Sæculum – Revista de História https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh <p><em>Sæculum</em> - Revista de História é publicada pelo <a href="https://sigaa.ufpb.br/sigaa/public/curso/portal.jsf?id=1626832&amp;lc=pt_BR">Departamento de História da UFPB</a> desde 1995 e, a partir de 2004, passou a ser também o periódico do <a href="http://www.ufpb.br/pos/ppgh">Programa de Pós-Graduação em História</a> da mesma universidade. Desde então sua frequência é semestral, e se trata de uma revista voltada à divulgação de pesquisas e ao debate no campo da História e da Cultura Histórica em suas diversas interfaces, abrindo espaço para o diálogo entre pesquisadores(as) do Brasil e do exterior.</p> <p>Está avaliada como Qualis B1 pela CAPES (Qualis 2013-2016) e é indexada no <a href="https://latindex.org/latindex/ficha/26959" target="_blank" rel="noopener">Latindex</a>, <a href="https://scholar.google.com.br/citations?user=DJANGzAAAAAJ&amp;hl=pt-BR">Google Scholar</a>, <a href="https://www.ebscohost.com/titleLists/hsi-subject.pdf">EBSCO</a>, <a href="https://portal.issn.org/resource/ISSN/2317-6725">ROAD</a>, <a href="http://ezb.ur.de/ezeit/searchres.phtml?bibid=AAAAA&amp;colors=7&amp;lang=en&amp;jq_type1=QS&amp;jq_term1=saeculum+revista">EZB</a> e <a href="https://diadorim.ibict.br/handle/1/3257">Diadorim</a>.</p> <p>Siga-nos no <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100063307384295">Facebook</a><a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100063307384295">,</a> <a href="https://www.instagram.com/saeculumufpb/">Instagram</a> e <a href="https://ufpb.academia.edu/SaeculumRevistadeHist%C3%B3ria">Academia.edu.</a></p> Universidade Federal da Paraíba pt-BR Sæculum – Revista de História 0104-8929 A revista <i>Sæculum</i> permite aos autores a manutenção dos direitos autorais pelo seu trabalho, no entanto eles devem repassar direitos de primeira publicação ao periódico. Expediente https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/63651 Comissão Editorial Copyright (c) 2022 Comissão Editorial https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 01 09 Os fundamentos do saber no Didascálicon, de Hugo de São Vítor: Uma análise sobre a representação medieval da natureza humana em sua relação com a Sabedoria divina https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/61842 <p class="Saeculum-resumo">Neste artigo, analisaremos os fundamentos do saber apresentados no programa escolar do cônego parisiense Hugo de São Vítor (†1141) de título <em>Didáscalicon: da Arte de Ler </em>(1127). Partimos da premissa de que qualquer tentativa mínima de reconstrução de uma teoria medieval do conhecimento está sujeita à análise da relação do homem com Deus, sobretudo se tratando da análise da proposta curricular de Hugo de São Vítor, o qual considera até mesmo a dimensão teórica (portanto divina) das artes mecânicas como partes da “filosofia” (i.e., do amor à Sapiência). Portanto, iniciaremos nosso estudo buscando compreender o recorrente conceito de Sapiência na obra vitorina a partir da análise da transmissão cultural dos platonismos dos Padres da Igreja até o século XII. Em seguida, buscaremos apreender em Hugo de São Vítor sua representação da alma humana e suas qualidades naturais (<em>memoria</em> e <em>ingenium</em>), como também o importante conceito teológico medieval de “iluminação” do espírito, buscando compreende-lo como um capacitador da compreensão da realidade verdadeira a partir do desanuviar dos olhos da contemplação. No final do artigo, faremos uma reflexão sobre as vantagens desse método de análise do conhecimento medieval, apontando também as possibilidades de continuidade deste estudo a partir de outras fontes e subtópicos de pesquisa.</p> João Paulo dos Santos Neto Copyright (c) 2022 João Paulo dos Santos Neto https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 10 23 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.61842 Entre o reino de Portugal e o Império ultramarino: espaços de circulação da fidalguia secundogênita no Estado da Índia portuguesa (século XVII) https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/60413 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo pretende analisar os processos de mobilidade social e geográfica verificados entre filhos segundos de uma </span><em><span style="font-weight: 400;">casa</span></em><span style="font-weight: 400;"> aristocrática lusa ao longo do século XVII. Entendemos que a consolidação do vínculo patrimonial calcado em critérios estritos de transmissão, tais como a primogenitura, promoveu uma estreita relação com a dispersão geográfica de