MOVIMENTO SINDICAL RURAL NA ZONA DA MATA DE PERNAMBUCO, BRASIL: ASSISTENCIALISMO E NOVAS FORMAS DE RESISTÊNCIA, 1969 A 1974
Resumo
Este artigo abordará a problemática do sindicalismo rural e as novas formas de resistência na mata pernambucana, no período correspondente aos anos de 1969 a 1974. O Brasil nesta época foi considerado pelo regime ditatorial implantado em 1964 em estado de guerra interna, instalando-se um dos mais pesados períodos de exceção política. Foi executado um regime de terror político onde, suprimidas as liberdades individuais e grupais de pensamento e ação, tornaram-se corriqueiras com o know-how dos Estados Unidos práticas brutais de torturas a presos políticos, além de sequestros, mortes e desaparecimentos de pessoas suspeitas de oposição ao regime. O controle sobre o sindicalismo rural no período aqui recortado, bem como sobre todo o movimento sindical brasileiro, foi reforçado pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social em formas de constantes blitzens sob o pretexto de averiguações permanentes de práticas de corrupção ou de subversão. O movimento sindical, sobretudo o rural, foi absorvido também por práticas assistencialistas impostas de cima para baixo pelo Estado autoritário. Foi tolhido em sua ação de representação e defesa dos interesses de classe e transformado em apenas veículo dos programas assistenciais do governo federal. Essa passagem de uma política de representação de classe para uma política de apaziguamento dos conflitos trabalhistas e intermediação junto ao Estado vivenciado pelo movimento sindical rural em Pernambuco será o objeto central deste artigo.
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