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        <article-title>A BELT AND ROAD INITIATIVE E SEUS IMPACTOS NA GOVERNANÇA GLOBAL NO CONTEXTO DE AVALIAÇÃO DE CENÁRIOS PROSPECTIVOS THE BELT AND ROAD INITIATIVE AND ITS IMPACTS ON GLOBAL GOVERNANCE IN THE CONTEXT OF EVALUATION OF PROSPECTIVE SCENARIOS</article-title>
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        </contrib><aff id="aff0"><institution>, Universidade Estadual da Paraíba</institution>
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        <title>Abstract</title>
        <p>A República Popular da China, após a abertura de sua economia, vem implementando seus critérios de política externa, em que um dos elementos constitutivos é a construção pacífica de parceiras com países interessados ao estabelecimento de relações comerciais profícuas, para tanto, lançou em 2013 o ousado projeto Beltand Road Initiative (BRI). Para viabilizá-lo, vem aportando vultuosos recursos financeiros em países, inicialmente, localizados na Eurásia, com a finalidade de criação e melhorias de infraestrutura, que deverão ser acessadas e, por vezes, geridas pelo próprio país asiático, na pretensão de concretizar seu anseio pelo estabelecimento de rotas comerciais que possibilitem o escoamento de seus produtos manufaturados, inclusive, com maior facilidade e menores custos. Nesse escopo, o presente trabalho, através de uma revisão bibliográfica, propõe identificar os possíveis impactos desta iniciativa na perspectiva da governança global, identificando alguns dos possíveis questionamentos que deverão ser enfrentados pelo país asiático à consecução de sua pretensão de escala mundial, numa abordagem que traz uma avaliação de cenários prospectivos para os próximos anos, segundo as variáveis escolhidas dentre aqueles considerados mais alinhadas com a temática. Palavras-chave: República Popular da China. Beltand Road Initiative. Avaliação de Cenários Prospectivos.</p>
        <p>The People's Republic of China, after opening up its economy, has been implementing its foreign policy criteria, in which one of the constitutive elements is the peaceful construction of partnerships with countries interested in the establishment of fruitful trade relations, for that, it launched in 2013 the bold Belt and Road Initiative (BRI) project. To make it viable, it has been providing substantial financial resources in countries, initially, located in Eurasia, with the purpose of creating and improving infrastructure, which must be accessed and, sometimes, managed by the Asian country itself, in order to fulfill its desire. by the establishment of commercial routes that allow the flow of its manufactured products, including, with greater ease and lower costs. In this scope, the present work, through a bibliographic review, proposes to identify the possible impacts of this initiative from the perspective of global governance, identifying some of the possible questions that must be faced by the Asian country to achieve its claim on a world scale, in an approach that brings an assessment of prospective scenarios for the next ten years, according to the variables chosen from among those considered most aligned with the theme.</p>
      </abstract>
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        <title>Keywords</title>
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      <title>INTRODUÇÃO</title>
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      <title>Avaliação de cenários internacionais, como disciplina no contexto da ciência das Relações</title>
      <p/>
      <p>Internacionais, é utilizada como ferramenta para analisar, seguindo perspectiva metodológica própria, determinado fenômeno, sendo traçadas perspectivas futuras que sirvam de parâmetro a estudiosos, gestores ou interessados em obter uma melhor compreensão sobre o objeto de estudo, repercutindo em maior capacidade a posicionamentos claros e consistentes a partir da conjuntura transformada em projeções futuras, "a ideia da análise de conjuntura e seu conceito é um estudo relativamente recente e que vem sendo incorporado cada vez mais por planejadores, empresas, órgãos públicos e privados, além de governos" <italic>(Oliveira, 2018: 130)</italic>.</p>
      <p>A importância e a grande utilidade dos estudos prospectivos possibilitaram estabelecer o objetivo do presente estudo, que buscou analisar os impactos à governança global diante da criação de infraestrutura em países atravessados pelo moderno projeto chinês Beltand Road Initiative (BRI).</p>
      <p>Criação de novas infraestruturas são parte da estratégia política e econômica da República Popular da China (RPC), que através da BRI busca interligar países por rotas comerciais, que avançaram, inicialmente, em direção aos países vizinhos da Ásia, à África e à Europa, tanto por trechos terrestres quanto marítimos.</p>
      <p>Aspecto essencial nesse cenário descortinado pela BRI, diz respeito à estratégica política chinesa como meio de implementação dos objetivos do Projeto, com ajustes de acordos bilaterais com os países parceiros, nos quais a principal contrapartida chinesa está representada por vultosos investimentos financeiros revertidos, prioritariamente, à criação e melhorias de infraestruturas nos países integrantes da rota.</p>
      <p>Inegável reconhecer que as ações de política externa chinesa têm grande repercussão nos países aliados nas questões de governança global, muito mais considerando a influência da BRI, razão pela qual a presente pesquisa se deteve a identificar esses impactos, considerando os de cenários prospectivos para os próximos anos. Para tanto, o procedimento metodológico constou do emprego da pesquisa bibliográfica, mediante uma revisão de literatura sobre a referida temática, sem restrição temporal, amparada em publicações nacionais e internacionais, cujos dados subsidiaram à elaboração do presente estudo prospectivo, estruturado sob a ótica da escola francesa de construções de cenários prospectivos e suas respectivas definições <xref rid="b17" ref-type="bibr">1</xref>.</p>
      <p>Neste contexto, foram seguidos parâmetros metodológicos traçados por Lakatos e Marconi, que indicam ser a revisão bibliográfica uma análise realizada "a partir de uma dada circunstância concreta, que se pretende desvendar", e que para isso são verificados elementos "relevantes que possam ser considerados como ponto de partida ao início do estudo pretendido", sobre os quais já existem algum material pesquisável <xref rid="b15" ref-type="bibr">2</xref><italic>Marconi, 2003: 225)</italic>.</p>
