https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/issue/feed Revista Ártemis 2021-12-15T11:02:24-03:00 Revista Ártemis artemisestudosdegenero@gmail.com Open Journal Systems <p>A Revista Ártemis divulga a produção científica no campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades pelo viés interdisciplinar, abordando fenômenos sociológicos, culturais, análises históricas, literárias, psicológicas, além de estudos interseccionais. O objetivo é contribuir com a construção de novas abordagens teóricas e metodológicas, difundir artigos e pesquisas nacionais e internacionais, resenhas, entrevistas e traduções. A revista é semestral, estando vinculada aos Programas de Pós-Graduação em Sociologia e em Letras da UFPB. Em julho de 2019, recebeu classificação Qualis A2.</p> https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/58697 O Sonho da Sultana, a razão colonial e os feminismos em contextos islâmicos 2021-09-22T15:31:54-03:00 Elzahra Mohamed Radwan Omar Osman assaddaka@gmail.com <p><strong>Resumo:</strong> Neste artigo, a obra de ficção científica <em>O Sonho da Sultana</em>, escrita no âmbito da especulação feminista por Rokeya Hossain, em 1905, será um pretexto para falarmos sobre o movimento de mulheres no início do século passado, seja aquele referente a uma nova e profícua produção intelectual seja a dos movimentos sociais dos quais elas foram participantes. Hossain é uma mulher muçulmana bengali nascida na grande Índia colonial, na região do que hoje seria Bangladesh. Considerada um importante expoente dos assim chamados “feminismo de primeira onda em contextos islâmicos”, as suas obras de ficção científica e ensaios a tornam uma figura de grande relevância para as insurgentes demandas por igualdade de gênero na região, e é ainda hoje uma figura importante do feminismo para o sudeste asiático. Exploraremos no presente artigo o contexto geopolítico colonial e nacional que imbuiu a imaginação criadora de Roquia Hossain tanto em suas obras de ficção quanto em sua participação política como agitadora intelectual, escritora, pensadora e fundadora de associações de mulheres, que também serão o substrato para suas obras de ficção. Deteremos-nos principalmente na obra <em>O Sonho da Sultana</em>, uma vez que está pode ser vista como uma das grandes obras utópicas feministas do início do século passado e cujos elementos sustentam ainda hoje projetos emancipatórios feministas decoloniais.</p> <p><strong>Palavras-chave: </strong>Rokeya Hossain; Feminismos islâmico, <em>O Sonho da Sultana</em>, Des-colonização.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/58246 Percursos cisheteronormativos da psicanálise e possibilidades das clínicas no século XXI 2021-09-22T16:20:18-03:00 Brune Camillo Bonassi brune.bonassi@gmail.com Aluísio Ferreira de Lima aluisiolima@hotmail.com <p>Inspirado na proposta arqueogenealógica foucaultiana e na urgente necessidade de se debater cissexismos estruturais, este artigo problematiza implicaç<strong>ões</strong> da teoria psicanalítica freudiana e lacaniana no sustento da ideia de que a neurose só se estabelece com a divisão cisgênera e heterossexual. Foram aqui debatidos trechos destas psicanálises na produção de conjunções discursivas cisheteronormativas, bem como na produção de problematizações à normalidade binária, cisgênera e heterossexual. Por fim, discutiram-se usos contemporâneos da primeira tópica freudiana no site do movimento Escola Sem Partido, usados para atacar o que lá se denomina ideologia de gênero. Resultados apontam para aplicações hodiernas da psicanálise, principalmente da primeira tópica freudiana, que corroboram com a manutenção da normalidade binária, cisgênera e heterossexual; da mesma forma, produtos da própria psicanálise, que ampliam as possibilidades da identidade, como a menção de Lacan <strong>à</strong> possibilidade de um terceiro sexo, a crítica lacaniana da condução freudiana do caso Dora, e a proposição lacaniana, contrária à economia doméstica aristotélica, de que a relação sexual não existe.