SINDICALISMO, AUTORITARISMO E REPRESSÃO ENTRE DOIS POLOS

As greves metalúrgicas de Osasco em perspectiva histórica (1968-1980)

  • Maria Gabriela Silva Martins da Cunha Marinho Universidade Federal do ABC (UFABC)
  • Eliane Cristina de Carvalho Mendoza Meza Universidade Federal do ABC (UFABC)
  • Karen Christina Dias da Fonseca Universidade Federal do ABC (UFABC)

Resumo

O artigo analisa, em perspectiva histórica, aspectos da repressão desencadeada pelo acirramento político de 1968, com ênfase nas greves de Osasco e reverberações no ciclo posterior do ABC paulista no final da década de 1970. Constrói a análise a partir da produção memorialística de personagens do período a partir de um ângulo menos frequente, no caso, a perspectiva dos agentes do status quo e da repressão política. Nesse sentido, localiza a participação do Exército e de empresários que se destacaram, sobretudo, na conjuntura de 1968, um dos momentos mais agudos do fechamento político durante o regime militar. O argumento desenvolvido pressupõe a mudança de escala e natureza da repressão e seu deslocamento de forças marcadamente policiais para a vinculação ao escopo das “atribuições” das Forças Armadas, em particular do Exército. Desse modo, sindicatos e sindicalistas passaram a compor o espectro do “inimigo interno” definido na Doutrina de Segurança Nacional.  Um dos aspectos destacados é o caráter estratégico do setor metalúrgico sobre o qual a repressão incidiu pesadamente, segmento no qual muitas empresas estiveram associadas ao capital internacional.  Por outro lado, além de assinalar a especificidade da atuação militar na repressão sindical, o artigo procura agregar como elemento de análise a presença do empresariado na escalada repressiva.

 

Palavras-Chave: Autoritarismo e repressão. Ditadura Civil-Militar e sindicalismo. Memória de greves e acirramento político. São Paulo e o estado de exceção.

Publicado
2020-10-08
Como Citar
Marinho, M. G. S. M. da C., Meza, E. C. de C. M., & Fonseca, K. C. D. da. (2020). SINDICALISMO, AUTORITARISMO E REPRESSÃO ENTRE DOIS POLOS. REVISTA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - POLÍTICA & TRABALHO, 1(52), 40-52. https://doi.org/10.22478/ufpb.1517-5901.2020v1n52.51663