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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1d1 20130915//EN" "JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>No Template</journal-title>
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      <title-group>
        <article-title>CONSIDERAÇÕES DAS RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS OTAN- RÚSSIA CONSIDERATIONS OF NATO-RUSSIA DIPLOMATIC RELATIONS</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group><contrib contrib-type="author"><name>
            <givenName>Stephanie</givenName>
            <surname>Casanova Villela</surname>
          </name>
          <email>sc.villela@hotmail.com.</email>
          <xref rid="aff0" ref-type="aff">1</xref>
        </contrib><aff id="aff0"><institution>, Universidade de Lisboa-ISCSP</institution>
        </aff></contrib-group><permissions/><abstract>
        <title>Abstract</title>
        <p>Europeu que antes era parte do bloco soviético. Assim, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) passou a se alargar pelo Leste da Europa. Para a Rússia, esse domínio da OTAN, no espaço que antes era liderado pelos soviéticos foi entendido como uma ameaça. Os projetos da OTAN, como o projeto antimísseis na Europa e o possível alargamento para a abrangência da Ucrânia e a Geórgia geram um receio por parte da Rússia que chegou a propor um projeto pan-europeu de segurança, o qual não foi aceito pela OTAN. Neste trabalho será discutido como o alargamento da OTAN influenciou as decisões da Rússia em questões de opinião sobre a segurança da região do Atlântico Norte. Ainda, como essas opiniões e decisões influenciaram o Leste Europeu, levando em consideração a possibilidade de uma reformulação da OTAN para que estas duas partes, OTAN-Rússia, viessem a se entender e acabar com a tensão da região da ex-URSS. Argumenta-se quais foram as consequências da rejeição da Rússia em ter uma aliança com a OTAN e, como isso afetou a OTAN, que precisa da cooperação da Rússia para ter influência no Leste Europeu. O último tópico destaca se seria possível haver uma reestruturação da OTAN favorável aos interesses da Rússia para que ambas chegassem a um acordo com o objetivo de melhorar as estratégias de Segurança Europeia. Palavras-chave: OTAN-Rússia; União Europeia; Leste Europeu; segurança; defesa.</p>
        <p>With the collapse of the Soviet Union, Russia lost its influence in Eastern Europe that was previously part of the Soviet bloc, thus, the North Atlantic Treaty Organization (NATO) began to expand into Eastern Europe. For Russia, this dominance of NATO in space that was formerly led by the Soviets was perceived as a threat. NATO projects, such as the anti-missile project in Europe and the possible extension to cover Ukraine and Georgia, generate a welcome on the part of Russia, which even proposed a pan-European security project, which was not accepted by NATO. This work will discuss how NATO enlargement influencing Russian decisions in matters of opinion about the security of the North Atlantic region, and also how these opinions and decisions conducted in Eastern Europe, taking into account the possibility of a NATO reformulation for these two parties, NATO-Russia, to come to an understanding and end the tension in the region of the former Soviet Union. It is argued what were the consequences of Russia's refusal to have an alliance with NATO and how this has affected NATO, which needs Russia's cooperation to have influence in Eastern Europe. The topic highlights whether it would be possible to have a NATO location favorable to Russia's interests so that both could reach an agreement with the objective of improving European security strategies.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <title>Keywords</title>
        <kwd>Palavras-chave: OTAN-Rússia</kwd>
        <kwd>União Europeia</kwd>
        <kwd>Leste Europeu</kwd>
        <kwd>segurança</kwd>
        <kwd>defesa Keywords: NATO-Russia</kwd>
        <kwd>European Union</kwd>
        <kwd>Eastern Europe</kwd>
        <kwd>safety</kwd>
        <kwd>defense</kwd>
      </kwd-group>
      </article-meta>
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    <sec>
      <title>INTRODUÇÃO</title>
      <p/>
      <p>Criada no contexto da Guerra Fria, a Organização do Atlântico Norte (OTAN) 2 visa ser uma parceria intergovernamental de segurança e militar entre os países da América do Norte e Europa. Essa nova colaboração acabou por ameaçar a Rússia, que perdeu influência nos países da ex-URSS após a Guerra Fria. Desta forma, o alargamento da OTAN para o Leste Europeu entrou em pauta para a Rússia, que se viu perdendo cada vez mais sua prestígio nesse território, e, assim, nunca considerou a OTAN como uma organização internacional legítima. Essa tentou fazer com que o país euro-asiático viesse a integrar a organização como um dos países signatários, mas sem sucesso. A Rússia, por sua vez, preferiu oferecer um projeto pan-europeu no qual ambas as partes, OTAN e Rússia, poderiam ser responsáveis pela segurança da Europa, porém não foi aceito pela OTAN.</p>
