A SITUAÇÃO DAS TRABALHADORAS RURAIS NO ACESSO À ÁGUA E ENERGIA NO MÉDIO VALE DO JEQUITINHONHA (MINAS GERAIS)

  • Lauanda Lopes de Souza Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Aline Weber Sulzbacher

Resumo

Neste texto, indicamos que é intrínseca a relação entre a água, a energia e a qualidade de vida das mulheres do campo, como também é evidente que não se trata de fatores ligados à natureza ou, a “naturalização” da escassez hídrica como decorrente de fatores climáticos. Ou, ainda, da naturalização da situação de pobreza como relacionada à capacidade dos indivíduos de gestar suas condições de vida. Trata-se, indubitavelmente, de como as comunidades rurais são impactadas pela ausência do Estado no seu dever de garantir o acesso aos direitos constitucionais – como o acesso à terra, água, energia, moradia, saúde, educação etc. – e, contraditoriamente, pela presença no Estado na garantia das condições para a instalação de grandes projetos de desenvolvimento como hidrelétricas e monocultura de eucalipto. E estes também são os principais atores que disputam a terra e a água com as comunidades, e negam a elas o direito do acesso à energia – mesmo aqueles que as terras foram invadidas pelo lago da represa e realocados para outro ambiente sem acesso a fontes de água. É neste contexto que este artigo tem por objetivo analisar o acesso água e à energia e as relações com a qualidade de vida das mulheres em algumas comunidades rurais, do médio Vale do Jequitinhonha. Em termos metodológicos, a pesquisa usa abordagem qualitativa, com levantamento bibliográfico e pesquisa exploratória. Observou-se que o acesso à agua e a energia está associada à vida das mulheres como no aumento de jornada de trabalho, na violência, na independência financeira entre outras. Essas questões têm relação direta com as condições e capacidade para participação das mulheres em projetos e no acesso às políticas públicas, como possibilidades para emancipação e empoderamento.
Publicado
2020-10-06
Seção
Artigos