between 1968 and 1973, with the objective of renting the archipelago to the United States of America, in order to construct a military base on Diego Garcia Island which operates until today. It is an exemplary case of human rights violations, discrimination, forced removal and deprivation of property rights, with transnational consequences. The aim of this paper is to analyze how 8 medias from UK, USA, Mauritius, France and India have dealt with this episode. A quantitative and qualitative bibliographic search was carried out. It is concluded that the case of Chagossians is paradigmatic in the area of International Law. It is a case of colonial injustice suffered by a defenseless population, in the hands of two superpowers guided by geopolitical interests and the media, for the most part, helped to keep the matter out of the public eye.</p>
      </abstract>
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        <title>Keywords</title>
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      <title>INTRODUÇÃO</title>
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      <p>Desde o século XVI, a atuação das chamadas potências dominantes europeias chegou a todos os continentes do mundo. Numa primeira fase, os colonizadores faziam o levantamento e o reconhecimento dos territórios descobertos e estabeleciam um tráfico de produtos vegetais e minerais. A coação da população nativa para a realização de trabalhos forçados, muitas vezes com conivência dos próprios nativos, era prática comum. Numa segunda fase, durante o processo conhecido como descolonização, já no século XX, povos que formavam uma mesma nação foram divididos em colônias de metrópoles diferentes e povos de nações diversas foram unificados numa única jurisdição. As guerras contra povos sem condições de defesa, o desrespeito aos seus traços culturais, às suas crenças tradicionais e às formas constituídas de família e de sociedade foram a tônica da colonização. A história registra vários casos de colonização de população nativa por potências estrangeiras em todos os continentes, como a colonização da África por povos europeus e árabes, a colonização da América por povos europeus, a colonização de partes do continente asiático por povos europeus, como foram os casos da Índia, do Oriente Médio e da Austrália pelo Reino Unido; do Oriente Médio e da Indochina pela França; da Indonésia pelos Países Baixos.</p>
      <p>A história do povo do Arquipélago Chagos é relativamente pouco conhecida no âmbito das relações internacionais, especialmente no Brasil. Até 2018, as únicas publicações acadêmicas que abordam a história da expulsão do povo nativo do Arquipélago Chagos haviam sido as publicadas por pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (COSTA <xref rid="b9" ref-type="bibr">1</xref><italic>GONÇALVES, 2018;</italic><xref rid="b13" ref-type="bibr">2</xref><xref rid="b10" ref-type="bibr">3</xref><xref rid="b8" ref-type="bibr">4</xref><xref rid="b9" ref-type="bibr">1</xref>.</p>
      <p>Entre 1968 e 1973, a população nativa de Chagos foi vítima de uma violência difícil de descrever. É um caso paradigmático de desrespeito dos Direitos Humanos, do direito de ir e vir, acrescido de violências e dificuldades sociais nos novos territórios para onde foram levados pelo governo britânico. Atualmente os chagossianos continuam a tentar regressar à sua terra natal por meio de ações impetradas em Cortes Internacionais e nas do Reino Unido.</p>
      <p>A atuação de algumas ONG em defesa da causa dos chagossianos, a exemplo da UK Chagos Support Association, fortalece a sua causa, especialmente, a defesa do direito a regressar à ilha de Diego Garcia, a maior do arquipélago. Frente à sensação de impotência, o papel da mídia é de extrema importância para dar a conhecer ao mundo a injustiça sofrida pelos chagossianos e para exercer pressão sobre as autoridades competentes na resolução do problema.</p>
      <p>A divulgação desse embate tem assumido um papel primordial frente aos dilemas de conflitos e violações dos Direitos Humanos e de garantia à moradia. A mídia poderia dar voz à causa chagossiana e de fortalecer a sua luta, levando a temática para as agendas das políticas globais, lembrando aos Estados implicados seus direitos e deveres no que diz respeito à garantia do retorno dos chagossianos ao arquipélago do qual foram expulsos.</p>
      <p>O desterro dos chagossianos é tema das Relações Internacionais, pois tende a desencadear diversas consequências e entendimentos noutras áreas: (1) Direitos Humanos, a questão do deslocamento forçado faz alusão aos artigos 2º, 12 e 17 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e como a questão jurídica internacional trata o caso; (2) Geopolítica, uma vez que a base militar estadunidense é uma das mais estratégicas do mundo e sua localização no British Indian Ocean Territory (BIOT) constitui uma militarização duma área de proteção ambiental; e (3) Meio Ambiente, atualmente a área do BIOT abriga uma área de proteção ambiental com políticas de entradas complexas e cheia de obstáculos para civis.</p>