      <p>Várias pautas que desagradaram a Rússia entraram em jogo desde o surgimento da OTAN, como por exemplo: (i) uma proposta antimísseis na Europa apresentada pela OTAN, a qual a Rússia discordou completamente; (ii) as missões da OTAN no Afeganistão, país que a Rússia tinha interesses estratégicos; e (iii) o alargamento da OTAN, processo mais ameaçador para a Rússia, ao pensar que perderia influencia no Leste da Europa, principalmente com a possibilidade de a Ucrânia e a Geórgia virem a se tornar países membros da aliança, o que implicaria na implementação de vistos da Ucrânia para a Rússia e a perda de influência russa no país vizinho.</p>
      <p>Esses processos se tornaram polêmicos para a Rússia que até hoje não se considera interessada em se tornar um membro da OTAN, visto que para o país a Organização é mais uma ameaça do que uma forma de propor segurança. Uma das questões em pauta é o fato de a Rússia ser um país militar e bélico. A OTAN, formada principalmente pelos Estados Unidos da América (EUA), foi a grande concorrente da Rússia durante a Guerra Fria em questões militares, acabando por representar uma ameaça. Atualmente, ambos ainda se encontram com necessidade de promoverem acordos em certas questões, porém, sem expectativa de se juntarem, o que continua causando apreensão em relação à segurança daquela região.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>NATO, do inglês.</title>
      <p/>
      <p>A metodologia deste trabalho se baseia em pesquisa qualitativa exploratória, utilizando sete artigos científicos e obras literárias para a explicação dos temas abordados. O trabalho tem como objetivo fazer uma comparação dos pensamentos sobre as relações diplomáticas entre a OTAN e a Rússia. Na bibliografia, os autores Sandra Dias Fernandes, Andrey S.</p>
      <p>Makarychev, James M. Goldgeier, Ronald D. Asmus, Carlos Santos Pereira e Dick Zandee tiveram seus artigos escolhidos por mais se adequarem ao tema. As principais perguntas de partida foram: como a Rússia reagiu e enxergou os alargamentos da OTAN em relação ao Leste Europeu, à política de segurança antimísseis na Europa e a possível abrangência da Ucrânia e da Geórgia? Seria possível uma reformulação estratégica da política de segurança da OTAN na Europa? Essas questões serão objeto de pesquisa dos próximos tópicos deste estudo. Para a elaboração desta investigação, foi usada a teoria do eurasianismo. Para desenvolver a base teórica foram utilizados os autores Igor Torbakov, Aliaksei Kazharski, Thainá Nunes e Mayane Silva.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>O ALARGAMENTO DA OTAN PARA O LESTE EUROPEU</title>
      <p/>
      <p>A história da relação entre a OTAN e a Rússia remonta a longos anos, oscilando entre altos e baixos. Ambos nunca conseguiram de fato obter confiança entre suas cooperações. Um dos principais motivos foi o legado de rivalidade da Guerra Fria, período de muita apreensão entre os EUA e a URSS ocorrido entre os anos de 1947 e 1991. A competição as duas potências se dava por influência global e desenvolvimento tecnológico. Nesse contexto, a OTAN é representada por um acordo de segurança do Atlântico Norte, envolvendo países da América do Norte e da Europa. Um dos seus primordiais organizadores é os EUA. Desta forma, a Rússia não aceita a veracidade da OTAN e não teve interesse em ingressar na organização como um país signatário, ao contrário, ela tenta articular com a OTAN a possibilidade de ambas as partes poderem disponibilizar uma segurança para a Europa.</p>
      <p>A URSS, de 1955 até 1991, fazia parte do Tratado de Varsóvia junto com a Bulgária, Checoslováquia, Alemanha Oriental, Hungria, Polônia, Romênia e Albânia (que se retirou em 1968). Este pacto foi criado devido ao crescimento da OTAN e tinha como objetivo criar uma organização militar e político. Foi desenvolvida devido as potências orientais que estabeleceram um sistema de segurança europeu que causou neutralização e permanente divisão da Alemanha, já que esta estava prestes a se unir à OTAN <xref rid="b5" ref-type="bibr">1</xref> Prosseguir a 'política de entendimento com a Rússia 'e uma 'colaboração pragmática em áreas de interesse comum -'combate ao terrorismo, luta contra a proliferação nuclear, controlo de armamentos -, mas garantindo ao mesmo tempo aos aliados que 'a sua segurança e os seus interesses serão defendidos'. <italic>(Pereira, 2010: 147)</italic> Após vinte anos de negociações entre a OTAN e a Rússia, finalmente em 2002 veio a ressalva do Conselho OTAN-Rússia -processo de discussão sobre segurança e cooperação militar e política. O alargamento da OTAN teve a primeira ação em 1999, quando incorporou os territórios da Polônia, Hungria e Chéquia. Devido a esse alargamento, houve receio de que a Rússia começasse a ter comportamentos como tinha no passado durante a Guerra Fria.</p>