filhos segundos no ultramar. Discutiremos a instituição e o desenvolvimento no tempo da </span><em><span style="font-weight: 400;">casa </span></em><span style="font-weight: 400;">de Águas Belas, vínculo fundado no século XIV, e do qual saíram os filhos segundos abordados por esta pesquisa. Neste caso, como exemplos da relação entre </span><em><span style="font-weight: 400;">casa</span></em><span style="font-weight: 400;">, serviços e mercês, apresentaremos algumas notas acerca de suas atuações no Estado da Índia durante o século XVII. O controle de posições estratégicas no Índico dependia direta e indiretamente de ações militares. Daí derivavam oportunidades de casas aristocráticas e de fidalgos secundogênitos reinóis servirem à monarquia. A montagem do Estado da Índia, bem como a disputa de algumas de suas praças importantes, representou a chance de mercês e de promoção social para esta nobreza lusa.</span></p> Eric Fagundes de Carvalho Copyright (c) 2022 Eric Fagundes de Carvalho https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 24 44 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.60413 “O trabalho da mulher é barato pela grande abundância que existe”: intelectuais e professoras na labuta cotidiana de seus ofícios (Rio de Janeiro, século XIX) https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/60193 <p>No Brasil, na segunda metade do século XIX, cada vez mais, surgiam alternativas possíveis para um novo ordenamento social para sujeitos subordinados, sendo as mulheres um exemplo. A partir de suas experiências relacionadas ao gênero, aquelas instruídas buscaram reivindicar direitos igualitários na educação, inserção e melhores condições nos mundos do trabalho e no universo profissional. Por conseguinte, este artigo analisará o universo do trabalho intelectual feminino, principalmente de professoras, jornalistas e escritoras, almejando com isso identificar as principais dificuldades, assim como as estratégias e negociações que foram utilizadas para os seus trânsitos diários pelas ruas do Rio de Janeiro. O recorte temporal delimita-se na segunda metade do XIX e as fontes utilizadas foram o <em>Tratado sobre emancipação política da mulher e direito de votar</em>, a imprensa periódica e os manuscritos da Instrução Pública do Império. Os resultados comprovam que as condições coercitivas de gênero a que estiveram impostas impossibilitou-lhes o trânsito e o acesso profissional no universo intelectual.</p> Cristiane de Paula Ribeiro Copyright (c) 2022 Cristiane de Paula Ribeiro https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 45 65 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.60193 História e literatura, silenciar ou anunciar? Os dilemas da escravidão africana na escrita de Joaquim Manuel de Macedo no Brasil oitocentista https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/59874 <p>O médico Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882) foi romancista, historiador, professor e autor de manuais escolares de História do Brasil, consagrando-se como um dos escritores mais lidos no decorrer do Segundo Reinado, sobretudo as suas <em>Lições de História do Brasil</em>, publicadas a partir de 1861. Membro atuante do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Colégio Pedro II, em sua vasta produção histórico-literária, buscava uma escrita que fosse ao encontro do projeto de construção nacional por parte da Monarquia. Para tal empreendimento, um assunto se tornava particularmente delicado, qual seja, os negros e a escravidão. Diante da riqueza e possibilidades acerca desta personagem, este ensaio objetiva analisar as manifestações (ou as suas ausências) sobre o negro e a escravidão no Brasil oitocentista por parte de Macedo. Além disso, busca-se verificar quais os meios, estratégias e áreas do conhecimento privilegiadas pelo autor para expor suas opiniões sobre este tema tão delicado para a elite letrada imperial da Corte fluminense.