Arquivos da repressão: fontes de informação sobre diversidade sexual e de gênero na ditadura militar

  • Jacqueline Ribeiro Cabral Departamento de Ciência da Informação do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (GCI/IACS/UFF) http://orcid.org/0000-0002-4118-2088
Palavras-chave: Arquivos. Ditadura. Diversidade.

Resumo

Apresenta um breve levantamento das fontes de informação sobre diversidade sexual e identidade de gênero que constam no Fundo da Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça, correspondente ao onipotente Serviço Nacional de Informações (SNI), durante a ditadura militar no Brasil. A documentação se encontra no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e o trabalho tem como referencial metodológico a perspectiva dos arquivos enquanto memória, considerando os paradoxos de tal relação tanto no sentido de seu papel de testemunhos de ocorrências passadas, quanto de expressivos – e perturbadores – dispositivos do presente. Neste sentido, revela como os documentos retratam os sujeitos desviantes da lógica binária cisheteronormativa, buscando contribuir tanto para o conhecimento acerca da sedimentação de preconceitos contra as minorias e de violações de direitos humanos básicos, quanto para a ressignificação das subjetividades de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT+) em relação ao que, persistindo na condição de memória sobre a sua existência, perpetua-se no tempo através de atitudes discriminatórias e intolerantes ou de resistência e transgressão às normas sociais hegemônicas. Trata-se de desbravar uma seara ainda inédita ou bastante incipiente na arquivologia brasileira, ressaltando a questão do acesso às fontes de informação para a pesquisa social. O presente artigo é oriundo de comunicação proferida no VIII Seminário de Saberes Arquivísticos (SESA), no período de 16 a 18 de agosto de 2017.

Biografia do Autor

Jacqueline Ribeiro Cabral, Departamento de Ciência da Informação do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (GCI/IACS/UFF)
Jacqueline Ribeiro Cabral atua como professora adjunta no Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS/UFF). Realizou estágio pós-doutoral em Sociologia no IUPERJ como bolsista da CAPES (2014-2015), e obteve os títulos de Doutorado em História das Ciências pela Fiocruz (2012), Mestrado em História pela UERJ (2003), Especialização em História do Brasil pela UFF (2001), Bacharelado e Licenciatura em História também pela UFF (1999), e Bacharelado em Arquivologia pela UNIRIO (2015). Possui experiência profissional em história das ciências e arquivos permanentes. Dentro do campo informacional, seus interesses de pesquisa são: acervos pessoais, arquivos e direitos humanos, arquivos e movimentos sociais, história dos arquivos e da arquivologia, memória social e relações de gênero. Integrante dos grupos Informação, Memória e Sociedade (IMeS/IBICT) e Núcleo de Pesquisa e Desconstrução de Gêneros (Degenera/UERJ), ambos cadastrados no CNPq.

Referências

AUSTIN, John Langshaw. Quando dizer é fazer. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. Lisboa: Editorial Veja, 1978.

BRASIL, Arquivo Nacional. Inventário dos dossiês avulsos da série Movimentos Contestatórios do fundo Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2013.

BRASIL, Casa Civil da Presidência da República. Comissão Nacional da Verdade (CNV). Portal CNV: Institucional e Relatórios Finais da CNV. Brasília (DF): CNV, 2012-2014. Disponível em: http://www.cnv.gov.br/. Acesso em 6 jun. 2014.

BRASIL, Secretaria de Direitos Humanos (SDH). Relatório sobre violência homofóbica no Brasil (2011). Brasília, DF: SDH, 2012. Disponível em: http://www.sdh.gov.br/assuntos/lgbt/pdf/relatorio-violencia-homofobica-2011-1. Acesso em 6 jun. 2014.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 2000 (1912).

FOUCAULT, Michel. Da amizade como modo de vida – entrevista de Michel Foucault. Gai Pied, n. 25, p. 38-39, 1981.

FOUCAULT, Michel. A história da loucura na idade clássica. São Paulo: Perspectiva, 1997.

GOFFMAN, Erving. Estigma – notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: LTC, 1988.

GUARECHI, Pedrinho; JOVCHELOVITCH, Sandra. Textos em representações sociais. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

MARCELINO, Douglas Attila. Salvando a pátria da pornografia e da subversão: a censura de livros e diversões públicas nos anos 1970. 2006. 300f. Dissertação (Mestrado em História Social) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, 2006.

MOSCOVICI, Serge. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Petrópolis (RJ): Vozes, 1999.

SARTRE, Jean-Paul. Saint Genet: ator e mártir. Petrópolis (RJ): Vozes, 2002.

Publicado
2017-12-30
Como Citar
CABRAL, J. R. Arquivos da repressão: fontes de informação sobre diversidade sexual e de gênero na ditadura militar. Archeion Online, v. 5, n. 4, p. 103-121, 30 dez. 2017.