THE FOX E A RELEITURA DO UNIVERSO LITERÁRIO DE D. H. LAWRENCE NA TELA

  • Carlos Augusto Viana da Silva

Resumo

A novela moderna The Fox (1922), do escritor inglês D. H. Lawrence, seguindo parâmetros convencionais do gênero, foi construída de forma linear, com categorias de espaço e tempo, bem definidos em um enredo, e com personagens delineados. Entretanto, é bastante inovadora por apresentar uma profusão de temas complexos e discussões polêmicas que desafiam crenças e convenções sociais, e traz questionamentos de conceitos, tais como gênero e sexualidade, como fonte de elementos de crítica ao sistema político e cultural britânico. A narrativa gira em torno da história de duas personagens Nellie Marsh e Jill Banford que moram juntas e levam uma vida simples na região de Berkshire durante a primeira guerra mundial. Elas cuidam de sua propriedade, realizando tarefas domésticas, como criar animais e outras atividades que garantem a sua subsistência. Chega então Henry Grenfel, um ex-soldado que estava a serviço no Canadá e retorna à fazenda sem saber que ela não era mais propriedade de seu avô. Mesmo sem ter mais nenhum vínculo legal de propriedade, o rapaz é acolhido pelas novas proprietárias e fica hospedado por um período em sua casa. A partir da presença desse novo personagem, uma nova ordem na narrativa se estabelece, com a quebra de uma harmonia existente, tanto na relação entre as moradoras quanto no próprio espaço. E um dos pontos de destaque é a complexidade no envolvimento emocional entre os três personagens que ressalta um ponto bastante recorrente na obra do autor, ou seja, a discussão sobre um conceito profundo e amplo de amor na modernidade (GONÇALVES, 1997), reforçando assim uma unidade clássica na sua visão de homem. O objetivo deste trabalho é investigar a releitura dessa obra de Lawrence no filme The Fox (1968), por Mark Rydell, analisando como o diretor/tradutor lida com alguns aspectos temáticos desse texto na tela e quais as principais estratégias de tradução utilizadas para representar a complexidade do envolvimento emocional entre as personagens principais no texto cinematográfico. Partimos da ideia de que a narrativa fílmica, ao apagar a ambivalência na representação de um possível relacionamento homoafetivo entre Marsh e Banford do livro, tornando-o mais explícito na tela, pressupõe novas posturas de leitura por parte do espectador acerca do tema, estabelecendo diálogo com novas demandas discursivas dos contextos de produção e recepção. Como fundamentação teórica, levamos em consideração as ideias de adaptação fílmica como tradução, de Cattrysse (2014), reflexões acerca da adaptação para as telas, de Cartmell e Whelenhan (2010); bem como análises críticas sobre a obra de Lawrence (BEYNON, 1997; HAMALIAN, 1973; GREIFF, 2001). Os resultados preliminares indicam que o uso de algumas estratégias específicas de tradução pelo diretor, tais como focalização de personagens, apagamento do tema da guerra, e a própria reconfiguração temática do projeto narrativo de Lawrence na tela deu à narrativa fílmica um tom mais dramático, redirecionando a discussão sobre gênero e sexualidade e o conflito da busca individual por um conceito de amor mais profundo.
Publicado
2017-09-27
Seção
Comunicações Breves Eixo Tradução Intersemiótica