</p> Renilson Ribeiro Luis César Castrillon Mendes Copyright (c) 2022 Renilson Ribeiro, Luis César Castrillon Mendes https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 66 83 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.59874 O sistema de colonização de Edward Wakefield e o processo de elaboração da Lei de Terras no Brasil https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/59785 <p>No presente artigo, propõe-se discutir alguns aspectos da situação agrária do Brasil na primeira metade do século XIX, destacando a relação entre as ideias de Edward Gibbon Wakefield – pensador inglês oitocentista – e os principais institutos da lei de terras, promulgada em 1850. Para tal fim, analisa-se de que maneira os problemas da terra e da imigração de trabalhadores estiveram presentes na teoria de colonização sistemática de Wakefield e nos projetos dos parlamentares, observando as influências daquele modelo no processo de elaboração da lei de 1850. Assim, a análise do seu modelo revela-se importante seja para compreender os fundamentos dos dispositivos legais do texto promulgado, seja para situar o debate sobre as terras em meados daquele século. Tal discussão enseja importantes constatações no que se refere à mudança de paradigmas no Brasil, relacionados à nova ordem do país recém-independente, <em>i.e.,</em> da própria redefinição progressiva do conceito de propriedade e do fortalecimento do modelo de propriedade absoluta.</p> Marco Volpini Micheli Copyright (c) 2022 Marco Volpini Micheli https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 84 100 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.59785 A prevenção das moléstias e a manutenção da saúde: as iniciativas de puericultura em Teresina- PI (1931-1944) https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/62066 <p><span style="font-weight: 400;">O artigo tem como objetivo uma análise sobre as iniciativas de puericultura propostas pelos profissionais da medicina</span><span style="font-weight: 400;">, de caráter preventivo,</span><span style="font-weight: 400;"> com a intenção de proteger a saúde infantil em Teresina, capital do Piauí, durante os anos de 1931 a 1944. Para isso, as orientações médicas eram realizadas com base na instrução das mulheres visando o exercício da maternidade de forma científica que, frequentemente, eram opostas às práticas de cuidado infantil adquiridas no senso comum. A proteção à saúde infantil começava a ocorrer antes da concepção</span><span style="font-weight: 400;">, transcorria o período gestacional</span><span style="font-weight: 400;"> e continuava após o nascimento dos filhos, estendendo-se até os primeiros anos de vida, </span><span style="font-weight: 400;">etapa que requeria </span><span style="font-weight: 400;">mais cuidados. As práticas de puericultura estavam inseridas no contexto das políticas do governo central, que incluiu a saúde pública como uma de suas principais áreas de atuação, em que pese o fato de que o funcionamento ocorria a partir da descentralização executiva, assumindo dimensões próprias no Piauí. </span></p> Joseanne Zingleara Soares Marinho Copyright (c) 2022 Joseanne Zingleara Soares Marinho https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 101 118 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.62066 Banzai! O Cinema de propaganda japonês entre 1939-1945 https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/60466 <p><span style="font-weight: 400;">O cinema de propaganda na Segunda Guerra Mundial é sempre relembrado pelas grandes produções estadunidenses ou alemãs que envolvem o conceito. Entretanto, dentro da História, esse cinema não era uma exclusividade das duas potências rivais nesse período, mas outras nações fizeram uso político – também – dessa mídia. O Japão, após a reforma Meiji, utilizou do cinema como uma ferramenta de propagação de sua doutrina da honra, tendo, inclusive, se apoiado em leis estatais para promoção e divulgação. Este artigo tem o objetivo de elaborar os moldes do cinema japonês entre 1939 e 1945, explanando didaticamente em ordem cronológica o surgimento, o </span><em><span style="font-weight: 400;">background</span></em><span style="font-weight: 400;"> por trás do controle Estatal do cinema e como a cultura da honra foi determinante no processo. Para isso, será utilizado do apanhado teórico e metodológico de Marcos Napolitano (2005) e Alexandre Valim (2006) para os filmes, Serge Berstein(1998) para questão da cultura da honra e Pierre Nora (1993) para traçar os objetos filmes enquanto lugares de memória. Assim, será feito um apanhado geral de diversos filmes que surgiram sob esse propósito, durante o recorte proposto, e como estes filmes interagiam entre a recepção pública e a censura estatal do Império japonês.