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/57285 A encenação do parto na teledramaturgia brasileira 2021-01-20T02:39:57-03:00 Renata Barreto Malta renatamaltarm@gmail.com Gabriel dos Santos Cordeiro gabrielscordeiro75@gmail.com <p>Este artigo propõe analisar cenas de parto apresentadas em telenovelas brasileiras, produzidas e veiculadas ao longo das últimas quatro décadas pela Rede Globo de Televisão, com o objetivo de identificar a representação do parto normal e da cesariana no corpus. Evidenciamos que o parto é um evento social e cultural e as subjetividades que nele se inscrevem se alicerçam nas relações de gênero e que os espaços midiáticos se mostram importantes arenas onde disputas de poder ganham materialidade. Para a trajetória empírica, optamos por dois métodos complementares, a Análise de Conteúdo a partir de uma perspectiva quantitativa e a Análise de Imagens em Movimento. Como resultado principal, identificamos que embora a frequência do parto normal seja maior no corpus, aspectos associados à sua representação, como o local de parto, a expressão da dor, elementos de religiosidade em cena e características étnico-raciais e de classe da parturiente, corroboram para elevar a cesariana ao modo “ideal” de parir. Observamos que a apologia explícita à cesariana esteve presente em parte considerável do corpus. A legitimação cultural e simbólica do parto cirúrgico pela teledramaturgia se distancia das recomendações da Organização Mundial da Saúde e contribui para a construção do imaginário coletivo concernente ao nascimento.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/59290 Entre a ousadia e a perversidade: um estudo acerca dos discursos de gênero em Instinto Selvagem 2021-05-06T20:30:42-03:00 Janaina Wazlawick Muller janainaw@feevale.br Saraí ´Patricia Schmidt saraischmidt@feevale.br <p>Este artigo explana a construção do feminino a partir da personagem Catherine Tramell, protagonista do filme <em>Instinto Selvagem</em> (1992), e seus entrelaçamentos com o contexto sócio-histórico dos Estados Unidos na década de 1990. Objetiva-se analisar o desenvolvimento de Catherine e suas relações com os demais personagens, de modo a articulá-la com os posicionamentos de dois movimentos atuantes no país: o Feminismo e o <em>Backlash</em>. Trata-se de uma abordagem qualitativa, realizada mediante a Análise de Discurso na perspectiva de Mikhail Bakhtin (1988, 2011), principalmente no que se refere à função socioideológica do discurso, e de Dominique Maingueneau (2008a, 2008b) para as noções de cenografia e ethos. Nas aproximações entre Gênero e Cinema, o artigo se fundamenta nos argumentos das autoras Judith Butler (2001, 2010), Ana Mery De Carli (2009) e Susan Faludi (2001). Como resultado, percebeu-se que os discursos promovidos pelo<em> Backlash </em>e pelas reivindicações feministas manifestaram tensões e ambiguidades na estruturação da protagonista de <em>Instinto Selvagem</em>, transformando o filme em uma arena na qual interpretações contraditórias alinham-se às relações entre a subversão e a vilania expressas por Catherine Tramell.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/58150 Violência de gênero e impunidade: um olhar sobre a violência doméstica e familiar contra as mulheres no Rio de Janeiro 2021-09-22T16:27:52-03:00 Rosane Cristina de Oliveira rosanecrj@unigranrio.edu.br Dostoiewski Mariatt de Oliveira Champangnatte dostoiewski.tico@gmail.com <p>Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a violência doméstica contra mulheres no Estado do Rio de Janeiro, apontando o aspecto da impunidade como um dos entraves para que as vítimas busquem apoio jurídico. Partimos da hipótese de que a morosidade e a ineficiência no atendimento à solicitação das vítimas de agressão doméstica são os principais aspectos que denotam a incredulidade no sistema de assistência e punição dos acusados. Do ponto de vista teórico, foram importantes, neste artigo, de autores como Heleith Saffioti, Mary Del Priori, Pierre Bourdieu, entre outros, cujos estudos enfatizam as questões de gênero tanto do ponto de vista histórico como em relação à dominação masculina e patriarcado, elementos que corroboram para a perpetuação e justificativa de violências sofridas pelas mulheres. Metodologicamente partiu-se de pesquisa bibliográfica sobre violência contra