      <p>Assim, no final do século XX e início do século XXI, a OTAN se tornou uma ameaça para o país euro-asiático <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>. Para Asmus, ao se defender o alargamento da Aliança Atlântica, há uma provocação sobre a desvalorização da relação da Rússia com os EUA e a Europa em razão das questões de segurança <xref rid="b0" ref-type="bibr">3</xref>).</p>
      <p>Fernandes fala que, após a Guerra Fria, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) propôs criar um sistema de segurança pan-europeu, e quem assumiria a competência pela reforma da segurança na Europa após a Guerra Fria seria a OTAN, a qual teria como objetivo a preservação da paz e o respeito aos Direitos Humanos. Porém, em 1996 os países pertencentes à OSCE adotaram a Declaração de Lisboa, que apoiava que a segurança da União Europeia não poderia estar sob responsabilidade de mais de um representante, entretanto, a Rússia ainda desafia esse processo <xref rid="b2" ref-type="bibr">4</xref>.</p>
      <p>Makarychev, em seu artigo "A Rússia, a Europa, e o Legado de 1989", pensa que a manifestação da bipolaridade não aparenta ter um bom resultado nas comunicações entre a Rússia e a União Europeia (UE). A Rússia prefere usar o chamado "espaço comum euro-atlântico" e a "Europa mais ampla" quando se trata da UE. O presidente russo deixou claro em 2008 que a UE se tornou um parceiro, porém criticou sua parceria com a OTAN, visto que a Rússia tem problemas em questões de segurança com os EUA. Assim, acabou por ser necessário procurar novos compromissos políticos com a UE. Ou seja, a Rússia é uma grande parceira da UE, porém não aceita a OTAN, o que representa um empecilho nas relações políticas e diplomáticas entre a UE e a Rússia <xref rid="b6" ref-type="bibr">5</xref>.</p>
      <p>A Rússia declarou o pós-Guerra Fria como um período de transtorno e decadência e, para os russos, as instituições ocidentais foram responsáveis pela queda da URSS <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>.</p>
      <p>Após este período, se popularizou a teoria do eurasianismo, teoria incialmente elaborada em 1920, porém mais executada após a queda da Cortina de Ferro. Acreditava em uma Rússia não deveria ser considerada nem parte do continente Europeu devido às suas diferenças com o mundo ocidental, porém, também não era considerada como um país Asiático, mas sim um novo continente estabelecendo um conceito Euroasiático. Desta forma, Rússia tinha como objetivo se declarar como uma própria posição geopolítica. O primeiro presidente russo após a Guerra Fria, Boris Yeltsin, que esteve no poder entre 1991 e 1999, assumiu a presidência com o país sofrendo uma crise política, cultural, econômica e identitária. Assim, o presidente decidiu que como seus principais objetivos diplomáticos, seria a segurança da área que antes era composta pela URSS e o impedimento da expansão e influência da OTAN.</p>
      <p>Entretanto, no final a Rússia passou a cooperar mais do que o esperado com os Estados Unidos, o que passou a enfraquece-la. Todavia, ao chegar no poder, Valdimir Putin buscava recuperar o uso da geoestratégica com o objetivo de valorizar a região da Eurásia, como também estabilizar a identidade russa em face a expansão ocidental no mundo. Putin acreditava que era necessária uma política baseada na reestruturação russa. Em busca de poder, o principal objetivo da Rússia seria definir a sua área de influência, para que fosse possível exercer a sua segurança estatal e potencializar o poder na região estrategicamente planejada <xref rid="b7" ref-type="bibr">6</xref>.</p>
      <p>Uma dessas estratégias ocorreu quando a Rússia procurou interromper o processo de integração da Ucrânia na OTAN, principalmente após o alargamento em 2004. Tal alargamento englobou uma boa parte dos países do Leste da Europa. Essa estratégia está ligada aos planos russos de continuar com a sua presença militar em Sebastopol, presença que poderia não ser mais possível se a Ucrânia se tornasse aliada da OTAN. Em 2014, a anexação da Crimeia pela Rússia, não somente questões políticas foram envolvidas, mas também questões culturais. Putin considera os laços entre a Ucrânia e Rússia "inquebráveis" e que as pessoas que viviam desta região também devem ser consideradas russas, devido à questões culturais e linguísticas <xref rid="b9" ref-type="bibr">7</xref>. Esta construção de uma identidade e delimitação do espaço geopolítico da Rússia era essencial para entender as questões de segurança que no Leste Europeu. Desta forma, era importante para a Rússia desenvolver o seu nacionalismo <xref rid="b4" ref-type="bibr">8</xref>.</p>
