A REPRESENTAÇÃO DAS PESSOAS NEGRAS EM “MENINO DE ENGENHO”

  • Waldeci Ferreira Chagas UEPB - Campus Guarabira
  • Damião Cavalcante do Nascimento

Resumo

Neste trabalho atentamos para a representação do negro na literatura, tendo como foco a obra “Menino de engenho”, de José Lins do Rego. Nela analisamos a condição das pessoas negras na sociedade pós-abolição e as formas de tratamento que lhe fora concedida e atentamos para as práticas de resistência desencadeadas na relação estabelecidas entre patrão e agregado, visto que mesmo livre as pessoas negras não foram inseridas no mercado de trabalho como mão-de-obra assalariada, mas permaneceram no engenho na condição de agregadas. Todavia, a inserção delas na sociedade pós-abolição se deu de forma lenta, mas nem sempre gradual. Desta feita, elas buscaram mecanismos para se inserir socialmente que nem sempre foram reconhecidos pelos pesquisadores. Por isso, nos reportamos à sociedade brasileira do início do século XX, em especial a Paraíba e atentamos para as tramas narradas por José Lins do Rego, desde o momento em que o menino Carlinhos foi para o engenho do seu avô até a sua saída para o colégio interno em Itabaiana. Na trajetória de vida do “menino de engenho” é pertinente as formas de contato dele com as pessoas do engenho, em especial as negras e como se procederam tais contatos. Nesse ínterim destacamos a condição delas, o valor que possuíam no espaço rural onde a produção açucareira não era mais a principal atividade. Que estratégias as pessoas negras utilizaram para resistir ao abandono social e se inserir? Recorremos como aporte teórico aos estudos de Chartier, Pesavento e Burke, visto pensarem a história a partir dos referenciais culturais e das pessoas comuns, o que Sharpe denominou de os de baixo.

Biografia do Autor

Waldeci Ferreira Chagas, UEPB - Campus Guarabira
Graduado em História pela UFPB, Mestre e Doutor em História pela UFPE, Professor Adjunto na UEPB, Campus Guarabira
Publicado
2013-01-31
Seção
Literaturas Africanas e da Diáspora Negra