as mulheres no espaço doméstico, perpassando pela discussão em relação à dominação masculina e a herança patriarcal. Para a discussão centrada no Estado do Rio de Janeiro, foram utilizados dados estatísticos advindos do Dossiê Mulher (elaborado pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro/ISP) e os dados por Estados da Federação apresentados pelo Mapa da Violência&nbsp; – pesquisas sobre o Estado do Rio de Janeiro; e a análise dos resultados de questionários aplicados através da plataforma <em>googledocs</em>, destinado à mulheres vítimas de violência doméstica e sua experiência com os órgãos destinados à sua proteção e punição dos agressores.</p> 2022-01-03T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61683 Apresentação do dossiê 2021-12-15T09:57:04-03:00 Isabel Maria Casimiro isabelmaria.casimiro@gmail.com Vera Gasparetto gasparettovera@yahoo.com.br Ezra Chambal Nhampoca ezranyampoka@gmail.com 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/57804 Gênero e direitos humanos: a violência doméstica em Moçambique 2021-02-21T23:27:11-03:00 Maria Cecilia Barreto Amorim Pilla ceciliapilla@gmail.com Jaime do Castelo Pedro rasjames47@yahoo.com.br <p>O presente artigo faz parte de uma pesquisa maior que objetiva relacionar os crimes domésticos a penalidades criminais específicas. Neste estudo será abordada a violência baseada em gênero, a responsabilidade penal, o possível crescente aumento do papel da mulher no universo criminal e as possibilidades de homens e mulheres serem vítimas de violência doméstica. Em Moçambique, o crime doméstico é definido como um conjunto de fatos que produzem uma situação reprovável ou desumana, transgredindo assim os direitos e a liberdade de um indivíduo, sendo contra a lei e sujeito a uma pena caso seja cometido e que tenha como cena o ambiente doméstico. Com base no princípio da universalidade e da igualdade entre homens e mulheres perante a lei em todos os domínios da vida, o artigo pretende responder às seguintes questões: a responsabilidade penal se dá de forma distinta quanto ao gênero? Em que proporção homens e mulheres são vítimas da violência doméstica nesse país africano? &nbsp;</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61167 Violência doméstica em tempos de isolamento social: uma interpretação das estatísticas criminais 2021-10-14T13:38:12-03:00 Joaquim Muchanessa Nhampoca jmnhampoca@gmail.com <p>Em finais de 2019 o mundo foi assolado por uma doença respiratória que a Organização Mundial de Saúde designou de <em>Coronavirus disease 19</em> (COVID-19), causada pelo vírus SARS-CoV-2 (<em>severe acute respiratory syndrome coronavirus 2</em>). Com a expansão da doença, crescem relatos sobre o aumento de casos de violência doméstica como resultado do confinamento das pessoas em domicílio, o que aumenta o tempo de convivência entre a vítima e o agressor. Este artigo analisa as estatísticas de casos de violência doméstica atendidos pelos Gabinetes de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência, na cidade e província de Maputo, durante o período anterior a Declaração de Estado de Emergência (DEE), Março de 2020 e Abril de 2019, e no período posterior a DEE, Abril a Junho de 2020, durante a pandemia da COVID-19. A análise visa compreender a incidência da violência doméstica e sua articulação com o isolamento e distanciamento social. A comparação de casos atendidos entre Abril de 2019 e Abril de 2020 revela um aumento de 94.4% nas ocorrências mensais de violência doméstica na Cidade de Maputo e, 4.6%&nbsp; na província de Maputo. O contacto permanente entre a vítima e o agressor influenciou a incidência da violência doméstica durante o isolamento e distanciamento social, tornando o lar um lugar de violência física, psicológica e sexual. O estabelecimento e divulgação de números telefónicos para promoção de denúncias, em tempos de pandemia da COVID-19, mostra a preocupação da polícia em oferecer alternativas à denúncia presencial. Todavia, não há evidências substanciais de denúncias telefónicas. A teoria das necessidades humanas de Maslow demonstra-se oportuna na explicação do recrudescimento da violência doméstica durante a pandemia da COVID-19, dado que com a pandemia surgem desequilíbrios económicos e sociais que interferem, sobremaneira, na satisfação das necessidades humanas previstas na pirâmide de Maslow.