VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: A RELAÇÃO ENTRE A VIOLAÇÃO DO DIREITO À ASSISTÊNCIA OBSTÉTRICA HUMANIZADA E O PATRIARCADO

  • Débora Fernandes Pessoa Madeira UFV
  • Marina Luiza Silva Queiroz UFV
  • Roselaine Lopes Toledo UFV
Palavras-chave: Violência obstétrica; Assistência humanizada do parto; Patriarcado.

Resumo

A presente pesquisa tem como tema a violência obstétrica e trata da relação entre a violação do direito à assistência obstétrica humanizada e o patriarcado. Este tema é extremamente relevante, uma vez que apesar de atingir grande parte das mulheres brasileiras, essa violência é invisível. Essa pesquisa tem, como objetivo geral, a análise da violência obstétrica sob o enfoque das teorias feministas, principalmente sob o olhar das teorias feministas do direito, discutindo-se essa violência como uma forma de cerceamento da liberdade da mulher para com seu corpo e suas decisões acerca do ato de parir. A respeito da metodologia, a presente pesquisa de deu por meio do método da análise de conteúdo, por meio do método qualitativo.  Enquanto problemas de pesquisa, tem-se: o questionamento de quais atitudes devem ser consideradas violência obstétrica; a indagação se essa violência é uma forma de cercear a mulher do direito pessoal de parir; e a relação entre a violência obstétrica praticada contra a mulher e o patriarcado. Concluiu-se que a violência obstétrica está atrelada a diversas causas e, dentre elas, o patriarcado.

Biografia do Autor

Marina Luiza Silva Queiroz, UFV

Graduada pela Universidade Federal de Viçosa, advogada em Viçosa - MG.

Roselaine Lopes Toledo, UFV

Graduada em Direito pela Univiçosa; Mestre em Economia Doméstica pela Universidade Federal de Viçosa, doutoranda em Economia Doméstica pela Universidade Federal de Viçosa, professora de Direito na Unipac - Capus Ubá.

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Publicado
2020-05-30
Como Citar
FERNANDES PESSOA MADEIRA, D.; LUIZA SILVA QUEIROZ, M.; LOPES TOLEDO, R. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: A RELAÇÃO ENTRE A VIOLAÇÃO DO DIREITO À ASSISTÊNCIA OBSTÉTRICA HUMANIZADA E O PATRIARCADO. Gênero & Direito, v. 9, n. 04, 30 maio 2020.
Seção
Saúde, Gênero e Direito