      <p>A revisão bibliográfica foi empregada de modo conjugado ao método indutivo na fase de análise dos dados, posto que o citado método é instrumental adequado à busca de parâmetros particulares que permitam obter resultados, que de alguma forma, possam ser generalizados em dado contexto. Lakatos e Marconi corroboram dito entendimento, na busca por "encontrar resultados prováveis mais amplos do que as considerações que serviram de ponto de partida" <xref rid="b15" ref-type="bibr">2</xref><italic>Marconi, 2003: 86)</italic>. Na concepção metodológica da pesquisa, foram ainda utilizadas as ferramentas metodológicas específicas, no sentido de poder evidenciar os cinco elementos informadores descritos por Buarque, essenciais para a construção de cenários, a seguir descritos:</p>
      <p>Quais fatores estão amadurecendo na realidade atual que indicam uma tendência de futuro? Quais são as condicionantes mais relevantes e aquelas de desempenho futuro mais incerto? Que hipóteses parecem plausíveis para a definição de eventuais e prováveis comportamentos futuros dessas incertezas centrais? Como podem ser combinadas as diferentes hipóteses para as diversas incertezas consideradas relevantes? e, Que combinações de hipóteses das incertezas podem ser consideradas consistentes para a formação de um jogo coerente de hipóteses? <italic>(Buarque, 2003: 31)</italic>.</p>
      <p>O argumento que constitui o relatório da pesquisa foi estruturado, a partir dessa introdução, bem como o seu contorno metodológico, sendo o trabalho divido em três seções, sendo a primeira destinada à contextualização do tema objeto de estudo; na seção seguinte foram elencadas as variáveis selecionadas para estruturar o estudo; e, a última relativa os resultados obtidos diante da metodologia aplicada, estabelecendo o cenário normativo ou desejável, além de duas perspectivas de futuro, realizável e provável, para os próximos anos, implementando o objetivo proposto. Na sua parte conclusiva, são trazidas as percepções obtidas sobre o resultado da pesquisa sobre o assunto, esclarecendo ainda a possibilidade de continuidade dos estudos por outros pesquisadores com interesse neste tema contemporâneo, que vem despertando interesse acadêmico na esfera das relações internacionais com viés econômico, social e político, tendo em vista a impossibilidade de esgotar a discussão apenas no âmbito deste artigo.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>CONSIDERAÇÕES SOBRE A BELT AND ROAD INITIATIVE</title>
      <p/>
      <p>Conforme sobredito, o plano estratégico da República Popular da China (RPC) reflete seus interesses como nação, cujos objetivos são sustentados sob dois pilares conceituais e simbióticos: o desenvolvimento pacífico e o mundo harmonioso, reforçando o entendimento de que esta construção respeita os demais Estados, sem ameaças aos países vizinhos nem à comunidade internacional, sem ostentar um caráter revisionista e com respeito às regras do Sistema Internacional (SI) <xref rid="b22" ref-type="bibr">3</xref><xref rid="b22" ref-type="bibr">3</xref>.</p>
      <p>Uma primeira questão a ser apontada diz respeito ao conceito de economia de mercado, cuja essência se diferencia da economia de mercado com características chinesas, a qual possui peculiaridades e singularidades, decorrente da própria história e fundamentos essenciais da cultura chinesa, traduzidas em elementos que constroem os critérios de sua política externa, chamada política win-win, em que o país asiático busca transmitir suas intenções mediante o estabelecimento de relações equilibradas com os países parceiros, mediante a valorização de interesses comuns e o estabelecimento de vantagens recíprocas, fugindo, assim, da perspectiva do conceito mais tradicional atribuído ao capitalismo contemporâneo <xref rid="b19" ref-type="bibr">4</xref><xref rid="b19" ref-type="bibr">4</xref>.</p>
      <p>O projeto chinês é ponto central na política externa do Mandatário Xi Jinping, que objetiva "traduzir o potencial econômico da China em uma rede global de alianças. Pequim elogia a iniciativa como uma oportunidade de "cooperação ganha-ganha" entre si e os países participantes" <italic>(Saha, 2020: 13</italic> A Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) representa o maior projeto de infraestrutura e desenvolvimento da história da humanidade e apresenta riscos e oportunidades para ecossistemas, economias e comunidades. Alguns riscos (fragmentação de habitat, atropelamento) são óbvios, no entanto, muitos dos maiores desafios da BRI para desenvolvimento e conservação não são óbvios e requerem uma ampla consideração para serem identificados. Nesta primeira BRI Horizon Scan, identificamos 11 questões de fronteira que podem ter grandes impactos ambientais e sociais, mas que ainda não são reconhecidos. De maneira mais geral, o BRI aumentará a participação da China na governança ambiental internacional. Assim, são necessários novos modos cooperativos de governança para equilibrar interesses geopolíticos, sociais e ambientais. A atualização e a padronização dos padrões ambientais globais são essenciais para proteger os sistemas ecológicos e as sociedades humanas (tradução nossa) 3 <italic>(Hughes, 2020, [s/p]</italic> Preocupação também destacada pela publicação de Alex <italic>He (2019:2)</italic>, ao tecer considerações sobre as motivações, financiamento, expansão e desafios da estratégia em constante expansão pelo mandatário Xi Jinping:</p>
      <p>As prioridades e o desempenho dos investimentos da China na BRI são discutidos do ponto de vista da distribuição geográfica, rotas e projetos, setores prioritários e a conexão entre a BRI e a estratégia anterior de "saída" que a China iniciou no início do século XXI. O modelo e as formas específicas pelas quais a China financia e investe em projetos da BRI, decidiram, em grande parte, a natureza do plano de investimento em infraestrutura global liderado pela China. O financiamento da BRI é revisado em detalhes. Com base na análise geopolítica e geoeconômica da BRI nas partes anteriores, são reveladas as implicações da BRI para a governança global, à medida que vai além do ambicioso plano de investimento em infraestrutura (tradução nossa) <italic>(He, 2019:2)</italic>  <italic>4</italic> .</p>
