PROTAGONISMO FEMININO NA CONSERVAÇÃO DAS SEMENTES CRIOULAS NO TERRITÓRIO DO ALTO SERTÃO DE SERGIPE

  • Thais Moura dos Santos Universidade Federal de Sergipe
  • Eraldo da Silva Ramos Filho Universidade Federal de Sergipe

Resumo

Na agricultura capitalista, as sementes tornaram-se mercadorias patenteadas e geneticamente modificadas no processo crescente de privatização da natureza que decorre desse modelo de produção. Diante desse cenário, a disputa para manter as sementes sob o poder dos povos que historicamente manusearam esse bem comum da humanidade, tem sido conduzida por sujeitos em todo o mundo. Nessa direção, presente artigo objetiva compreender a importância do trabalho feminino na conservação das sementes crioulas em comunidades do Alto Sertão Sergipano e como esse processo contribui para construção da autonomia camponesa nesse território. Para subsidiar nossas análises, adotamos como procedimentos metodológicos a leitura de referencial teórico, trabalho de campo, entrevistas semiestruturadas, que a posteriori foram traduzidos em dados. Pudemos concluir que a produção, conservação e multiplicação de sementes sempre foi uma estratégia camponesa, para a manutenção das lavouras e produção de alimentos. Essa prática foi resignificada, tornando-se também de enfretamento aos pressupostos do agronegócio que aprisionam os sujeitos ao seu modelo de fazer agricultura, e as mulheres no território estudado protagonizam esse processo.

Biografia do Autor

Eraldo da Silva Ramos Filho, Universidade Federal de Sergipe
Professor do Departamento de Geografia (DGE) e do Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGEO) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Publicado
2020-10-09
Seção
Artigos