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> COVID-19. Estado de emergência. Estatísticas criminais. Isolamento social. Violência doméstica.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61155 Prática de casamentos colectivos como salvaguarda dos direitos da mulher 2021-10-13T17:27:04-03:00 Orlando Nipassa orlando.nipassa@gmail.com Celestina Jeque celestinajeque@yahoo.com.br <p>A realização dos casamentos colectivos, na Cidade de Maputo, resulta de um projeto de intervenção social do Conselho Municipal com o objetivo de apoiar casais que desejam contrair o matrimónio, mas não o fazem por falta de recursos financeiros, questões culturais e sociais ligadas a estigmatização, excesso de burocracia, inexistência dos órgãos do registo civil necessários à legalização dos casamentos próximos das comunidades e desconhecimento da lei. O projecto surge na sequência de relatos sobre mulheres que, por falta da legalização de suas relações conjugais, são violentadas e forçadas a desfazer-se do património do casal em casos de separação ou morte do marido. Derivado, parcialmente, duma recente dissertação de Mestrado, revisão da literatura e pesquisas empíricas que temos vindo a realizar desde o ano de 2010 sobre a matéria, neste artigo descrevemos o processo dos casamentos colectivos e analisamos o seu significado para as mulheres abrangidas. À luz dos pressupostos teóricos da sociologia da liberdade, o artigo revela que, num contexto patriarcal onde os direitos das mulheres são desrespeitados, o projecto dos casamentos colectivos ao apoiar o processo de oficialização das relações conjugais de casais vivendo em união de facto contribui para a satisfação de mulheres provenientes de famílias com poucos recursos, amplia o seu capital social, sua segurança no lar e confere maior visibilidade à necessidade de intervenções públicas que visam salvaguardar os direitos da mulher e seu prestígio social tanto na família como na sociedade em geral.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61244 O campo dos estudos e a construção da igualdade de gênero em Moçambique: as contribuições de Ana Loforte e Isabel Casimiro 2021-10-25T21:42:27-03:00 Vera Fátima Gasparetto gasparettovera@yahoo.com.br Hélder Pires Amâncio hpamancio@gmail.com Hélio Maúngue helio.maungue@gmail.com <p>Neste trabalho apresentamos as trajetórias de duas intelectuais moçambicanas, nomeadamente: Ana Loforte (antropóloga) e Isabel Casimiro (socióloga). Com base nessas trajetórias, buscamos analisar suas contribuições para a construção do campo dos estudos e de igualdade de gênero em Moçambique. O objetivo é compreender as influências que as suas trajetórias tiveram no âmbito epistêmico e político da constituição do campo, junto aos movimentos sociais e na construção de políticas públicas para as mulheres. Trata-se de um trabalho<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> interdisciplinar, cuja metodologia baseia-se em entrevistas realizadas com estas protagonistas, pesquisas em arquivo e com base na literatura (histórica, antropológica e sociológica) produzida por elas e acerca delas. O trabalho oferece um panorama histórico e visibiliza temas, perspectivas teóricas, conexões e as contribuições dessas intelectuais na formação de um pensamento social moçambicano, particularmente no campo dos estudos de gênero.</p> <p>&nbsp;</p> <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Uma primeira discussão sobre essa pesquisa foi apresentada no Simpósio Temático “Ciência, tecnologia e feminismos: empoderamento e agência de meninas e mulheres”, no Seminário Internacional Fazendo Gênero 12 – “Lugares de fala: direitos, diversidades, afetos” – promovido pelo Instituto de Estudos de Gênero da UFSC em Florianópolis, de 19 a 30 de julho de 2021.