      <p>Importa reconhecer, portanto, que a BRI reflete o planejamento da nação chinesa para o futuro, estabelecendo um modelo próprio de relações com a comunidade internacional, denominada economia de mercado com características chinesas, que anuncia propiciar vantagens econômicas para todos os parceiros e não apenas para aquele que arca com o ônus do investimento em infraestrutura, e que muito repercute no contexto de governança global. <italic>3</italic> Texto original: The Belt and Road Initiative (BRI) represents the largest infrastructure and development project in human history, and presents risks and opportunities for ecosystems, economies, and communities. Some risks (habitat fragmentation, roadkill) are obvious, however, many of the BRI's largest challenges for development and conservation are not obvious and require extensive consideration to identify. In this first BRI Horizon Scan, we identify frontier issues that may have large environmental and social impacts but are not yet recognised. More generally, the BRI will increase China's participation in international environmental governance. Thus, new cooperative modes of governance are needed to balance geopolitical, societal, and environmental interests. Upgrading and standardising global environmental standards is essential to safeguard ecological systems and human societies <italic>(Hughes, 2020: [s/p]</italic>). <italic>4</italic> Texto original: The priorities and performance of China's investments in the BRI are discussed from the angle of geographical distribution, routes and projects, priority sectors and the connection between the BRI and the previous "going out" strategy China started at the beginning of the twenty-first century. The model and the specific ways China finances and invests in BRI projects, to a great extent, decided the nature of the China-led global infrastructure investment plan. BRI financing is reviewed in detail. Based on the geopolitical and geo-economic analysis of the BRI in the previous parts, the implications of the BRI for global governance as it goes beyond the ambitious infrastructure investment plan are revealed <italic>(He, 2019: 2)</italic> </p>
    </sec>
    <sec>
      <title>CONSIDERAÇÕES SOBRE GOVERNANÇA GLOBAL</title>
      <p/>
      <p>No contexto histórico, é possível identificar o nascimento da ideia de Estado em 1658, com a assinatura do Tratado de Vestfália, quando foram estabelecidos os parâmetros de soberania e de autonomia de cada país de acordo com seus limites territoriais <xref rid="b21" ref-type="bibr">5</xref>.</p>
      <p>Os Estados passaram a constituir o Sistema Internacional (SI), estabelecendo relacionamentos entre si, uma vez que não existe um governo supranacional que os regulamente, numa relação descrita por Kenneth Waltz como balança de poder a seguir descrita:</p>
      <p>Waltz definiu a teoria da balança do poder como um desenvolvimento da teoria sistêmica das relações internacionais. O destino de cada Estado no sistema internacional depende das suas respostas às ações dos outros Estados. Quanto maior é a participação do Estado na distribuição das capacidades no sistema internacional menores serão as possibilidades de ele ser constrangido (Waltz apud <italic>Corrêa, 2016: 48)</italic>.</p>
      <p>No palco do SI é que se desenrolam as relações internacionais e vem sendo considerado o crescimento das interligações entre os Estados, decorrentes dos processos de globalização, surgidos após a Segunda Grande Guerra Mundial, e prioritariamente, a partir da década de 1990 <xref rid="b21" ref-type="bibr">5</xref>, quando da utilização mais disseminada de instrumentos tecnológicos individuais, que permitiram o estabelecimento de um novo padrão de comportamento global, que por consequência, fez surgir demandas e interesses comuns aos atores internacionais, relativas a critérios de política externa mais coesos com as referências de crescimento e vida sustentável, sendo possível considerar " 'governança sem governo': um quadro de atuação de atores múltiplos em sistemas formais e informais objetivando a regulação de relações interdependentes" <italic>(Dotta, 2018: 70)</italic>.</p>
      <p>Portanto, ganha importância a ideia de governança global, mediante a qual os Estados e Organizações Internacionais Governamentais ou Intergovernamentais (OIGs), buscam soluções conciliadas para questões internacionais. Segundo Pecequilo as OIGs surgiram da premência de "encontrar soluções para determinadas questões internacionais além da diplomacia tradicional, gerando espaços permanentes a discussão periódica destas questões, funcionando como mediadoras" <italic>(Pecequilo, 2012: 67)</italic>.</p>
      <p>Logo, a sustentabilidade não seria somente um conceito ligado, unicamente, a questões relacionadas ao tema do meio ambiente, mas sim, à ideia de que o Sistema Internacional possa garantir sua própria existência e permanência por mais tempo, na perspectiva de uma observação e atuação, particularmente de cada Estado, mais alinhada em questões de interesse global e essenciais à humanidade, inclusive, publicação que corrobora este entendimento foi feita pelo IPEA:</p>
      <p>Novos tópicos entraram na agenda da governança global, como as reformas do sistema financeiro internacional, mudanças climáticas, redução da pobreza, cibersegurança e segurança nuclear. "Como BRICS, temos muito claro que a governança global é inclusiva e não confrontacional. Devemos trazer ideias renovadas, em nossa posição única de entender as questões de países em desenvolvimento e usar essa vantagem para trazer a perspectiva dos países emergentes", complementou o Embaixador Viswanathan, pesquisador da ORF (Índia) <italic>(IPEA (2014: [s/p]</italic>).</p>
      <p>Desta forma, evidenciada a importância desta questão e sua correlação com a BRI, uma vez que a RPC encontra relevantes questionamentos acerca de como será seu comportamento diante das exigências ocidentais, que reclamam por maior clareza de suas ações e sua maior capacidade de engajamento com o SI, principalmente, quando busca pôr em prática programas de dimensões intercontinentais, com óbvio interesse em intensificar suas relações internacionais e obter mais influência mundial, circunstâncias que sugestionam frutíferos debates sobre eventuais choques culturais, avaliações sobre se as práticas chinesas poderão ou não ser consideradas sustentáveis e a busca pela criação de um equilíbrio mais realizável entre os países envolvidos em seus projetos.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>VARIÁVEIS SELECIONADAS PARA A AVALIAÇÃO DE CENÁRIOS</title>