</span></p> Douglas Tacone Pastrello Copyright (c) 2022 Douglas Tacone Pastrello https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 119 136 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.60466 O folheto Mis Proclamas, de Juana Rouco Buela, a circulação de impressos anarquistas e a propaganda entre as mulheres https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/62072 <p><span style="font-weight: 400;">Tendo como referência a atuação da libertária Juana Rouco Buela no seio do movimento anarquista que se desenvolveu na América do Sul nas décadas iniciais do século XX, com destaque à Argentina, o artigo problematiza a dinâmica de edição e circulação de impressos anarquistas no corredor andino-platense, colocando em destaque o Editorial Lux, do Chile, e a edição do folheto </span><em><span style="font-weight: 400;">Mis Proclamas</span></em><span style="font-weight: 400;">. Encaminha-se, também, no sentido de avaliar o papel desempenhado pela escrita libertária de Buela não só na propaganda do anarquismo, mas como incitadora da ação direta. O folheto, destinado às mulheres, visa a divulgação das questões e análises da autora, as quais apresentam preocupação claramente opinativa, na tentativa de sensibilizar as leitoras para </span><span style="font-weight: 400;">a causa</span><span style="font-weight: 400;"> anarquista e sua luta contra a tirania do Estado, a exploração do Capital e a opressão social. Repleta de opiniões e posições, as ideias explicitadas em </span><em><span style="font-weight: 400;">Mis Proclamas</span></em><span style="font-weight: 400;"> encontram-se </span><span style="font-weight: 400;">permeadas</span><span style="font-weight: 400;"> de valores, constituindo um campo de tensão no qual se percebem variadas referências a determinados temas que foram privilegiados no debate entre os anarquistas, entre eles colocamos em destaque a desigualdade social, os conflitos de classes e o feminismo. </span></p> Ingrid Souza Ladeira de Souza Angela Maria Roberti Martins Copyright (c) 2022 Ingrid Souza Ladeira de Souza, Angela Maria Roberti Martins https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 137 160 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.62072 Nós vamos invadir sua praia: a criação da BIZZ https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/60208 <p>A revista <em>BIZZ</em>, voltada para o público jovem e adolescente, foi uma publicação veiculada inicialmente pela Editora Abril. Surgiu em 1985, quando se encerrou a ditadura militar no Brasil, onde um clima de liberdade se instalou após décadas de repressão, dando vazão a uma cultura de consumo infanto-juvenil no país. A indústria cultural brasileira entendeu o momento, difundindo pelas rádios e televisões Brasil afora programações voltadas para este nicho. Nesse processo, o rock brasileiro foi alçado ao topo do mercado de bens culturais, o que transformou jovens artistas em estrelas da cultura de massas. A <em>BIZZ, </em>revista de música de maior vendagem no Brasil, garantia espaço privilegiado a estes artistas, além daqueles identificados com o universo da música pop internacional, bem como aos grandes nomes da MPB. As bandas de rock brasileiro que não faziam sucesso à época, tanto as <em>underground </em>quanto as que viriam a se tornar famosas, também eram notícia na revista, mas eram noticiadas de forma diferente, quando comparadas aos grupos de sucesso. Um exemplo está nas críticas: aos artistas do <em>mainstream, </em>as críticas eram, em sua maioria, negativas; já aquelas direcionadas aos desconhecidos, os textos tinham teor positivo. Tensões surgiram a partir desta postura jornalística, em um impresso voltado principalmente para as estrelas da música pop e rock. Tal contradição era resolvida pela excelente vendagem da revista, o que garantia uma certa autonomia a estes jornalistas na produção de seus textos.<a href="#_ftnref1" name="_ftn1"></a></p> Fernando de Castro Além Copyright (c) 2022 Fenando de Castro Além https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 161 177 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.60208 Dessencialização do conceito de cultura no microcosmo das torcidas organizadas: complexidades e construções representativas na torcida organizada Raça Rubro-Negra (1977-1985) https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/60196 <p class="Saeculum-resumo"><span style="font-weight: 400;">O presente artigo tem como objetivo analisar e identificar as contribuições da História Cultural para a pesquisa em torcidas organizadas. Tendo como suporte teórico os conceitos de representação e prática, o artigo busca analisar o processo de construção dos elementos representativos da torcida organizada Raça Rubro-Negra, fundada em 1977 sob o pressuposto de renovar o formato de torcer. A análise das complexidades e dos distintos parâmetros de sociabilidades no microcosmo torcedor foi amparada pela pesquisa em periódicos e nos discursos de componentes da agremiação sobre seus signos, que foram escolhidos a partir de uma lógica distintiva. Desse modo, a construção da </span><em><span style="font-weight: 400;">forma-representação</span></em><span