      <p>Tem-se como objetivos desse artigo a exposição da origem do caso do Arquipélago Chagos e as peculiaridades sobre a abordagem midiática que a história desse povo recebe em determinados meios de comunicação estadunidense, britânico e da República de Maurício.</p>
      <p>Neste último país, a maioria dos chagossianos que foram expulsos do arquipélago (e seus descendentes) está à espera de respostas definitivas acerca de seu destino. Em seguida, será realizada um breve retrospectiva histórica do arquipélago, depois apresentar-se-á a posição dos chagossianos organizados perante o Reino Unido, em seguida o tratamento da mídia nos veículos selecionados e finalmente apresentar-se-ão as considerações finais.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>A GÊNESIS CONFLITUOSA DO ARQUIPÉLAGO CHAGOS</title>
      <p/>
      <p>O Arquipélago Chagos encontra-se num local geopoliticamente estratégico, situado no meio do Oceano Índico. É um conjunto de 55 ilhas localizadas no centro do Oceano Índico, ao sul da linha do Equador (coordenadas 6°00' S 71°30' E). A Figura 1 dá uma noção da posição estratégica do Arquipélago Chagos, quase que equidistante da costa leste africana, do sul da Índia e da costa oeste indonésia, e relativamente próximo do Oriente Médio. Entre os anos de 1968 e 1973, as autoridades americanas conspiraram com seus colegas britânicos para remover os chagossianos, escondendo cuidadosamente a sua expulsão do Congresso estadunidense, do Parlamento britânico, da ONU e dos meios de comunicação. A intenção do governo Britânico era maquiar toda a população como se fosse natural de Maurício ou de Seychelles, em vez de considerá-la nativa de Chagos, haja vista que a população residia na ilha há pelo menos três gerações. De fato, uma parcela da população que habitava a ilha Diego Garcia viera de outros locais para trabalhar nas plantações de coco. Ao afirmar que toda a população da ilha se encontrava na condição de população flutuante, o governo britânico conseguiu expulsá-la sem atrair a atenção da comunidade internacional.</p>
      <p>A partir de 1967, quando algum morador saia da ilha para buscar algum tipo de assistência médica, ou mesmo fazer alguma viagem de férias, era impedido de retornar para casa. Além disso, para forçar a população chagossiana a abandonar as suas terras, foram usadas táticas cruéis de embargo, a fim de gerar fome na população. Foi usada a prática de exterminação de seus animais domésticos como cães e gatos, e até ameaça de morte aos grupos que se opunham, deixando-os, finalmente, sem condições de permanecer naquele local. Entre 1.500 e 2.000 pessoas que habitavam as três principais ilhas (Diego Garcia, Peros Banhos e Salomon) foram expulsas de Chagos e só lhes foi permitido levar uma mala de mão.</p>
      <p>A população de Chagos foi literalmente abandonada no porto da República de Maurício e de Seychelles. Encontraram-se, então, sem teto ou trabalho e com pouco ou nenhum dinheiro.</p>
      <p>Vine <italic>(2012)</italic> argumenta que não houve nenhuma assistência no processo de assentamento nesses locais e muitas famílias permanecem em condição de pobreza até hoje.</p>
      <p>O efeito da expulsão dos chagossianos de sua terra natal foi profundo. A maioria da população foi relocada para a República de Maurício, um país que já tinha seus próprios problemas, como uma alta taxa de desemprego. Lá os chagossianos se viram em condições precárias, sem condições dignas de moradia ou mesmo de higiene. Houve, portanto, nesse processo, perda de identidade cultural e de autoestima, além do processo de empobrecimento <xref rid="b12" ref-type="bibr">5</xref>. </p>
    </sec>
    <sec>
      <title>O TRATAMENTO MIDIÁTICO</title>
      <p/>
      <p>Aron <italic>(2002)</italic> argumenta que a revolução da informação age como uma ferramenta para ampliar, manter e conquistar poder na esfera internacional a serviço dos Estados. A mídia de fato contribui para que a Política Externa das nações não seja unicamente baseada como em tempos antigos, em outras palavras, por apenas agentes diplomáticos e também pelo próprio Poder Executivo. É de suma importância perceber a entrada de novos atores no cenário político internacional, seja a sociedade civil, elementos de paradiplomacia, e por fim, a imprensa. <xref rid="b4" ref-type="bibr">6</xref>    O portal Nation, da República de Seychelles apresentou apenas uma matéria veiculada em 10 anos de banco de dados. A matéria em questão tem uma explicação geral sobre o conflito e foca os primeiros resultados da corte europeia sobre a decisão a favor do Reino Unido, ou seja, de manter os chagossianos longe de sua terra natal. As matérias do periódico de Seychelles não têm um peso significativo nessa análise, pois só foi identificada uma matéria sobre o tema mostrando um panorama geral sem inclinações significativas. Isso nos leva a intuir que o tema Chagos não merece interesse nesse veículo de comunicação. Foi surpreendente a falta de cobertura jornalística por parte deste meio, principalmente por Seychelles ser parte envolvida nesse caso.</p>