      <p/>
      <p>Para a realização de uma avaliação de cenários é necessário a identificação de quais variáveis se destacam em importância para fazer jus à construção de toda a lógica do estudo, dito isso, a primeira variável considerada envolve aspectos que tratam da concorrência, aspecto fundamental quando se trata de estudo sobre economia de mercado.</p>
      <p>Na perspectiva do Sistema Internacional as relações entre nações são desencadeadas pelos seus principais atores, os Estados e as Organizações Internacionais Governamentais, que representam os interesses de um conjunto de Estados, logo, as preocupações transnacionais são tratadas de modo que os resultados obtidos contribuam para melhor qualidade do enfrentamento dos problemas, que afetam não apenas um único país, mas que são de interesse global <xref rid="b9" ref-type="bibr">6</xref>, como observado por Pecequilo sobre o meio internacional:</p>
      <p>Indicado o contexto do plano transnacional e os atores que fazem parte deste cenário, o meio internacional aponta quais os fatores que regem o funcionamento do sistema global. Segundo Merle, 'os fatores que influenciam o funcionamento do sistema global são a resultante de numerosas situações ou iniciativas emanando de cada um dos atores ou grupo de atores' <italic>(Merle, 1981: 117)</italic>. Ou seja, os fatores do meio internacional são eventos, fatos e acontecimentos que se processam no sistema internacional e que podem ser gerados pelas ações dos atores, com consequências esperadas e inesperadas, ou independer de suas ações. Alguns autores, como Duroselle, vão se referir a estes fatores como forças que funcionam como motivadoras e geradoras da transformação nas Relações Internacionais. Duroselle, assim como Merle, indica que estas forças são produto tanto das ações humanas como eventos independem da vontade e do interesse das sociedades. Porém, a despeito de suas origens, as forças estarão na raiz de muitos eventos internacionais, funcionando como seus elementos causadores. Com isso, estabelece-se o que o autor denomina de uma relação de causalidade entre os fluxos internacionais e as forças que agem no sistema mundial <italic>(Pecequilo, 2012: 84)</italic>.</p>
      <p>O papel da China na perspectiva da governança global é evidente, uma vez que tantos investimentos a lastrear as criações e melhorias em infraestrutura de portos, ferrovias e rodovias nos diversos países que compõem a BRI concorrem a uma maior participação do país asiático na construção de um novo modelo econômico, tanto que Geromel ao refletir sobre o desempenho chinês considerou:</p>
      <p>Os Estados Unidos da América reinaram de maneira hegemônica como a superpotência mundial a partir do pós-Segunda Guerra Mundial. O mundo entendeu e comprou o sonho americano. Com o aumento exponencial do poder e a subsequente influência da China no mundo, precisamos entender o sonho chinês e como a China pensa e interage com o mundo. Já deve ter ficado claro para o bom leitor que vivemos em uma era com duas superpotências, a China e os Estados Unidos <italic>(Geromel, 2019: 93)</italic>.</p>
      <p>O presente estudo faz reflexões também sobre as conclusões apontadas pelo estudo dedicado à análise do que se convencionou chamar "horizonte de fronteira" (Hughes, 2020), que utilizando o método Delphi de previsões, traçou uma perspectiva de quais seriam os impactos relevantes decorrentes da implementação do projeto chinês no cenário internacional, indicando a existência de onze questões principais dignas de observação pela comunidade internacional, sobre os quais Hughes faz a seguinte observação:</p>
      <p>Muitos dos problemas que identificamos em nosso HorizonScan, particularmente: cadeia de suprimentos TCM rastreamento, harmonização de padrões ambientais, rivalidade geopolítica e construção de zonas de conflito, sugerem que a China precisará aumentar sua participação nas estruturas de governança ambiental global. Internamente, a China instituiu recentemente um alto nível política de alcançar uma 'civilização ecológica', que inclua, como uma de suas medidas, a definição e proteção de 'linhas ecológicas', que são as áreas mínimas necessárias para garantir o funcionamento ecológico e a diversidade biológica. Este é sem dúvida o maior desafio a política de proteção de serviços ecossistêmicos do mundo e sua implementação, avaliação, e aplicação da lei representam um desafio para os cientistas e formuladores de políticas da China, abordados parte através do plano científico. Questões importantes a serem feitas são se a China aplicar o conceito de redline ecológico ao BRI e, em caso afirmativo, como a governança de tal abordagem pode ser instituído em um ambiente internacional mais complexo (tradução nossa) 5 <italic>(Hughes, 2020: 15-16)</italic>  <italic>6</italic> .</p>
      <p>As grandes dimensões da BRI permitem dizer que suas repercussões não se limitam a construção de infraestruturas físicas nos países parceiros <xref rid="b23" ref-type="bibr">7</xref>, sendo possível antever as profundas transformações que serão causadas, com impactos socioambientais relevantes (Hughes, 2020).</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Para responder as indagações metodológicas descritas por Buarque (2003) devem ser</title>
      <p/>