      <p>Um dos grandes motivos pelos quais a Rússia não quer que a Ucrânia se torne aliada à OTAN é o receio de não poder mais permanecer com a frota russa no mar Negro da Crimeia. Assim, a Rússia ameaça a Ucrânia para que não entre na OTAN. Em 2008, ameaçou com o fim do regime de vistos entre os dois países e com o fim da cooperação entre a Rússia e a Ucrânia em relação à competência da indústria de defesa e dos projetos tecnológicos <xref rid="b6" ref-type="bibr">5</xref>). Quanto às relações internacionais entre Rússia e OTAN, a Guerra Fria foi o momento mais difícil de atravessar. O confronto iniciou-se com a queda do Muro de Berlim. A Rússia era contra a política de alargamento da OTAN, ainda mais considerando que a OTAN tinha prometido que não expandiria ao ponto de influenciar negativamente os planos da Rússia, promessa quebrada com a queda do muro. Segundo Makarychev <xref rid="b6" ref-type="bibr">5</xref>), a Rússia entende a relevância da colaboração militar com a OTAN. Parte da doutrina considera que a Rússia deveria ter influência sobre as decisões da OTAN. Entretanto, para o autor, as atitudes da Rússia não condizem com esse pensamento e são não-cooperantes. Existem dois argumentos que mostram que a OTAN e a Rússia são opostas e que a OTAN é um bloco militar poderoso que coage os interesses da Rússia. Para a Rússia, a OTAN é uma entidade que se conduz erroneamente em face dos novos desafios de segurança internacional <xref rid="b6" ref-type="bibr">5</xref>. O entendimento de Pereira é contra alguns autores que acreditam que a Rússia deveria participar das decisões da OTAN, visto que ela é uma organização anti-russa. Mesmo que esta afirme que não é contra nenhuma nação e é uma organização de defesa internacional, ainda assim, a Rússia a compreende como uma ameaça <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>. Desta forma, Pereira, assim como Makarychev, entendem que a Rússia e a OTAN são contrárias, coagindo uma os interesses da outra.</p>
      <p>Fernandes concorda com os dois autores citados acima quando entende que conforme a OTAN ia se alargando, a Rússia continuava com um pensamento opositor, situação percebida com a prorrogação da extensão dos poderes da OTAN sobre a Ucrânia e a Geórgia no ano de 2008 <xref rid="b2" ref-type="bibr">4</xref>. Asmus relata a posição russa como o maior fracasso do confronto daquele ano, mesmo com o protesto dos EUA, que na época estava sob liderança de George W. Bush <xref rid="b0" ref-type="bibr">3</xref>.</p>
      <p>Desde 2006, a Rússia tem se destacado na agenda de segurança internacional, principalmente em relação aos EUA, como por exemplo quando se trata do protesto de defesa antimíssil proposto por Washington e do alargamento da OTAN para integrar a Ucrânia e a Geórgia.</p>
      <p>Em 2008, foram propostos projetos para a segurança da Europa, entretanto, a Rússia, em razão de sua insatisfação com o cenário de cooperação internacional, teve dificuldades para aceitá-los, apresentando uma postura de retrocesso. Ela se opôs a três projetos: o primeiro era em relação ao controle de armas, ou seja, a defesa antimíssil e o Tratado sobre as Forças Convencionais na Europa (CFE); o segundo projeto era em relação à autenticidade da OTAN, e por último; o terceiro era o de ter uma vizinhança em comum com a UE.</p>
      <p>Isso pode se enquadrar no objetivo de que a Rússia tem em redirecionar as relações e organizações de segurança europeia. O ex-embaixador russo nas Nações Unidas e atual Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, propôs que a Europa, a América do Norte e a Rússia precisavam de um novo sistema de segurança, porém, não teve um apoio relevante: tanto Bruxelas como Washington não tiveram interesse nessa proposta <xref rid="b2" ref-type="bibr">4</xref>.</p>
      <p>Em 20 de dezembro de 1991, durante a sessão inaugural, o Conselho do Atlântico Norte colocou em pauta a união da Rússia à OTAN com um prazo em relação à finalidade política, visto que acreditava que se a Rússia se juntasse à OTAN, seria uma forma de arruinar a OTAN em pouco tempo. A justificativa era de que a Rússia, por ser um país instável no Atlântico Norte, poderia trazer essa instabilidade para a organização euro-atlântica.</p>
      <p>No pensamento de Pereira, o alargamento da OTAN acabou por causar um distanciamento com a Rússia, uma vez que representava uma ameaça <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>. Por outro lado, Goldgeier pensa de forma diferente: acredita que se a Rússia se juntar à OTAN, seria uma união positiva para fins estratégicos, e que um futuro alargamento envolvendo as duas partes traria benefícios para ambos <xref rid="b3" ref-type="bibr">9</xref>. Porém, os franceses e alemães insistiram que o alargamento da OTAN não abrangesse países como a Geórgia e a Ucrânia, visto que estes não mostravam um grande apoio a se tornarem países signatários da OTAN e ainda não cumpriam requisitos políticos e militares necessários para a incorporação <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>  <italic>(Fernandes, 2010, p. 45)</italic>. Desta forma, mostrou-se necessária uma parceria de três faces envolvendo a Rússia, sendo elas: Rússia e OTAN, Rússia e EUA e Rússia e UE, que tinham o dever importante de criar um sistema de segurança, sendo necessário terem ideias sobre segurança internacional <xref rid="b2" ref-type="bibr">4</xref>  <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>. Ou seja, mostra-se que, em alguns casos pode-se ver uma abertura da Rússia em relação à OTAN, o que gera esperanças para uma possível colaboração entre as duas.</p>
