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        <article-title>DOSSIÊ MÍDIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS</article-title>
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        <title>Abstract</title>
        <p>A segunda metade do século XX se diferenciou por uma revolução tecnológica nos meios de comunicação, nos sistemas de informação e na informatização dos processos de produção industrial que alteraram, significativamente, a atuação econômica, social e política dos Estados.</p>
        <p>Essas mudanças contribuem para que a diplomacia não seja mais executada a portas fechadas. Outros atores tanto internos como externos surgiram como variáveis de modificação da nova forma de fazer diplomacia. Sociedade civil, opinião pública, ministérios do governo, administrações estaduais, municipais, e claro, a imprensa.</p>
        <p>Empresas jornalísticas privadas, redes internacionais de comunicação, portais de notícia na internet, redes sociais e até cinema passaram a ter peso naquilo que Gilboa (1987) chamou de "Diplomacia Midiática" (Media Diplomacy), estratégia que aproveita os recursos midiáticos da Era da informação na política externa.</p>
        <p>Apesar disso, é notória a dificuldade de se reconhecer o soft power da mídia e sua atuação como ator nas Relações Internacionais, sendo que tal circunstância decorre da insistência teórica de identificar somente uma de suas possíveis faces, a de instrumento de divulgação de informações, o que afastaria o seu protagonismo e autonomia de ator como proposto neste dossiê. É preciso, pois, reconhecer que a mídia também age segundo interesses próprios e é sob essa perspectiva que emerge, e se configura a aquisição de seu status de ator.</p>
        <p>Ao enveredar por essa temática, os autores deste dossiê proporcionaram uma diversidade de debates sobre a participação da mídia em questões políticas, geopolíticas, administrativas e humanitárias, com diferentes análises em relação à força deste ator para as RI.</p>
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        <title>Keywords</title>
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      <p>A partir de leituras tradicionais nas Relações Internacionais (Lippmann, Thompson, Onuf, etc.) e da influência de teóricos contemporâneos das Ciências Sociais (Foucault, Bourdieu etc.) os textos percorrem a agenda global ao analisar situações comuns nas pesquisas acadêmicas, como a atuação das chamadas 'grandes mídias' em episódios de exercício de poder em conflitos territoriais, até a influência das mídias mais modernas, quais sejam as redes sociais, em temas atuais como a pandemia de covid-19. Do construtivismo de Onuf retira-se uma das principais contribuições para o tema, o debate acerca do lugar das ideias e dos valores na análise de fenômenos internacionais. A premissa básica desse campo teórico é a de que se vive em um mundo em que, permanentemente, todos constroem, ou seja, não existe uma realidade absoluta imposta, pré-determinada, mas, sim, uma construção social, a qual é produto das escolhas humanas.</p>
      <p>A atuação da mídia -com a capacidade de construir e de disseminar, em larga escala, realidades sociais por meio de seu discurso diário -compartilha com os outros agentes a função de constituir a definição de regras, identidades e interesses, de modo que, em um movimento dialógico, a mídia é igualmente, constituída e influenciada pela estrutura da realidade política internacional.</p>
      <p>Em oito artigos, os autores proporcionaram aos leitores um 'passeio' pelas diferentes formas de comunicação, englobando análises de textos do jornalismo impresso, de mensagens divulgadas por meio de canais digitais, e pelas fotografias que retratam a visão midiática de determinados assuntos.</p>
      <p>A proposta de provocar o debate em torno das diferentes atuações da mídia como ator internacional, seja na velha ou na nova agenda política, provoca reflexões acerca da evolução deste papel e gera novas análises sobre o tema, sem, contudo, fechar as discussões em torno do assunto. </p>