      <p>analisados, primeiramente, os fatores que estão amadurecendo na realidade atual que indicam uma tendência de futuro, sendo possível destacar a existência de cinco fatores desta categoria, são eles: <italic>5</italic> Texto original: Many of the issues that we identified in our Horizon Scan, particularly: TCM supply chain tracking, harmonisation of environmental standards, geopolitical rivalry, and building in conflict zones, suggest that China will need to increase its participation in the structures of global environmental governance. Domestically, China has recently instituted a high-level policy of achieving an 'ecological civilization', which includes, as one of its measures, the definition and protection of 'ecological redlines', which are the minimal areas needed to guarantee ecological functioning and biological diversity. This is arguably the largest ecosystem-service-protection policy in the world, and its implementation, assessment, and enforcement pose a challenge for China's scientists and policymakers, addressed in part through the science plan. Important questions to ask are whether China will apply the ecological redline concept to the BRI, and if so, how the governance of such an approach can be instituted in a more complex international environment societies <italic>(Hughes, 2020: 15-16)</italic>. <italic>6</italic> Texto original: Many of the issues that we identified in our Horizon Scan, especially issues 6 (TCM supply chain tracking), 7 (harmonization of environmental standards), 9 (geopolitical rivalry) and 11 (building in conflict zones) suggest that China will need to increase its participation in the structures of global environmental governance. Domestically, China has recently instituted a high-level policy of achieving an 'Ecological Civilization', which includes as one of its measures the definition and protection of 'ecological redlines,' which are the minimal areas needed to guarantee ecological functioning and biological diversity <italic>[63]</italic>. This is arguably the largest ecosystem-service-protection policy in the world, and its implementation, assessment, and enforcement are posing large challenges to China's scientists and policymakers <italic>[64]</italic>. Important questions to ask are whether China will apply the ecological redline concept to the BRI, and if so, how the governance of such an approach can be instituted in a more complex international environment (see Outstanding Questions). o fato de que disputas concorrenciais mitigam as ações de cooperação internacional; a crescente polarização entre as duas maiores economias do mundo; a necessidade de adaptabilidade dos conceitos de política externa chinesa a demandas da comunidade internacional; o aumento das preocupações socioambientais; o maior interesse pela conciliação entre os interesses globais e, por fim, a integração da sustentabilidade global às ações da BRI <italic>(Hughes, 2020:14)</italic>.</p>
      <p>Considerando que o homem é um ser racional e, portanto, com plenas condições de escolher caminhos melhores que a luta armada como meio à solução de conflitos, foi reconhecida "a cooperação como instrumento de coexistência pacífica" <italic>(Pecequilo, 2012: 139)</italic>. No entanto, deste que a RPC abriu sua economia de mercado e avançou no cenário internacional, o tema da concorrência comercial veio à tona, gerando políticas reativas, principalmente, em países manufatureiros, ávidos por acesso a mercados consumidores, manifestando comportamentos que repercutem em desequilíbrio desfavorável à políticas de cooperação internacional, a exemplo da atual "guerra tarifária" travada entre os EUA e a RPC, em que o país norte-americano busca proteger sua produção e também reverter seu déficit comercial junto ao país asiático <xref rid="b25" ref-type="bibr">8</xref>. No atual clima geopolítico, estamos testemunhando um aumento da concorrência que ameaça minar a cooperação internacional. À medida que o centro do poder global muda, conflitos preocupações estratégicas e econômicas entre a China e outras partes do mundo só se tornarão mais pronunciado. Portanto, novas modalidades de governança global devem procurar reconciliar interesses nacionais divergentes, mitigando o atrito entre diferentes grupos de partes interessadas, a busca de melhores padrões ambientais e sociais. Acima de tudo, para garantir a sustentabilidade a longo prazo, as avaliações de impacto social e ambiental precisam ser totalmente integradas aos projetos exigidos pela BRI (tradução nossa) 7 <italic>(Hughes, 2020: 15)</italic>  <italic>8</italic> . <italic>7</italic> Texto original: In the current geopolitical climate, we are witnessing a build-up of competition that threatens to undermine international cooperation. As the centre of global power shifts, conflicting strategic and economic concerns between China and other parts of the world will only become more pronounced. Therefore, new modalities of global governance must seek to reconcile diverging national interests while mitigating friction between different groups of stakeholders, in the pursuit of improved environmental and social standards. Above all, to ensure long-term sustainability, social and environmental impact assessments need to be fully integrated into BRI-mandated projects <italic>(Hughes, 2020:15)</italic>. <italic>8</italic> Texto original: In the current geopolitical climate, we are witnessing a build-up of competition that threatens to undermine international cooperation. As the centre of global power shifts, conflicting strategic and A segunda variável a considerar envolve a polarização da hegemonia econômica entre as duas maiores potências da economia de mercado do mundo, partindo da consideração de que a RPC vem, já há algum tempo estabelecendo critérios de política externa que desafiam o poder dos EUA, e os norte-americanos que, tradicionalmente, ocupam o lugar de país hegemônico não querem permitir o avanço dos mecanismos político-econômicos chineses, alegando a existência de um descompasso entre práticas domésticas chinesas, pouco conhecidas pelo ocidente e sobre temas sensíveis à comunidade internacional como meio ambiente; direitos humanos; direito à privacidade e proteção de dados pessoais, no cenário de avanços crescentes na área da tecnologia da informação <xref rid="b16" ref-type="bibr">9</xref><xref rid="b16" ref-type="bibr">9</xref>.</p>
      <p>Como terceira variável se situa a adaptação aos conceitos de política externa chineses pelos países parceiros, admitindo a existência de interesse por soluções conciliadas para as 13. Também aprendemos muito sobre como avaliar o impacto de projetos de infraestrutura no meio ambiente e nas comunidades locais que serão mais diretamente afetadas. É nossa responsabilidade colocar isso em prática em projetos futuros e não repetir os erros do passado. O cumprimento dos compromissos do Acordo de Paris oferece à Ásia e à Europa inúmeras oportunidades para inventar novas e melhores maneiras de produzir, consumir, investir e comercializar, em total sinergia com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. A avaliação da sustentabilidade deve incluir todos os aspectos: viabilidade econômica, sustentabilidade fiscal, clima e sustentabilidade ambiental e social (grifo original) (Belt and Road Forum, 2017:</p>