      <p>Pereira cita duas reformas do setor de defesa como forma de exemplo para colaborações feitas entre a OTAN e a Rússia:</p>
      <p>No domínio das reformas no sector da defesa estabeleceu-se uma colaboração directa e uma troca de oficiais e académicos entre o OTAN Defense College em Roma e o Instituto dos EUA e do Canadá e da Academia das Ciências de Moscovo. A cooperação estende-se ainda a áreas como o socorro a tripulações e submarinos ou a resposta a situações de emergência civil <italic>(Pereira, 2010: 153).</italic> Porém, sabemos que a Rússia nunca confiou totalmente na OTAN, pois sempre teve dúvidas quanto à presença militar dos americanos na Ásia Central e no Cáucaso, mesmo essa tendo como objetivo o combate ao terrorismo. Depois de muitos investimentos, os EUA acordaram com países da antiga URSS, como o Cazaquistão, o Tadjiquistão e a Geórgia, causando desconfianças por parte da Rússia <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>.</p>
      <p>Duas preferências opostas em relação à defesa dos aliados deixa clara a necessidade de manter a Rússia nos planos da OTAN. A primeira posição da Rússia tem como objetivo impedir o projeto antimíssil dos EUA na Europa, visto que uma parte da Rússia se encontra na Europa, e esta tem uma competição histórica militar e de tecnologia com os EUA, sendo que no projeto de expansão contra os mísseis na Europa, a Rússia estaria limitada a exercer seu poder militar nessa região, vindo a perder influência bélica em relação ao Leste Europeu <xref rid="b1" ref-type="bibr">10</xref>).</p>
      <p>Porém, Goldgeier acredita que a OTAN deve determinar parcerias estratégicas tanto com a UE quanto com a Rússia, visto que ela deve se envolver com a Rússia em um sistema de defesa antimíssil que envolva Moscovo, com o objetivo de que com o tempo, possa-se planejar novos alargamentos <xref rid="b3" ref-type="bibr">9</xref>. Rússia é um país complexo, e é muito importante quanto à energia e armamento nuclear, sendo assim, exerce uma grande influência na Europa <xref rid="b1" ref-type="bibr">10</xref>).</p>
      <p>Outra influência da OTAN na Europa se dá nas fronteiras. A Rússia pretende ser o país defensor de suas fronteiras com os países vizinhos, como a Ucrânia, mas para isso, ainda precisa lidar com a probabilidade de a OTAN impor as regras de vistos entre esses dois países, como uma forma de proteção do Leste Europeu. A OTAN, após as investidas militares da Rússia contra a Ucrânia, para a proteção da Ucrânia, defendeu a imposição de vistos, porém, esse processo podia ser prejudicial para a Ucrânia, porque perderia turistas russos na região do Mar Negro, e dificultaria a vida para os trabalhadores que migram entre os países. Entretanto, sabe-se que a própria Rússia instituiu um sistema de vistos com a Geórgia, dificultado as relações econômicas com o país vizinho <xref rid="b6" ref-type="bibr">5</xref>. Além disso, existe um elo entre este Tratado e a defesa antimíssil na Europa, que acarretam prejuízos estratégicos à Rússia. Essa atitude foi desprezada na medida em que usou a sua saída para alcançar algo novo, que no final, somente causou transtornos <xref rid="b2" ref-type="bibr">4</xref>.</p>
      <p>Mas a questão é: como se pode explicar essas posições da Rússia? Em relação à OTAN, se explica pelo país ter dificuldade em aceitar a instituição como uma organização de identidade internacional de fato, assim como tem dificuldade de entender a posição da OTAN sobre a segurança internacional. Exemplo disso foi quando a Rússia ficou desconfiada quando se deparou com o fato de a OTAN ter como pauta o transporte de energia na sua agenda de segurança, já que, se a Geórgia fosse integrada à OTAN, seriam alteradas as rotas de transportes de recursos energéticos, podendo esquivar-se da Rússia <xref rid="b6" ref-type="bibr">5</xref>.</p>
      <p>A POSSÍVEL REFORMULAÇÃO ESTRATEGICA DA OTAN NA SEGURANÇA</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>DA EUROPA</title>
      <p/>