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          <title>O primeiro artigo intitulado "OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA E A OPINIÃO PÚBLICA: O TRATAMENTO EDITORIAL DA "CRISE" VENEZUELANA NOS EDITORIAIS DA FOLHA DE S. PAULO E DO ESTADO DE S. PAULO" busca discutir as possíveis interações entre política externa brasileira, meios de comunicação e opinião pública no caso da convocação e Caroline Rangel Travassos Burity; Thais Emmanuelle Cirino Maximino da Silva desdobramentos da Assembleia Nacional Constituinte na Venezuela ocorrida entre março e setembro de 2017. No segundo artigo, a temática ambiental ganha espaço com o texto "ABORDAGEM MIDIÁTICA SOBRE O DESTERRO E A LUTA DA POPULAÇÃO NATIVA DO ARQUIPÉLAGO CHAGOS", no qual os autores discutem o caso do Arquipélago Chagos, no Oceano Índico, cujos habitantes foram expulsos pelo Reino Unido no início do século XX. A partir da análise do tratamento dado ao assunto em oito veículos de comunicação da imprensa escrita internacional, o texto propõe uma reflexão sobre violação dos direitos humanos, meio ambiente e direito de propriedade, destacando o papel da mídia na publicização do tema. O twitter está presente nos artigos "LEITURAS DISTINTAS DE UMA MESMA PANDEMIA: UMA ANÁLISE DO TWITTER PRESIDENCIAL EM CONFRONTO COM AS NOTÍCIAS INTERNACIONAIS E A CONSTRUÇÃO DE IMAGEM DO BRASIL NO EXTERIOR" e "O CONSERVADORISMO NA DIPLOMACIA MIDIÁTICA DE ARAÚJO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE TWEETS DE 2018 A 2020". Os textos abordam a utilização da rede social para a propagação de ideias do governo brasileiro. O meio ambiente ainda está presente no quarto artigo: "AS POLÍTICAS AMBIENTAIS BRASILEIRAS E A MÍDIA INTERNACIONAL: UM ESTUDO DE CASO SOBRE O GOVERNO BOLSONARO E SUA REPERCUSSÃO NA SOCIEDADE INTERNACIONAL"; dessa vez, com o enfoque sobre como a imprensa internacional abordou as pautas ambientais do governo brasileiro. Utilizando-se da teoria construtivista, os autores avaliaram matérias publicadas em jornais online de modo a verificar a percepção da mídia acerca das tomadas de decisão do país. A cobertura dos jornais brasileiros em eventos internacionais também foi contemplada no sétimo artigo deste dossiê. Com o tema "IMAGENS DE UM CONFLITO: A MARCHA DO RETORNO PALESTINA NA COBERTURA FOTOJORNALÍSTICA DA FOLHA DE SÃO PAULO", o texto promove uma reflexão sobre a cobertura da Grande Marcha do Retorno, entre os anos de 2018 e 2019, que gerou um novo ciclo de violências entre israelenses e palestinos. A partir da análise das publicações na imprensa RICRI, Volume 8, Número 15, 2020. Dossiê Mídia e Relações Internacionais brasileira, os autores discutem a influência das agências estrangeiras na mídia nacional, os interesses empresariais e a importância das mensagens passadas pelas fotografias. A seguir, no artigo "A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA RESPIRA POR "APARELHOS"?: UMA ANÁLISE DE CONTEÚDO DOS TUÍTES DE ERNESTO ARAÚJO E AS INTERAÇÕES COM A OPINIÃO PÚBLICA", os autores optaram pela análise das redes sociais, em particular, o Twitter, para tratar sobre a política externa brasileira no governo do presidente Jair Bolsonaro. Tendo como foco as interações e declarações feitas pelo chanceler Ernesto Araújo e abordando conceitos como os de opinião pública e diplomacia midiática, o texto aponta para a utilização da ferramenta na tentativa de polarizar o debate público e manter bases eleitorais. Por fim, no oitavo e último texto, intitulado "A "NOVA" POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA VIROU "INSTAGRAMER": ANÁLISE DO INSTAGRAM OFICIAL DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO BRASIL E SEU PÚBLICO", as redes sociais retornam ao debate com a análise do Instagram do Ministério das Relações Exteriores, bem como, do público que interage com a conta oficial do Itamaraty na rede social, no governo de Jair Bolsonaro. Atual e reflexivo, o tema amplia o debate em torno das novas formas de comunicação entre o público e a classe política.</title>
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