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      <p>economic concerns between China and other parts of the world will Only become more pronounced. New modalities of global governance thus must seek to reconcilie diverging national interests while mitigating friction between different groups of stakeholders, in the pursuit of improved environmental and social standards. Above all, to ensure long-term sustainability, social and environmental impact assessments need to be fully integrated into BRI mandated projects. <italic>9</italic> Texto original: 13. We have also learned a lot about how to assess the impact of infrastructure projects on the environment and on the local communities who will be most directly affected. It is our responsibility to put this into practice for future projects and not repeat the mistakes of the past. Fulfilling the commitments of the Paris Agreement provides Asia and Europe with countless opportunities to invent new and better ways to É possível afirmar que a avaliação sobre o tema sustentabilidade possui conotação ampla e assume entendimento peculiar, justificando a importância conferida pelas autoridades chinesas sobre a participação de países desenvolvidos na BRI, permitindo a adoção de medidas mais consistentes e simbólicas no sentido do reconhecimento de que os interesses ocidentais também serão valorizados. O país asiático, interessado em avançar com suas ações de política externa, demonstra interesse participar dos debates internacionais como forma de poder inserir-se no contexto global (Estratégia ODS, 2017), sendo essa a quarta variável considerada.</p>
      <p>No sentido de direcionar a presente abordagem a um universo mais específico, é possível verificar quais seriam as condicionantes mais relevantes e aquelas de desempenho futuro mais incerto, quais sejam: a pressão pela relativização da capacidade econômica chinesa face às preocupações ocidentais decorrentes das consequências ao seu investimento financeiro; o aumento das preocupações socioambientais e a necessidade de integração da sustentabilidade socioambiental às pretensões da BRI, permitindo assim estabelecer a quinta variável do cenário em construção, segundo análise da Green <italic>Finance &amp; Development Center (2021)</italic>.</p>
      <p>No panorama atual, os reflexos supramencionados são bastante significativos e podem determinar ou não os rumos de como a BRI se desenvolverá nos próximos anos, com relevantes implicações no cenário internacional. Oportuno enfatizar que, as hipóteses mais plausíveis, para a definição de eventuais e prováveis comportamentos futuros, indicam que países desenvolvidos poderão se tornar mais exigentes em relação ao acolhimento dos investimentos chineses, sopesando sua necessidade financeira e as possíveis consequências negativas a serem suportadas, em uma avaliação mais criteriosa sobre a perspectiva da inserção na parceria, tanto pela possibilidade de endividamento em níveis inaceitáveis, quanto pelos impactos socioambientais, a exemplo da utilização de recursos hídricos e das questões referentes à segurança alimentar como parte das preocupações atuais <xref rid="b9" ref-type="bibr">6</xref>.</p>
      <p>produce, consume, invest and trade, in full synergy with the 2030 Agenda on Sustainable Development. Sustainability assessment must include all aspects: economic viability, fiscal sustainability, climate and environment-friendly and social sustainability <italic>(Belt and Road Forum, 2017: [s/p]</italic> A sexta variável permite afirmar que os critérios de sustentabilidade dizem respeito não somente à questão vinculada ao meio ambiente, mas também a necessidade de reconhecimento de relações mais simétricas, que guarneçam as pessoas, seus empregos e sua qualidade de vida, tanto porque, engloba aspectos referentes também à direitos humanos, direitos do trabalho, direitos à privacidade pessoal e de dados, dentre outros aspectos contemporâneos, levando ao reconhecimento de que o interesse internacional a respeito da RPC vai muito além do suprimento das necessidades financeiras imediatas, principalmente, por parte dos países desenvolvidos, logo, é premente seu posicionamento quanto às boas práticas comerciais.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>CENÁRIO NORMATIVO TRAÇADO E PERSPECTIVAS DE FUTURO</title>
      <p/>
      <p>Conforme visto, cenários buscam descrever, em detalhe, uma sequência hipotética de eventos que pode levar, de maneira plausível, a uma situação futura, podendo ser delineada uma matriz apontando os impactos e a sequência de eventos que levaria a esse cenário projetado, considerando a possibilidade de sua ocorrência futura.  <italic>(Saha, 2020: 11-12</italic> Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renegocia acordos internacionais a partir do princípio American Frist, Xi usa a BRI para posicionar a China como grande apoiadora do comércio livre, da cooperação e do desenvolvimento do mundo todo, não apenas da sua China. Em discurso histórico no 19º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês em 2018, Xi Jinping salientou que o que a China busca é impossível de ser alcançado pela China sozinha. Xi explica que o país criou uma plataforma (BRI) para ajudar a sim mesmo e também outras nações ao mesmo tempo. Xi definiu a BRI como o "projeto do século" <italic>(Geromel, 2019: 117)</italic>.</p>
      <p>Há ainda um terceiro cenário provável, que pode ser descrito diante das possibilidades crescentes da RPC em acolher ou não às demandas decorrentes da comunidade internacional, ainda que em partes, tendo em vista o interesse chinês de que sua inserção comercial internacional não se limite à exportação tão somente de produtos manufaturados, <italic>11</italic> Texto original: Chinese Communist Party (CCP) General Secretary Xi Jinping and other senior CCP leaders have prudently planned for the slowing economic growth that China now faces. CCP officials plan to transition China from its current export-led growth model to one driven by indigenous innovation, and one in which China's rising global prominence confers to it many of the same advantages traditionally enjoyed by the United States (such as low borrowing costs and influence within international institutions). Although U.S.-China relations have become further fraught amid the trade war, many prominent China hands nevertheless assert that Beijing's long-term economic plans do not run counter to U.S. strategic interests.</p>