      <p>Por último, o Le Mauricien que é um dos maiores portais de notícias da República de Maurício, país que mais abriga os deslocados de Chagos. O que mais chama a atenção desse veículo é a diferença da quantidade de matérias veiculadas por ele em comparação com os demais meios analisados. O Le Maurcicien publicou quase mil notícias num espaço de tempo de menos de 10 anos sobre os chagossianos. Desse número, mais de um terço <italic>(318, ou 37,9%)</italic> foi catalogado em Embates e Negociação, ou seja, para relatar e divulgar o andamento das questões jurídicas que tramitam nos tribunais internacionais, e também para noticiar tentativa de acordos, reuniões ou até mesmo manifestações cobrando uma posição da ONU, da Corte Europeia de Direitos Humanos e do Tribunal Penal Internacional. A segunda categoria que mais aparece é a Situação Social, com mais de um quarto das matérias do jornal mauriciano, isto é, 241 (28,7%) são referentes a explanar e denunciar a situação social na qual a antiga população de Diego Garcia se encontra. As categorias Meio Ambiente com 54 matérias (6,4%) e, Geopolítica, com 53 (6,3%), ficam distantes das duas primeiras. A preferência desse veículo por tratar de questões ligadas às categorias Embates e Negociação, e Situação Social indica que a mídia mauriciana tende a divulgar com muita frequência o andamento dos processos do povo chagossiano, e ao mesmo tempo, tenta mostrar o lado humano e a violação dos Direitos Humanos infringida ao chagossianos ao serem expulsos de sua terra e serem obrigados a recomeçar a vida num lugar que não era o seu. O baixo número de matérias nas categorias Meio Ambiente, e Geopolítica indicam que o foco do jornal é a questão humana e a tentativa de resolução desse embate que está na linha de frente do Le Mauricien. A análise mostra que o Le Mauricien tem em suas matérias como objetivo mostrar de forma quantificada toda a luta jurídica e social nas batalhas do povo chagossiano, seja nos tribunais internacionais ou nos movimentos de volta para o arquipélago, tentando ser transparente e completo acerca de todo passo a passo jurídico.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
      <p/>
      <p>Tendo em vista os dados levantados nesta pesquisa, pode-se perceber o que cada meio de comunicação tende a divulgar a seu público-alvo. Cada veículo apresentou uma tendência a ressaltar um determinado aspecto da problemática que envolve o caso do Arquipélago Chagos.</p>
      <p>O The New York Times busca explicitar a grande importância geopolítica da base militar de Diego Garcia para os EUA. As matérias da categoria Geopolítica respondem por 56,9% do total, enquanto a categoria Meio Ambiente aparece em segundo lugar com 26,7%.</p>
      <p>O jornal The Washington Post publicou apenas 11 matérias no período. Ressalta em suas matérias a questão da proteção ambiental da região, tendo essa categoria 52,5% do total.</p>
      <p>As outras categorias só foram atendidas com uma matéria cada uma.  <italic>(14)</italic>, que pode ser considerado surpreendente, haja vista o interesse regional da Índia acerca do desenrolar do pleito dos chagossianos. Finalmente, a julgar pela atenção data pelo Nation de Seychelles com apenas uma matéria publicada, este país quer manter-se à margem dessa problemática.</p>
    </sec>
    <sec>
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        <caption>
          <title>No exílio, os Chagossianos rapidamente se encontraram lutando para sobreviver na condição de serem os mais pobres entre os pobres, em países que agora são destinos turísticos"(VINE, 2012, p. 847 -Tradução nossa). Os chagossianos já protestaram nas ruas, fizeram greve de fome, enviaram petições aos governos estadunidense e britânico, além de processá- los nas mais altas cortes tanto europeias quanto nas Nações Unidas.Conforme Gifford e Dunne (2014), o número de habitantes deslocados pelas ações do governo britânico, continua sendo incerto. É necessário dizer que o governo do Reino Unido realizou contagens populacionais nas ilhas, mas esses dados não parecem ser precisos. Segundo as contasde Gifford, entre 1965de Gifford, entre   e 1970 820 ilhéus deslocados e em 1971 o governo de Maurício apresentou um número total de 1.151 pessoas (GIFFORD; DUNNE, 2014). A PROBLEMÁTICA ATUAL Muitas petições e apelos que foram enviados pelos chagossianos ao Reino Unido e aos Estados Unidos não obtiveram sequer resposta. Vine (2012) afirma que o governo dos EUA declarou não ter responsabilidade legal por esse povo. O autor diz que, em 1976, o governo britânico enviou um investigador para analisar em que