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61194 Feminismos africanos: pelo direito de ser mulher em Rabhia 2021-10-18T11:02:41-03:00 Maiane Pires Tigre maiane.tigre@hotmail.com Inara de Oliveira Rodrigues inarabr23@gmail.com <p>Em <em>Rabhia (2017)</em>, de Lucílio Manjate, reflete-se sobre a condição de aviltamento do feminino em Moçambique. No caso específico do caleidoscópio moçambicano, muitas são as mulheres que performam o desejo como um vir-a-ser, decorrente de uma situação anterior de falta, ausência, marginalidade e exclusão. Ao contracenar com a prostituição, pobreza, e uma galeria de opressões cruzadas, conforme teorizado por Akotirene (2019), a personagem que dá título à obra, traz à lume os conceitos de alguns feminismos africanos, adotando-se, também, a variante Mulherismo Africana, para problematizar as distinções, aporias e alcance presentes nos inúmeros feminismos, em âmbito local, de cariz anticolonial e interseccional. Esta investigação pretende estudar a agência das mulheres moçambicanas em <em>Rabhia (2017)</em>, a partir de uma perspectiva afrocentrada do pensamento, capaz de reconhecê-las como sujeitas da própria história, bem como de autonomearem-se e autodefinirem-se, enquanto (anti)heroínas da nação. Sob a perspectiva de McFadden (2016), Salo &amp; Mama (2011), Casimiro (2007), Ebunoluwa (2009), Salami (2017), Nah Dove (1998), Hudson-Weems (1993), Oyěwùmí (2021), estudar os Feminismos Africanos e o Mulherismo Africana, respectivamente, implica compreender as políticas de gênero fora de uma tradição feminista eminentemente branca e europeizada, para dar lugar às experiências de mulheres negras, dentro de um paradigma afrocêntrico, abrangendo o ativismo e exaltando a cultura local como importante ferramenta de análise, para revelar uma visão de mundo antirracista, anticapitalista, antipatriarcal, antissexista e, sobretudo, antiocidentalocêntrica. Como principal resultado da presente análise, observa-se a emergência de novos imperativos contemporâneos para os feminismos africanos, os quais possuem relevância no cenário global, demonstrando-se a necessidade da urgente luta pelos direitos sociais e civis de mulheres interseccionais: pobres, pretas, cegas e putas em Moçambique.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/60464 A voz narrativa de Lília Momplé: um marco de referência no feminismo moçambicano 2021-08-08T16:34:09-03:00 Ezra Alberto Chambal Nhampoca ch_ezra@yahoo.com.br Roselete Fagundes de Aviz roseaviz@hotmail.com <p>O cânone da literatura moçambicana é constituído, majoritariamente, por homens, o que significa que a representação dominante da mulher moçambicana é uma construção masculina. Esse cânone é marcado, ainda, como em outros países do continente africano, pelas resistências anticoloniais dos períodos das independências, quando os projetos nacionalistas, de cunho patriarcal, construíram, para as mulheres, uma posição subalterna na idealização da Mãe África ou da Mulher como corporização simbólica da nação (MARTINS, 2011). Junto a esse fenômeno, conforme a autora, “junta-se outra constatação: a do feminismo ocidental, cuja universalização é denunciada como uma prática colonial exercida sobre as mulheres negras do Sul.” A literatura de mulheres africanas é um dos lugares em que se pode debater os feminismos a partir da vida das mulheres nesses contextos. Assim sendo, este artigo tem como objetivo situar os feminismos em Moçambique para, assim, mostrar como a escrita de Lília Momplé constitui-se como uma voz poderosa ao expor a invisibilidade, marginalização e o silenciamento impostos às mulheres moçambicanas, tanto pela cultura ocidental como por escritores moçambicanos.</p> <p>&nbsp;</p> <p><strong>Palavras-chave: </strong>Feminismos em Moçambique. Literatura de mulheres. Lília Momplé.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61154 Um mundo narrado entre o local e o global: biografia, guerra e memória na ficção de Chimamanda Adichie 2021-10-13T16:40:31-03:00 Cristina Maria da Silva crimasbr@gmail.com <p><strong>RESUMO</strong><strong>:</strong></p> <p><strong>&nbsp;</strong></p> <p>Propomos neste trabalho discutir possibilidades de leitura e compreensão dos mundos narrados por meio das grafias ficcionais <em>Meio Sol Amarelo</em> e <em>Americanah</em> da nigeriana radicada nos Estados Unidos, Chimamanda Adichie.