Relações globais, inimigos em comum

o papel dos intermediários e das alianças indígenas nas investidas inglesas e neerlandesas no Brasil contra o domínio ibérico (1595–1625)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2317-6725.2026v31.77272

Palavras-chave:

Intermediários, Alianças indígenas, União Ibérica, Invasões estrangeiras

Resumo

Este artigo analisa o papel dos intermediários e das alianças indígenas nas investidas inglesas e neerlandesas contra o Brasil entre 1595 e 1625. Argumenta-se que o sucesso dessas incursões dependeu fundamentalmente da mediação de agentes, como intérpretes franceses e indígenas, que facilitaram o contato e a negociação com os povos nativos. Através de dois estudos de caso, demonstra-se que os ingleses, como na expedição de James Lancaster a Pernambuco (1595), recorreram a alianças franco-indígenas preexistentes para obter provisões e apoio logístico. Já os neerlandeses passaram por um processo de aprendizado, com tentativas frustradas e bem-sucedidas, até consolidarem uma aliança estratégica com os Potiguara na Baía da Traição (1625), decisiva para a posterior invasão de Pernambuco. Conectando episódios comumente tratados isoladamente a uma trama mais ampla de rivalidades imperiais na América, este estudo conclui que saques bem-sucedidos e tentativas de invasão territorial fizeram parte de um processo de aprendizado gradual, marcado por tentativas, erros e acertos, pelo acúmulo estratégico de informações sobre os territórios e suas populações, pelo uso de intermediários experientes, por vezes recrutados entre grupos estrangeiros, e, sobretudo, pela agência ameríndia na resistência ao domínio ibérico e na negociação de sua autonomia em meio às rivalidades europeias.

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Biografia do Autor

Hugo André Flores Fernandes Araújo, Universidade Federal de Juiz de Fora

Hugo André Flores Fernandes Araújo é licenciado e bacharel em História pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Membro do projeto Encontros Piratas: predação marítima e dinâmicas imperiais no Atlântico (séculos XVI-XIX), pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente é professor da rede estadual de Minas Gerais e realiza estágio pós-doutoral na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) com bolsa CAPES/PIPD. E-mail: hugoaffa@hotmail.com

Maria Eduarda de Medeiros Brandão, Universidade Federal de Pernambuco

Licenciada em História pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mestre em História pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Membro do projeto Encontros Piratas: predação marítima e dinâmicas imperiais no Atlântico (séculos XVI-XIX), pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente, cursa o doutorado em História na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Realizou estágio de doutorado sanduíche na Università degli Studi di Firenze (Unifi), com bolsa CAPES/PDSE. E-mail: mebrandao97@gmail.com

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Publicado

2026-09-22

Como Citar

ARAÚJO, Hugo André Flores Fernandes; BRANDÃO, Maria Eduarda de Medeiros. Relações globais, inimigos em comum: o papel dos intermediários e das alianças indígenas nas investidas inglesas e neerlandesas no Brasil contra o domínio ibérico (1595–1625). Sæculum - Revista de História, [S. l.], v. 31, p. 1–28, 2026. DOI: 10.22478/ufpb.2317-6725.2026v31.77272. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/77272. Acesso em: 15 out. 2026.

Edição

Seção

Dossiê - Representações Ibéricas

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