condições os ilhéus estavam vivendo na RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais República de Maurício. As conclusões foram que estavam "vivendo em condições deploráveis" (VINE, 2012). A luta dos chagossianos continuou forte entre as décadas de 1980 e 1990, mas com pouco progresso. Em 1997, um grupo processou a Coroa Britânica, desafiando a legalidade da expulsão e em novembro de 2000, o grupo saiu vitorioso. A alta Corte Britânica admitiu a ilegalidade da remoção e consentiu o seu retorno às ilhas do arquipélago, exceto Diego Garcia. Em consequência desse fato, em 2001 e 2002, muitos chagossianos iniciaram processos nas cortes britânicas e estadunidenses com o objetivo de receber compensação adequada pela remoção para terem condições de reconstruir suas vidas nas ilhas. Em 2002, muitos ganharam o direito de obter cidadania plena no Reino Unido. Em abril de 2010, o UK Foreign and Commonwealth Office (FCO) anunciou o estabelecimento de uma Área de Preservação Marítima (APM) no BIOT. Essa decisão desencadeou uma avalanche de matérias sobre a futura blindagem ambiental da área em questão. A área da reserva cobriria 544.000 km², o que representa mais que o dobro do tamanho do Reino Unido. Essa área de preservação abrange o Arquipélago Chagos com exceção da Ilha de Diego Garcia, local da base militar estadunidense. A APM baniu qualquer tipo de comércio de pesca ou qualquer atividade humana exploratória nessa área. Para alguns, essa medida impediria de uma vez por todas o retorno dos chagossianos ao arquipélago, pois o estabelecimento de uma reserva marinha poderia ser a forma mais eficaz, a longo prazo, de impedir que qualquer um dos antigos habitantes de Chagos, ou de seus descendentes, tivessem a possibilidade de reassentamento naquele local. A decisão de criar a APM gerou bastante polêmica, apesar de ser muito aclamada por conservacionistas e organizações ambientais do mundo. A formação da APM interferiu no processo dos chagossianos na Corte Europeia de Direitos Humanos em meados de 2004. Além disso, segundo Gifford e Dunne (2014), a criação da APM levantou uma série de questões legais internacionais: conflita com o pedido da República de Maurício e das Maldivas de soberania e de jurisdição sobre a região; não há compatibilidade com a convenção da ONU para Lei dos Mares e falta aplicabilidade em outros acordos multilaterais. Filipe Reis Melo; José Laudemiro Rodrigues da Costa Filho 39 Sobre a alegação da preservação marítima, Peter Sand (2009) cita que o BIOT não faz qualquer referência à necessidade de monitorização das radiações. Mesmo que os submarinos de propulsão nuclear dos EUA tenham fugas de radiação já verificadas noutros países (por exemplo, no Japão, 2006-2008), a administração do BIOT nunca realizou medições de radiações na ilha Diego Garcia. Uma vitória dos chagossianos poderia complicar o futuro de uma base considerada fundamental para a estratégia militar dos EUA. Washington sabe que se os ilhéus fossem repatriados, ganhariam o direito à autodeterminação e os EUA poderiam até serem obrigados a desocupar a base militar. Finalmente, como muitos observadores notaram, uma vitória judicial dos chagossianos criaria um precedente importante para outros grupos deslocados que reivindicam o direito de retorno a sua terra natal.</title>
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          <title>de busca desse trabalho foi baseado em palavras-chaves e hashtags (palavra- chave antecedida pelo símbolo "#"). No processo de busca foram filtradas todas as matérias que continham referência a Chagos, contudo, houve a aparição de matérias irrelevantes para esse trabalho que traziam as palavras e expressões "Chagos" e/ou "Diego Garcia" citadas de forma aleatória ou apenas como referência e indicações. Essas matérias foram ignoradas.Durante a análise das matérias para a elaboração desta pesquisa, ficou claro que a forma como a mídia de cada país ligado ao assunto veicula suas mensagens reflete, em boa medida, o seu interesse.No jornalThe New York Times, observa-se que a maioria de suas matérias estão na categoria Geopolítica, já que de 58 matérias analisadas desde o início do banco de dados do jornal, 33 (56,9%) foram catalogadas naquela categoria. Esse número está relacionado às inúmeras operações militares dos EUA e do Reino Unido que foram realizadas, em especial durante a Guerra do Golfo, do Afeganistão e do Iraque. A segunda área mais veiculada pelo histórico jornal estadunidense foi Meio Ambiente, com 27,6%. Parece que tratar de questões de preservação da natureza seria a forma mais cômoda de blindar a maior ilha (agora uma base militar) de possíveis visitantes e interromper assim qualquer tentativa de devolução das terras aos chagossianos. As poucas matérias catalogadas em Situação Social (4 matérias) que correspondem a 6,9%, e as catalogadas como Embates e Negociação (2 matérias, 3,4%) indicam que as questões mais delicadas