&nbsp; Partindo da noção de “um mundo narrado” de Tim Ingold, percebemos a escrita como uma grafia que tem proximidade com outras como, por exemplo, a costura e o bordado. Com agulhas ou escrita, uma textualidade se forma. Um mundo narrado é feito pela costura num tecido de inúmeras linhas vitais, pessoas e coisas não tanto existem como acontecem e são identificadas pelos próprios caminhos (trajetórias, histórias) de onde vieram ou para onde estão indo, como as origens geográficas, sociais e culturais. Traçam juntos itinerários singulares, possíveis graças a uma rede de relações mais amplas. Se grafia vem do <em>gráphein</em>, que quer dizer escrita, que tipo de escrita conseguiria acompanhar a vida? Escrever não se restringe ao texto escrito. Então, que escrita inscreve oralidades e experiências vividas?</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61545 The Thing Around Your Marriage: uma análise da mulher negra e imigrante em dois contos de Chimamanda Ngozi Adichie 2021-11-30T12:29:28-03:00 Laura Zanetti lczanetti@outlook.com Érica Fernandes Alves efalves@uem.br <p>Pesquisa de natureza qualitativa e bibliográfica que buscou analisar a identidade de duas mulheres imigrantes que protagonizam os contos <em>The</em> <em>Thing Around Your Neck </em>e <em>The Arrangers of Marriage </em>de Chimamanda Ngozi Adichie<em>.</em> O referencial teórico usado para embasar esta pesquisa consiste nas discussões sobre os estudos pós-coloniais, de Bonnici (2012) e Ashcroft (2004), sobre identidade, de Stuart Hall (2006), sobre o feminismo negro de Davis (2016) e hooks (2014; 2019), sobre diáspora de Brah (2002), dentre outros. Percebeu-se que a diáspora sofrida pelas personagens é resultado do colonialismo, cuja consequência é a desintegração cultural e a dupla colonização dessas mulheres que sofrem diariamente com o racismo, objetificação sexual e repressão de suas culturas. Notou-se resistência das personagens por meio da descolonização cultural e do retorno ao país de origem. Finalmente, esta pesquisa proporciona visibilidade às personagens femininas e negras, além de contribuir para os estudos pós-coloniais e coadjuvar no ensino de literatura pós-colonial no Brasil, mais especificamente.</p> <p>&nbsp;</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61203 Representações da mulher negra objetificada e hipersexualizada em narrativas de Chimamanda Adichie 2021-10-19T17:11:20-03:00 Luana Caetano Thibes luanacthibes@gmail.com Isaías Francisco de Carvalho isaiasfcarvalho@gmail.com <p>Propomos a análise de momentos-chave de dois romances de Chimamanda Ngozi Adichie – Meio sol amarelo (2008) e Americanah (2014) – e dois contos – “Jumping Monkey Hill” (2017) e “No seu pescoço” (2017) –, de modo a analisar criticamente as situações em que as personagens femininas, em posições subalternizadas, são vistas como menos que seres humanos e colocadas em condição de objeto. O objetivo central é examinar os impactos da objetificação e da hipersexualização das personagens representadas na obra ficcional de Chimamanda Adichie. Voltamos nossa atenção para os estudos culturais pós-coloniais, que agem como ponto de partida da pesquisa e focam na análise das relações interculturais, além das relações de poder e dominação desenvolvidas a partir do contato entre grupos de diferentes origens e práticas. De fato, com a ampliação desses estudos contra-hegemônicos, uma trajetória de ruptura dos paradigmas historicamente consolidados é delineada. As histórias adichieanas se inserem nesse contexto e contam com representações das experiências vividas, complementando estudos antropológicos que se propõem a analisar como se dão as relações da mulher negra com a sociedade contemporânea. Logo, conceitos como os de Hall (2005), Bhabha (2013) e Fanon (2008) são basilares, assim como os de Davis (2016) e Lugones (2014). Concluímos que o conjunto da obra adichieana contribui para a pertinência da literatura como motivação para questionamentos e veículos de militâncias política, social, sexual e cultural. Adichie está situada em um grupo de autores contemporâneos que escolhem o engajamento pela literatura, para favorecer a saída do Outro do âmbito exclusivamente acadêmico para alcançar maior número de interessados nas temáticas abordadas pela autora.