O documento histórico e a tradução

Mesa redonda “Diálogos entre a história e a sociologia da tradução”

Autores

Resumo

Este trabalho discute a intersecção entre a teoria historiográfica e os estudos da tradução, fundamentando-se nas perspectivas de Jacques Le Goff e Christiane Nord. A partir da Nova História, compreende-se que o documento não é um testemunho neutro, mas um "monumento": uma construção social permeada por intencionalidades e relações de poder. Segundo Le Goff, cabe ao historiador desconstruir essa montagem, analisando as condições de produção e os silenciamentos do texto. Para transpor tal complexidade ao campo tradutório, propõe-se a abordagem funcionalista de Nord, especificamente a estratégia de tradução documental. Diferente da tradução instrumental, que busca a naturalização do texto na cultura de chegada, a modalidade documental visa a registrar uma ação comunicativa pretérita, mantendo visível a distância temporal e cultural. Sob o princípio da lealdade, o tradutor atua como mediador que preserva a alteridade e as fissuras do original. Conclui-se que a tradução de fontes históricas não deve modernizar ou corrigir o discurso, mas preservar a integridade retórica do documento-monumento. Assim, garante-se que o texto traduzido permaneça como evidência passível de análise crítica, permitindo que o público contemporâneo observe as estratégias de persuasão e as camadas de memória que o constituem.

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Publicado

2026-03-20

Como Citar

BARBOSA, C. (2026). O documento histórico e a tradução: Mesa redonda “Diálogos entre a história e a sociologia da tradução”. Cultura E Tradução, 9(1). Recuperado de https://periodicos.ufpb.br/index.php/ct/article/view/78241