foram ignoradas por este meio informativo. Ao analisar esses números e o teor de suas matérias, pode-se deduzir que o The New York Times tende a ressaltar a importância da manutenção da base militar de Diego Garcia para os EUA. Já no The Washington Post, tem-se a inclinação voltada para o teor relacionado ao meio ambiente. Das 11 matérias veiculadas, seis matérias são sobre meio ambiente. O baixo número de matérias (11) talvez possa indicar a falta de interesse editorial de chamar a atenção para o tema. O teor ambiental encontrado na grande maioria das matérias do The Washington Post chancela à mídia daquele país o papel de que a interferência do exército estadunidense num arquipélago tão distante não é apenas uma atitude positiva por si só, mas também são ações necessárias para a defesa do meio ambiente em esfera global, tendo em vista que a agenda de proteção ambiental internacional tem um grande papel de influência na comunidade internacional. Filipe Reis Melo; José Laudemiro Rodrigues da Costa Filho 43 O jornal britânico The Guardian remete a uma perspectiva muito diferente da encontrada nos números e porcentagens quando se compara com os dois jornais estadunidenses. O periódico britânico tem um total de 130 matérias relacionadas a Chagos, das quais 42 foram catalogadas na categoria Embates e Negociação, ou seja, 32,3% das matérias veiculam a luta jurídica e humana dos chagossianos por retornar à terra natal. Há de se observar também que o The Guardian apresentou 30 (23,1%) matérias na categoria Geopolítica. Nessa categoria, o The Guardian menciona em várias ocasiões o British Indian Ocean Territory (BIOT), ao mesmo tempo em que não faz referência acerca das operações estadunidenses e da Organização do Atlântico Norte (OTAN) com o apoio da base militar de Diego Garcia. A terceira categoria que mais aparece é a Situação Social, com 20,8% das matérias do jornal inglês. Muitos chagossianos moram ilegalmente no Reino Unido e o jornal veiculou matérias sobre a situação precária de trabalho dos chagossianos, bem como sua situação de extrema pobreza. A categoria Meio Ambiente apareceu em quarto lugar com 19 matérias (14,6%). Essa categoria de matéria promove a blindagem ambiental e com isso, deixa mais distante a possibilidade dos chagossianos retornarem para sua terra de origem. O resultado numérico do The Guardian indica uma inclinação principal voltada a temas jurídicos. Quanto ao aspecto qualitativo, a maioria das matérias veiculadas tem o papel de legitimar legalmente as decisões da corte, mostrando que todas as ações relacionadas a Chagos foram efetuadas de forma legal e em conformidade com as normais internacionais. Ainda no que se refere ao Reino Unido, o portal de notícias The Independent apresenta o maior número de matérias na categoria Embates e Negociação (30,6%), seguida de Meio Ambiente (26,5%). A categoria Geopolítica vem em terceiro lugar (20,41%) e a categoria Situação Social em quarto com 16,3%. Pelo fato de o Reino Unido ser o principal país envolvido embate, é natural que a categoria Embates e Negociação seja a majoritária tanto o The Independent, quanto no The Guardian. Seguindo quase que a mesma proporção de quantidade de matérias do The Guardian, o The Independent também procura entregar argumentos para legitimar as ações do Reino Unido. O número de matérias relacionadas ao conteúdo geopolítico e ambiental deixa claro que esses temas não são relegados a um nível de menor importância por esses dois periódicos britânicos. O portal de notícias um pouco mais distante da realidade de conflitos jurídicos diretos, o</title>
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          <title>Por conta de sua posição geográfica privilegiada, a região, então desabitada, tem sido alvo de muitas disputas desde seu descobrimento em 1532 pelo português Diego Garcia, a serviço da Espanha, cujo nome do navegador batizou a maior ilha do arquipélago. Daquela época em diante, navios de várias nacionalidades atracaram nesse local para fincar suas bandeiras.Quando a França ocupou Maurício, em 1721, anexou o Arquipélago Chagos aos seus domínios e foi no ano de 1780 que a ilha de Diego Garcia teve o seu primeiro assentamento. Em 1810, sob o tratado de Paris, os Britânicos assumiram o controle das Ilhas Maurício e, consequentemente, do Arquipélago Chagos que delas fazia parte (SAND, 2009). Figura 1: Mapa de localização do Arquipélago Chagos Fonte: GEOGRAPHIC GUIDE, 2013. RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais O uso do trabalho escravo foi utilizado no arquipélago até 1835, quando houve a emancipação e a população escravizada que trabalhava no local, em sua maioria de origem africana, permaneceu a residir nas ilhas. A partir da segunda metade do século XIX, povos indianos também foram empregados para trabalhar nas plantações de coco e parte deles migraram permanentemente para o arquipélago. Conforme Peter Sand (2009), a importância