      <p>[1] However, many of China's planned foreign economic initiatives-to include the Belt and Road Initiative (BRI), global value chain advancement, and renminbi (RMB) internationalization-will come at U.S. expense. Policymakers in both Washington and Beijing should accordingly expect U.S.-China tensions to persist beyond the Trump administration <italic>(Saha, 2020: 11-12)</italic>.</p>
      <p>uma vez que também tem como meta estabelecida sua participação no mercado mais nobre da atualidade, que é a de tecnologias de última geração <xref rid="b23" ref-type="bibr">7</xref>, havendo, inclusive, lançado um outro projeto igualmente ousado, intitulado Made in China 2025, para o desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação com objetivos traçados para os próximos anos <xref rid="b0" ref-type="bibr">10</xref>.</p>
      <p>Pelas razões sucintamente apontadas no quadro 1, é possível afirmar que esses cenários decorrem ainda da observação de que o framework que foi, originalmente, imaginado pela RPC para a BRI, que deve ser, periodicamente, realinhado, uma vez que o governo chinês é seu provedor majoritário e, portanto, precisa considerar que sua conduta internacional deve privilegiar e incentivar a prática de comportamentos de cooperação econômica que estejam conectados com ideais vinculadas ao bem-estar e ao futuro da humanidade <italic>(He,</italic> 2019) e consonância com sua proposta de integração e desenvolvimento pacífico.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
      <p/>
      <p>Diante do que foi apresentado ao longo da pesquisa, é possível afirmar que a atuação da RPC, por meio da BRI, no cenário internacional, reflete os critérios de sua política externa, traçada pela busca do desenvolvimento pacífico e na cooperação entre Estados, seguindo conceitos que vêm sendo aprimorados ao longo das últimas décadas.</p>
      <p>Também é possível afirmar que, embora a política win-win valorize meios pacíficos de relacionamentos entre Estados, é indispensável um olhar dedicado aos seus impactos na perspectiva da governança global, uma vez que a grandiosidade do projeto tanto implica em generosos benefícios como em possibilidade danos relevantes aos países parceiros, principalmente aqueles mais ávidos pelos aportes financeiros chineses, que não têm a possibilidade de estabelecer condições sustentáveis em melhores negociações.</p>
      <p>Não há como deixar de enfatizar que os ganhos econômicos possibilitados pela infraestrutura construída nos países atravessados pela rota comercial são palpáveis e merecem ser pesquisados, uma vez que há sensíveis diferenças de resultados de um país para o outro, dadas suas características próprias de cada um deles.</p>
    </sec>
    <sec>
      <fig id="fig_0" orientation="portrait" fig-type="graphic" position="anchor">
        <caption>
          <title>O estudo sobre o "horizonte de fronteira"(Hughes, 2020: 3) traz importante reflexão sobre a possibilidade de que uma possível mudança do centro de poder global importe em aumento concorrencial, desfavorecendo os interesses por medidas de cooperação internacional que se prestam ao desenvolvimento de questões de governança global, nos seguintes termos:</title>
        </caption>
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    </sec>
    <sec>
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        <caption>
          <title>questões globais, razão pela qual a integração dos elementos da sustentabilidade global às ações da BRI se mostram essenciais à sua aceitação pela comunidade internacional, principalmente, por parte de países desenvolvidos (GREEN FINANCE &amp; DEVELOPMENT CENTER, [s.p]), como destacou o conteúdo de documento Beltand Road Forum, oportunidade em que a União Europeia se manifestou sobre o ingresso de países do grupo na iniciativa chinesa, enunciando diversos pontos que visam aprofundar a discussão sobre critérios de avaliação de cenário envolvendo o desenvolvimento sustentável, em destaque o item 13:</title>
        </caption>
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    <sec>
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        <caption>
          <title>Para implementar seu desenvolvimento interno, o país asiático necessita escoar seu excedente produtivo e promover o desenvolvimento das regiões chinesas ainda precárias, o Partido Comunista Chinês vislumbrou a perspectiva de lançar este ousado projeto para possibilitar o tráfego comercial mais facilitado, além do estabelecimento de relações internacionais mais profícuas com a comunidade internacional (Embaixada da República Popular da China no Brasil, 2010). O Presidente Xi Jinping, em setembro de 2013, lançou o projeto com fins a revitalização das rotas comerciais que faziam parte da Antiga Rota da Seda, utilizadas por antigos comerciantes viajantes, que promoviam intenso tráfego de pessoas e de bens por caminhos entre o Oriente ao Ocidente, rebatizadas de Beltand Road Initiative (BRI), com propósitos de promover a "coordenação política, a conectividade de transporte, a facilitação do comércio, a conversibilidade da moeda e troca entre pessoas" (Hughes, 2020: [s,p]). Pretende, portanto, interligar vários países em diferentes continentes, através de rotas comerciais terrestres e marítimas, mediante a criação e melhorias em infraestruturas de portos, rodovias e ferroviais, para isso, foram estabelecidos seis corredores terrestres, são eles: Corredor Econômico China-Mongólia-Rússia; Nova Ponte Terrestre Eurasiática; Corredor Econômico China-Ásia Central-Ásia Ocidental; Corredor Econômico da Península China-Indochina; Corredor Econômico Bangladesh-China-Índia-Mianmar e o Corredor Econômico China-Paquistão. E ainda o corredor marítimo, MaritimeSilk Road (Xinhua, 2017), como pode ser vislumbrado na figura 1.2 Texto original: The Belt and Road Initiative is Chairman Xi's signature foreign policy initiative. The BRI aims to translate China's economic potential into a global network of alliances. Beijing touts the initiative as an opportunity for "win-win cooperation" between itself and participating countries.(Saha, 2020: 13).RICRI, Volume 10, Número 19, 2022 98 Figura 1. Belt and Road Initiative Fonte: The Belt and Road Research Platform (2021) Diante deste panorama de crescente expansão chinesa, é fato que suas ações não passam despercebidas do restante do mundo, havendo sensível preocupação sobre sua presença e maior influência na construção geopolítica atual, razão pela qual a utilização das ferramentas metodológicas pertinentes à avaliação de cenários internacionais poderá demonstrar como a criação de infraestruturas em países parceiros da BRI poderá causar impactos à governança global, relevantes para as relações internacionais, conforme reflexões já consideradas por Hughes (2020: [s/p]) enfatizando os seguintes aspectos:</title>
