Maurício Gomes e a (re)invenção da poesia angolana

  • Moama Lorena Lacerda Marques IFRN/UFPB

Resumo

Escrito por Maurício Gomes a partir do mote “É preciso inventar a poesia de Angola”, cujas variantes são formuladas através da alteração do verbo e aparecem como uma espécie de intervalo entre as estrofes, “Exortação” é uma espécie de meta-poema que vai proclamar o “como escrever” e o “o que escrever” no processo de construção de uma poesia angolana desvinculada dos padrões ultramarinos. Poema longo, cujos versos se espalham em mais de vinte estrofes, nele é defendida a ideia de nacionalizar a literatura angolana, de descobrir a angolanidade literária, como bem proclamavam os integrantes do “Movimento dos Novos Intelectuais de Angola” e como se (ou)via com o brado do “Vamos descobrir Angola”. Este artigo é um estudo sobre o referido poema e enfatiza a análise da proposta ideo-estética nele apresentada; proposta esta que fazia parte do processo de descoberta da angolanidade literária em vigor na época. Anterior à análise textual propriamente dita, discutiremos o percurso da poesia de Angola até os dias de hoje, enfatizando o contexto literário em que Mauricio Gomes compôs seu poema. Como constatações resultantes da análise, observaremos que o escritor concebe o Modernismo brasileiro como modelo e convoca a participação/adesão dos outros poetas, assinalando o que de mais importante deveria ser matéria-prima dessa poesia: a realidade angolana, de sua vida social, em especial a condição do homem negro, e de suas belezas e riquezas. Em termos de fundamentação teórica, nos apoiaremos nos estudos de Tania Macêdo (2009), Inocência Mata (2006), Rita Chaves (2005), Carmen Secco (2006), Pratrick Chabal (1994) entre outros pesquisadores das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. Palavras-chave: Poesia. Angola. Angolanidade.
Publicado
2013-03-01
Seção
Literaturas Africanas e da Diáspora Negra