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61209 Escrevivência: incursões biográficas e acadêmicas ao feminismo islâmico 2021-10-20T12:07:54-03:00 Elzahra Mohamed Radwan Osman assaddaka@gmail.com Hilan Bensusan assaddaka@gmail.com <p>O presente ensaio parte do conceito de Escrevivência, de Conceição Evaristo, a fim de alinhar-se à produção teórica de feministas negras e chicanas, bem como traçar uma possível justificativa para a produção teórica advinda das experiências de vida e perpassada pelas diferentes interseccionalidades inscritas nos corpos situados das mulheres. No texto que se segue, faço dois movimentos concomitantes: procuro posicionar-me enquanto mulher muçulmana e estudiosa do feminismo islâmico a partir de algumas passagens biográficas, a fim de fundamentar o sujeito da escrita. Ao passo em que trago para a discussão temas, teóricas e discursos do feminismo islâmico tanto porque enquadram algo da vivência de um coletivo quanto porque são narrativas sobre feminismos decoloniais ainda pouco conhecidos.&nbsp; O ensaio divide-se em cinco partes. Na primeira, chamada de Introdução, realizo uma aproximação ao conceito de Escrevivência. Na segunda parte tomo a experiência do Ramadã para adentrar a discussão sobre subjetividades racializadas. Na terceira parte apresento apartes biográficos a fim de situar a emergência do feminismo islâmico desde uma corpo-política situada. Na quarta parte faço uma breve incursão às retóricas e ao pensamento das feministas muçulmanas, e finalizo com as considerações finais.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61423 Relações de poder e questões de gênero no continente africano: um estudo de caso 2021-11-15T11:04:00-03:00 Renata Feital rlfeital@gmail.com Núbia Aguilar nubiaaguilar@gmail.com <p>O colonialismo foi um movimento que atingiu de diversas maneiras o continente africano. As esferas políticas, econômicas e ideológicas foram orquestradas para atender o projeto colonial, que envolveu pessoas guiadas por distintos interesses. Desse contato, surgiram relações múltiplas entre colonizadores e colonizados. Ao estabelecer hierarquias de poder, ocorreu a criação de malhas discursivas que fundamentaram estereótipos operados para definir, sobretudo de modo pejorativo, quem eram os sujeitos africanos. A conjuntura expressa representações de mulheres de maneira limitada e reduzida à visão colonial. Vários foram os casos em que mulheres foram retratadas de formas objetificadas, buscando atender a sociedade do espetáculo. Neste artigo serão visitados espaços de debates sobre estes temas, partilhando da perspectiva que o colonialismo precisa também ser analisado com teorias que abordam as relações de gênero. Concomitante, oferecemos uma leitura sobre a atuação militante de Miriam Makeba que foi proeminente em realizar uma arte que confrontou, de muitas maneiras, as narrativas coloniais, que representaram africanas e africanos. O movimento realizado por Miriam Makeba, será lido como parte das agências realizadas por sujeitos africanos diante das distintas situações de opressão que emergiram do contato colonial, a tempo que destacaremos a importância da representação para a criação de narrativas e a estruturação de espaços de poder.&nbsp;</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/61377 Um olhar diaspórico sobre a experiência das feministas negras africanas: em busca de encontros e empoderamento 2021-11-09T14:02:47-03:00 Valdenice José Raimundo valdenice.raimundo@unicap.br <p>As reflexões presentes neste artigo, resultam de desdobramentos do estudo realizado para o pós-doutorado. O presente texto tem como objetivo relacionar o conhecimento e a experiência das feministas negras africanas com a experiência das feministas negras brasileiras, identificando aproximações e novos aprendizados. Neste sentido, foram levantadas as produções de seis mulheres, identificadas como feministas de países africanos. Para a leitura utilizaremos a afrocentricidade, categoria cunhada por Asante nos anos 1980. A categoria traz para o centro a experiência dos povos africanos e dos (as) negros (as) na diáspora, ao mesmo tempo que chama atenção para