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        <caption>
          <title>Na construção da caracterização do cenário normativo traçado e a delimitação das perspectivas de futuro, foram levadas em consideração as variáveis destacadas na delimitação da base dessa pesquisa, fazendo o recorte daqueles considerados em razão do grau de importância, compondo o quadro 1, que consolida a matriz de resultados obtidos, a seguir descritos:Quadro 1. Cenários Traçados no contexto da BRI FatoresemAnálise Cenário 1. Disputas concorrenciais mitigam as ações de cooperação internacional. Varável influenciada pelas reações de países mais afetados pela política externa dos EUA para a China e às exigências dos países em desenvolvimento. 2. Crescente polarização entre os Estados Unidos da América e a República Popular da China, consideradas como maiores economias do mundo, na atualidade Relações econômicas e políticas entre Estados Unidos da América e a República Popular da China manterão uma perspectiva de fragmentação e não obtenção de resultados de longo alcance. 3. Possibilidade de adaptabilidade dos conceitos de política externa chinesa às demandas da Por influência de forte pressão da concorrência originária dos países interessados em receber RICRI, Volume 10, Número 19, 2022 108 comunidade internacional. investimentos da BRI, bem como em razão de questionamentos sobre perdas decorrentes dos FTA 10 . 4. Harmonização da estratégia de desenvolvimento chinês em relação às metas de desenvolvimento sustentável como condição à inserção chinesa no mercado global. Há crescente pressão mundial por harmonização entre investimentos da BRI e seus reflexos sobre as questões ambientais com vistas aos objetivos do desenvolvimento sustentável. 5. Maior busca pela conciliação entre os interesses locais e globais. Há demanda internacional para que a República Popular da China participe dos debates e das possíveis soluções sobre os mais relevantes problemas globais, com amplas possibilidades de interferência para promoção de mudanças substanciais de perspectivas futuras. 6.Integração da sustentabilidade global às ações da BRI. A China é constantemente instada a realizar ações e aportar recursos financeiros para investimentos que assegurem condições de redução e reversão dos impactos socioambientais causados. Fonte: Elaboração da autora Do cruzamento dos fatores descritos no quadro 1, considerando as combinações de hipóteses das incertezas, é possível admitir que quaisquer delas podem influir positiva ou negativamente, o que numa análise combinatória de resultados possíveis, resulta um cenário normativo ou desejável, a indicar que ações chineses mais adequadas ao estabelecimento do equilíbrio com os países parceiros, em que os seus investimentos financeiros seriam estabelecidos num panorama mais sustentável quanto aos aspectos mais questionados pela comunidade internacional, o que reverteriam em condições mais apropriadas ao bom desenvolvimento da BRI, sendo este o primeiro cenário considerando as possibilidades evidenciadas. Num segundo cenário, de características mais realísticas, diante das incertezas consideradas, há a possibilidade do acirramento das disputas entre os EUA e RPC, em razão da guerra-tarifária entre estes países, ainda mais incrementada pelas questões sanitárias atuais, decorrentes da pandemia de vírus SARS-COV-2 e da sucessão presidencial estadunidense, com as medidas implementadas pelo Presidente Joe Biden, com a manutenção de seus critérios de política externa para China com nítidas reservas à política de Pequim, entendimento que também pode ser extraído das considerações publicadas por Saha: 10 FTA: Free Trade Agreement Dantas 109 O secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi Jinping, e outros líderes seniores do PCC planejaram prudentemente o crescimento econômico mais lento que a China enfrenta agora. As autoridades do PCC planejam fazer a transição da China de seu atual modelo de crescimento liderado pelas exportações para um modelo impulsionado pela inovação indígena, e aquele em que a crescente proeminência global da China lhe confere muitas das mesmas vantagens tradicionalmente desfrutadas pelos Estados Unidos (como baixos custos de empréstimos e influência nas instituições internacionais). Embora as relações EUA-China se tornem ainda mais difíceis em meio à guerra comercial, muitas mãos proeminentes da China afirmam que os planos econômicos de longo prazo de Pequim não são contrários aos interesses estratégicos dos EUA. No entanto, muitas das iniciativas econômicas estrangeiras planejadas da China - incluindo a Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), avanço da cadeia de valor global e internacionalização do renminbi (RMB) -serão custeadas pelos EUA. Os formuladores de políticas de Washington e Pequim devem, portanto, esperar que as tensões EUA-China persistam além do governo Trump</title>
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          <title>). 11 Existem sensíveis pontos de conflitos entre os dois países, mas a ideia de construção de rotas comerciais entre países parceiros pode bem esclarecer o quanto distinto são os caminhos traçados pelas duas nações em matéria de política externa, o que pode ser percebido nas palavras de Geromel, quando aborda o tema da BRI em sua publicação sobre a China:</title>
        </caption>
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