style="font-weight: 400;"> do referido agrupamento torcedor está em diálogo não apenas com os componentes internos, mas com lógicas de distinção nos relacionamentos próprios do microcosmo. A dilatação do conceito de cultura, dessa forma, evidencia as distintas práticas de agentes sociais e as complexidades na relação dinâmica entre representação e recepção. </span></p> Juliana Nascimento da Silva Copyright (c) 2022 Juliana Nascimento da Silva https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 178 194 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.60196 Putas, ou quase... violência de gênero em filmes de ficção da Argentina e Brasil no século XXI https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/60378 <p><span style="font-weight: 400;">Nas últimas décadas, muitos filmes procuram abordar o tema da violência de gênero. As representações cinematográficas, sobretudo as brasileiras, revelam que a maioria das vítimas de violência masculina fora das relações conjugais são mulheres em situação de prostituição, seja voluntária ou forçada, ou aquelas que, por alguma razão, são associadas a prostitutas. Essas violências são, essencialmente, de caráter sexual e estão marcadas por hierarquias de poder. A compreensão de que vivemos numa sociedade construída </span><em><span style="font-weight: 400;">por</span></em><span style="font-weight: 400;"> e </span><em><span style="font-weight: 400;">para</span></em><span style="font-weight: 400;"> homens, a qual reforça um determinado tipo de masculinidade em detrimento de outros e reverbera nas relações de gênero, atravessa as leituras fílmicas. Neste trabalho abordo narrativas de violências de gênero em filmes de ficção da Argentina e do Brasil produzidos nas primeiras décadas deste século. Procuro refletir, a partir da perspectiva da História do Tempo Presente, acerca dessas representações como frutos de processos históricos de longa e média duração, observando como tais processos incidem na constituição de um imaginário de caráter misógino, perceptíveis nessas representações, que ainda parece dividir as mulheres entre “santas” e “putas, ou quase...”, impondo a estas últimas “castigos” na forma de violência sexual.</span></p> Joelma Ferreira dos Santos Copyright (c) 2022 Joelma Ferreira dos Santos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 195 211 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.60378 Memória, patrimônio cultural e processos educativos: Diálogos e reflexões históricas https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/63264 <p>As relações entre memória, patrimônio cultural e processos educativos têm sido problematizadas pela emergência contemporânea de demandas e posicionamentos de defesa da cidadania, democracia, decolonialidade, meio ambiente, protagonismo feminino e uso ético e humanizado das tecnologias digitais. Mesmo que instituições de salvaguarda do patrimônio cultural, brasileiras e internacionais, sejam responsáveis por uma vertente epistemológica que congrega múltiplos campos de saberes, os diálogos e as reflexões históricas realizados por estudantes, pesquisadores, educadores patrimoniais e gestores culturais têm trazido olhares distintos e colaborativos na desconstrução de hierarquias e eurocentrismos. O pensar sobre o patrimônio, enquanto um agir com as comunidades que a ele reconhecem e produzem, enseja planejar os processos educativos que tratam das heranças materiais e imateriais com as quais convivemos. Assim, uma miríade de possibilidades perpassa a formação docente em aulas práticas de História e patrimônio cultural; os processos de ensino-aprendizagem e conservação de um geoparque como patrimônio natural e cultural; a lexicografia de um museu tecnológico como ensino; a aprendizagem e consciência histórica na visitação em museus locais e regionais; o patrimônio cultural afetivo das memórias femininas sobre uma cidade; as agências de sujeitos negros no desenvolvimento de memórias afro-diaspóricas nos museus; o culto aos antepassados, a religiosidade e o templo japoneses como patrimônio cultural e os aspectos pedagógicos da cultura material vindos do memorial e arquivo escolares. Uma ecologia de saberes para aquecer o coração em tempos sensíveis.