Traduzir em português o artigo "Éveil de la conscience de race" [Despertar da consciência de raça] (1932), de Paulette Nardal
Resumo
Nascida na Martinica, primeira estudante negra matriculada na Universidade Sorbonne nos anos 1920, Paulette Nardal (1896-1985) foi uma intelectual francófona pioneira nas discussões sobre consciência de raça no contexto da colonização francesa. Seu salão literário em Clamart, no subúrbio de Paris, foi um importante ponto de encontro de pessoas e reflexões que construíram as bases do movimento da Négritude, surgido em 1935. Em 1931, Paulette e sua irmã Jane Nardal criaram e editaram a Revue du monde noir [Revista do mundo negro], periódico mensal bilíngue (francês e inglês) do qual um dos projetos, segundo prefácio do primeiro número, era "criar, entre os Negros do mundo inteiro, sem distinção de nacionalidade, uma ligação intelectual e moral que lhes permita conhecerem-se melhor, amarem-se fraternalmente, defenderem com mais eficiência seus interesses coletivos e ilustrarem sua Raça" (tradução nossa). No último número da revista, em 1932, Paulette Nardal publicou o artigo "Éveil de la conscience de race" [Despertar da consciência de raça], no qual observa esse despertar especificamente junto aos negros das Antilhas, traçando uma comparação com o avanço dos negros estadunidenses nesse tema. O presente trabalho trata dos primeiros passos para a tradução em português do referido artigo. De início, apresentaremos dados biográficos da autora, o contexto de publicação e a estrutura geral do texto. Em seguida, comentaremos nossa tradução em português de um trecho inicial da obra, apontando dificuldades e soluções encontradas, assim como a metodologia e o referencial teórico utilizados. O processo tradutório está sendo realizado coletivamente no âmbito do projeto de pesquisa "Literatura de língua francesa em tradução: verso e prosa, teoria e prática", vinculado à Área de Francês do Centro de Letras e Comunicação da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Finalmente, iremos propor uma reflexão sobre a importância de traduzir Paulette Nardal em português, por muito tempo apagada dos estudos sobre a Négritude e, recentemente, objeto de interesse em pesquisas sobre identidade, feminismo e decolonialidade.