      <p>A defesa é algo complexo. Abrange uma gama de partes que devem contrastar entre si: política, poder militar, pesquisas tecnológicas e industriais -citando somente quando se trata de sua própria defesa. Pode-se imaginar que quando se trata de uma cooperação de defesa que lida com diversos países e sistemas políticos, culturas e religiões, a situação fica mais complicada ainda. Atualmente, existem três organizações internacionais de defesa, são elas: a OTAN, a UE e a Organização das Nações Unidas (ONU) <italic>(Zandee, 2018)</italic>. Sabe-se que essas instituições atuam de formas diferentes e a responsável militarmente pela Europa é a OTAN, o que desagrada a Rússia, que compete por influência na Europa do Leste.</p>
      <p>Imaginar uma reavaliação do conceito de estratégia da OTAN remete a um discurso sobre a possibilidade de legitimação da responsabilidade desta entidade em relação à Europa, sendo a Rússia um elemento essencial para que a OTAN possa interferir na segurança europeia. Os EUA declaram que essa cooperação do Atlântico Norte tem como objetivo achar respostas para os problemas globais. Constitui-se especificamente a cooperação entre os EUA e a UE, com o objetivo de ter uma segurança estável em um mundo tão inseguro. Fernandes, em sua obra "OTAN e Rússia: novos lances estratégicos" argumenta que: <italic>[..</italic>.] um grupo de reflexão composto por políticos de renome publicou uma proposta para reformular a relação da UE com os Estados Unidos. Consideram que a natureza da relação transatlântica é paradoxal apesar das boas relações diplomáticas e da partilha de visões do mundo. A diminuição de vontade política é identificada e explicada pelos efeitos da globalização que levou a um maior investimento dos parceiros nas questões internas. Assim, a dinamização da parceria euramericana no século XXI passaria por uma compreensão cabal da globalização e do seu impacto nos actores e nas relações internacionais. <italic>(Fernandes, 2010: 49)</italic>.</p>
      <p>Desde 1997, já é compreendida uma comunicação legítima entre a OTAN e a Rússia com o debate de assuntos como terrorismo, espaço e assuntos logísticos. Entretanto, essa cooperação estratégica não vai muito longe, visto que a segurança não deve ter somente esses componentes, e dessa forma, foi fortalecida a desaprovação do artigo 5º da OTAN, que diz:</p>
      <p>As partes concordam em que um ataque armado contra uma ou várias delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque a todas, e, consequentemente, concordam em que, se um tal ataque armado se verificar, cada uma no exercício de direito de legítima defesa, individual ou colectiva, reconhecido pelo artigo 51o da Carta das Nações Unidas, prestará assistência à Parte ou Partes assim atacadas, praticando sem demora, individualmente e de acordo com as restantes Partes, a acção que considerar necessária, inclusive o emprego da força armada, para restaurar e garantir a segurança na região do Atlântico Norte. Qualquer ataque armado desta natureza e todas as providências tomadas em consequência desse ataque serão imediatamente comunicados ao Conselho de Segurança. Essas providências terminarão logo que o Conselho de Segurança tiver tomado as medidas necessárias para restaurar e manter a paz e a segurança internacionais. (ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DO ATLÂNTICO NORTE, 1949).</p>
      <p>Zandee acredita que o artigo 5º da OTAN se tornou uma norma. Com a multipolarização da Guerra Fria acabou-se por adotar esse artigo como uma regularização de defesa. Ao final da Guerra Fria, a OTAN começou novas operações que iam além do mencionado artigo, ou seja, fora da área de gerenciamento de crises. Os países aliados da OTAN começaram a operar em missões nos Bálcãs nos anos 90 e atualmente no Afeganistão e Iraque <italic>(Zandee, 2018)</italic>.</p>
      <p>Sendo assim, percebe-se que a ideia principal proposta é de cooperação em questões de forças armadas e que visa a região do Atlântico Norte. Uma parceria entre a Rússia e o Canadá, promovido pela OTAN, para se encaixar neste aspecto, acabou por não apresentar a ideia pan-europeia proposta pela Rússia, uma vez que ela não tem espaço na segurança da Europa pelo qual a OTAN se encontra responsável. Entretanto, como a OTAN não é uma entidade legítima perante a Rússia, esta ainda pode pensar sobre a sua ideia de obter um lugar na segurança europeia. Sendo assim, ambos os pensamentos se encontram opostos.</p>
      <p>Um caso à parte foi o do Afeganistão, que não se encontra como país signatário da OTAN, no entanto, esta exerceu uma missão no país localizado no Oriente Médio, o qual a Rússia tinha interesse <xref rid="b2" ref-type="bibr">4</xref>. A OTAN teve dificuldades para lidar com suas missões no Afeganistão, e dessa forma, a Rússia teve a oportunidade de exercer mais influência nesse território.</p>
      <p>Mesmo depois de mais de 20 anos que os militares russos saíram do Afeganistão, a Rússia vem se mostrando mais presente nessa região. Porém, essa intervenção da OTAN foi muito aclamada como uma forma de contribuição para a estabilidade da região da Ásia Central.</p>