os perigos de um pensamento único. O estudo justifica-se pela necessidade que os (as) negros (as) na diáspora têm de reconhecerem-se como descendentes de um continente potente, cuja história no Brasil tem sido distorcida e negada. O estudo contribuirá para afirmar que esta história silenciada tem impactado a vida dos (as) negros (as), bem como, é um esforço de potencializar narrativas que desconstruam a ideia de uma África enfraquecida, passiva e sem história. Entendemos que esse estudo une-se a outros que buscam resgatar e recontar a história da África, conectando passado e presente, no reconhecimento de que os saberes e epistemologias africanas são imprescindíveis para um olhar novo sobre a história do Brasil e o empoderamento das mulheres negras brasileiras.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/59831 Mulheres negras amazônidas: histórias contadas por outros olhares 2021-06-19T14:35:45-03:00 Maria das Dores do Rosário Almeida mulheresdoigarape@gmail.com Piedade Lino Videira piedadevideira@bol.com.br Elivaldo Serrão Custódio elivaldo.pa@hotmail.com <p>O presente texto tem por objetivo trazer reflexões à luz da trajetória de vida de mulheres negras amazônidas — invisibilizadas na historiografia e epistemologia brasileira e nortista — que, foram ressurgidas por intermédio da escrita instigante de professoras e professores egressos do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), do curso de Licenciatura em Pedagogia da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), como atividade de produção didático-pedagógica desenvolvida no componente curricular: Teoria e Prática do Ensino de História e Cultura Afro-brasileira como estratégia de implementação da Lei Federal n. 10.639/2003, no “chão da escola”. As atividades desenvolvidas com os/as acadêmicos/as do Parfor, foi um momento muito produtivo com ricas reflexões, pois intencionava principalmente lançar luz nas identidades de mulheres negras — ressurgidas através de textos escritos — capazes de dignificar e reconhecer sua relevância na dinâmica histórica, social e cultural dentro e fora de suas comunidades, assim como no espaço escolar.</p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/artemis/article/view/59272 O lugar da fala do lugar de fala: sobre escuta e transversalidade 2021-05-05T19:33:08-03:00 Hilan Bensusan hilantra@gmail.com <p>A ideia de lugar de fala tem ocupado um papel crescente<span class="Apple-converted-space"> </span>na organização dos discursos, da representação e da persuasão política.<span class="Apple-converted-space"> </span>As práticas associadas ao lugar de fala dialogam com múltiplas outras ligadas às questões de identidade, de escuta dos outros e de espaço público. Ao mesmo tempo, ela desperta um emaranhado de<span class="Apple-converted-space"> </span>afetos<span class="Apple-converted-space"> </span>políticos<span class="Apple-converted-space"> </span>e tem sido relevante para mulheres negras e outros grupos oprimidos subrepresentados na luta por maior visibilidade e maior respeito, como tem mostrado o trabalho de Djamila Ribeiro e outras pesquisadoras do campo.<span class="Apple-converted-space"> </span>As exigências associadas ao lugar de fala dão vazão a muitos discursos que merecem ser considerados em sua convergência e dissonância.<span class="Apple-converted-space"> </span>Este texto pretende<span class="Apple-converted-space"> </span>trazer alguns desses discursos à tona e colocá-los emdiálogo crítico. Ele reúne falas de diversos lugares e reportam como se escuta as vozes dessas personagens reais e imaginárias. Dessa maneira, é possível começar a pensar na relação entre lugar de fala<span class="Apple-converted-space"> </span>e outras temáticas, a exemplo de:<span class="Apple-converted-space"> </span>adistribuição da fala, o impacto e a seletividade da escuta, a infiltração do pensamento de outres, o direito ao dissenso e à diferença, o supremacismo branco masculino colonial, a articulação das paisagens políticas, a natureza da universalidade e a atenção às perspectivas.<span class="Apple-converted-space"> </span></p> 2021-12-15T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Revista Ártemis