</p> Janaína Cardoso de Mello Jaqueline Aparecida Martins Zarbato Copyright (c) 2022 Janaína Cardoso de Mello, Jaqueline Aparecida Martins Zarbato https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 212 221 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.63264 Ensino de História e Educação Patrimonial: usos e apropriações na formação docente no ensino de EAD https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/62070 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo tem o objetivo de explicar as concepções de patrimônio presentes em projetos preliminares desenvolvidos pelos estudantes de estágio supervisionado em docência em História do polo do município de Camocim do curso de EAD da Universidade Estadual do Ceará. A análise é feita para compreender as práticas e perspectivas dos discentes na inclusão do patrimônio cultural como atividade necessária ao ensino de história. Para alcançar esse fim, analisamos seis relatórios apresentados no fim da disciplina realizada em 2019 que consistiam na construção de intervenção pedagógicas na abordagem da educação patrimonial. </span><span style="font-weight: 400;">Nessa análise</span> <span style="font-weight: 400;">serão</span><span style="font-weight: 400;"> observadas as escolhas, as experiências e as aplicações de conceitos, além da seleção de métodos, a partir da sua aproximação com a temática da “preservação” e “valorização” dos bens culturais e, ainda, as elaborações que os estudantes de História apresentaram para fundamentar teórica e metodologicamente as escolhas de temas, objetos de análise e as possíveis problematizações para vivências educativas, considerando conceitos como história local, identidade e diversidade cultural. </span></p> Adson Rodrigo Silva Pinheiro Raquel da Silva Alves Copyright (c) 2022 Adson Rodrigo Silva Pinheiro, Raquel da Silva Alves https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 222 243 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.62070 O Patrimônio Cultural e o patrimônio geológico: o Geoparque Seridó/RN como local de aprendizagem não formal https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/62075 <p>O presente trabalho tem por objetivo discutir alguns aspectos relacionados à possibilidade de aprendizado em locais não formais, tais como os geoparques e especificamente através do Geoparque Seridó. Os geoparques, conforme a Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO – se baseiam em três premissas: a conservação, a educação e o turismo, na perspectiva de promover ações de preservação/conservação do patrimônio, tanto cultural quanto ambiental (geológico) e suas possibilidades (turismo aliado às ações de preservação) de servirem como motor para o desenvolvimento sustentável dos locais/comunidades/sociedades em que os mesmos se encontram inseridos. A metodologia utilizada consistiu na revisão bibliográfica de literatura existente sobre a temática para a escrita deste artigo e sua ação prática foi dividida em três momentos: a) as ações de preparação da visita; b) a visita (aula de campo) e c) as ações pós-visita. Nesse sentido, podemos afirmar, mesmo ressaltando que trabalhamos com uma turma de profissionais em formação, que o aprendizado em lugares não formais é possível, viável, salutar e, desde que bem planejado, atingirá os objetivos aos quais se propõe.</p> Almir Félix Batista de Oliveira Margarida Maria Dias de Oliveira Copyright (c) 2022 Almir Félix Batista de Oliveira, Margarida Maria Dias de Oliveira https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 244 262 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.62075 De Ana Maria à Severina: o patrimônio cultural afetivo, as emoções e memórias em Ceilândia/DF https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/61856 <p><span style="font-weight: 400;">O presente artigo parte do estudo da história das mulheres e também da Educação Patrimonial, seguindo as premissas do Patrimônio Cultural Afetivo, utilizando como ferramenta memórias femininas sobre a construção da então cidade-satélite de Ceilândia, zona periférica do Distrito Federal, e seus patrimônios culturais,institucionalizados e/ou afetivos ligados, em sua maioria, à construção da dignidade e cidadania de seus moradores, disponibilizadas pelo Arquivo Público do Distrito Federal - APDF. visa promover o conhecimento e a valorização do patrimônio cultural e história local analisando o papel desempenhado pelas mulheres como transmissoras de valores, conhecimentos e histórias na região administrativa de Ceilândia – DF. que se estabeleceu a partir de uma Campanha de Erradicação dos Invasores – CEI, trazendo análises e reflexões dos de Ana Maria, Antônia e Severia , visando contribuir com a visibilidade das memórias e histórias das mulheres e suas respectivas visões sobre a Ceilândia, visões e memórias carregadas de força e sensibilidade.