geográfica de Diego Garcia se encontra, como já dito, no fato de que a Ilha está localizada no meio do Oceano Índico, quase que equidistante dos continentes a norte, a leste e a oeste. Além disso, a ilha Diego Garcia possui uma lagoa interna como se fosse um porto natural de 125 km² com profundidade entre 12 e 30 metros, protegida por todos os lados por recifes de corais. A ilha possui "formato de pé" quando vista de cima, e por essa razão, recebeu dos estadunidenses o rótulo "pegada da liberdade", como se pode observar na Figura 2. Figura 2: Vista aérea da Ilha Diego Garcia Fonte: Pinterest, 2020. Filipe Reis Melo; José Laudemiro Rodrigues da Costa Filho 35 O acordo firmado em 1966 entre o Reino Unido e os EUA cedeu a ilha para propósitos militares, por 50 anos aos Estados Unidos, com possibilidade de renovação por mais 20 anos. David Vine (2015) afirma que o acordo entre os EUA e o Reino Unido teria dado um desconto de 14 milhões de dólares na compra de mísseis balísticos de baseamento submarino para o Reino Unido. Segundo Peter Sand (2009), a base militar de Diego Garcia é possivelmente uma das mais importantes bases americanas fora do seu território e certamente uma das mais caras. Esta base militar apresentou-se fundamental aos EUA nas guerras do Afeganistão e do Iraque. Sand afirma que em 2008, oficiais britânicos e estadunidenses admitiram que a Ilha de Diego Garcia fazia parte de um "programa" Secreto da Central de Inteligência dos EUA (CIA). O processo de remoção dos chagossianos teve início em 1962, quando os Estados Unidos assumiram a intenção de adquirir a Ilha Diego Garcia. Em 1965, os EUA sugeriram ao governo britânico que separasse o Arquipélago Chagos do território das Ilhas Maurício, na época colônia britânica. Segundo Peter Sand (2009), a criação do BIOT era fundamental para as duas potências do Norte, na medida em que esses governos não queriam ter suas atividades sujeitas ao controle de um Estado emergente, uma vez que, em 1964, as Ilhas Maurício, por direito,possuíam a soberania sobre o Arquipélago Chagos que já gozava de certo nível de autogoverno. Sand (2009, p. 3) cita uma nota de um Ministro do Escritório Colonial, escrita em outubro de 1964: "It would be unacceptable to both the British and the American defense authorities if facilities of the kind proposed were in any way to be subject to the political control of ministers of a newly emergent independent state." Portanto, essa nota mostra a intenção dos governos britânico e estadunidense de separar o Arquipélago Chagos das Ilhas Maurício que quatro anos mais tarde alcançaria a sua independência do Reino Unido. Sand (2009) revelou que um acordo diplomático peculiar foi colocado em prática no ano de 1965 entre o governo do Reino Unido e a administração das Ilhas Maurício. A proposta foi remover o Arquipélago Chagos do território mauriciano para criar o BIOT e em troca, as Ilhas Maurício receberiam uma compensação financeira de três milhões de libras, além de um acordo anglo-mauriciano de fundos para defesa. Haveria também uma compensação pela expropriação dos donos das plantações e pelo reassentamento dos ilhéus na futura República de Maurício que conseguiu a sua independência em 1968. Seychelles, que só conseguiria a sua RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais independência do Reino Unido em 1976, ficaria responsável por acolher parte da população chagossiana realocada e, em troca, receberia a construção de um aeroporto nacional na cidade de Mahé. Após essa medida, segundo Vine (2012), em 1966 um acordo secreto entre EUA e Reino Unido, envolvendo o pagamento de 14 milhões de dólares, iniciou o processo de remoção do povo chagossiano para as Ilhas Maurício e para Seychelles, entre os anos de 1968 e 1973. No ano de 1967, as ilhas chagossianas e as plantações foram adquiridas pelo governo britânico, ou seja, Londres comprou os locais privados, mas havia ainda uma questão que o governo do Reino Unido temia que viesse a ser de conhecimento internacional: o fato de que uma proporção significativa da população vivia nesse local há várias gerações e obviamente isso seria uma violação da Declaração das Nações Unidas sobre a Concessão de Independência aos Países e Povos Coloniais (Resolução número 1.514 de dezembro de 1960), que prevê o direito inalienável das populações das ex-colônias à independência e ao seu território. Os chagossianos perderam seus pertences e suas propriedades. A população chagossiana deportada era de terceira e quarta geração, cujos avós ou bisavós já haviam nascido no arquipélago (SAND, 2009).</title>