      <p>Esse prestígio deixou a Rússia incomodada e desconfiada, uma vez que não gostaria que fossem instaladas bases permanentes da OTAN no Afeganistão <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>Em 2009, foi sugerida a integração da Rússia à OTAN pelo Ministro dos Negócios</title>
      <p/>
      <p>Estrangeiros polonês, Rodaslaw Sikorski. Em 2010, a sugestão foi repetida pelos alemães, mas a Rússia se manifestou dizendo que grandes potências não se unem com coligações. As grandes potências fazem o papel das coligações, e como a Rússia é um país influente, ela deveria criar essas coligações. Entretanto, mesmo com essa declaração, ainda existe uma possibilidade de a Rússia um dia vir a aderir à OTAN, ou seja, esse pensamento não é definitivo <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref>.</p>
    </sec>
    <sec>
      <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
      <p/>
      <p>O trabalho discute o alargamento da OTAN em relação à Europa e a reação da Rússia a esse fato, além da política de segurança europeia e, consequentemente, o projeto antimísseis na Europa. A Rússia entendeu essa expansão e novas políticas estratégicas da OTAN como uma ameaça, assim como Asmus compreende que a defesa do alargamento causa uma desvalorização da relação da Rússia com os EUA e a Europa, devido aos assuntos de segurança <xref rid="b0" ref-type="bibr">3</xref>.</p>
      <p>Autores como Pereira <xref rid="b8" ref-type="bibr">2</xref> e Makarychev <xref rid="b6" ref-type="bibr">5</xref>) certificam que a Rússia e a OTAN não cooperam em relação ao projeto antimísseis na Europa, e que a Rússia enxerga a OTAN como uma ameaça. Quem diverge desse pensamento é Goldgeier, que acredita que ambas as partes deveriam criar laços estratégicos para futuras expansões <xref rid="b3" ref-type="bibr">9</xref>. Acredita, ainda, que os alargamentos são positivos para a Rússia e a OTAN, que deveriam trabalhar juntas com cooperações estratégicas. Porém, Fernandes descreve a Rússia com um pensamento opositor ao alargamento e vê essa expansão como uma forma de ameaça <xref rid="b2" ref-type="bibr">4</xref>.</p>
      <p>Em relação à possível reestruturação estratégica da OTAN, Zandee acredita que, por se tratar de uma reestruturação que envolve diversos países e sistemas políticos duvidosos, torna-se muito complicado <xref rid="b10" ref-type="bibr">11</xref>. Por outro lado, Fernandes acredita que essa reestruturação é possível, visto que a Rússia é um elemento essencial para que a OTAN possa interferir na segurança da Europa de modo que ambas deveriam trabalhar em conjunto <xref rid="b2" ref-type="bibr">4</xref>. Dessa forma existem dois pontos de partida citados no trabalho: primeiro, a Rússia e a OTAN poderiam trabalhar juntas e desenvolverem um projeto pan-europeu de segurança, porém, esse projeto foi recusado pela OTAN; e o segundo, é o atual, onde existem dois grandes sistemas de seguranças na Europa que contrastam entre si: o primeiro envolve a OTAN, e o segundo a Rússia, nos quais ambos disputam por territórios como a Ucrânia e a Geórgia, e também por projetos como a OTAN que planeja implementar a política antimísseis na Europa e a Rússia, que é contra.</p>
    </sec>
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          <title>Fernandes versa sobre o terceiro alargamento da OTAN, que ocorreu em 2004, e se expandiu pela Bulgária, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia e Estônia. Esse fato colocou em dúvida os aliados na Península da Crimeia em 2008, entretanto, o alargamento foi mantido cooperando com o "Membership Action Plan" (MAP), que consiste em um sistema de apoio aos países que se interessam por entrar na OTAN, voltando às reuniões do conselho OTAN-Rússia, que haviam sido suspensas pela Guerra da Geórgia(Fernandes, 2010). O secretário-geral dos aliados considerou que não havia engajamento com a Rússia, visto que a OTAN afirmou apoiar o projeto antimíssil de Washington, discordando da ideia de Goldgeier, que acredita que ambos devem trabalhar juntos. A Rússia apresentou dificuldades RICRI, Volume 10, Número 19, 2022 124 na sua política de controle de armamentos devido ao fato de ter cancelado o seu vínculo com o Tratado de Redução das CFE. Em contrapartida, Washington precisa de uma maior compreensão dos Aliados e da Rússia para ter acesso ao terreno afegão. Mas o problema para obter essa parceira são as diferenças políticas e ideológicas entre a Rússia e a OTAN, já que a Rússia não reconhece a legitimidade da OTAN, como já mencionado (Fernandes, 2009). Nos anos 2000, Putin reformulou a Política Externa Russa no discurso de Munique, em 2007, no qual ele defendeu a instauração da multipolaridade e criticou a OTAN pela sua política unilateral, defendendo a solidificação dos fundamentos legais e coletivos das Relações Internacionais. O presidente destacou a sua insatisfação com o sistema de Defesa Nacional contra Mísseis dos EUA na Polônia e Chéquia, visto que é contra ampliação da OTAN no Leste da Europa. Em novo discurso, em 2008, na cidade de Berlim, a Rússia apoiou a criação de um novo sistema de segurança europeu, que ainda hoje e na época eram liderados pela OTAN. Desde esse tempo, o presidente da Rússia Vladmir Putin, que se manteve o mesmo, enalteceu o discurso de multipolaridade, agredindo o ideal americano de unipolaridade. A</title>