</span></p> Jaqueline Aparecida Martins Zarbato Sandra Maria Rodrigues Copyright (c) 2022 Jaqueline Aparecida Martins Zarbato, Sandra Maria Rodrigues https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 263 284 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.61856 Léxico, Cultura e Ensino: o patrimônio imaterial no Museu da Gente Sergipana https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/62591 <p><span style="font-weight: 400;">O museu é um </span><em><span style="font-weight: 400;">locus </span></em><span style="font-weight: 400;">de significados (re)construídos e em constante (re) construção. O acervo nele acondicionado contém muito mais que objetos: aporta, linguisticamente, substantivos, adjetivos, artigos, pronomes, verbos e outras classes gramaticais que nomeiam fatos e realidades sociais dos testemunhos materiais e imateriais do homem e de seu entorno. Além disso, é importante frisar que, de acordo com Matoré (1973), as palavras não expressam as coisas em si, mas a consciência que os homens têm delas. O Museu da Gente Sergipana (MGSE), por suas salas, corredores e átrio, são rememorados os </span><em><span style="font-weight: 400;">falares sergipanos</span></em><span style="font-weight: 400;">, como uma parcial representação dos costumes e tradições imateriais de Sergipe (MELLO, 2021). Portanto, assumindo que a construção e compreensão dos significados do vernáculo sergipano aporta, inegavelmente, questões sócio-históricas marcadoras da identidade cultural e social de seu uso (MARENGO; MAGALHÃES, 2020), esse trabalho objetiva apresentar possibilidades de exploração didática de um item lexical (</span><em><span style="font-weight: 400;">pão jacó</span></em><span style="font-weight: 400;">) - tomado como patrimônio linguístico sergipano -, que serve de exemplo de articulação interdisciplinar entre as aulas de história e de língua portuguesa.</span></p> Janaína Cardoso de Mello Sandro Marcío Drumond Alves Marengo Copyright (c) 2022 Janaína Cardoso de Mello, Sandro Marcío Drumond Alves Marengo https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 285 305 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.62591 Educação, História e Museus: uma reflexão sobre o ensino de história https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/62074 <p><span style="font-weight: 400;">O presente artigo busca discutir a relação da prática de ensino da história e da cultura local com a aprendizagem e consciência histórica de estudantes do curso de Pedagogia de uma Instituição Federal de Ensino Superior no sul de Mato Grosso. Apresentam-se como fontes da pesquisa as reflexões presentes </span><span style="font-weight: 400;">no portfólio</span><span style="font-weight: 400;"> solicitado na disciplina como instrumento avaliativo, de caráter processual e formativo, com uso autorizado pelas estudantes. O objetivo da pesquisa é o de compreender, por meio dos sentidos construídos na visitação a museus locais e regionais, a aprendizagem e consciência histórica das estudantes de pedagogia. </span><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, a reflexão acerca da educação patrimonial tem se dado não apenas no sentido da sua preservação e conservação, mas na problematização em relação as instituições, os agentes, os acervos e os objetos numa perspectiva crítica.</span><span style="font-weight: 400;"> Os resultados demonstram a relevância do trabalho intencional com o conhecimento histórico, do acesso ao patrimônio histórico-cultural e da reflexão sobre ele na aprendizagem e consciência histórica.</span></p> Merilin Baldan Copyright (c) 2022 Merilin Baldan https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 306 326 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.62074 Museus e Memórias Afro-diaspóricas no Sul do Brasil https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/61787 <p><span style="font-weight: 400;">Este </span><span style="font-weight: 400;">artigo</span><span style="font-weight: 400;"> objetiva apresentar possibilidades da educação histórica que tenham como temas o patrimônio e os objetos </span><span style="font-weight: 400;">materiais</span><span style="font-weight: 400;">, de modo a evidenciar as agências dos sujeitos negros no desenvolvimento de seus lugares de origem que, dificilmente, aparecem nas histórias oficiais. Na análise, é</span><span style="font-weight: 400;"> utilizada uma </span><em><span style="font-weight: 400;">escrita de si</span></em><span style="font-weight: 400;"> (GOMES, 2004) redigida por representantes do Clube Negro Braço é Braço, da cidade de Rio Grande/RS, além de imagens alusivas à exposição “Palmares não é só um, são milhares”, realizada </span><span style="font-weight: 400;">em 2021</span><span style="font-weight: 