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          <title>chama media diplomacy a influência e o uso das redes internacionais de comunicação nas decisões estatais. Para a escolha dos meios de comunicação analisados, os critérios foram os seguintes: 1) identificar meios de comunicação de países diretamente envolvidos no impasse dos chagossianos; 2) identificar meios de comunicação de países indiretamente envolvidos no impasse. Os países diretamente envolvidos são a República de Maurício, o Reino Unido e os Estados Unidos. Foram considerados países indiretamente envolvidos: França (ex-colonizador do Arquipélago Chagos), Seychelles (país que recebeu parte minoritária da população chagossiana desterrada) e Índia (país de origem de parte da população chagossiana). Da República de Maurício, o objeto de estudo foi o portal de notícias Le Mauricien, uma importante fonte de informações sobre o país, seus habitantes e seus respectivos interessados.RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais A República de Maurício foi e é o primeiro país citado e interessado nesse assunto. O Le Mauricien representa todo o histórico da população, desde sua retirada forçada até as tentativas de acordo com a ONU e com as Cortes Internacionais. Por conta da grande quantidade de matérias, o banco de dados do Le Mauricien só disponibiliza as últimas mil matérias veiculadas, por conta disso, o período de análise das matérias veiculadas nesse portal compreende os anos de 2010 até 2017. As representações da mídia do Reino Unido estão nos tradicionais jornais britânicos The Guardian e The Independent. Esses portais foram escolhidos porque abrangem a maior quantidade de matérias inseridas num maior intervalo de anos, aumentando assim o grau de precisão das porcentagens encontradas. Foram analisadas as notícias do The Guardian desde 1950 até março de 2017, e do The Independent de 1994 até março de 2017. Para representar a mídia dos EUA, foram escolhidos os jornais The New York Times e The Washington Post, por serem dois dos periódicos de referência naquele país e no meio jornalístico mundial. O período de análise das matérias do The New York Times é entre 1914, com a criação do jornal, até março de 2017, enquanto o período estudado do The Washington Post foi entre 1999 até 2017. Esse grande intervalo de tempo é justificado pelo abrangente banco de dados disponibilizado pelo portal de notícias americano, dando uma margem histórica mais completa acerca do comportamento que o periódico tinha. Para se ter uma visão um pouco mais externa do conflito, o trabalho apresenta portais da Índia e da França, The Hindu e Le Monde, respectivamente. O período de análise para o portal de notícias francês foi de 1987 até outubro de 2017, esse período se explica por um banco de dados relativamente extenso acerca do tema. Já o período de análise do portal de notícias da Índia abrange três curtos anos, de 2014 até 2017, contudo, com duas matérias históricas em 1965 e em 1987, que são disponibilizadas no próprio banco de dados do portal online. Finalmente, da República das Seychelles, o objeto de estudo foi o portal Nation.Em relação ao conteúdo das matérias, o trabalho definiu cindo categorias em relação ao teor das matérias: (1) embates e negociação; (2) situação social; (3) meio ambiente;(4)geopolítica; e (5) outros. O resultado está no Quadro 1.Filipe Reis Melo; José Laudemiro Rodrigues da Costa Filho 41 Cada categoria representa a compilação de assuntos semelhantes entre si, assim utilizados para nortear as possíveis parcialidades de cada veículo escolhido. A primeira coluna se refere a notícias relacionadas ao embate e às negociações, como por exemplo notícias veiculadas acerca dos resultados e/ou acompanhamentos da luta dos chagossianos nas cortes internacionais, reuniões da ONU, Reino Unido e República de Maurício. A segunda categoria é sobre a situação social dos chagossianos, desde sua expulsão de Chagos, ou seja, todas as matérias relacionadas às condições de vida dos chagossianos. A terceira categoria é em relação ao meio ambiente, à criação de uma Área de Proteção Marinha (APM) e especialmente à Ilha Diego Garcia. A quarta é em relação aos interesses geopolíticos e estratégicos da base militar em Diego Garcia. Por fim, na última categoria denominada "outros" encontram-se matérias que não se encaixam nas anteriores, como por exemplo matérias do The Guardian, onde há a cobertura da Copa Internacional de Futebol de nações não reconhecidas pela FIFA, da qual o time de futebol de Chagos foi participante. Quadro 1: Quantidade de matérias e seus respectivos teores</title>
