DESTINOS TRAÇADOS? GÊNERO, RAÇA, PRECARIZAÇÃO E RESISTÊNCIA ENTRE MERENDEIRAS NO RIO DE JANEIRO

Rogerio Mendes de Lima, Elisa Costa de Carvalho

Resumo


O presente trabalho é resultado de uma pesquisa que buscou investigar as relações entre gênero, raça e precarização do trabalho em um grupo de merendeiras do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. Partindo da constatação de que as merendeiras são um grupo formado majoritariamente por mulheres negras moradoras da periferia, o estudo procurou analisar as relações entre a trajetória social das entrevistadas e sua inserção profissional. A constatação foi a de que há uma vinculação direta entre o fato de serem mulheres e negras, o exercício da profissão de merendeiras e as condições de precarização vivenciadas cotidianamente nos locais de trabalho. Os resultados da pesquisa permitem concluir que por um lado, ainda que se percebam avanços nas relações de gênero e raça nas últimas décadas, existem setores da sociedade brasileira onde as escolhas e trajetórias profissionais ainda são determinadas por estruturas sociais que indicam a permanências das condições de subordinação da mulher negra. Por outro lado, é possível identificar nas entrevistadas elementos de resistência à precarização do trabalho e ao histórico processo de discriminação de raça e gênero a que foram submetidas desde a infância e que se revelam na luta contra as condições de trabalho e pelo reforço de suas identidades como mulheres negras.


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