400;"> no Museu Antropológico do Rio Grande do Sul (MARS), na cidade de Porto Alegre/RS, em homenagem aos 50 anos do dia 20 de novembro, data da consciência negra. </span><span style="font-weight: 400;">Por meio de</span> <span style="font-weight: 400;">análise qualitativa das fontes, o</span><span style="font-weight: 400;"> estudo conclui que para compreender a trajetória das populações negras contra a colonialidade </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> para </span><span style="font-weight: 400;">além do ensino da história realizado nas escolas ou das pesquisas dentro dos muros das universidades </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> deve-se dar atenção às atividades que, articuladas à outras fontes e vivências, permitam aguçar a relação entre o passado e o presente, com vistas a outras possibilidades para a aprendizagem histórica.</span></p> Arilson dos Santos Gomes Copyright (c) 2022 Arilson dos Santos Gomes https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 327 347 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.61787 O culto aos antepassados e a Tenrikyo: nova Religião Japonesa e seu templo como patrimônio cultural de Bauru https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/62067 <p><span style="font-weight: 400;">Este trabalho trata dos espaços religiosos nipônicos e do reconhecimento do templo Tenrikyo como Patrimônio Cultural da cidade de Bauru (SP). O culto público aos antepassados, realizado pelos nipônicos na cidade ocorreu a partir da organização e fundação tardia (1951) de templos budistas ou xintoístas, sendo que a imigração de japoneses para a cidade deu-se por volta de 1914. Para a compreensão desse processo, apresenta-se a constituição da identidade religiosa desses indivíduos por meio de valores, de práticas e do próprio culto aos antepassados – os quais constituem um patrimônio imaterial. Tal culto era realizado em oratórios domésticos no interior das residências, até a fundação e a organização do primeiro templo da Igreja Tenrikyo, que, na tessitura dos acontecimentos, tornou-se um patrimônio cultural dos bauruenses, contribuindo para manter e preservar a identidade dessa comunidade. Os pressupostos teóricos utilizados neste trabalho compreendem que a História Cultural permite diferentes abordagens e métodos, variando de acordo com o objeto de estudo e as fontes. Metodologicamente, utilizou-se nesta pesquisa reportagens publicadas no periódico Jornal da Cidade de Bauru, por meio eletrônico, no período de 2007 a 2015, e as Atas do Clube Cultural Nipo Brasileiro, de 1936 a 2008. A metodologia de investigação bibliográfica pautada nesses periódicos permitiu o acesso aos diversos setores da vida social, à disseminação de ideias e valores do cotidiano, às memórias, às ideologias e aos modos de pensar e agir, possibilitando, portanto, a compreensão de certas manifestações, de consolidações de valores e de leituras da cultura nipônica e da sociedade de Bauru.</span></p> Rosemeire D´Ávila Copyright (c) 2022 Rosemeire D´Ávila https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 348 367 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.62067 Os objetos e o espaço da EEB Bom Pastor: aspectos pedagógicos da cultura material escolar (Chapeco/SC, décadas de 1940 e 1960) https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/62069 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo tem por objetivo analisar o espaço escolar da EEB Bom Pastor, em Chapecó-SC entre as décadas de 1940 e 1960, buscando perceber como o espaço e os objetos que o compunham estavam voltados para pedagógico</span><span style="font-weight: 400;">. Para isso, considera-se o prédio</span><span style="font-weight: 400;"> escolar como organização do espaço, analisando a estrutura arquitetônica no contexto histórico e em relação ao desenvolvimento urbano local; além das salas de aula pensadas como organização para o saber; e na sala de ciência e no museu escolar, como espaços e objetos de saber. São utilizadas como fontes os relatórios do Grupo Escolar Bom Pastor, além de imagens e objetos constantes no memorial e arquivo da escola. Esse estudo parte do referencial teórico-metodológico da cultura material, a partir de Souza, Escolano, Frago, dentre outros. Dessa forma, foi possível compreender a que o espaço e os objetos formam uma associação pedagógica e, assim, a escola se transforma em um lugar de aprendizagem.</span></p> Tatiane Modesti Copyright (c) 2022 Tatiane Modesti https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-07-08 2022-07-08 27 46 368 382 10.22478/ufpb.2317-6725.2022v27n46.62069