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          <title>The Hindu, da Índia, apresenta um comportamento peculiar. Quase 43% de suas matérias estãoRICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais na categoria Embates e Negociação. Quase 30% de suas matérias são sobre Meio Ambiente, tanto em Diego Garcia, no BIOT, como também no Arquipélago Chagos como um todo. A categoria Geopolítica responde por 14,3% e não há nenhuma matéria sobre a Situação Social dos chagossianos. O periódico de um país próximo geograficamente do Arquipélago Chagos, mas distante do ponto de vista político pois não está envolvido no embate político, não apresentou nenhuma matéria acerca da situação social dos chagossianos. A agenda ambiental internacional da região também está presente (28,6%) num portal de notícia de um país que ocupa uma menor importância na problemática dos chagossianos. No que se refere ao jornal francês Le Monde, a questão ambiental tem uma maior participação no portal com quase 30% (15) das matérias. Cerca de 24% são matérias referentes a Embates e Negociação. O Le Monde reserva 16,7% para a Situação Social dos chagossianos, e 9,3% são reservados à Geopolítica. Os números encontrados no portal de notícias francês Le Monde mostram que o interesse em tratar de questões ambientais é maior do que o de tratar de questões da categoria Embates e Negociação. A Situação Social dos chagossianos aparece em terceiro lugar com 16,7%.</title>
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          <title>Já o The Guardian tenta, por meio de suas matérias, veicular principalmente a legitimidade jurídica de todas as ações do Reino Unido relativas ao Arquipélago Chagos, desde a retirada forçada dos chagossianos até os desdobramentos das demandas dos chagossianos na Corte Europeia de Direitos Humanos e na ONU. Essa característica se repete no The Independent. Nos dois grandes periódicos britânicos, a maior quantidade de informações veiculadas são direcionadas para dar legitimidade jurídica às decisões tomadas em favor do Reino Unido. Ao mesmo tempo, pode-se observar que o tema Meio Ambiente aparece como o segundo mais explorado nesses dois meios, de modo a reforçar a importância da proteção ambiental no BIOT. A questão ambiental também é o tema que mais aparece nas matérias do Le Monde e do The Hindu, com textos extremamente técnicos acerca de estudos e de informações raras sobre a diversidade da vida marítima da região. O Le Mauricien privilegia matérias de duas categorias Embates e Negociação, e Situação Social. A primeira categoria tem a ver com a decisão da ONU acerca de quem tem direito sobre a soberania do Arquipélago Chagos, se o Reino Unido ou a República de Maurício. Já no segundo tema, o jornal ressalta certo lado emocional, apelando para as emoções do leitor que poderia tomar partido a favor daqueles que foram expulsos. Foi surpreendente a falta de cobertura jornalística por parte do Nation, de Seychelles, principalmente pelo fato desse país ser parte envolvida nesse caso ao receber parte, ainda que minoritária, dos chagossianos expulsos de Chagos. Por fim, ao analisar os dados dos 8 periódicos, o embate entre chagossianos e Londres pode ser dividido da seguinte forma: 1) há o discurso de proteção ambiental que aparece no Le Monde, no The Independent, no The New York Times, The Washington Post e no The Hindu; 2) o foco nos assuntos que dizem respeito a Embates e Negociação, posição reforçada pelo The Guardian, Le Mauricien, The Hindu, The Independent e pelo Le Monde; 3) e em menor medida, o foco sobre Geopolítica, liderado pelo The New York Times. A categoria Situação Social dos chagossianos não é prioridade para os meios, com exceção do Le Mauricien. No aspecto qualitativo, apenas o Le Mauricien se posiciona de uma forma mais compreensiva com relação aos chagossianos, ao priorizar matérias sobre Embates e Filipe Reis Melo; José Laudemiro Rodrigues da Costa Filho 47 Negociação, e sobre a Situação Social desse povo. As suas matérias são mais críticas quanto à postura do Reino Unido, o que o diferencia dos demais meios analisados. Pode-se observar que a cobertura dada por cada meio de comunicação guarda certa relação com os interesses do país sede. Os dois jornais estadunidenses priorizaram aspectos de preservação ambiental e de importância geopolítica da base militar de Diego Garcia. Ao tratar menos de aspectos referentes à situação dos chagossianos e às demandas nos tribunais, o The New York Times e o The Washington Post contribuem para não chamar a atenção para o cerne do problema: o desterro da população chagossiana. Os dois jornais britânicos foram os que apresentaram uma cobertura mais equilibrada entre os temas analisados na pesquisa, não apresentando nem uma concentração, nem um esvaziamento de nenhuma das categorias. O Reino Unido é o país que está no centro das discussões, pois ao mesmo tempo em que tem interesse em manter o atual statu quo do Arquipélago Chagos, é também palco do mais importante movimento a favor da causa chagossiana. O Le Mauricien reflete, em certa medida, os interesses da República de Maurício, onde está a maioria da população chagossiana expulsa o arquipélago, ao concentrar suas matérias em Situação Social dos chagossianos e em Embates e Negociação. O Le Monde, representando a França, foca suas atenções na categoria menos política, isto é, preservação ambiental. É como se não se quisesse politizar a questão chagossiana. O veículo indiano apresentou relativamente poucas matérias</title>
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