Dossiês dos números anteriores

Diretório dos Índios: Políticas Indígenas e Indigenistas na América Portuguesa (disponível em breve) (44 jan./jun. 2021)

Resumo: O reinado de D. José I representa um marco importante na história dos indígenas. Nesse período, a Coroa expulsou os jesuítas da colônia, mandou erguer vilas e povoados em antigos aldeamentos dirigidos pelos missionários e operou uma profunda reforma no processo de governança dos índios, editando novas leis sobre seus direitos e deveres. O mais importante responsável pelas reformas do período foi o secretário de Estado Sebastião José de Carvalho e Melo, posteriormente conhecido como Marques de Pombal, que defendeu, propôs e implementou o novo corpo legal. Com isso, terminou gerando transformações importantes e de largo alcance na vida dos ameríndios e nas relações deles com a sociedade colonial. Enquanto as interpretações clássicas sobre o Diretório do Índios, ou Diretório pombalino, frequentemente salientam os efeitos destrutivos e deletérios da nova legislação sobre a organização social e política dos indígenas aldeados e independentes, as novas abordagens revisitam o tema em busca do protagonismo dos grupos étnicos e das novas formas de organização social, política e etnicidades desenvolvidas entre eles durante a vigência do Diretório. Partindo dessas assertivas, propomos um número temático para a Sæculum - Revista de História, agregando estudos que apresentem resultados originais de pesquisas com diversas historicidades, diálogos interdisciplinares e fontes documentais que tratem do processo de implantação do Diretório dos Índios nas diferentes capitanias da América Portuguesa, destacando as agências indígenas de negociação e negação nas diferentes formas de recepção da referida Lei, assim como pretendemos reunir os pesquisadores do tema e incentivá-los a fazer um balanço sobre o estado da arte.

Palavras-chave: povos indígenas; Diretório pombalino; políticas indigenistas; identidades indígenas.

Organizadoras: Juciene Ricarte Apolinário (Universidade Federal de Campina Grande) e Vânia Maria Losada Moreira (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)

 

A nova história (bio)política: sobre as capturas e as resistências (nº 42 - jan./jun. 2020)

Resumo: No século passado, Marc Bloch, antes de ser fuzilado pelos alemães, escreveu fragmentos que repensavam os lugares da história, nos alertando para nosso tão “humano” devir-ogro: “Já o bom historiador se parece com o ogro da lenda. Onde fareja carne humana, sabe que ali está a sua caça”. A bio, toda ela vida, participa da historiografia imprimindo às questões políticas a perspectiva de outras problematizações, indiciada pela ampliação dos atores, temáticas e fontes históricas, reconhecendo-as como legítimas à história. Assim, esse Dossiê intenciona produzir um espaço de reflexão sobre as carnes-corpos (bio)políticas, sejam eles cinzas, putrefatas ou pulsantes, naquilo que compete aos seus fluxos de vida e morte, em nossa contemporaneidade, pois do contraponto ao aniquilamento, da memória e/ou da história, é necessário o “bom combate”, daqueles praticados pelas leituras das (bio)políticas. Os conceitos de biopolítica e biopotência em suas dimensões de controle e resistência, têm se desdobrado em outras práticas de análise, permitindo reflexões capazes de contribuir à compreensão das experiências contemporâneas, no que tange ao presente/passado, de alianças e combates, configurando múltiplas formas de sociabilidade. Necropolítica, racismo, psicopolítica, sociedade do cansaço, política da dívida e multidão são alguns dos temas que propomos focalizar, dentre as contribuições recentes: estudos sobre monstruosidades, animalidades, “alianças das precariedades”, manifestos políticos, alteridade radical, dentre outros.

Palavras-chave: História. (Bio)Políticas. Contemporaneidade.

Organizadoras: Telma Dias Fernandes (Universidade Federal da Paraíba) e Elisa Mariana de Medeiros Nóbrega (Universidade Estadual da Paraíba)

 

Mulheres, gênero e sertanidades (nº 41 - jul./dez. 2019)

Resumo: Compreendendo sertões como um conceito amplo, referente a territórios e práticas culturais distanciados dos centros de poder e do litoral, situados no que podemos chamar de Brasil profundo (ou outras profundezas latinoamericanas), propomos um número temático para a Saeculum - Revista de História, agregando estudos que problematizem sujeitos em situação de margem. História das mulheres, gênero, queer, masculinidades, interseccionalidade, (de)colonialidade, territorialidade são conceitos-chave para a historiografia que se dedica a esses e essas protagonistas - não mais objetos - da história. A proposta parte de uma perspectiva transtemporal, guiada pelo eixo das territorialidades sertanejas e das sertanidades, tratadas de modo abrangente e acolhedor, prezando a consciência da abertura de um lugar de fala e de visibilidade para essas e esses sujeitos. Artigos que abordem imagens, literatura e representações sertanejas são igualmente bem-vindos, na ampliação dos interesses diversos sobre as inúmeras possibilidades historiográficas que esse vasto lugar de margem oferece. Os sertões, distante da ideia restrita de regiões semiáridas, apenas, vivem e florescem por todo o Brasil; suas práticas, memórias e histórias merecem ser (re)conhecidas.

Palavras-chave: Mulheres; Gênero; Sertanidadades; Memórias; Interseccionalidades

Organizadoras: Vânia Nara Pereira Vasconcelos (UNEB) e Ana Maria Veiga (UFPB)

 

As Ditaduras Militares no Brasil e no Cone Sul: História, historiografia e memória (nº 39 - jul./dez. 2018)

Trata-se de uma apresentação expandida com o objetivo de mapear os principais temas de pesquisa sobre as ditaduras e os processos de transição para a democracia vivenciados pelos países do Cone Sul.

Organizadores: Tatyana de Amaral Maia (PUC-RS) e Paulo Giovani Antonino Nunes (UFPB)