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          <title>Tratado de Redução do CFE foi firmado em 1990. A Rússia retirou-se desse Tratado em 2007 com o objetivo de impedir a participação da OTAN no controle de suas fronteiras.</title>
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          <title>). Em 31 de Março de 1991 o Pacto de Varsóvia foi extinto devido ao fim da URSS, terminando com o bloco que competia com a OTAN, enfraquecendo assim, a Rússia. O autor Pereira citou em sua obra "A OTAN e a Rússia: uma parceria reservada" o Relatório dos Peritos da OTAN, a seguinte passagem:</title>
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          <title>Fernandes entende que, para o país euro-asiático, o alargamento da OTAN para com o Leste Europeu foi uma forma de ruptura de comprometimento entre os EUA e a Rússia, desde 1990. A entrada da Alemanha na OTAN, após a queda do muro de Berlim, foi aceita pelos russos, visto que tinha um acordo de não alargamento com os países do leste da Europa que compreendiam a ex-URSS, mas esse acordo foi quebrado em 2004 quando países como Estônia, Letônia e Lituânia entraram no processo de extensão da OTAN. Assim, a autora Fernandes traz o seguinte: "Coloca-se, portanto, a necessidade de avaliar os bloqueios no diálogo de segurança europeu (e global) e as possibilidades de o transformar num diálogo capaz de trazer soluções, tendo em conta o papel influente de atores-chave"</title>
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        <caption>
          <title>Em 2010, Hillary Clinton passou por várias capitais do Leste Europeu para garantir que os EUA ainda teriam influência sobre o território que antes pertencia à URSS, e que a Rússia não iria atrapalhar seus planos de atuação nessa região. Os EUA garantiram que continuariam investindo dinheiro lá, apoiando organizações internacionais que atuam na região, atitude que incomodou a Rússia, que acredita que essas organizações internacionais são uma forma de manipulação dos EUA sobre o ex-território soviético.SISTEMA DE SEGURANÇA RÚSSIA-OTAN E INFLUÊNCIA DA EUROPA Segundo Fernandes, autora da obra "Decifrar a Potência Russa", acredita que a UE tem o dever de reconsiderar o modelo de cooperação com a Rússia. A datar de 2006, as relações RICRI, Volume 10, Número 19, 2022 122 entre a UE e a Rússia têm sofrido um impacto negativo. O motivo foi o restabelecimento da economia russa junto com o apoio internacional nas estratégias nacionalistas, além da mudança da conduta de Bruxelas quanto à Moscou, devido ao alargamento de 2004, que contou com diversos países do Leste Europeu, ou seja, antigos membros da URSS. Portanto, o bloco europeu e a Rússia tinham planos para redirecionar o antigo território soviético. A grande pergunta que a Europa deveria se fazer quanto à Rússia é: de onde vem a capacidade de força russa? A Rússia seria uma ameaça? (Fernandes, 2009). Até o final dos anos 90 a Rússia passou por diversas crises econômicas, o que dificultou o seu lugar como potência mundial. O país sofreu uma humilhação devido a sua irrelevância política, que a tornou incapacitada de contestar os alargamentos da OTAN em 2004 e a fez perder influência sobre os países da antiga URSS. A presença mais importante é a rejeição da estrutura de segurança europeia, visto que a OTAN se encontra como um dos principais papéis nesta política. Nesse contexto, a UE tem um papel muito importante nas políticas públicas de vizinhança, principalmente quando se trata de segurança, o que pode afetar a Rússia. Dessa forma, isso faz com que a Rússia reavaliasse suas relações diplomáticas com a Europa, o que pode causar um desinteresse em colaborar com Bruxelas e fortalecer uma ação mais isolacionista da Rússia. Esse fato pode ser prejudicial para o bloco europeu, levando em conta que a Rússia é o seu terceiro maior parceiro comercial. Por outro lado, segundo Pereira, na estratégia de cooperação militar em 2002 foram concordadas alianças entre a OTAN e a Rússia como projetos em relação à gestão de crises, chamada de "Political Aspects for a Generic Concept for Joint OTAN-Russian Peacekeeping Operations, além também, do Political-Military Guidance Towards Enhanced Interoperability Between Forces of Russia and OTAN nations" que possibilitou a expectativa de acordos futuros</title>
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